A LOUCURA DE NIETZCHE
Uma das coisas mais fascinantes que li em escritos do Olavo de Carvalho é a teoria segundo a qual as doenças mentais, neuroses e psicoses, são antes fruto da repressão da consciência moral que dos instintos animais como postula a Psicanálise. Se não digo besteira, a teoria seria do psiquiatra Liput Szondi. A consciência moral, uma vez expulsa para o inconsciente, retornaria na forma de transtornos psicológicos. Um bom exemplo seria a personagem Raskolnikoff de Dostoievski. Após matar a velha usurária, o jovem arrivista passa por um verdadeiro inferno mental com delírios, febre inexplicável, alucinações, sentimentos confusos como súbitas efusões de generosidade e humanismo. Não seria a consciência moral reprimida de seu crime que estava vindo`a tona. Seria interessante, outrossim, analisar a loucura de Nietszche sob este prima. Boa parte da obra de Nietsche foi escrita na tentativa de arrasar o Cristianismo. `A beira da loucura, Nietsche escreveu “O Anti-Cristo.” Se René Girard tem razão ao propor que o Cristianismo é a religião que toma partido da vítima expiatória e que o culto dionisíaco não é mais que uma religião sacrificial, Nietszche ao propugnar a destruição do Cristianismo e o retorno aos cultos antigos, não faz mais do que desejar o retorno do velho sistema sacrificial. Parece-me que Girard afirmou esta tese expressamente em uma entreveista. Com base nisto, indago: não teria sido a repressão da consciência moral acerca dos sacrifícios que levara Nietzsche à lourura? Num dos seus primeiros sintomas de demência, o filósofo alemão agarrou-se a um pobre burro castigado, aos prantos. Segundo Mário Ferreira dos Santos – grande admirador de Nietzsche – em seus dias de insânida Nietzsche punha-se a beijar um crucifixo. Ora, não seria a humilhada besta um símbolo da vítima expiatória? Também no romance “Crime e Castigo”, pouco antes de cometer o assassinato, Raskolnikoff tem um sonho em que um cavalo é brutalmente linchado por populares. A cena antecipava o crime de Raskolnikoff e talve
Uma das coisas mais fascinantes que li em escritos do Olavo de Carvalho é a teoria segundo a qual as doenças mentais, neuroses e psicoses, são antes fruto da repressão da consciência moral que dos instintos animais como postula a Psicanálise. Se não digo besteira, a teoria seria do psiquiatra Liput Szondi. A consciência moral, uma vez expulsa para o inconsciente, retornaria na forma de transtornos psicológicos. Um bom exemplo seria a personagem Raskolnikoff de Dostoievski. Após matar a velha usurária, o jovem arrivista passa por um verdadeiro inferno mental com delírios, febre inexplicável, alucinações, sentimentos confusos como súbitas efusões de generosidade e humanismo. Não seria a consciência moral reprimida de seu crime que estava vindo`a tona. Seria interessante, outrossim, analisar a loucura de Nietszche sob este prima. Boa parte da obra de Nietsche foi escrita na tentativa de arrasar o Cristianismo. `A beira da loucura, Nietsche escreveu “O Anti-Cristo.” Se René Girard tem razão ao propor que o Cristianismo é a religião que toma partido da vítima expiatória e que o culto dionisíaco não é mais que uma religião sacrificial, Nietszche ao propugnar a destruição do Cristianismo e o retorno aos cultos antigos, não faz mais do que desejar o retorno do velho sistema sacrificial. Parece-me que Girard afirmou esta tese expressamente em uma entreveista. Com base nisto, indago: não teria sido a repressão da consciência moral acerca dos sacrifícios que levara Nietzsche à lourura? Num dos seus primeiros sintomas de demência, o filósofo alemão agarrou-se a um pobre burro castigado, aos prantos. Segundo Mário Ferreira dos Santos – grande admirador de Nietzsche – em seus dias de insânida Nietzsche punha-se a beijar um crucifixo. Ora, não seria a humilhada besta um símbolo da vítima expiatória? Também no romance “Crime e Castigo”, pouco antes de cometer o assassinato, Raskolnikoff tem um sonho em que um cavalo é brutalmente linchado por populares. A cena antecipava o crime de Raskolnikoff e talve
