Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Entre a dissonância e a paralaxe

Iniciado por priscila em 20/09/2010 · 30 mensagens

priscila#1
O confrade Diego, há pouco tempo, me indicou alguns livros a respeito do fenômeno da dissonância cognitiva, que eu imediatamente comprei, e posteriormente li, para entender bem do que se trata este interessante fenômeno, e comparaá-lo com aquele identificado e explicado pelo Olavo, a famosa paralaxe cognitiva, o desvio do eixo da percepção teórica para FORA da realidade concreta.

Bem – ao verificar o fenômeno da dissonância cognitiva, seu identificador a descreve como sendo o fenômeno criado pela percepção de que há um descompasso entre como a pessoa GOSTARIA que fosse a realidade e a dita cuja realidade concreta – o que causaria intenso desconforto na criatura. Para “resolver”o desconforto causado pela dissonância, então, a pessoa – via inúmeros mecanismos – tenta fazer o que em linguagem chã e bruta se chama uma “acoxambração”, ou seja: tenta “dar um jeito”para tentar anular o descompasso na marra.

O autor menciona como exemplo o caso de um grupo de pessoas que acreditavam cegamente numa médium que afirmava que o mundo acabaria num determinado dia e numa determinada hora, etc: essas pessoas largaram os empregos, venderam o que tinham – e se reuniram na data aprazada, em casa da referida médium, para esperar o fim do mundo (que seria obra de ETs enfurecidos com o comportamento dos humanos na Terra, ou alguma idiotice no gênero). E que obviamente NÃO aconteceu, é claro. Para “compensar” a dissonância que o “não-fim do mundo” causou nos coitados dos patetas (que haviam abandonado empregos e vendido seus bens - e é de se imaginar que tenham sido bastante criticados por ter feito isso!), a médium “resolveu”o assunto afirmando que fora a presença deles ali, na casa dela, esperando o fim do mundo com tanta confiança, que havia "comovido de tal forma" os tais ETs – que eles resolveram desistir de estuporar o planeta e todos os viventes... 😄!
priscila#2
Em sendo assim, as pessoas puderam “remendar” as coisas, dimuinuir a dissonância cognitiva, anulando o desconforto que vinha da admissão de que a história era uma completa patetice, e eles eram uns bobalhões que haviam acreditado numa mentira absurda.

O autor credita esta tendência a querer diminuir ou anular a dissonância a algo “INERENTE” aos humanos, do que eu discordo veementemente: na minha opinião, essa coisa não é nada “inerente”, e sim DERIVA da anulação da consciência, do segundo elemento da cognição: que, ao ser obliterado, faz com que a idéia de certo e errado, de bem e mal - e consequentemente os conceitos de “culpa”, “remorso”, etc – passem a ser vistos como INDESEJÁVEIS e definitivamente deletérios!

DESDE QUE a humanidade passou a acreditar que estamos aqui a passeio e para “ser felizes”, sem maiores conotações morais ou espirituais, surgiu o relativismo moral, que é o que EMBASA o “remendo da dissonância”. Se vivemos entre desmoralizados lesos que “bloqueiam” culpa ou remorso – e aviso que perigosamente estão começando a surgir os que nem sequer TÊM mais a dissonância, e não estão “bloqueando”ou “justificando” nada, porque REALMENTE não possuem mais vislumbre de culpa ou remorso: este é o ORANGO, o verdadeiro e real ORANGO – isto se deve a um ADESTRAMENTO CONTÍNUO para que “assim seja”, não a algo inerente a nós.

Assim, a CADA COISA que deveria nos causar culpa ou remorso - hoje considerados “chatices indevidas” que a humanidade imbecilizada gradualmente achou lindíssimo ANULAR, como excrescências inventadas por espíritos-de-porco que visam a “acabar com a festa”, e criar “complexados” - levanta-se imediatamente o MECANISMO APRENDIDO para “anular a dissonância”.
priscila#3
Abandonou o filho, lesou o patrão, traiu o amigo? Não sinta culpa: você “MERECE” aquela vantagem, aquela oportunidade, aquela felicidade, aquela carreira! Gastou além do que podia, bebeu demais, perdeu a hora, mentiu, tapeou, omitiu? Não sinta culpa: você “TEM DIREITO” a isso.
Como lhe ensinaram, como berram aos quatro ventos, “o que importa é ser feliz”: comece a berrar isso você também, e está feita a festa do relativismo.

A ÓBVIA encrenca de diminuir a dissonância desse jeito, anulando culpa e remorso, é que evidentemente isto significa anular junto o próprio conceito de ERRO – e nunca ninguém poderá fazer com seus erros aquilo que os RESGATA, que é APRENDER com eles, tentar corrigi-los, e não repetí-los nunca mais! Uma vez que a coisa errada não é mais vista como ERRADA, e sim como CERTA, é claro que não há motivo NENHUM para a pessoa não continuar a fazer aquilo pela vida afora. Não há o que aprender – já que a pessoa se convenceu de que ERA para ser daquele jeito, mesmo. O DESVÍNCULO da realidade se instala lentamente, e atinge a TODOS os âmbitos.

Por exemplo: me parece INACREDITÁVEL que alguém ache que o Brasil “vai bem” e que “os brasileiros melhoraram de vida”. Inacreditável, absurdo, de cair o queixo. O infeliz país sucumbe à droga, à violência, à corrupção, à completa imoralidade – sem falar nas coisas concretas, como um sistema de saúde precário, um sistema de saneamento inexistente, um sistema de educação implodido, um sistema de trânsito caótico – enfim, sem falar na INABITABILIDADE GERAL do país! E no entanto este pensamento, a idéia de que “melhoramos”, é praticamente UM CONSENSO!
priscila#4
Perdeu-se completamente a noção: e perdeu-se ASSIM, deste modo - porque as pessoas foram ADESTRADAS, treinadas a reduzir a dissonância, e portanto preferem perder o vínculo com o REAL, em nome de uma “sensação”de que o que se QUER é o que se VÊ. Ou o que se VÊ é o que se QUER, o que dá no mesmo. Mais ou menos como, se passar uma bala perdida zunindo pela sua orelha, nego sair dizendo que “foi uma borboleta linda”: e além de TEIMAR que foi, ainda ficar furioso se alguém ousar lhe mostrar o raio da bala. 😄!

Bem, me parece que a paralaxe representaria, dentro deste contexto, uma forma mais GRAVE de desvio cognitivo, que acomete algumas pessoas. Suponho que a MAIORIA fica na dissonância, e a anula desse modo aí que eu menciono; mas alguns sucumbem e caem na paralaxe, que evidentemente é uma condição mais grave.

O indivíduo que sofre de dissonância cognitiva tenta ANULAR a realidade, para que não haja discrepância entre o que ela É e como ele quer que ela SEJA; o sujeito que sofre de paralaxe cognitiva INVENTA, CRIA uma realidade impossível que dê suporte a algo que ele inventou.
priscila#5
No seu excelente “Menti para os leitores”, o Olavo exibe o exemplo de Dawkins, um exemplo aliás de MÁXIMA contundência (Dawkins e Peter Singer, ambos na minha opinião absolutamente lesados, já irreversivelmente. Aquela estupidez é patológica, não tem mais jeito, esses caras já caíram pro ladelá do muro faz tempo), com a sequência “methinks it is like a weasel”, que ele insere num computador, manda o dito cujo desconstruir e ficar juntando as letrinhas até que a sequência apareça de novo, o que obviamente FATALMENTE vai acontecer, porque ele PRÉ-DETERMINOU que acontecesse e deu a ordem para isto – e pretende usar essa idiotice infantilóide como “demonstração” de que aleatoriamente se constrói uma sequência significativa... Não sei por que não usou a experiência que foi proposta como piada por alguém – a que diz que, dados dez computadores com dez macacos batucando a esmo e um espaço de tempo suficientemente grande, acabariam saindo as obras completas de Shakespeare... 😄!

Ou até, como seria óbvio – embora TAMBÉM não demonstrasse NADA (pois HAVERIA uma ordem, de qualquer modo: uma DETERMINANTE pré-estabelecida, representada por ele, Dawkins, que MANDOU que “fosse feito”e FORNECEU o alfabeto que permite a possibilidade do objetivo, ou seja, já fez parte do trabalho), mas pelo menos não seria uma bagaça ridícula ao ponto do ofensivo – simplesmente enfiasse um alfabeto no computador, desse a permissão para combinações “quaisquer”, aleatórias, incluindo naturalmente repetições, e ficasse esperando sair “methinks it is like a weasel”.

Senta pra esperar, dotô Dawkins! Senta pra esperar que eu lhe aviso que vai DEMORAR!!!!! - 😄!

Como se vê, ESTE já saiu da mera dissonância e entrou na paralaxe – e a paralaxe cognitiva pode, com todo o rigor científico, ser catalogada definitivamente como um delírio.
rafael_21#6
“foi uma borboleta linda”

hahahahah...
priscila#7
É verdade - 😄! O sujeito é assaltado e roubado trinta vezes, vive em pânico num edifício todo gradeado, sua em bicas a cada vez que um filho sai pra ir comprar pipoca e demora três minutos, e quando eu me compadeço sabe o que é que me dizem? "Exagero seu", é o que me dizem! "Também não é tanto assim", é o que me dizem...

Meu amigo, eu não posso fazer no meu país UM DÉCIMO do que eu faço com toda a segurança no país dos outros, e olha que eu não sou exatamente uma pessoa medrosa - eu tendo a ser "desligada", não presto muita atenção em nada - só não sou é SUICIDA, e não pretendo morrer no meio da rua com um tiro de orango leso, e sim na minha caminha, se possível for - assim Deus me ajude e proteja! 😄!

Mas eu DESISTI de falar, porque a própria pessoa que RELATA o terror insano que virou a sua vida é a PRIMEIRA a afirmar que "as coisas melhoraram"e que eu sou "uma exagerada"! 😄! Durma-se com um barulho destes, amigo!
priscila#8
Voltando à paralaxe por um instante, o Olavo também menciona outra coisa óbvia - que é que o SIGNIFICADO da coisa - no caso a frase "methinks it is like a weasel"é ATRIBUÍDO, e não "inerente"às letras em si; e para que ele EXISTA, se EXPRESSE, o sujeito tem que possuir a CHAVE de significado para entendê-lo, evidentemente!

Senão QUALQUER "frase" pode servir a qualquer retardado para que ele "resolva"atribuir a ela um significado, um significado "porque sim"- aparece "vscdh oint lhfg", e o sujeito ainda de repente tem a cara-de-pau de dizer: "VIU? Olhaí!" Um VALE-TUDO, amigo - de um lado os orangos a mandar, e de outro os monos lesos a obedecer!

Este foi o CAMINHO seguido pela humanidade, foi a ESCOLHA feita: o caminho que vai da dissonância cognitiva à paralaxe cognitiva. A humanidade vive, hoje, no curto espaço entre a dissonância e a paralaxe.

Voltar me parece que só Deus interferindo, e fazendo a flecha do tempo apontar para trás, desmanchando tudo o que aconteceu e nos botando novamente no século V. Ou IX. Ou em qualquer ponto ANTES da merda que nos assola ter surgido, quando ainda éramos capazes de inteligir INTEGRALMENTE, como era TÃO melhor...

Eu escrevo essas coisas pra ver se me CONSOLO, e na esperança de que possa ajudar a mais alguém saber que não está sozinho no meio dessa hecatombe cognitiva... 😄!
rafael_29#9
"Para não acreditar na evolução você deve ser ignorante, estúpido ou insano".

Richard Dawkins

Interessante o fato de não existir NENHUMA prova científica da existência de um ser 'intermediário' entre uma espécie e outra!

Então segundo o 'cientista' Richard Dawkins, eu sou 'ignorante'.

Postei isso na mídia sem máscara, pra ironizar!

"Entre a dissonância e a paralaxe":
Lembro-me de casos de pessoas gravemente doentes e fragilizadas, que apelam
para as chamadas 'terapias alternativas', cujos 'terapeutas' GARANTEM a cura TOTAL!
Eis que qdo a cura ñ vem, o 'terapeuta' afirma que o paciente ñ 'aceditou' o suficiente para alcançar a cura e o paciente ACREDITA em tal afirmação.

Terapeuta: charlatão cara-de-pau ou 'paralaxento' (inventei agora).
Paciente: dissonante cognitivo (consciente, inconscientemente ou ambos).

No caso de eu dizer pra uma pessoa diagnosticada com um
tumor maligno, 'vá ao oncologista, e peça à ele que disponha de tdo seu conhecimento na sua especialidade e faça tdo o possível, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia, pra tentar te curar', hj em dia, muitos me chamariam de
'radical'!
Mas se eu disser: 'vá na benzedeira, cromoterapia, yoga, tai chi chuan, cristal-terapia' e o diabo à quatro, muitos me chamariam de 'bacana, moderno'.

Aí eu questiono: é melhor que a doença seja RADICALMENTE tratada ou que seja 'superficilamete, democraticamente' tratada?

A resposta é meio óbvia!
adermir#10
Oi, Priscila, há quanto tempo que não dou uns passeios pela comunidade... até que vi esse tema interessante que você propôs, então quero dar um pitaquinho.

O conceito de dissonância cognitiva partiu da psicologia experimental, salvo engano meu. Há um experimento clássico em que um grupo de pessoas é chamado a avaliar figuras projetadas em termos de tamanho, forma, etc, e todo o grupo faz opções evidentemente erradas, enquanto que um desavisado fica se sentindo inadequado porque está tendo uma percepção diferente do grupo. A dissonância cognitiva se dá porque há um conflito entre o desejo do sujeito de conformar-se ao grupo e sua percepção que diverge do declarado pela maioria. Há uma expressão geral de desconforto e a maioria das pessoas acaba alterando sua percepção para acomodar-se ao grupo.

Acho que há uma diferença significativa desse fenômeno com o da paralaxe cognitiva, que é uma situação na qual a declaração do sujeito só pode ser tida por verdadeira se este não fizer parte do universo acerca do qual ele faz uma declaração.

Mas podem ser fenômenos complementares. Imagino os "líderes" como portadores da paralaxe enquanto que a massa manobrada se submete em função da dissonância.
rafael_29#11
acreditou*
andr_15#12
Sempre procurei livros sobre esse assunto, você pode nos passar as referências, Priscila?
ayrton#13
Estávamos sentindo a sua falta, Priscila.
diegoduarte#14
Theory of Cognitive Dissonance
Autor: Leon Festinger

The Spiral of Silence: Public Opinion
Autora: Elisabeth Noelle-Neumann
flor#15
Estávamos sentindo a sua falta, Priscila. (2)
priscila#16
1) TUDO o que eu escrevo em um lugar onde todo mundo lê passa a ser automaticamente de domínio público, amigo. Pode reproduzir, usar, distribuir, fazer o que quiser. E sim, pode mencionar meu nome, claro.

*****

2) Eu acho que basicamente é esta a tese mesmo, amigo – mas eu a estendi – 😄! O GRUPO, a chamada “maioria” segue o “padrão vigente”. O desconforto individual na minha opinião surge porque bloquear a consciência não é algo FÁCIL, é a rigor uma monumental amputação. Então o sujeito prefere, escolhe, bloquear a REALIDADE, e fazer uma espécie de “adaptação”, para que ele “não se veja”como um cretino, um indecente ou uma toupeira, e sim como alguém cujas ações são “justificáveis”.

Quando se criou o termo “dissonância”, suponho eu que foi certamente porque já não se queria mais falar em culpa, que era um conceito que foi brutalmente atingido, penso eu, já há muito tempo. E portanto eu não entendo a dissonância como SINÔNIMO de “culpa”, não acho que seja “a mesma coisa”- tanto que se criou um termo diferente.

Acho que dissonância é um desconforto DIRIGIDO à realidade, uma espécie de IRRITAÇÃO com uma realidade que fica se “infiltrando” e aborrecendo a pessoa. E o ÚNICO MODO que me parece POSSÍVEL de escapar da dissonância, portanto, seria distorcer a realidade, que é o que é feito.

Na CULPA, no REMORSO, o único modo de escapar é justamente NÃO distorcer a realidade, é precisamente ACEITÁ-LA, se arrepender, e alterar a SI mesmo, mudar o próprio comportamento que gerou o desconforto.

Então, num caso o desconforto se dirige, tem como objeto, a realidade, que é portanto o que será adulterado; no outro, a realidade vence, não há a possibilidade de pretender adulterá-la, porque ela simplesmente EXISTE COMO TAL; portanto, a pessoa não perde o vínculo com ela.

Me parece que o mundo da minha juventude e da minha infância era MUITO DIFERENTE deste EXATAMENTE por isso, porque NINGUÉM pretenderia "alterar a realidade"- era inaceitável. Na verdade era mais que isso: era IMPENSÁVEL.
priscila#17
Quanto à paralaxe, eu acho que ela seria o AUGE da dissonância: o sujeito não apenas DISTORCE a realidade – ele inventa uma FALSA, que não existe, não é real, foi composta exatamente no propósito de justificar antecipadamente uma tese, de dar suporte a uma tese. O sujeito que escreve um livro para demonstrar que a literatura acabou, assim como o cientista que pretende dar uma demonstração de que “a aleatoriedade pode criar significados” usando dados não aleatórios cujo significado é pré-existente, estão a rigor inventando um contexto falso, irreal, que para eles “dá suporte” a uma tese delirante e que portanto eles tentam “impingir”como se fosse “real” – mas para qualquer um que não entre no mesmo delírio é apenas uma invenção estúpida, que a realidade facilmente desmente. Eu estou dando aos camaradas o benefício da dúvida, é claro: e chamando de “delirante” quem pode perfeitamente ser só um farsante canalha – e aliás provavelmente É mesmo, mas eu detesto cometer injustiças... 😄!

Mas continuemos a conversa, amigo: eu simplesmente adoro intervenções! Comente o que você pensa disto!
*****

3) Sim, foram as indicações - obrigada, viu, Diego! 😄! Como você vê, eu gostei muito. Bem, os que comprei se chamam "Cognitive Dissonance - 50 years of a Classic Theory", de Joel M. Cooper, e "On Being Certain: Believing You Are Right even when you're not", de Robert Alan Burton.

Encomendei na versão normal, porque não havia edição Kindle, o "Theory of Cognitive Dissonance", de Leon Festinger, que penso que será o melhor, já que este é o autor da teoria. Mas ainda não chegou.
lrdezro#18
Leia o livro "O Maio Espetaculo da Terra - As Evidências da Evolução", nele Dawkins diz "As evidências da evolução estariam totalmente garantidas mesmo se nenhum corpo jamais houvesse se fossilizado."
diegoduarte#19
Priscila, no midiasemmascara hoje tem um artigo do Olavo que está falando da espiral do silêncio.
priscila#20
Ficou bom! E foi um prazer colaborar. Use e abuse, quando quiser. 🙂.
priscila#21
Vopu lá ver, Diego!
neto#22
Muito bom esse texto! vale apena.
wellington_2#23
"Leia o livro "O Maio Espetaculo da Terra - As Evidências da Evolução", nele Dawkins diz "As evidências da evolução estariam totalmente garantidas mesmo se nenhum corpo jamais houvesse se fossilizado." "

Olha evidencias da evolução voce tem desde dos pré-socráticos, a própria biblia assume uma visão evolucionista em certo sentido, tudo vai surgindo aos poucos, e com o tempo surge o homem. (apesar do texto literalmente falar em 7 dias)
O que Darwin porpôs foi um mecanismo de como a evolução ocorreu.
E o mecanismo estava absolutamente errado.
Aí os cara para salvar a teoria apelaram para o acaso absoluto, o que é uma estupidez.
Acho que o Drawinismo tem uma boa explicação de como as espécies se extinguem, não como surgem.
Olha eu mesmo sendo Cristão já fui um arduo defensor do Darwinismo.
Mas hoje vejo que não possuímos nenhuma evidencia experimental que prove como a evolução ocorreu.
Primeiro se tudo é obra do acaso, já não há ciência possível sobre isso já que foi um mero acidente. Se for mero acidente fica muito dificil propor experimentos que repitam o acidente.
Uma vez apertado em um documentário o senhor Dawkins disse que não sabia como surgiu a primeira célula.
"As evidências da evolução estariam totalmente garantidas mesmo se nenhum corpo jamais houvesse se fossilizado." Talvez evolução sim, mas Darwinismo não. A prova do Darwinismo são os fósseis.
Agora seria bom ler os argumentos da Dawkins, se voce pudesse postar.
Mas creio que o Dawkins é um charlatão de primeira. Uma vez estava discutindo com o meu professor sobre isso, e ele que é ateu após uma discussão disse que o drawinismo é uma teoria a ser provada.
Mas a grande questão é aquela que o professor pos no seu artigo: "Por que existe o ser e não antes o nada?"
nderson#24
"pra ver se me CONSOLO, e na esperança de que possa ajudar a mais alguém saber que não está sozinho no meio dessa hecatombe cognitiva..."

Consolamo-nos com os textos da Priscila...
andr_15#25
Grato.
andr_15#26
Criem uma conta, no site do Google, chamado "gigapedia".

Achei parte das indicações lá.

😉
adermir#27
intervindo mais um pouco, e atendendo a seu pedido, Priscila:

Eu acho que basicamente é esta a tese mesmo, amigo – mas eu a estendi – ! O GRUPO, a chamada “maioria” segue o “padrão vigente”. O desconforto individual na minha opinião surge porque bloquear a consciência não é algo FÁCIL, é a rigor uma monumental amputação. Então o sujeito prefere, escolhe, bloquear a REALIDADE, e fazer uma espécie de “adaptação”, para que ele “não se veja”como um cretino, um indecente ou uma toupeira, e sim como alguém cujas ações são “justificáveis”.

Acho que é isso mesmo. Só que a chata da realidade continua existindo e incomodando o “amputado”, causando essa sensação de que algo está desafinado, desarmônico, com o que ele expressa.
adermir#28
Acho que dissonância é um desconforto DIRIGIDO à realidade, uma espécie de IRRITAÇÃO com uma realidade que fica se “infiltrando” e aborrecendo a pessoa. E o ÚNICO MODO que me parece POSSÍVEL de escapar da dissonância, portanto, seria distorcer a realidade, que é o que é feito.

vide observação anterior.
adermir#29
Me parece que o mundo da minha juventude e da minha infância era MUITO DIFERENTE deste EXATAMENTE por isso, porque NINGUÉM pretenderia "alterar a realidade"- era inaceitável. Na verdade era mais que isso: era IMPENSÁVEL

Talvez isso seja verdadeiro no contexto da sua experiência pessoal, mas na história esse evento já era comum. O marxismo já era centenário quando você nasceu, imagino. Stalin estava no poder na URSS, e Goebbels elevava ao estado de arte a transmissão da mentira e a manipulação das massas.Podia não ter esse nome, mas o desconforto íntimo das pessoas com essas coisas era a tradução da dissonância cognitiva.
adermir#30
Quanto à paralaxe, eu acho que ela seria o AUGE da dissonância: o sujeito não apenas DISTORCE a realidade – ele inventa uma FALSA, que não existe, não é real, foi composta exatamente no propósito de justificar antecipadamente uma tese, de dar suporte a uma tese. O sujeito que escreve um livro para demonstrar que a literatura acabou, assim como o cientista que pretende dar uma demonstração de que “a aleatoriedade pode criar significados” usando dados não aleatórios cujo significado é pré-existente, estão a rigor inventando um contexto falso, irreal, que para eles “dá suporte” a uma tese delirante e que portanto eles tentam “impingir”como se fosse “real” – mas para qualquer um que não entre no mesmo delírio é apenas uma invenção estúpida, que a realidade facilmente desmente. Eu estou dando aos camaradas o benefício da dúvida, é claro: e chamando de “delirante” quem pode perfeitamente ser só um farsante canalha – e aliás provavelmente É mesmo, mas eu detesto cometer injustiças...

Você é muito boazinha... o benefício da dúvida pode ser retirado na medida em que se aquilate o grau de honestidade intelectual com que o "paralático" (bom esse termo, não?) sustente ou rejeite a sua afirmativa diante da objeção. Para mim, até prova em contrário, é farsante, sim.

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