prezado prof. Olavo,
no último programa 'True Outspeak', do dia 19/02, o sr. afirma que Guilherme de Ockham provavelmente está entre os precursores do fenômeno da paralaxe cognitiva, "quando ele proclama a universalidade do empirismo como critério da verdade". Mas o que me parece é que o empirismo em Ockham é um critério apenas para um modo específico de assentimento, a saber, o assentimento evidente, e não um critério universal de verdade. O que é importante ressaltar é que a fundamentação do conhecimento evidente em bases empíricas não faz com que Ockham negue que há outras formas de conhecimento e de assentimento. Com efeito, além do assentimento dado por evidência, há aquele resultante da fé, da crença em relatos de outras pessoas, etc. Neste sentido, a distinção é bastante clara.
A idéia é que o único meio natural de verificação última do conhecimento acerca de fatos empíricos é justamente a apreensão empírica - i.e.,intuitiva - destes fatos. Até onde me foi dado conhecer, Ockham não desenvolveu uma teoria que fornecesse critérios de assentimento a relatos de outras pessoas, por exemplo (como Hume veio a desenvolver sobre o testemunho). De fato, há em sua obra uma teoria apenas sobre os critérios de assentimento a proposições empíricas - e por isso o critério é empirista - e a proposições teológicas (que têm como critério de assentimento o fato de serem confirmadas por uma autoridade teológica estabelecida ou então o fato de serem causadas diretamente por Deus). A ausência de uma teoria a esse respeito não implica, porém, que o único critério de assentimento a qualquer proposição seja o empírico. Não me parece que Ockham discordaria da afirmação de Aristóteles de que a maior parte de nosso conhecimento vem de fontes não empíricas. O que Ockham faz é apenas constatar que, por conseguinte, a maior parte do nosso conhecimento acerca do mundo não é um conhecimento evidente.
no último programa 'True Outspeak', do dia 19/02, o sr. afirma que Guilherme de Ockham provavelmente está entre os precursores do fenômeno da paralaxe cognitiva, "quando ele proclama a universalidade do empirismo como critério da verdade". Mas o que me parece é que o empirismo em Ockham é um critério apenas para um modo específico de assentimento, a saber, o assentimento evidente, e não um critério universal de verdade. O que é importante ressaltar é que a fundamentação do conhecimento evidente em bases empíricas não faz com que Ockham negue que há outras formas de conhecimento e de assentimento. Com efeito, além do assentimento dado por evidência, há aquele resultante da fé, da crença em relatos de outras pessoas, etc. Neste sentido, a distinção é bastante clara.
A idéia é que o único meio natural de verificação última do conhecimento acerca de fatos empíricos é justamente a apreensão empírica - i.e.,intuitiva - destes fatos. Até onde me foi dado conhecer, Ockham não desenvolveu uma teoria que fornecesse critérios de assentimento a relatos de outras pessoas, por exemplo (como Hume veio a desenvolver sobre o testemunho). De fato, há em sua obra uma teoria apenas sobre os critérios de assentimento a proposições empíricas - e por isso o critério é empirista - e a proposições teológicas (que têm como critério de assentimento o fato de serem confirmadas por uma autoridade teológica estabelecida ou então o fato de serem causadas diretamente por Deus). A ausência de uma teoria a esse respeito não implica, porém, que o único critério de assentimento a qualquer proposição seja o empírico. Não me parece que Ockham discordaria da afirmação de Aristóteles de que a maior parte de nosso conhecimento vem de fontes não empíricas. O que Ockham faz é apenas constatar que, por conseguinte, a maior parte do nosso conhecimento acerca do mundo não é um conhecimento evidente.