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Ministra Eliana Calmon

Iniciado por rodrigo_4 em 29/09/2010 · 18 mensagens

rodrigo_4#1
A CORTE DOS PADRINHOS

A nova corregedora do Conselho Nacional de Justiça diz que é comum a troca de favores entre magistrados e políticos

Rodrigo Rangel

A ministra Eliana Calmon é conhecida no mundo jurídico por chamar as coisas pelo que elas são. Há onze anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana já se envolveu em brigas ferozes com colegas - a mais recente delas com o então presidente Cesar Asfor Rocha. Recém-empossada no cargo de corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra passa a deter, pelos próximos dois anos, a missão de fiscalizar o desempenho de juízes de todo o país. A tarefa será árdua. Criado oficialmente em 2004, o CNJ nasceu sob críticas dos juizes, que rejeitavam a ideia de ser submetidos a um órgão de controle externo. Nos últimos dois anos, o conselho abriu mais de 100 processos para investigar magistrados e afastou 34. Em entrevista a VEJA Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama. Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda, o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua vez, são os patrocinadores das indicações dos ministros.

Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário? Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou. A corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.
rodrigo_4#2
A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende dessa troca de favores?
O ideal seria que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.

Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República? Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.

A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro Cesar Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.
É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.

Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.
rodrigo_4#3
No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?
Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Há colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicação política.

Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?
Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muito sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.

E como resolver esse problema?
Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.

Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?
Nós, magistrados, temo tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a "juizite". •
rodrigo_4#4
Na entrevista que deu ao roda viva afirmou categoricamente que nasceu para ser juíza e que não pretende ser política.

Acredito que a movimentação para derrubá-la é muito grande neste momento.
f_orkut_2#5
Essa ministra Eliana Calmon também não é flor que se cheire, tenho sérias restrições a essa magistrada desde do início dos anos 2000! Para mim é joguinho de platéia!
thiago_7#6
O CNJ nem deveria existir, a constiuição é clara ao dar autonomia a cada um dos 3 poderes, daí vem um emenda à constiuição e criou um órgão de controle externo, que não é tribunal nem nada!
A ministra quebrou sigilo fiscal de milhares de pessoas, sem ordem judicial!
E ela também aparece na listados que receberam altas quantias de dinheiro , no caso dela 400 mil reais
lordjmkeynes#7
Essa é a minha grande dúvida.

O tal do CNJ não fere a autonomia do poder judiciário?
solideogloria#8
Discordo.

O CNJ é órgão do Judiciário, e, além de ter todas as suas decisões passíveis de controle pelo STF, tem a maioria absoluta de seus membros no próprio Judiciário.

A Calmon pode ter errado, mas não acho que o CNJ seja uma aberração.
thiago_7#9
Amaioria, não todos, ademais não sei se o STF pode agir de ofício contra o CNJ, ademais os tribunais tinham autonomia.
sobre a ministra ela passou de qualquerlimite mesmo
solideogloria#10
Continuo sem ver problema.

Quem não era do Judiciário é apenas indicado pelo Legislativo ou pelo PGR. Ora, os próprios ministros do STF não são escolhidos de maneira alheia ao Judiciário?

O STF não pode julgar de ofício os atos do CNJ, que, diga-se de passagem, não tem competência jurisdicional, mas pode derrubar qualquer um.
solideogloria#11
Não estou dizendo que o CNJ é uma benção, mas também continuo sem achar uma aberração.
priscila#12
😄 - A mulher mexeu no vespeiro da CORJA judiciária... Não vai sobrar NADA dela, coitada. Tá liquidada. Sei lá se é "flor que se cheire" ou não, nem me interessa: o que interessa é que o poder Judiciário deftepaif é um COVIL, um ANTRO de patifes.
priscila#13
"Por definição, juízes não legislam. Quando o fazem, tornam-se usurpadores criminosos e ninguém tem o dever de obedecê-los. Cada um tem antes o dever de denunciá-los, de expô-los à execração pública e de fazer o possível para retirá-los de seus cargos antes que cometam mais algum desatino."

Como previu o Olavo, no mesmo artigo, falando de juízes diversos,

"[...] os critérios que eles seguem estão sendo ensinados aos estudantes em praticamente todas as faculdades de Direito deste país: a figura hedionda do juiz-legislador já não é mais exceção e tende a tornar-se dominante num prazo de poucos anos."

Texto completo em "Usurpadores", Diário do Comércio, 15 junho de 2009

http://www.olavodecarvalho.org/semana/090615dc.html
priscila#14
...o artigo intitulado "SE...", publicado no Jornal da Tarde, em 27 de novembro de 1998.

Um PRIMOR, e explica muito bem o nosso atual estado de CALAMIDADE JUDICIÁRIA.

http://www.olavodecarvalho.org/semana/981127jt.htm
valria#15
Críticas à parte quanto a pessoa da ministra Eliana Calmon, a verdade é que o CNJ, se faz necessário dada a omissão da Receita Federal que não fiscaliza os impostos de rendas de juízes, desembargadores e ministros da mesma forma e critérios que fiscaliza os impostos de pessoas comuns, onde a evolução patrimonial tem que ter necessariamente compatível com o ganho anual do cidadão.

O valor de salário de juízes, desembargadores, ministros são de natureza pública, vez que publicados em diário oficial. Ainda assim a RF aceita aquisições incompatíveis com o ganho dessas pessoas, daí a necessidade de um órgão fiscalizador.

Será que todas essas pessoas têm herança? Será que ganharam na Mega da virada? Ou será que a RF está sendo omissa?
anna_2#16
A diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, diante da polêmica envolvendo associações de magistrados e a Corregedora do Conselho Nacional de Justiça, vem se manifestar nos termos seguintes:

1. O Conselho Nacional de Justiça é uma instituição republicana, instituída pela Constituição Federal, cuja existência tem contribuído para o aperfeiçoamento do Judiciário brasileiro.

2. A Constituição Federal, ao instituir o CNJ, atribuiu ao órgão competência plena para o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes (parágrafo 4o, art. 103-B) sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais (inciso III, parágrado 4º., art. 103). Portanto, o CNJ não é mera instância recursal às decisões das corregedorias regionais de Justiça sendo clara a sua competência concorrente com a dos Tribunais para apuração de infrações disciplinares

(continua abaixo....)
anna_2#17
3. A polêmica envolvendo setores da magistratura e a corregedoria do CNJ não pode servir para desviar o foco da questão central, que é a necessidade de prevalência das competências constitucionais do CNJ, as quais tem sido determinantes para conferir maior transparência ao Poder Judiciário.

4. A República é o regime das responsabilidades. Os excessos e desvios praticados deverão ser apurados respeitando o devido processo legal. Nenhuma autoridade está imune à verificação da correção de seus atos, dai porque é fundamental que para além de preservar a competência concorrente do CNJ para apurar desvios éticos, em respeito ao cidadão brasileiro, sejam apurados todos e quaisquer recebimentos de valores por parte de Magistrados, explicando-se à sociedade de onde provêm e a razão por que foram pagos.

5. A OAB Nacional espera e confia que os setores envolvidos nesta polêmica afastem as paixões corporativas, limitem o debate às questões institucionais e se unam no sentido de fortalecer a Justiça Brasileira, sendo o CNJ essencial para a construção de uma magistratura respeitada, ética e independente como pilar de um Estado de Direito digno deste nome.

Ophir Cavalcante
Presidente Nacional da OAB
anna_2#18
O assunto é muito sério para ficar no mero bate-boca , merece uma fundamentação. A democracia se faz com conhecimento!

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