Hawking faz confusão na teoria da “flutuação do vácuo” ao insinuar que a matéria pode de forma simples e espontânea aparecer, criada do “nada”. Uma flutuação do vácuo é um evento em que as forças da natureza se manifestam brevemente como “partículas virtuais”, de modo que não dá para observá-las brevemente de forma direta, e então desaparecem. Tais entidades teóricas parecem ter um bom apoio da evidência experimental. Contudo, a física não abandonou o princípio da conservação da massa e energia, e o “nada” do qual tais partículas recebem sua massa é de fato algo bem real, conhecido como “energia do vácuo”, que permeia todo o espaço.
Os “cosmólogos do quantum”, tais como Hawking, estão fazendo uma pequena indústria de especular que eventos como as flutuações do vácuo poderiam resultar na criação de mundos inteiramente novos, embora não tenham nenhuma prova experimental direta de tais eventos ocorrendo. Isso está de acordo com a obsessão geral de Hawking com conceitos altamente teóricos que têm poucos dados reais e concretos para apoiá-los. Ele tem, por exemplo, gasto muitos anos teorizando sobre as propriedades dos buracos negros, entidades cuja própria existência permanece sem provas. É por isso que, apesar de sua grande fama e capacidade inquestionada, ele nunca recebeu o Prêmio Nobel de Física.
Em seu mais recente lance de obter publicidade, Hawking parece estar empregando sua costumeira loquacidade recheada de tapeações para insinuar o aparecimento “espontâneo” do mundo físico, onde o próprio Nada é o criador.
Enquanto faz uso seletivo de teorias novas e não comprovadas para defender seus argumentos, Hawking convenientemente se esquece de mencionar que a interpretação mais comumente aceita da física quântica tem uma tendência de drasticamente minar a posição dele. Essa interpretação é conhecida como a Interpretação de Copenhagen (IC), popularizada por Niels Bohr, físico ganhador de Prêmio Nobel. A IC pressupõe que as partículas realmente não existem até que sejam observadas — elas só existem de um modo potencial, como probabilidades. Aliás, se adotarmos a postura ultra-empírica que Hawking está adotando, em que percepção e realidade são ingenuamente igualadas, essa é a conclusão mais lógica que podemos tirar da moderna física quântica, que usa probabilidades para lidar com opções espinhosas entre precisão de nosso conhecimento sobre a locação e momentum das partículas.
Contudo, se for verdade que as partículas não existem até serem observadas, então os próprios seres humanos não existiriam. Portanto, o universo inteiro só existiria se um observador não físico de fora do universo estivesse fazendo com que ele existisse. Esse é um dos motivos por que alguns físicos que inicialmente adotaram a IC por se encaixar em sua cosmovisão empírica recuaram dela. Eles não gostam das conclusões para as quais ela tende a levá-los. O observador não físico de fora do universo, fazendo com que o universo existisse por meio da observação, parece-se muito com Deus.
O que não é de causar surpresa é que Hawking rejeitou a IC em favor de outra interpretação menos popular chamada a interpretação de “muitos mundos”. De acordo com a própria resenha de Hawking acerca do livro, ele aplica essa interpretação de física quântica como se fosse algo que flui da própria ciência, em vez de ser uma suposição que não possui comprovação (e que atualmente não dá para se provar) rejeitada por grande parte dos físicos. Ele então usa essa teoria irreal, que afirma que todo evento quântico gera novos universos alternativos onde se realizam todas as possibilidades, para rejeitar o forte princípio antrópico, que argumenta que a sintonização e ajustes precisos do universo indicam a existência de um Criador. Hawking argumenta que com tantos mundos paralelos, um deles está sujeito a ser favorável à vida, de modo que não se fazem necessárias maiores explicações.
Ciência natural versus filosofia e religião
Entretanto, os erros no pensamento de Hawking vão muito mais fundo do que as incoerências e especulações em seu uso da física moderna. Eles implicam interpretação incorreta fundamental acerca das diferenças entre as ciências naturais e as ciências da filosofia e teologia. Embora as ciências naturais possam dar respostas para perguntas sobre a natureza precisa de objetos físicos e sua conduta, elas não podem responder a perguntas sobre as origens do próprio mundo físico, que é uma área tratada pela teologia, religião e filosofia metafísica.
A verdade é que Hawking publicamente caracteriza seu novo livro como um desafio para a própria filosofia, afirmando que a física moderna é capaz de responder a todas as questões tratadas pelas ciências filosóficas, tornando essas ciências obsoletas.
Mais problemática é a própria existência de coisas que não existem por sua natureza. Não há nada necessário sobre as leis da física conforme as achamos, nem os objetos físicos de nosso universo e suas propriedades. Podemos conceber de um número infinito de universos possíveis, cada um com seu próprio conjunto de leis, objetos e condições internas. Então, por que é que esse universo existe e não outros? Se outros existem, porque existem em vez de não existirem? Isso é conhecido na filosofia como problema da casualidade, e esse é um problema para o qual a física não consegue nem dar respostas iniciais. As coisas finitas de nosso mundo não existem por alguma necessidade interna. Portanto, elas devem depender de outra coisa para sua existência, e no final das contas todas as coisas devem depender de um ser que existe por sua própria natureza, que existe por si mesmo. Os cristãos, os judeus, os muçulmanos e outros chamam esse ser de Deus.
Outros problemas filosóficos surgem com a crença de Hawking em eventos “espontâneos”, sem causa. Embora o princípio de incerteza de Heisenberg, o qual é um elemento fundamental da física quântica, requeira que os cientistas usem teorias de probabilidade e “casualidade” quando criam modelos matemáticos do mundo físico, isso não se converte automaticamente na conclusão de que o mundo é em realidade metafisicamente acidental, sem propósito.
A casualidade é um conceito sem sentido se não tiver uma função de probabilidade pré-existente para defini-la, junto com regras e objetos aos quais se aplica. Além disso, a própria casualidade é só um jeito de se lidar com a falta de conhecimento completo sobre um conjunto de circunstâncias, muito parecido com quando lidamos com um jogo de baralho que foi embaralhado.
A ideia de que o mundo poderia ser produto de alguma “casualidade” no princípio e não tem causa fundamental é absurda à primeira vista, e agride violentamente a natureza da própria ciência, que é o estudo das causas e princípios. Se a existência do universo pode ser “casual” e sem causa, então qualquer evento que ocorre dentro dele também pode ser “casual” e sem causa, o que eliminaria completamente a ciência, e a capacidade de entender de forma racional o mundo em que vivemos.
O pensamento de Hawking representa o sintoma típico da arrogância acadêmica que muitas vezes predomina no mundo acadêmico, principalmente entre físicos e outros profissionais das ciências naturais, que se esquecem de que suas respectivas áreas são, afinal, limitadas. As ciências naturais de forma particular parecem atrair grande número de pessoas que se convencem de que só existe a realidade física, apesar do imenso edifício de argumentos que foram levantados contra tal cosmovisão durante mais de 2.300 anos pela filosofia e pela teologia. Eles estão muitas vezes trabalhando sob os tipos mais primitivos de erros filosóficos, principalmente o empirismo, uma doutrina há muito refutada que sobrevive apenas na mente ingênua de cientistas que, se não fosse por esses erros, seriam brilhantes, cuja visão míope do mundo os leva a grandes realizações em seus próprios campos, e ao mesmo tempo os leva ao fracasso total quando tentam responder às grandes perguntas da vida.
Jane Hawking, ex-esposa de Stephen Hawking a quem ele deixou para se casar com sua enfermeira mais jovem, provavelmente explicou melhor quando disse acerca de seu marido: “Stephen tem o sentimento de que pelo fato de que tudo se reduz a uma fórmula racional e matemática, que deve ser a verdade. Ele está investigando profundamente esferas que realmente importam para as pessoas que pensam e que, de um modo, podem ter um efeito muito preocupante sobre as pessoas — e ele não tem competência para isso”.
Infelizmente, esse físico brilhante e filósofo incompetente provavelmente terá um efeito muito preocupante em nossa sociedade já confusa, a menos que outros físicos mais responsáveis levantem a voz. Vamos esperar que o façam.
É uma coisa que sempre me fez contestar muito o Olavo de Carvalho, esse posicionamento dele negando "sagradamente" o ateísmo e investindo em denúncias contra astrofísicos.
Vejo o Hawking como um dos maiores gênios do século XX. Tanto pelo lado científico, como pelo lado social, que buscava levar ao conhecimento da maioria as descobertas cosmológicas e acabar com essa segregação secular entre sociedade e comunidade científica.
Recentemente li um artigo do O. de Carvalho falando exatamente sobre essa questão, essa polêmica que o Hawking soltou. Discordei quase que de maneira integral durante todo o artigo, mas algo que fica tremendamente escancarado é que por mais que O. de Carvalho tente minimizar e "excomungar" o Hawking, ele não o faz, ainda que use mão desse gênio extremista. E não o faz porque não pode. É isso e simplesmente isso. Hawking é admirável e suas contribuições para a relatividade geral, com o estudo das singularidades matemáticas, e suas descobertas referentes aos buracos negros fazem dele um homem eterno.
Chateia-me muito esse "cientificismo científico" que O. de Carvalho tenta empregar, querendo polemizar e crucificar alguns da comunidade científica. Não sei se http://o.de/ Carvalho é assim por uma postura que reflete sua profunda cristianização, negando ateus ( maioria dos cientistas atuais), mas no fim é uma postura muito infeliz.
Maioria? Baseado no que o senhor diz isso? Até onde eu sei a proporção de teístas na comunidade científica era de 4 a cada 10 (entre os outros 6 estavam os deístas, panteístas e ateístas), então pare de inventar.
Não se preocupe que uns cientistas que já se ofereceram a falar sobre o novo livro do Hawking.
Não é porque o cara é gênio que não erra. E não é por ser gênio que não fala merda sobre aquilo que não sabe.
Caco,
mui bem doutrinado você. Com todo um tópico de doze postagens ( creio eu ) você faz um post exatamente para mim? O que não se faz para sair do mar da ordinariedade, ein?
Foda-se.
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Baseado em que eu digo que os "astrofísicos" são em maioria ateus? Já vi em vários lugares. O mais recente foi num documentário PARA ALÉM DO BIG BANG do HC - com inúmeros depoimentos. Daí irás tirar sarro e dizer que tuas fontes são mais seguras e etc. Não se prontifique a isso. Deixe estar.
Bom, até eu que sou ignorante sei que o vácuo não é nada. No vácuo existe o espaço e o tempo. Ainda mais, para a física quantica no vácuo existe matéria e anti-matéria, ou seja, já existe muita coisa nesse espaço.
Como não li essa obra, prefiro recusar a acreditar que ele já partiu desse erro para tirar suas conclusões.
Ué, eu não vou falar nada das minhas fontes. Eu também assisto documentários e leio artigos frequentemente.
Estou bem familiarizados com os ateus e cristãos do ramo, só que eu não fico tentando empurrar estatística falsa para cima das pessoas.
Não é a minha fonte ou a sua que conta. O que conta é o que foi levantado; neste caso pela Nature Magazine.
O fato de um documentário estar repleto de ateístas não quer dizer que, em um cenário mais amplo, o resto da comunidade científica será ateísta também.
Como nem eu nem você levantamos dados quantitativos sobre este tema, devemos nos ater a quem já fez isso, não concorda?
É uma coisa que sempre me fez contestar muito o Olavo de Carvalho, esse posicionamento dele negando "sagradamente" o ateísmo e investindo em denúncias contra astrofísicos.
Não sei o que você quer dizer quanto a "negar sagradamente", talvez o Olavo negue o ateísmo porque já foi ateu, estudou o assunto e agora reconhece a existência de Deus através da razão.
Vejo o Hawking como um dos maiores gênios do século XX. Tanto pelo lado científico, como pelo lado social, que buscava levar ao conhecimento da maioria as descobertas cosmológicas e acabar com essa segregação secular entre sociedade e comunidade científica.
No campo dele ele pode até ser um dos maiores gênios do século XX, mas ele já errou até mesmo no seu campo de atuação, e quando resolve entrar em campos que desconhece completamente só fala besteiras.
Recentemente li um artigo do O. de Carvalho falando exatamente sobre essa questão, essa polêmica que o Hawking soltou. Discordei quase que de maneira integral durante todo o artigo, mas algo que fica tremendamente escancarado é que por mais que O. de Carvalho tente minimizar e "excomungar" o Hawking, ele não o faz, ainda que use mão desse gênio extremista. E não o faz porque não pode. É isso e simplesmente isso. Hawking é admirável e suas contribuições para a relatividade geral, com o estudo das singularidades matemáticas, e suas descobertas referentes aos buracos negros fazem dele um homem eterno.
Sim, o Hawking tem o seu valor no campo da física teórica, mas o problema está no momento em que ele pega argumentos e começa a distorcer forçando a barra para sustentar suas teorias.
Quanto a maioria das "descobertas" de Hawking... são teorias, apenas teorias.
Chateia-me muito esse "cientificismo científico" que O. de Carvalho tenta empregar, querendo polemizar e crucificar alguns da comunidade científica. Não sei se http://o.de/ Carvalho é assim por uma postura que reflete sua profunda cristianização, negando ateus ( maioria dos cientistas atuais), mas no fim é uma postura muito infeliz.
Se alguém diz que Deus não existe com base na ciência mas se a sua comprovação não tem a menor base científica, você quer que o Olavo diga o quê?
Fiz um curso de mecânica automotiva. Me ensinaram como funciona um carro e, o mais importante, como construir um carro. Agora posso afirmar com certeza: a Volkswagen não existe!!!
Carl Sagan fumou maconha quando jovem, mas depois parou com a filha da putice, casou e constitui família, tornou-se um grande divulgador e popularizador da ciência. Apesar de, algumas vezes, falar algumas bostas humanistas seculares, foi um dos únicos ateus midiáticos capaz de merecer alguma consideração. A luta dele era contra a pseudociência e não contra o cristianismo, diferente desses neo-ateus de hoje que brigam até pra tirar uma cruz de uma parede. Outro que respeito é Roger Scruton.