23 de fevereiro de 2007
Por Olavo de Carvalho (*)
Os militares ditos “nacionalistas”, que aliás não são muitos, acusam-me de tachá-los de comunistas e de não compreender suas elevadas intenções patrióticas. Ao contrário. Sei que não são comunistas. São anticomunistas, entusiastas do capitalismo de Estado, anti-americanos por cálculo e não por ideologia. E compreendo perfeitamente bem suas intenções. Discuti-as muitas vezes com o remoto mas influente mentor do grupo, o falecido general Carlos de Meira Mattos, meu amigo, inteligência brilhante, e lhe expus francamente minha discordância, então ainda nebulosa e mal fundamentada.
O que sonham é aproveitar-se da onda esquerdista, ajudando-a a precipitar uma situação virtual de guerra contra os EUA que elevaria às nuvens o poder das Forças Armadas, facilitando a derrubada dos esquerdistas e a instauração de um governo nasserista de salvação nacional.
O plano não é comunista: é apenas louco. Trata-se de matar o país para disputar a posse do cadáver. Uma situação de guerra ou mesmo de pré-guerra na América Latina é tudo o que os globalistas precisam para colocar a área sob intervenção da ONU. A soberania nacional desapareceria em segundos, a Amazônia seria internacionalizada por automatismo. Os militares nacionalistas iriam para a cadeia e os comunistas voltariam ao poder como heróis da democracia, sob os aplausos da comunidade internacional e da mídia chique.
O plano é furado porque sua base teórica é a metodologia errada da Escola Superior de Guerra, cujo conceito fundamental de "poder nacional" só reconhece como sujeitos agentes da História os Estados e os governos. Estados e governos não são sujeitos da ação histórica: são seus instrumentos. Sujeitos históricos são entidades mais permanentes e estáveis, cuja ação se estende para além da duração dos Estados e governos.
Por Olavo de Carvalho (*)
Os militares ditos “nacionalistas”, que aliás não são muitos, acusam-me de tachá-los de comunistas e de não compreender suas elevadas intenções patrióticas. Ao contrário. Sei que não são comunistas. São anticomunistas, entusiastas do capitalismo de Estado, anti-americanos por cálculo e não por ideologia. E compreendo perfeitamente bem suas intenções. Discuti-as muitas vezes com o remoto mas influente mentor do grupo, o falecido general Carlos de Meira Mattos, meu amigo, inteligência brilhante, e lhe expus francamente minha discordância, então ainda nebulosa e mal fundamentada.
O que sonham é aproveitar-se da onda esquerdista, ajudando-a a precipitar uma situação virtual de guerra contra os EUA que elevaria às nuvens o poder das Forças Armadas, facilitando a derrubada dos esquerdistas e a instauração de um governo nasserista de salvação nacional.
O plano não é comunista: é apenas louco. Trata-se de matar o país para disputar a posse do cadáver. Uma situação de guerra ou mesmo de pré-guerra na América Latina é tudo o que os globalistas precisam para colocar a área sob intervenção da ONU. A soberania nacional desapareceria em segundos, a Amazônia seria internacionalizada por automatismo. Os militares nacionalistas iriam para a cadeia e os comunistas voltariam ao poder como heróis da democracia, sob os aplausos da comunidade internacional e da mídia chique.
O plano é furado porque sua base teórica é a metodologia errada da Escola Superior de Guerra, cujo conceito fundamental de "poder nacional" só reconhece como sujeitos agentes da História os Estados e os governos. Estados e governos não são sujeitos da ação histórica: são seus instrumentos. Sujeitos históricos são entidades mais permanentes e estáveis, cuja ação se estende para além da duração dos Estados e governos.