"Então nós passamos de antigolpistas, preparados para nos opor à ameaça concreta, a golpistas e decidimos nos antecipar a ela. Prova? Outro livro de um comunista e escritor honesto: Combate nas trevas, de Jacob Gorender. No capítulo ''Pré-revolução e golpe preventivo'' ele descreve a revolução que estava em processo e o golpe de Estado, preventivo." (Jarbas Passarinho)
"Em 1964, só por conveniência hipócrita, os que chamam de golpe militar fingem esquecer que até um comunista respeitável o chama de golpe preventivo. O adjetivo diz tudo, e mais ainda quando a expressão é precedida de “pré-revolução”, a caracterizar a ameaça dos revolucionários, quer os marxistas-leninistas, quer os nacionalistas obcecados pelo antiamericanismo, quer, ainda, pela ambição do fronteiriço político a explorar os “pelegos” que sonhavam com uma cópia carbono do regime peronista. Pela primeira vez, os militares brasileiros assumiram diretamente o poder, não por ambição de mando, mas para nos defenderem da expansão do Movimento Comunista, que já se estendia do Rio Elba, na Alemanha derrotada em 1945, ao Caribe, na Ilha de Cuba, já dominados a China de Mao Tsé-tung, o Vietnã e a África, de que os comunistas aproveitaram as justas guerras de descolonização." (Jarbas Passarinho)
Nesse site tem o Cap. 8 (Pré-revolução e golpe preventivo) do livro "Combate nas Trevas" de Jacob Gorender.
“Antecipando-se ao Quinto Congresso, só realizado três anos mais tarde, a Declaração de Março apresentou uma nova linha política, pela qual o Comitê Central assumiu a responsabilidade, apoiando no consenso da maioria da militância.” (Jacob Gorender, in "Combate nas Trevas", pg. 29)
“A nova linha política partiu da mesma premissa do Programa do Quarto Congresso: a concepção da revolução brasileira em duas etapas.[...] Assim, a primeira etapa em curso seria a revolução nacional e democrática, de conteúdo antiimperialista e antifeudal. Após a vitória dela é que se passaria à segunda etapa – a da revolução socialista. Propunha-se a mesma composição de forças sociais para a realização das tarefas revolucionárias da primeira etapa: o proletariado, os camponeses, a pequena burguesia e a burguesia nacional.[...]
A premissa era a mesma, não porém todas as inferências. A Declaração de Março reconheceu o desenvolvimento capitalista já em efetivação, o que até então o PCB se obstinava a negar. Só que o desenvolvimento capitalista ainda não se completara, nem amadurecera para a revolução socialista. A tarefa dos comunistas devia ser a de lutar pelas reformas de estrutura a fim de que o desenvolvimento capitalista viesse a tomar um curso que o aproximaria da revolução nacional e democrática.[...]” (Jacob Gorender, op. cit., pg. 30)
“Mas, a par de vícios essenciais, a Declaração de Março conteve um elemento que se revelou acertado e notavelmente fecundo: a indicação da luta pelas reformas de estrutura. Difundidas mais comumente com a denominação de reformas de base, foi a luta por elas que permitiu mobilizar e aglutinar grande conjunto de forças sociais e esboçar, de 1963 a 1964, uma situação pré-revolucionária no Brasil. Os militantes comunistas pudera aplicar uma orientação tática ajustada à realidade concreta e coerente com a linha política.” (Jacob Gorender, op. cit., pg. 31)
A coincidência com o que está ocorrendo hoje na América Latina não é fruto do acaso.
"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma.
Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente.
Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado.
E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe." (Discurso de Cícero, tribuno romano, 42 a.C.)
(...)A proposta geral do PCBR consistia na constituição de um novo partido marxista que reformulasse a linha tradicional do PCB a respeito da necessidade da aliança com a burguesia brasileira, sem no entanto abraçar a bandeira da Revolução Socialista imediata. Quanto à estratégia, a peculiaridade do PCBR consistia na sua defesa de uma combinação entre guerrilha rural e trabalho de massas nas cidades, com vistas a formação de um "Governo Popular Revolucionário". Este governo cumpria tarefas democráticas e anti-imperialistas, que abririam caminho para a Revolução Socialista, numa formulação que, paradoxalmente, aproxima-se da fórmula trotskista da "Revolução Permanente".
"A partir de 1957, o udenismo perdeu terreno no meio universitário em favor das correntes de esquerda. As diretorias eleitas refletiam a ampliação da influência do PCB. No começo dos anos 60, a AP se afirma como corrente forte e as diretorias eleitas, de 1961 a 1963, sob presidência dos militantes da AP Aldo Arantes, Vinícius Caldeira Brant e José Serra, vão sair da aliança entre o PCB e a AP" (Jacob Gorender, in "Combate nas Trevas", pg. 37)
"Jango enviou o pedido de estado de sítio ao Congresso, como previa a Constituição. Mas havia o objetivo de promover, na seqüência, um regime de exceção, apresentado nominalmente como transitório, como todo golpe que se preza.
Assim, após a aprovação do estado de sítio pelo Congresso, o governo federal pretendia intervir na Guanabara e em São Paulo, afastando Carlos Lacerda e Ademar de Barros, então governadores desses Estados. O Congresso seria desativado e seriam convocadas eleições para dali a seis meses, de vereador a presidente. Jango assegurava que não se candidataria. Nesse ínterim, seria preparada uma reforma constitucional, nela previstas as "reformas de base", a ser submetida a plebiscito." (José Serra, in. 40 ANOS ESTA NOITE, http://www.itv.org.br/site/biblioteca/conteudo.asp?id=12 )
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=108Desde 1964, a crença de que o golpe de 31 de março desse ano foi orquestrado pelos norte-americanos, lançada pela oposição esquerdista, veio conquistando um espaço cada vez maior na mídia, nos livros de "História" e no ensino, até tornar-se um dogma que só um lunático ou um desalmado agente do imperialismo ousaria contestar.
No entanto, ela baseia-se inteiramente em documentos falsos, forjados pela espionagem tcheca que, na época, era o braço da KGB no Brasil.
Quem contou isso em detalhes foi o próprio coordenador da operação, Ladislav Bittman.
A confissão está no livro The KGB And Soviet Disinformation. Publicado em Washington em 1985, o livro foi totalmente ignorado no Brasil, tanto pelos jornalistas quanto pelos chamados "pesquisadores" acadêmicos.
Panfleto comunista (...)"A lenda do "golpe tramado pela CIA" continuou a ser difundida por todo o país e acabou entrando nos livros didáticos, repassando até às crianças de escola uma perversa mentira comunista.
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=501"Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Relações Internacionais). Naquela ocasião, Prestes afirmou: "A escalada pacífica [ primeira etapa ] dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina. (...) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a ante-sala do socialismo [ segunda etapa ]. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista." Segundo Luís Mir, in "A Revolução Impossível", "A exemplo de 1935, a revolução deveria começar novamente, pelos quartéis." (cfr. Del Nero, in "A Grande Mentira", pg. 121)."
"Quando a história é vilipendiada, distorcida e usada em benefício de interesses particulares e escusos, o processo de retomada da verdade é longo e difícil, mas necessário. Um país que transforma sua história em estória está fadado ao fracasso, porque estará renunciando à experiências importantes em seu aprendizado como nação." (Anônimo)
Na boa...DUVIDO que Kruchev, Suslov e outros tubarões do regime soviético levassem Prestes tão a sério assim. É verdade que Prestes viveu muito tempo na antiga URSS mas seus contatos por lá não tinham toda essa relevância. Além disso, depois da Crise dos Mísseis em Cuba, os soviéticos se tornaram muito mais cautelosos, e dificilmente iriam se arriscar a apoiar (pelo menos abertamente) um regime pró-soviético no Brasil. A prova disso é que, depois que Goulart foi derrubado pelos militares, a embaixada soviética se fechou em copas, EVITANDO qualquer contato com uma suposta reacão armada da esquerda contra os militares. Naqueles tempos já ficava evidente que, para os soviéticos, o mais importante era MANTER os territórios sobre sua influência do que tentar avancar sobre a influ^wncia americana. Naquela época eles nunca confessariam, é claro...mas os soviéticos já sentiam que NUNCA ganhariam uma guerra aberta com os EUA...
Em fevereiro de 1965, o serviço me enviou a diversos países latino-americanos, inclusive Brasil e Argentina, para fazer a apreciação pessoal do clima político naqueles lugares e buscar novas idéias operacionais. Naquele tempo, a inteligência tcheca tinha numerosos jornalistas à sua disposição na América Latina. Ela influenciou ideológica e financeiramente diversos jornais no México e no Uruguai e até mesmo possuiu um jornal político brasileiro até abril de 1964. Mas a desinformação estava tradicionalmente ligada, em grande parte, a técnicas de falsificação
"Me expliquem o navio americano que estava na costa brasileira quando do golpe."
O navio fazia parte da operacão Brother Sam,que os esquerdinhas tanto adoram enaltecer...(risos)...Na verdade o navio era uma mera "formalidade" pois os EUA já sabiam que a resistência pró-Goulart seria mínima ou inexistente, como se confirmou depois.
A Operação Thomas Mann estava chegando à sua conclusão quando cheguei no Brasil. Seu objetivo era provar que a política externa americana na América Latina havia passado por fundamental reavaliação e transformação desde a morte do presidente John F. Kennedy. Queríamos enfatizar a política americana de exploração e de interferência nas condições internas dos países latino-americanos. De acordo com a teoria fabricada, o Secretário-assistente de Estado Thomas A. Mann era o autor e diretor da nova política. Queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam impondo pressão econômica injusta àqueles sul-americanos com políticas que eram desfavoráveis aos investimentos do capital privado americano. Também queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba. A operação foi projetada para criar no público latino americano uma prevenção contra a nova política linha-dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos anti-americanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas.
É o que mostram os documentos. Claro, os EUA seriam sempre simpáticos a qualquer governo anti-esquerda. Mas o fato é que a esquerda planejava um golpe e os militares tiveram que intervir para que evitar que uma revolução comunista transformasse o Brasil em país tipo Cuba. Os EUA apenas atuaram como observadores do processo.
Castelo Branco tinha contato mesmo com os EUA. Os EUA se ofereceram para ajudar com um combustível para os tanques, se não me engano. Mas o fato é que nem isso foi usado. Ou seja: a participação dos EUA no processo todo foi de meros observadores.
Ninguém nega que a CIA tinha informações sobre o que estava ocorrendo no Brasil e, PRINCIPALMENTE, sobre a influência soviética no processo revolucionário da esquerda.
Mas, na prática, o único americano que participou daquela marcha foi o padre que discursou na Sé...
Tudo depende da opnião pessoal. Quem quer acreditar no seu agente da KGB, acredita. Quem quer acreditar nesse agente da CIA, acredita
Sim, e a versão que prevalece então é a panfletária omitindo completamente o outro lado da história. Acho que o objetivo ficou bem claro ai. Menos para você.
Na verdade, o chamado "Golpe de 1964" foi um "Contragolpe" do Exército, dada a iminência do "Golpe" a ser dado pelos comunistas, diante das inúmeras evidências da intenção de tal ato.
Os EUA não participaram do golpe. Tudo o que existe a respeito, afirmando que os EUA participaram ativamente do golpe, visa somente criar um ambiente anti-americano no Brasil. É panfleto barato vendido aos estudantes como a verdade inequívoca. A charlatanice desses historiadores é tamanha que nem sequer os dados referentes a insurgência comunista aparecem nos livros. A impressão que se tem ao estudar a história pelos livros e artigos da mídia companheira de viagem é que a esquerda queria apenas "lutar pela democracia de peito aberto", o que sabemos é uma mentira deslavada.
A operação dependia apenas de canais anônimos para disseminar uma série de falsificações. A primeira falsificação - um press release falso da Agência de Informação dos Estados Unidos no Rio de Janeiro - continha os princípios fundamentais da "nova política externa americana". A segunda falsificação foi uma série de circulares publicadas em nome de uma organização mítica chamada "Comitê para a Luta contra o Imperialismo Ianque". O objetivo declarado desta organização não-existente era alertar o público latino-americano a respeito da existência de centenas de agentes da CIA, do DOD e do FBI, fantasiados de diplomatas. Uma terceira falsificação foi uma carta supostamente escrita por J. Edgar Hoover, diretor do FBI, para Thomas A. Brady, um agente do FBI. A carta dava crédito ao FBI e à CIA pela execução bem sucedida do golpe brasileiro de 1964.
O falso press release da USIA no Rio de Janeiro foi mimeografado e distribuído em meados de fevereiro de 1964, numa simulação de envelope da USIA, para a imprensa brasileira e políticos brasileiros selecionados. Uma carta de apresentação, anexada ao release e supostamente escrita por um funcionário local da USIA, declarava que o chefe americano da missão havia suprimido a carta por ser franca demais. O funcionário revelava que havia conseguido reter diversas cópias e que as enviara à imprensa brasileira porque estava convencido de que o público devia saber a verdade. Como conclusão, o remetente anônimo dizia que não podia revelar seu nome porque estaria arriscando a perda de seu emprego.
Ninguém te desqualificou. Apenas pedi para você analisar os fatos com a sua cabeça ao invés da dos outros. Mas se você prefere se orientar por "opiniões" ao invés de analisar os documentos, é um critério seu.
E você sim, desqualificou os demais ao dizer que os debates tinham atingido o "nível esperado".
Em 27 de fevereiro de 1964, a falsificação apareceu no jornal brasileiro O Semanário sob a manchete "MANN DETERMINA LINHA DURA PARA OS EUA: NÓS NÃO SOMOS MASCATES PARA NEGOCIAREM CONOSCO", e um ataque anti-americano acompanhava o texto do press release falsificado. Alguns dias depois, em 2 de março de 1964, Guerreiro Ramos, um membro do Partido Trabalhista Brasileiro, fez um discurso em que comentava a nova política atribuída a Thomas Mann e concluía que os Estados Unidos haviam obviamente retornado à linha dura de John Foster Dulles após a morte do presidente Kennedy. (Ele posteriormente reconheceu seu erro e explicou que a declaração atribuída a Mann estava baseada em um documento forjado.) Em uma declaração pública de 3 de março, o embaixador americano no Rio de Janeiro respondeu a funcionários brasileiros que Mann jamais havia proposto tais políticas e que aquela embaixada jamais havia emitido aquele press release.
Fomos salvos por nossos militares em março de 1964. Livres de uma guerra civil fratricida de larga escala(esquerda armada X direita armada) e, no pior caso, de uma ditadura comunista que, desde da década de 30, vinha pavimentando a estrada para o inferno socialista/comunista, o povo agradeceu aos Céus (Marchas da Família com Deus pela Liberdade) pela intervenção militar. O ciclo militar foi o mal menor.
Os EUA já estavam preocupados com a vitória da guerrilha do Fidel, que tomou o poder em Cuba.
Lógico que JFK não quereria que o destino do Brasil fosse o mesmo.
Houve um "discreto" apoio dos EUA para que os militares assumissem o poder. A "Operação Brother Sam" foi um apoio caso os militares tivessem problemas em concluir a ação.
Os porta-vozes dos EUA aqui no Brasil foram o embaixador e um adido militar que, infelizmente, não lembro os nomes, mas vou pesquisar.
Tudo isso foi muito discreto e, obviamente, confidencial.
Pra descontrair.. Prestes o arquivista trapalhão..
Acho que isso serviu de lição pro comunas..
Vejam só o Zé.. desconfiado... http://www.youtube.com/watch?v=lEgq2_xjIno
"Os comunistas ainda recuperavam o fôlego, quando ocorreu a notícia de que companheiros foram presos pelo DEOPS ou eram procurados para interrogatório a respeito de documentos encontrados na residência de Prestes. Começava o famoso episódio das cadernetas. Como em todos os casos de erro pessoal e intransferível, Prestes lançou a culpa sobre um anônimo ferroviário, que supostamente esqueceu de retirar as cadernetas, ao proceder à "limpeza" da casa. Isenta-se de responsabilidade e não faz autocrítica, em depoimento que enganosamente anuncia autocríticas.
De fato, a Polícia vasculhou a residência do secretário-geral do PCB somente no dia 9 de abril. Militantes do partido se arriscaram antes a retirar o que puderam. Mas os policiais ainda acharam 54 pastas de documentos e 20 cadernetas de anotações (uma destas inexplicavelmente se extraviou e não consta dos autos do processo judicial). A questão a indagar é por que Prestes se permitiu acumular essa papelada, sobretudo as cadernetas, em local tão devassado quanto a sua residência (que não era aparelho, termo do jargão comunista já consagrado como lugar usado para fins clandestinos).
A notícia do ocorrido trouxe dano moral devastador ao partido. Intelectuais foram humilhados nos interrogatórios do DEOPS, outros se esconderam por uns tempos. [...]"
"O estrago maior resultou do conteúdo das cadernetas. Prestes comparecia às reuniões munido de uma caderneta folhuda, de doze por dez centímetros, de capas cartolinas presas por espiral. Enquanto os outros falavam, sua grossa caneta-tinteiro deslizava incansavelmente pelo papel. Identificava os oradores pelo nome verdadeiro, pois ninguém usava nomes de guerra. A caprichada caligrafia do anotador torna a legibilidade perfeita. Durante cerca de três anos, a partir de meados de 1961, as cadernetas registraram centenas de reuniões, encontros e informações diversas. Para os órgãos de repressão policial, elementos de primeira ordem sobre a intimidade de uma organização fora da lei.
Volto à indagação da razão que levou Prestes a guardar consigo tão indiscreta coleção de cadernetas, cheias de anotações circunstanciais descartáveis para fins práticos. Não sou o primeiro a observar sua vocação para arquivista. Conserva tudo que se refere a ele, pois tem sempre viva a transcendência de sua personalidade histórica. Despreocupa-se das conseqüências que informações confidenciais podem provocar em poder do inimigo. As cadernetas e pastas de documentos da residência da Vila Mariana foram o terceiro arquivo que acumulou por vaidade e por negligência deixou cair em mãos da Polícia. Dessa vocação para arquivista tiraram proveito policiais, procuradores e juízes de tribunais políticos. Com finalidades diferentes, também foi útil a juristas e historiadores.” (Jacob Gorender, in "Combate nas Trevas", pgs. 85-86)
Prestes acumulou as cadernetas por vaidade, por negligência e por hábito ou vício.
TUDO era anotado em papéis - até eu, nos meus pré-históricos tempos marxistas bastante pós-prestes, por diversas vezes fui incumbida de "anotar" coisas, fazer atas de reuniões, etc.
Era o modelo.
Arriscado, claro. Mas era feito assim mesmo.
Impensável fazer diferente, embora hoje pareça absurdo.
O caso dele é cômico porque o partido era ilegal e o próprio Prestes vivia se escondendo de tudo e de todos a vários anos. Pra quem queria fazer uma revolução, ele mostrou "o" trapalhão nesse caso.
"Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata, a ideologia marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação especial aos olhos do governo. Como se já estivéssemos em pleno regime marxista-leninista, com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império soviético, às ordens do Kremlin:
Diário de Notícias, 01/04/1964
Parece que, de lá para cá, a nossa imprensa sofreu uma pequena "aminésia". Ela esqueceu completamente essas notícias.
"... O Sr João Goulart não pode permanecer na Presidência da República, não só porque se mostrou incapaz de exercê-la como também porque conspirou contra ela como se verificou pelos seus últimos pronunciamentos e seus últimos atos"
"... A Nação, a democracia e a liberdade estão em perigo. O povo saberá defendê-las. Nós continuaremos a defendê-la"