Sou contra o aborto. Sou da elite intelectual, PhD e pós-doc, falo línguas e escrevo livros. Vai encarar?LUIZ FELIPE PONDÉ (FOLHA DE SÃO PAULO – 11 outubro 2010)SOU CONTRA o aborto. Não preciso de religião para viver, não acredito em Papai Noel, sou da elite intelectual, sou PhD, pós-doc., falo línguas estrangeiras, escrevo livros “cabeça” e não tenho medo de cara feia.
Prefiro pensar que a vida pertence a Deus. Já vejo a baba escorrer pelo canto da boca do “habitué” de jantares inteligentes, mas detenha seu “apetite” porque não sou uma presa fácil. Lembre-se: não sou um beato bobo e o niilismo é meu irmão gêmeo. Temo que você seja mais beato do que eu. Mas não se deve discutir teologia em jantares inteligentes, seria como jogar pérolas aos porcos.
Esse mesmo “habitué” que grita a favor do aborto chora por foquinhas fofinhas, estranha inversão…
Não preciso de argumentos teológicos para ser contra o aborto. Sou contra o aborto porque acho que o feto é uma criança. A prova de que meu argumento é sólido é que os que são a favor do aborto trabalham duro para desumanizar o feto humano e fazer com que não o vejamos como bebês. E não quero uma definição “científica” do início da vida porque, assim que a tivermos, compraremos cremes antirrugas “babyskin” com cartão Visa.
Agora o tema é o “retorno” do aborto. O aborto entrou na moda neste segundo turno. É claro que esse retorno é retórico. Desde Platão, sabe-se que a democracia é um regime para sofistas e retóricos. A relação entre democracia e marketing já era sabida como essencial desde a Grécia Antiga. Por que o espanto quando os candidatos, sabendo que grande parte da população brasileira é contra o aborto (talvez por razões religiosas vagas, talvez por “afeto moral” vago), se lançam numa b atalha pelo espólio do “direito à vida”?
O marketing é uma invenção contemporânea, mas a necessidade dele é intrínseca a qual quer técnica que passe pelo convencimento de uma maioria, desde a mais tenra assembleia de neandertais.
Prefiro pensar que a vida pertence a Deus. Já vejo a baba escorrer pelo canto da boca do “habitué” de jantares inteligentes, mas detenha seu “apetite” porque não sou uma presa fácil. Lembre-se: não sou um beato bobo e o niilismo é meu irmão gêmeo. Temo que você seja mais beato do que eu. Mas não se deve discutir teologia em jantares inteligentes, seria como jogar pérolas aos porcos.
Esse mesmo “habitué” que grita a favor do aborto chora por foquinhas fofinhas, estranha inversão…
Não preciso de argumentos teológicos para ser contra o aborto. Sou contra o aborto porque acho que o feto é uma criança. A prova de que meu argumento é sólido é que os que são a favor do aborto trabalham duro para desumanizar o feto humano e fazer com que não o vejamos como bebês. E não quero uma definição “científica” do início da vida porque, assim que a tivermos, compraremos cremes antirrugas “babyskin” com cartão Visa.
Agora o tema é o “retorno” do aborto. O aborto entrou na moda neste segundo turno. É claro que esse retorno é retórico. Desde Platão, sabe-se que a democracia é um regime para sofistas e retóricos. A relação entre democracia e marketing já era sabida como essencial desde a Grécia Antiga. Por que o espanto quando os candidatos, sabendo que grande parte da população brasileira é contra o aborto (talvez por razões religiosas vagas, talvez por “afeto moral” vago), se lançam numa b atalha pelo espólio do “direito à vida”?
O marketing é uma invenção contemporânea, mas a necessidade dele é intrínseca a qual quer técnica que passe pelo convencimento de uma maioria, desde a mais tenra assembleia de neandertais.