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Destruindo o argumento do amor

Iniciado por lrdezro em 02/11/2010 · 4 mensagens

lrdezro#1
Nada mais me irrita em termos de discussão que o apelo comum aos sentimentos, ao sentimentalismo. E ad misericordiam é a falácia mais inoportuna que alguém pode usar. É a demonstração não mais que evidente de desonestidade intelectual e de menosprezo ao debate – é como debater com um eleitor de Dilma Rousseff, o exemplo perfeito de inferioridade intelectual e moral. Mas, quero chamar atenção para o sentimentalismo baseado no argumento do amor.

Muitas pessoas usam, como citado acima, os sentimentos como argumento. O argumento do amor é um que tais pessoas, presumo, devem julgar um dos argumentos mais fortes. Pois costumam deixar de lado as questões frias das coisas para se deixarem levar pelos sentimentos mais irracionais da fantasia humana para justificar as coisas mais, igualmente, irracionais. Pois bem. Destruamos, então, o argumento do amor.
lrdezro#2
Uma situação em que o argumento do amor cai com uma luva, por ex., é do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Questiona-se “por que impedir duas pessoas de se casarem se elas se amam?”. Primeiro – na verdade nem sei por qual ponto realmente começar, como falei de casamento, partirei do casamento como contra-argumento em si mesmo -, casamento é algo mais complexo que o amor entre um casal, ou no caso em questão, uma dupla, um par. Por conta disso, não deve ser resumido ao simples amor entre ambas as pessoas. (já que casal é composto por um macho e uma fêmea) e a complexidade do mesmo não cabe aqui ser comentada, pois não é sobre isso que o artigo trata. Então, resumir o casamento simplesmente ao amor é uma desvalorização e desrespeito ao próprio. Segundo – e este poderia ser o primeiro contra-argumento –, é preciso que se prove a existência do amor para que então seja considerado como critério válido para servir, antes de tudo, como argumento, caso contrário, será reconhecido tão somente como uma quimera humana, ou como diria Schopenhauer, um artifício utilizado pela Vontade para propagar a espécie de modo a propagar a si mesma (a Vontade). Terceiro, suponhamos que o amor de fato existe, então se isso serve como critério para aprovar uma absurdidade como o casamento entre pessoas do mesmo sexo no sentido de que é “natural” (que natureza é essa?), o que nos impediria de casar um humano com um animal? Há muitas pessoas ai que dizem amar mais os animais que os humanos – há muitas pessoas ai que fazem qualquer coisa para salvar um mico-leão e uma árvore e nada para salvar um feto –. O que nos impediria de casar um homem adulto com um bebê? Ou como ocorreu um caso (presumo que somente um) no Japão de um rapaz que se casou com seu travesseiro?
lrdezro#3
Êpa! Eu disse para supor que o amor de fato existe? Êpa! Êpa! Êpa! Como saber se o amor de fato existe? Como medir, aliás, a intensidade com a qual ele se faz presente em determinada(s) pessoa(s)? Como saber que um par homossexual ama mais uma criança que quer adotar que um casal heterossexual que deseja adotar esta mesma criança?

sso tudo me lembra uma vez que disse a uma pessoa ser averso a demonstrações de afeto em público, esta pessoa retrucou dizendo “não vejo nada de mais em dar, por ex., um beijo em público, é uma demonstração de carinho”. Ótimo! Quer dizer que pedófilos podem abusar de crianças em público e nada podemos falar, uma vez que na cabeça insana desses seres abjetos, o que fazem é não mais que a pura demonstração de amor, carinho? Daí vem um imbecil e argumenta dizendo que não há sentido em equiparar a demonstração de afeto consentida entre um casal a uma demonstração de “afeto” de um pedófilo que nada é consentida, ou coisa do tipo. Pois bem, caro imbecil, a equiparação faz pleno sentido uma vez que está sendo avaliada pelo fator “carinho/amor” e não pelos motivos ou conseqüências da ação, isto é, demonstração de afeto em público.

Em suma, espero ter deixado claro nessas considerações primeiras (pois a maior parte dos meus artigos não é a versão final dos mesmos) por qual caminho deve trilhar o debate: o da argumentação baseada em princípios sólidos e nada dependentes das preferências pessoais daqueles que debatem e que este artigo não seja considerado como uma espécie de aula sobre dialética, não teria, por enquanto, tamanha ousadia de querer fazê-lo. E que não esqueçamos da grande máxima “lágrimas não são argumentos” – Machado de Assis.

P.S. Quase me esquecia de pedir que tomem cuidado ao debater temas subjetivos como o Amor, pois muitos por ai dizem não saber defini-lo e ainda assim se atrevem a ironicamente comentá-lo – se você não possui definição para algo como vai comentar este mesmo algo?
lrdezro#4

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