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A taxa de fertilidade, o Papa e os preservativos

Iniciado por ayrton em 20/11/2010 · 17 mensagens

ayrton#1
Há alguns meses, alguém postou aqui este vídeo no qual o autor faz uma análise sobre relação entre a taxa de fertilidade de um determinado grupo (étnico, cultural, religioso) e a probabilidade estatística desse mesmo grupo continuar prosperando, estagnar-se ou mesmo extiguir-se.

Os índices seriam alarmantes para a cultura Judaico-Cristã e implicariam, irrevogavelmente, na islamização do Ocidente.

Como não consegui encontrar no arquivo, fiz uma breve pesquisa e encontrei-o no YouTube. Na época em que foi postado, eu fiz, aqui na OdeC, uma defesa da postura do Vaticano contrária ao uso de qualquer meio contraceptivo (incluíndo a polêmica camisinha), por entender que era a única maneira de combater o gravíssimo perigo que este interessante vídeo denuncia.

Como tenho poucas informações sobre a veracidade das informações divulgadas no documentário, peço a ajuda dos colegas sobre o assunto:
ayrton#2
ayrton#3
Achei o assunto pertinente porque foi divulgada hoje a seguinte notícia:

"20/11/2010

Uso de preservativo pode ser justificado, diz Papa

Líder cita uso na prostituição como possível 'passo para moralização'.
Declaração está em livro a ser lançado na próxima semana.

Em um livro de entrevistas a ser lançado na terça-feira (23), o Papa Bento XVI afirma que o uso de preservativos é justificado "em certos casos", especialmente para reduzir o risco de contaminação pelo vírus da Aids. O Papa cita como exemplo uma prostituta que, ao usar o preservativo para se proteger, estaria dando "o primeiro passo para uma moralização".

O livro, que será publicado na Alemanha e tem como título "Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais do tempo", é baseado em 20 horas de entrevistas conduzidas pelo jornalista Peter Seewald.

Até o momento, o Vaticano proíbe o uso de qualquer forma de contracepção - aceita apenas a abstenção -, mesmo como forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis.

Bento XVI provocou reações internacionais em março de 2009 durante uma visita à África, continente devastado pela Aids, ao afirmar à imprensa que a doença era uma tragédia que não podia ser combatida com a distribuição de preservativos, o que na opinião dele até agravava o problema."
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marcelo_6#6
O que realmente teria dito o Papa:

Bento XVI não deixa depois de responder à pergunta sobre a sexualidade. «Concentrarmo-nos só no profilático (perservativo) – afirma – significa banalizar a sexualidade, e esta banalização é sinónimo da perigosa razão» pela qual muitas pessoas vêem a sexualidade como uma droga em vez de uma expressão do seu amor. Todavia, acrescenta, «poderão existir casos isolados e particulares em que se justifique, por exemplo quando uma prostituta utiliza um profilático e este possa ser o primeiro passo dirigido a uma moralização, um primeiro acto de responsabilidade para desenvolver a consciência e o conhecimento do facto que nem tudo é permitido e não se pode tudo fazer consoante a nossa vontade. No entanto este não é o modo verdadeiro e correcto para vencer a infecção pelo VIH».

(…)
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Integra:

Pergunta “Em África, Vossa Santidade afirmou que a doutrina tradicional da Igreja tinha revelado ser o caminho mais seguro para conter a propagação da SIDA/AIDS. Os críticos, provenientes também da Igreja, dizem, pelo contrário, que é uma loucura proibir a utilização de preservativos a uma população ameaçada pela SIDA/AIDS.”

«Em termos jornalísticos, a viagem a África foi totalmente ofuscada por uma única frase. Perguntaram-me porque é que, no domínio da SIDA/AIDS, a Igreja Católica assume uma posição irrealista e sem efeito – uma pergunta que considerei realmente provocatória, porque ela faz mais do que todos os outros. E mantenho o que disse. Faz mais porque é a única instituição que está muito próxima e muito concretamente junto das pessoas, agindo preventivamente, educando, ajudando, aconselhando, acompanhando. Faz mais porque trata como mais ninguém tantos doentes com sida e, em especial, crianças doentes com sida. Pude visitar uma dessas unidades hospitalares e falar com os doentes.

Essa foi a verdadeira resposta: a Igreja faz mais do que os outros porque não se limita a falar da tribuna que é o jornal, mas ajuda as irmãs e os irmãos no terreno. Não tinha, nesse contexto, dado a minha opinião em geral quanto à questão dos preservativos, mas apenas dito – e foi isso que provocou um grande escândalo – que não se pode resolver o problema com a distribuição de preservativos. É preciso fazer muito mais. Temos de estar próximos das pessoas, orientá-las, ajudá-las; e isso quer antes, quer depois de uma doença.
marcelo_6#9
Efectivamente, acontece que, onde quer que alguém queira obter preservativos, eles existem. Só que isso, por si só, não resolve o assunto. Tem de se fazer mais. Desenvolveu-se entretanto, precisamente no domínio secular, a chamada teoria ABC, que defende “Abstinence – Be faithful – Condom” (“Abstinência – Fidelidade – Preservativo”), sendo que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois não resultam. Ou seja, a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade, e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver no todo do ser pessoa.

Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por VIH/HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.»

Pergunta: “Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos?”

«É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.»
marcelo_6#10
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bruna#11
A melhor prevenção contra a Aids e as DSTs é a castidade e a fidelidade, e ao contrário do que se acredita, camisinha não é infalível.
ayrton#12
Obrigado, Marcelo! Estou lendo.
renan_3#13
Sinto cheiro de cilada contra o Papa nessa noticia.

Deturpação da fala de Bento XVI na minha opinião.
marcelo_6#14
Tá ali a integra, Renan...

Entre no tópico que indiquei que também há alguns comentários lá.
tain#15
Até porque se as pessoas tiverem o entendimento de que sexo só é para acontecer no matrimônio; e que o matrimônio só acontece com UMA única pessoa, uma única vez na vida, elas saberiam que dessa forma não há como contrair DST's ou AIDS.
E quanto a natalidade: ao casar os noivos juram aceitar TODOS os filhos que Deus mandar. Além disso, em casos de necessidade a Igreja permite contraceptivos naturais (como a tabelinha).

O Papa jamais defenderia deliberadamente o uso da caminha, porque fazer isso seria defender o sexo fora do casamento.
georgehenrique#16
Castigo divino.
A alta secularlização da Europa é uma coisa tão boa que as mulheres europeias não querem parir.
eduardo_22#17
Só pra citar o caso de uganda, aonde a abstinência foi incentivada, no lugar do uso da camisinha, e foi precisamente lá aonde tivemos o melhor desempenho contra o avanço da sida em toda África.

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