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Escrever liberta e faz libertar

Iniciado por gabriel_8 em 20/11/2010 · 8 mensagens

gabriel_8#1
Gosto de pensar que liberto pessoas. Já libertei escravos do bom-mocismo bocó no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, em Roraima. É bom escrever. É bom pensar por si só. Claro, tenho leituras de apoio. Claro, me inspiro em uns e outros. Sobretudo, busco o meu estilo.

Se a comunicação aproxima distantes e distancia próximos em um mundo controlado pelo maniqueísmo é certo que, escrever o que se pensa não é a tarefa mais acalentadora. Mas dá a exata medida do alcance a que pode chegar um simples texto postado no Orkut, ou no blog de um amigo.
Quando me deparo com tamanho apoio ou desprezo por minhas opiniões, imediatamente sou remetido a minha memória da adolescência, meus 14 anos. Confesso que fui um lulista acidental. Jogar bola para mim àquela altura era tudo. Ler nem pensar. Estudar nem pensar. Ver ou ler jornal, qualquer um, nem pensar. Ir à escola só era bom por causa da Natasha. E para jogar bola. Nada mais. Quem eu seria dali pra frente não importava. Com a Natasha não falo mais provavelmente por expor o que penso. De repente é hora de escrever alguma coisa para ela, me retratar.

Tenho lido menos do que gostaria e mais do que era habitual. Li porcarias como Paulo Coelho ao mesmo tempo em que lia Shakespeare. É uma pena que o meu tempo seja escasso. Quem paga as minhas contas não é a leitura e sim a falta dela. Infelizmente não posso deixar claro o que faço. Posso dar uma dica caso interesse: é na área da segurança pública. No meu trabalho, quanto menos eu complico, quanto menos eu invento, melhor para todos. Lá não sou livre. Lá não digo o que penso. Não faria diferença. Isso não quer dizer que o desgoste. Só quer dizer que sou feliz, plenamente feliz em outro espaço.
gabriel_8#2
Escrevendo e dando a cara para bater fiz amigos, encontrei quem pensasse como eu, encontrei quem discordasse frontalmente, encontrei tolerantes e asnos pútridos – dá-lhe Enéas – encontrei um rumo.
É uma sorte ser livre para opinar. Sendo assim, emendo que, por vezes estou 100% correto, por vezes 30% incorreto. Satisfaço assim os que sempre dizem que não lêem o que posto, mas sempre voltam lá para um comentário jocoso qualquer.

Ouvi dizer que o grupelho contra o qual aprendi a lutar contra, contra o qual faço oposição, cujo líder é um mitômano semi-analfabeto, quer cercear liberdades alheias. Como bom libertador, menos paspalho que Simon Bolívar, menos altivo que George Washington, acho melhor eu correr para libertar pessoas na Bahia. Em Brasília, nem pensar. Lá ninguém liberta nem é libertado há mais de sete anos pelos seguintes motivos: nem Lula, nem Dilma sabem ler ou escrever apropriadamente. FREEDOM!
leandro#3
Karl Marx e seus calhamaços que o digam.

Mein Kampf tem quase 800 páginas.

Escrever pra mim é como qq outra atividade que pode ser usada para o bem ou p/ o mal
ayrton#4
"Tenho lido menos do que gostaria e mais do que era habitual... É uma pena que o meu tempo seja escasso. Quem paga as minhas contas não é a leitura e sim a falta dela" [2]
ayrton#5
"Li porcarias como Paulo Coelho ao mesmo tempo em que lia Shakespeare."

Há muitos anos, tentei ler "O Diário de um Mago", por indicação de amigos e por curiosidade, mas já nas primeiras páginas fiquei com tanta raiva daquela porcaria que a minha vontade era de dar um "bico" no livro e jogá-lo no lixo - o que só não fiz porque o livro me fora emprestado.

Já sobre Shakespeare, um legítimo gênio da língua inglesa, considero que se perde muito lendo-o em portugês, ao mesmo tempo em que confesso que ainda não me sinto apto para a leitura de suas obras na língua original.

Percebo que, dado o estilo poético do mestre, a tradução "trucida" a beleza do estilo shakespeariano.
ayrton#6
A refutação do Leandro foi bastante pertinente e gostaria de ver a "tréplica" do autor deste tópico.
orkut_28#7
El hombre no se comunica con otro hombre sino cuando el uno escribe en su soledad y el otro lo lee en la suya. Las conversaciones son o diversión, o estafa, o esgrima. (Nicolás Gómez Dávila)
gabriel_8#8
Escrever não é o mesmo que atender telefone. Escrever não é o mesmo que vender roupas. São atividades que exigem diferentes preparações, entendimentos de mundo, sinapses.
Tanto Marx que teorizava em muitas linhas seu modo de entender o mundo, quanto Hitler que era panfletário na verdade, deixavam escapar seus demônios quando escreviam. Libertavam-se. Era bom o que escreviam??? Jamais diria um absurdo desses. E não os compararia nem sobre tortura a Churchill. Certo. Expor o que se pensa pode ser usado por quem escreve e por quem entende – ou acha que entende o que está dito – para a empulhação maldosa. De qualquer modo, como eu disse, não dá para por todos no mesmo balaio.

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