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Carl C. Jung

Iniciado por ayrton em 03/12/2010 · 39 mensagens

ayrton#1
Carl Gustav Jung (1875 — 1961) foi um psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana.

Os assuntos com que Jung ocupou-se surgiram em parte do fundo pessoal que é vividamente descrito em sua autobiografia, "Memórias, Sonhos, Reflexões" (1961). Ao longo de sua vida Jung experimentou sonhos periódicos e visões com notáveis características mitológicas e religiosas, os quais despertaram o interesse por mitos, sonhos e a psicologia da religião. Ao lado destas experiências, certos fenômenos parapsicológicos emergiam, sempre para lhe redobrar o espanto e o questionamento.

Primeiros estudos

Já estudante de medicina, decide dedicar-se à, então obscura, especialidade de psiquiatria, após a leitura ocasional de um livro do psiquiatra Krafft-Ebing. Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Burgholzli, em Zurique.

Seguindo o seu treino prático na clínica, ele conduziu estudos com a associação de palavras. Já nessa época Jung propunha uma atitude humanista frente aos pacientes. O médico deveria "propor perguntas que digam respeito ao homem em sua totalidade e não limitar-se apenas aos sintomas".
ayrton#2
Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939). Jung viu em Freud um companheiro para desbravar os caminhos da mente. Enviou-lhe copias de seus trabalhos sobre a existência do inconsciente, confirmando concepções freudianas de recalque e repressão. Ambos encantaram-se um com o outro, principalmente porque os dois desenvolviam trabalhos inéditos em medicina e psiquiatria.

A partir de então Freud e Jung passaram a se corresponder (359 cartas que posteriormente foram publicadas entre 1906 a 1913). O primeiro encontro entre eles, em 27 de fevereiro de 1907, transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. Depois deste encontro estabeleceram uma amizade de aproximadamente sete anos, durante a qual trocavam informações sobre seus sonhos, análises, trocavam confidências, discutiam casos clínicos.

Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável.
ayrton#3
Após a separação de Freud, Jung sentiu o chão desmoronar-se sob os pés. O sentido da sua vida ficou em primeiro plano. Seguiu-se uma série de sonhos e visões que forneceram material para o trabalho de toda uma vida. Dir-se-ia que se ele não houvesse se empenhado na integração de todo aquele material que jorrou qual lava derretida, teria fatalmente sucumbido a uma psicose.

Foi durante essa fase de confronto com o inconsciente que ele desenvolveu o que chamou de "imaginação ativa", um método de interação com o inconsciente onde este se investe espontaneamente de várias personificações (pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, lugares, acontecimentos, etc.).

Na imaginação ativa interagimos ativamente com elas, isto é, discordando, quando for o caso, opinando, questionando e até tomando providências com relação ao que é tratado, isso tudo pela imaginação.

Ela difere da fantasia passiva porque nesta não atuamos no quadro mental, de forma a participarmos do drama vivenciado, mas apenas nos contentamos em assistir o desenrolar do roteiro desconhecido.

Pela imaginação ativa existe não só a possibilidade de compreensão do inconsciente, mas também de interação com este, de forma que o transformamos e somos transformados no processo. Um personagem pode nos fazer entender falando explicitamente do motivo de, por exemplo, estarmos com insônia.

Esse enfoque trata a psique como uma realidade em si, de forma tão literal interiormente, quanto uma maçã nos é real exteriormente, ao contrário de Freud que insistia em substituir uma determinada imagem por outra de cunho sexual.
ayrton#4
Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais - a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia, e também, em outros campos como a Arte, a Literatura e a Mitologia.

Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=T-Ab3tlpvYA&feature=related
ayrton#5
ayrton#6
gabriel_7#7
Um dos primeiros (senão o primeiro) divlugadores de Jung no Brasil foi o Meira Penna. Ficaria muito feliz em ver a obra do embaixador ser mais comentada por aqui.
gustavo_10#8
li o livro dele mes passado =)

muito bom
tenho em PDF quem quiser é so pedir !
hllio#9
Tenho alguns pdf do Jung, quem quiser...

A editora Vozes já publicou as "Obras Completas" do Jung, mas é muito caro!
hllio#10
PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE
C. G. Jung

Tipos de vida: “Comum” x “Heróica”

Enfrentar a vida cotidiana, com todas as suas exigências banais de dedicação, paciência, perseverança e sacrifício, humildemente, sem visar aplausos, sem grandes gestos heróicos – esse é o nosso heroísmo cotidiano, invisível para os outros.

Capítulo IV – Os tipos de atitudes
hllio#11
PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE
C. G. Jung

Arquétipos

A capacidade de gerar imagens é hereditária, isso não quer dizer, em absoluto, que as imaginações sejam hereditárias. As fantasias não repousam sobre reminiscências pessoais, trata-se das manifestações das camadas mais profundas do inconsciente, onde jazem adormecidas as imagens humanas universais e originárias. Essas imagens, ou motivos, denominei-as arquétipos (ou dominantes).

Os maiores e melhores planos da humanidade são moldados sobre imagens primordiais, como sobre a planta de um projeto.

Os arquétipos são uma espécie de aptidão para reproduzir constantemente as mesmas idéias míticas, se não as mesmas pelo menos parecidas. É possível supor que os arquétipos sejam as impressões gravadas pela repetição de reações subjetivas. Nada nos impede de supor que certos arquétipos já estejam presentes nos animais. Ao que tudo indica os arquétipos não são apenas impregnações de experiências típicas, incessantemente repetidas, mas também se comportam empiricamente como forças ou tendências à repetição das mesmas experiências.


Cont.
hllio#12
...

A manifestação característica do arquétipo: uma espécie de força primordial se apodera da psique e impele a transpor o limite humano dando origem aos excessos [...] Ai está a razão porque os homens sempre precisam de demônios e nunca puderam prescindir dos deuses. Todos os homens, exceto alguns espécimes recentes do “homo occidentalis”, particularmente dotados de inteligência, super-homens, cujo “Deus está morto” – razão porque eles mesmos se transformam em deuses, isto é, deuses enlatados com crânios de paredes espessas e coração frio. O conceito de Deus é apenas uma razão psicológica necessária, de natureza irracional, que absolutamente nada tem que ver com a existência de Deus. O intelecto humano jamais encontrará uma resposta para essa questão, muito menos possa haver qualquer prova da existência de DEUS, o que, aliás, é supérfluo. A idéia de um ser todo-poderoso, divino existe em todas as partes. Quando não é consciente é inconsciente, porque seu fundamento é arquetípico.

Capítulo V – O inconsciente pessoal e o inconsciente suprapessoal ou coletivo
hllio#13
...

A anantiodromia (de Heráclito ou função reguladora do contrário) ameaça inevitavelmente de qualquer movimento que alcança indiscutível superioridade, não é a solução do problema, porque em sua organização é tão cega quanto em sua organização.

Só escapa à crueldade da enantiodromia quem é capaz de diferenciar-se do inconsciente. Não através da representação do mesmo – pois assim haveria simplesmente um ataque pelas costas – mas colocando-se ostensivamente à sua frente como algo à parte, distinto de si. É preciso aprender a distinguir o eu do não eu, isto é, da psique coletiva!

O aspecto do carma é importantíssimo no entendimento do conceito de arquétipo. As imagens das recordações do inconsciente coletivo são imagens não preenchidas por serem imagens não vivenciadas pessoalmente pelo indivíduo. Quando, porém, a regressão da energia psíquica ultrapassa o próprio tempo da primeira infância, penetrando na herança da vida ancestral, ai desperta os quadros mitológicos: os arquétipos.


Capítulo V – O inconsciente pessoal e o inconsciente suprapessoal ou coletivo

PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE
C. G. Jung
ayrton#14
Carl G Jung
ayrton#15
Eu e aminha DDA! Errei ao escrever a inical do nome do meio de Jung - que é Gustav -, não sei de onde tirei esse "C", hehe.

Encontrei esses videos no YouTube e, por isso, resolvi criar um tópico. Além disso, recentemente, um amigo me presenteou com vários livros do psiquiatra suiço, que pertenciam ao pai dele, recém falecido.

Já li bastante coisa sobre Jung e sobre sua teoria do inconsciente coletivo, no entanto, do autor mesmo, eu só havia lido o livro "Sincronicidade", que insipirou o disco "Synchronicity" (1983), do The Police, banda que eu ouvia muito na década de 80.
ayrton#16
ayrton#17
hllio#18
Livros do Jung digitalizados:

- A estrutura da Alma (fragmentos)

- Análise dos Sonhos

- O desenvolvimento da personalidade

- Os Arquétipos e o Incosciente Coletivo

- Psicologia da Religião

- Psicologia y Alquimia

- A natureza da Psique

- Mito Moderno

- O homem e seus símbolos* (último livro do Jung, podemos dizer que resume sua obra)

* Concepção e Organização de Carl Gustav Jung, mas o livro foi escrito por mais quatro autores: Joseph L. Henderson, M. L. von Franz, Aniela Jaffé, Jolande Jacobi.
hllio#19
Estrutura da Alma (fragmentos) é:

FONTE: JUNG, Carl Gustav. A Natureza da Psique. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 1984, capítulo VII, volume VIII/2 das Obras Completas.
ayrton#20
Boa noite! Por que você não toma a iniciativa e cria um tópico sobre o Meira Pena. Eu nunca li nenhum livro do embaixador, mas, quem sabe, criando um tópico interessante você "levanta essa bola", não é?
lzaro#21
doutrinas desses dois pseudo cientistas são anti-católicas
lzaro#22
Porque Freud estava errado" de Richard Webster (Editora Recorde --cuja tradução, aliás , tem grandes falhas, pois até saltou frases importantes do original) e "O Culto de Jung" de Richard Noll (Editora Ática). Nesses livros poderá encontrar as provas de quanto Freud e Jung são opostos à religião católica.
hllio#23
Lázaro,

obrigado pela indicação!
ayrton#24
A Psicologia e a Filosofia estão repletas de grandes pensadores, mas nem todos eram cristãos e nem todos acreditavam em Deus, no entanto, não vai ser por causa disso eu vou deixar de ler grandes pensadores e extrair de suas obras o que de melhor elas tem - como, aliás, nos ensinou Mário Ferreira dos Santos.
lzaro#25
O ler nós devemos mas idolatrar não ,se nota em freud idolatria esóterica e o sexo como o centro principal ,fora que ainda queria substituir o confessionário por ele
ayrton#26
Freud era ateu e além de você e eu discordaram dele: Jung, Horney, Wilhelm Reich, Fromm, Murray, Erikson, Adler, Rogers, Maslow, Allport, Skinner, Brandura, Rotter, Kelly e uma infinidade outros ( a fila não tem fim)...até Olavo de Carvalho.

Concordo com você sobre a ignorância - não sei se idolatria, no sentido bíblico, seria bem a palavra - dos seguidores incondicionais das idéias freudianas, contudo, cabe lembrar que até mesmo o professor Olavo reconheceu a importância de Freud, devido ao seu pioneirismo na área da Psicologia, particularmente no seu desenvolvimento da teoria do inconsciente.
alan_3#27
Acho Freud um pensador muito importante, e digno de que seja lido. Porém, nunca escondi minha maior simpatia pela obra de Jung. O considero um pensador mais completo. Enquanto Freud se dedicou a estudos mais limitados, dado que se assumiu como quem deveria institucionalizar a psicanálise como campo acadêmico, Jung se dedicou também a estudos de caráter sociológico, antropológico, filosófico e teológico.

O problema de Jung, não são suas obras, mas seu seguidores, que se utilizam de alguns de seus estudos sobre os "arquétipos" para justificar uma religiosidade alternativa, holista, e toda forma de esoterismo. Isso não é culpa de Jung, mas da péssima apropriação que alguns fazem de sua obra.

Concordo com a posição de que devemos conhecer um pensador por suas idéias, e não excluir-lo por não ter religião ou por ter sido de esquerda. Mario Ferreira dos Santos, por exemplo, era anarquista, e nem por isso eu deixarei de o ler quando tiver oportunidade. Li Adorno, um marxista, e apesar de seu posicionamento no campo político, considerei seus argumentos sobre a racionalidade instrumental muito relevantes.

Além disso, Jung não foi ateu. Recomendo fortemente a leitura de "Psicologia e Religião", publicado em português - trata-se de um conjunto de palestras dele sobre a importância da religião na formação da personalidade. Também recomendo "A Vida Simbólica" para quem quiser um texto de caráter mais sistemático sobre o tema, e um pouco mais focado em temas cristãos. Porém, para mim, a grande obra do autor é "Mysterium Coniunctionis", em 3 volumes, onde ele retoma temas da filosofia, da teologia e da história medieval para debater o Sagrado e o processo de individuação. Ainda não tive tempo para avançar nos estudos desse livro, mas provavelmente dedicarei algum tempo a ele em breve.
ayrton#28
Muito bom o seu coment, agradeço a dica.
ayrton#29
Sem querer cliquei em "denunciar spam". I´m sorry.
gabriel_7#30
Poxa, cara!

Vou tentar ^^

De qualquer maneira, uma boa dica ainda nessa linha junguiana é a trilogia do Embaixador, "Psicologia do Subdesenvolvimento", "Brasil na idade da razão" e "Utopia Brasileira". Há também o "Em berço esplêndido", que ainda nçao tive oportunidade de ler. Meira Penna usa a lógica de Jung para explicar um pouco do subconsciente comum brasileiro.

Leiam sem medo!
rafael_29#31
'Gustavo
li o livro dele mes passado =)

muito bom
tenho em PDF quem quiser é so pedir !'

Eu quero.
Desde já, agradeço.
daniel_2#32
Acredito que uma diferença muito fundamental entre Freud e Jung é que o primeiro considerava o ego como componente inexorável da psique humana e o segundo já transcendia para o conceito expansivo de psique coletiva. Talvez por isso Freud fosse ateu, e desprezasse o lado religioso ou místico, esotérico, de Jung; não lhe era cabível ou formulável para o seu pensamento que o "eu" pudesse ser transcendido ou dissolvido em "não eu" ou psique coletiva, ele tinha a firme convicção íntima - porque seu próprio ego era demasiado consistente - de que o "eu" era condição sine qua non para a existência humana. Em última análise, isto quer dizer que um investia pela senda do conhecimento subjetivo e o outro, pela senda do conhecimento objetivo. Freud pelo conhecimento parcial, Jung pelo conhecimento imparcial.

No caso de Freud e de muitos outros pensadores ateus, este ceticismo egóico, este rompimento com Deus - que é o cume da escala moral interior de todos nós - originado pela soberba torna o indivíduo descrente e fá-lo cair ao erro de aceitar passivamente os demônios que habitam nos terríveis umbrais do inconsciente humano, admitindo que a natureza animal do homem degenerado não seja transponível e não exista nenhuma realidade que não esta, dos brutos instintos sexuais animais. O inconsciente na nossa psique, os desejos reprimidos e toda aquela imoralidade tratada nos estudos freudianos são nada mais do que agregados psíquicos que desenvolvemos durante todo o percurso da história da humanidade, imediatamente após a saída do Éden. O inconsciente humano, os desejos primários, o id de Freud, são nada mais do que esta condição animal a que lamentavelmente o homem - que outrora fora perfeito - chegou nos tempos modernos. O homem original, involuindo espantosamente no tempo, chegou ao dito "homo sapiens sapiens" que, a despeito de toda a soberba dos antropólogos materialistas, não é o homem verdadeiro e sim um mero "animal intelectual", um homem profundamente degenerado.

(continua no próx. post)
daniel_2#33
Toda a confusão dos céticos ateus origina-se desta condição atrofiada, deste intelecto limitado, desta consciência profundamente adormecida do homem moderno, e Jung procurava transcender exatamente esta condição atrofiada com um alerta urgente no sentido de que deveríamos nos tornar mais autoconscientes e ligados uns aos outros através da expansão da consciência, caso contrário seria iminente uma grande catástrofe de auto-destruição da humanidade, como aliás já podemos evidenciar nos dias atuais...
andrlus#34
li o livro dele mes passado =)

muito bom
tenho em PDF quem quiser é so pedir !


Ficaria muito agradecido se você pudesse me enviar! (o e-mail é andre_qpaiva,volta e meia em,hotmail.com)

Qual seria o livro?

Do Meira Penna, eu tenho o "Cândido Pafúncio" (ainda não li).

Mas, desde já, grato!
priscila#35
Jung está a um zilhão de furos de distância de Freud. Freud era um medíocre, Jung não.
gustavo_10#36
ayrton#37
lordjmkeynes#38
Por que Freud levava 1 hora para dar o diagnóstico a um paciente e hoje os psicanalistas levam 5 anos?
t_orkut#39
Eu respeito o trabalho do analista, mas não penso que 5 anos de tratamento é igual a 5 anos de consultas pagas... a pulga atrás da orelha reina.

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