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Olga ou Tropa de elite?

Iniciado por ciro em 04/12/2010 · 12 mensagens

ciro#1
Tenho cá para mim que o que provocou a reação e o apoio da população em favor da ação policial no Rio de Janeiro tem a ver, também, com a empatia que o filme, Tropa de Elite, provocou nas platéias. O que era para ser um libelo contra a truculencia policial acabou se transformando em uma verdadeira pesquisa de opinião quando as platéias das salas de exibição começaram a aplaudir as ações dos "caveiras" comandados pelo Capitão Nascimento.

Os diretores nacionais, totalmente apartados da realidade, insistiam em produzir filmecos como "Central do Brasil" "Diários de Motocicleta" e "Olga" apostando na dialética gramciana da revolução cultural, mas o Brasil profundo não quer nada disso, não se identifica com essa lenga-lenga marxista produzida para "intelectuais" de papo cabeça, barbicha, chinelo de dedo, e camiseta do che guevara.
ciro#2
ciro#3
O Jaime Monjardim e o Valter Salles, neto do mega empresário Matarazzo e filho de banqueiro, respectivamente, são dois idiotas que alimentam o jacaré para serem comidos por ultimo. Verdadeiro paradoxo filho de banqueiro fazer filme enaltecendo a figura do carrasco da liberdade e neto de imigrante empreendedor que "fez a América" produzir filme ranheta sobre a agente marxista infiltrada, amante do Prestes que foi mandada para o Brasil para ajudar a implantar a ditadura do proletariado nos moldes stalinistas.

O José Padilha é muito mais esperto que os dois juntos, pois produziu um filme que caiu no gosto popular e está ganhando dinheiro por isso.

Os dois riquinhos "marxistas" são dois bananas!
riscardo#4
“No dia 29 de dezembro de 1934, o OMS (a agência secreta do Komintern) despachou um telegrama confidencial de Moscou para o poste de fronteira da União Soviética com a Finlândia, procedimento de rotina quando era preciso proteger a vida de um agente. Desta vez os guardas foram alertados para uma jovem com o passaporte espanhol nº 425, em nome de Ana Baum de Revidor. Como sempre, o OMS solicitava para essa pessoa facilidades nos trâmites burocráticos – enquanto existiu, a União Soviética mantinha um dos mais rigorosos sistemas de controle de fronteira do mundo –, sem despertar a atenção ou desconfiança dos outros passageiros no trem. A moça era a alemã Olga Benário, então a apenas dois meses de completar 27 anos. Sua missão: cuidar para que o líder de uma revolução dirigida pelo Komintern, Luís Carlos Prestes, chegasse em segurança ao Brasil.

Grávida de Prestes quando foram presos em março de 1936 no Rio De Janeiro, após o fracasso do levante, Olga foi deportada em Agosto do mesmo ano para a Alemanha pelo governo de Getúlio Vargas, que sabia estar entregando uma comunista judia a um regime que havia adotado bárbaras leis racistas e anti-semitas, para não falar do terror que desencadeara contra qualquer tipo de adversário. Ao chegar ao porto de Hamburgo, Olga já era esperada pela implacável polícia política, a Gestapo. Numa prisão de segurança máxima em Berlim, ela daria à luz uma menina, em novembro de 1936, entregue com pouco menos de um ano à avó e a uma tia paternas. Internada a seguir numa prisão-fortaleza e, a partir de 1939, no campo de concentração de mulheres de Ravensbrück, Olga Benário foi assassinada pelos nazistas numa câmara de gás, provavelmente em Bernburg, na Páscoa de 1942, numa das primeiras ações contra ‘seres de raças inferiores’”. (WAACK, 1993, p.94)
riscardo#5
“A escolha de Olga para a operação do Komintern no Brasil prendia-se a fatores bastante objetivos e foi responsabilidade de Manuilski, que mantinha excelentes contatos com os ‘órgãos competentes’ em Moscou. Com apenas duas exceções, os enviados à operação brasileira assumiram a fachada de casais bem situados em viagens de prazer e negócios, daí a necessidade de fazer Prestes ser acompanhado de uma mulher. Era obrigatório encontrar alguém com suficiente experiência de trabalho no setor militar e que pudesse entender-se com Prestes em francês, dois requisitos que Olga preenchia. A função era sobretudo ‘técnica’(proteção e organização da infra-estrutura durante a viagem). Ela não foi ao Brasil por estar apaixonada por Prestes, o que parece ter ocorrido apenas na segunda metade de 1935, e sim para cumprir uma missão profissional que, a julgar pelos relatos do próprio líder da insurreição de novembro, Olga aceitou por princípio de obediência à hierarquia. Em princípio, a missão deveria durar cerca de seis meses, seu final coincidindo com a eclosão do movimento no Nordeste.

Uma pergunta permanece no ar: Olga teria sido poupada de seu fim trágico caso tivesse cumprido suas ordens à risca e regressado a Moscou no prazo combinado com Manuilski? Provavelmente não. Todos os seus amigos do Lux são exemplos eloqüentes. Nenhum escapou de ser moído por um dos sistemas totalitários.” (WAACK, 1993, p.104-105)
itzak#6
OLGA = novela comunista
riscardo#7
ÉPOCA - Que Olga você conheceu em suas pesquisas?
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William Waack - Uma profissional do serviço secreto militar soviético, treinada para obedecer em qualquer circunstância, sem jamais duvidar dos chefes e da linha estabelecida pelo Partido, disciplinada, mas sem interesse por assuntos teóricos, que ao chegar ao Brasil perdeu o foco da missão. O trágico em Olga é que ela não tinha saída.
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ÉPOCA - Como assim?
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Waack - A verdadeira dimensão trágica da figura de Olga é o fato de ela ter sido vítima de dois totalitarismos. Foi liquidada por um deles, o nazista, enquanto todos os seus companheiros de luta no Brasil, que sobreviveram à aventura de Prestes e conseguiram voltar a Moscou, foram destruídos pelo outro totalitarismo, o comunista - foram executados na Rússia antes ainda do assassinato de Olga. Mas não era um aspecto que interessava à máquina propagandística do PC da Alemanha Oriental, que iniciou o culto ao mito de Olga no final da década de 50, suprimindo partes de sua real história. O mesmo ocorreu no livro lançado no Brasil por Fernando Morais, que, na verdade, tem boa parte compilada da primeira biografia de Olga feita pela alemã Ruth Werner, a pedido do PC alemão, em 1962. Trabalhos que não contam a realidade.
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ÉPOCA - Pelo que pesquisou, do que mais não se fala?
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Waack - Um detalhe fundamental: o fato de que a mãe de Prestes pediu várias vezes às autoridades soviéticas que tentassem trocar Olga por prisioneiros dos soviéticos. Era impossível que isso acontecesse, pois, naquele momento, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, os soviéticos estavam entregando à Gestapo militantes alemães que se refugiaram em Moscou. Uma dessas pessoas, aliás, foi a última a ver Olga viva no campo de concentração. Era Margareth Buber-Neuman, uma colega dela de militância, alemã e judia, que chegou a ser preparada para ir ao Brasil, mas foi presa com o marido em Moscou e entregue à Gestapo.
riscardo#8
ÉPOCA - Isso tira de Olga e Prestes o romantismo, a luta por ideais?
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Waack - Prestes e Olga eram, antes de mais nada, soldados do Partido, e a esses soldados não se admitiam crises de consciência. Dou um exemplo: entre a derrota do levante de novembro de 1935 e a prisão dos dois, no início de 1936, Prestes mandou matar a namorada do secretário-geral do PCB, Elza, uma moça inocente e ingênua de 18 anos, que foi estrangulada por militantes do partido. Ele suspeitava, erroneamente, que Elza fosse informante da polícia. E Olga não se opôs à decisão, segundo o agente soviético no Rio que chefiava o esquema clandestino. Não havia nada de romântico ali.
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Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT794728-1661-4,00.html
roberto_8#9
Estou para dizer que, mais que o filme " Tropa de Elite " ajudou no que vem sendo feito em cima do narcotráfico, este filme FAZ PARTE desse pacote...

Por sinal, um pacote que tardou em eistir e que espero que perdure até o final de seu propósito.
ciro#10
Essa Olga Benário estava morta e enterrada há anos, ninguém, absolutamente, sabia algo sobre a sua existencia, com exceção de alguns comunistas ranhetas de botequim, quando esse tipo decidiu fazer um filme épico piegas sobre a trajetoria dessa celerada. Para mim Olga era o nome de uma cafetina dona de um puteiro famoso na Rua da Consolação, em São Paulo, nos anos 70.
ciro#11
"Na rua da Consolação, subindo à esquerda do Bijou, logo depois do cemitério, desaparecera uma escola de iniciação sexual com mulheres especializadas em clientes adolescentes. A casa da tia Olga, como era chamada, guardava lembranças profundas da perda da virgindade de garotos que se imaginavam espertos e contavam vantagens sobre as mulheres. Lembro-me de uma noite fria e chuvosa, em que cheguei ensopado da cabeça aos pés na tia Olga, e duas das mulheres, maternais, secaram meu corpo e me serviram café, comovidas com meus espirros."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u57189.shtml
itzak#12
"Estou para dizer que, mais que o filme " Tropa de Elite " ajudou no que vem sendo feito em cima do narcotráfico, este filme FAZ PARTE desse pacote..."

Já ouvi muito isso ........ e concordo plenamente.
Muita gente se sentiu obrigada a APARAR AS ARESTAS ... e RESOLVER AS DIFERENÇAS no poder .......... pra trabalhar em conjunto e de uma vez.

Sem a exposição que o filme faz, essa operação nao aconteceria. Não da forma que foi. Parabéns pra esse cara .................. que, pra quem não sabe, fez

O MELHOR DOCUMENTÁRIO BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS

O 174, que é, SIMPLESMENTE PERFEITO.

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