Sou cristão e esses dias me veio uma dúvida meio que do nada.
Existe alguma contradição entre Deus ser onisciência e nós termos livre arbítrio?
Oniciência não é sinonimo de onipotência. Deus sabe de tudo, mas não interfere no seu arbítrio.
Então, mas se ele sabe de tudo, ele já não saberá quais serão as minhas escolhas?
Material para estudo:
Deus prevê o futuro?
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Pecado Original
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O Problema do mal - William Lane Craig
http://www.youtube.com/watch?v=jI_Ezo_K82E
http://www.youtube.com/watch?v=8voTyIbpiuM
Se Deus é bom e poderoso, como coisas ruins acontecem? - Voddie Baucham
http://www.youtube.com/watch?v=57FHlhxZ9u8&feature=related
Esse é um argumento ATEU bastante frequente.
1) Se Deus é onisciente, Deus conhece o futuro.
2) Se Deus conhece o futuro, Deus conhece sempre as escolhas que eu vou ter, pois elas PERTENCEM ao futuro.
3) Se Deus conhece as minhas escolhas futuras, elas já existem, pois não se pode conhecer senão o que é (o não-ser é impensável, já dizia Parmênides).
4) Se as minhas escolhas já existem, fica aniquilado o livre-arbítrio.
Gostaria de compartilhar com os amigos algumas divagações minhas sobre o tema.
Isso seria bastante lógico, ao meu ver, se não fosse por um pequeno detalhe: observem o ponto UM.
Ele diz "Se Deus é onisciente, Deus conhece o futuro".
Mas ser onisciente significa conhecer tudo o que EXISTE. (Ou não é?)
E para extrair da onisciência divina a conclusão da consciência do futuro, teríamos que provar que este existe.
Essa demonstração teria que preceder toda a sequência exposta acima, para que a primeira proposição fizesse sentido.
Pois é isso que os que utilizam esse argumento não fazem.
ALÉM DISSO, o que muitas vezes pra nós é futuro, para Deus não passa de algo já contido no presente que Ele, por ter uma visão mais ampla que a nossa, consegue enxergar.
Para a criança, é algo um tanto quanto surpreendente envolver um grãozinho de feijão por um chumaço úmido de algodão e ver dali nascer uma plantinha.
Para o botânico, no entanto, que conhece as leis da germinação, o fenômeno futuro correspondente ao crescimento da planta não passa de uma aplicação dessas mesmas leis.
Então o que para a criança é um futuro IMPREVISÍVEL, dada a limitação do seu intelecto, para o cientista não é mais do que a decorrência imediata das leis que ele conhece.
Conhecendo Deus todos os nexos entre a realidade que nos são ocultos, todas as leis que nós descobrimos e que ainda há por descobrir, dizemos que Ele conhece o que é para nós o "futuro", mas para Ele não é mais do que a decorrência imediata dessas leis e nexos ocultos a nós.
Muita Paz a Todos!
Outra coisa que penso: o que é o presente ou alguns anos em relação à ETERNIDADE?
Sempre tive exatamente a mesma dúvida do colega criador do tópico.
Sua resposta foi muito elucidativa.
Muito obrigado!
E só pra acrescentar ao que já foi colocado: Deus sabe do que faremos justamente por que escolhemos fazer, não fazemos porque sabemos que Deus sabe que faremos, mas faremos porque escolhemos fazer, desta forma Deus sabe do futuro. E quando se diz que Deus sabe do futuro, se fala sobre a ordem lógica e não ordem temporal - condicionada ao tempo. Claro, com mais uma pitada de mistério! Mas é isso ai. rs
Obrigado, Fernando!
Eu ainda pretendo, após amadurecer mais nos estudos de filosofia, analisar com mais rigor a consistência dessas soluções que eu penso ter dado a essa questão incômoda para muitos de nós crentes.
Mas acho que elas já demonstram a insuficiência dos argumentos dos ateus, que simplesmente ignoram o próprio NÚCLEO da tradição filosófica - gregos antigos, patrísticos e escolásticos - em nome de algumas filosofias periféricas "modernas", como as de David Hume e de Bertrand Russell.
Abraços!
Não há como Deus saber o futuro pelo simples fato de que para Ele não há futuro, nem passado, nem presente. Não há tempo para Deus. Ele é o que é - eterno; eternamente.
É difícil tentar entender a "lógica" de Deus com uma razão limitada como a dos homens, principalmente comparadas a infinita sabedoria de Deus. E mais ainda quando estamos presos no tempo; quando somos e pensamos no tempo.
Como li uma vez em um texto sobre o assunto: isso são questões para a eternidade.
Tem uma história que é referente à Santíssima Trindade, mas acho que se aplica a esse caso também:
"Conta uma piedosa tradição que, estando o grande Santo Agostinho muito empenhado em procurar compreender a Santíssima Trindade, certo dia sonhou que presenciava na praia um menino esvaziando baldes e baldes de água do mar em uma cavidade na areia. Intrigado, aproximou- se dele e indagou:
- Que fazes aqui, meu jovenzinho?
- Tento colocar toda a água do mar neste buraco na areia.
- Mas, não vês que isso é impossível? - perguntou-lhe o santo.
- Pois sabei, Agostinho, que mais fácil é transferir para aqui toda a água do mar do que vós compreenderdes o mistério da Santíssima Trindade.
A sábia resposta fez o Doutor da Graça dar-se conta da insuficiência da inteligência humana, ainda que tão brilhante, perante um dos mistérios centrais da nossa Fé."
A fé é racional em muitos pontos, mas existem coisas chamadas "mistérios da fé" que exigem de nós a confiança total na bondade e justiça no que Deus nos revela e exige de nós.
E é por meio dessa mesma fé que nos humilhamos (somos humildes) e reconhecemos nossa limitações e o nosso lugar da criação: a mais amada das criaturas, mas não criador. Assim, na medida em que não podemos mudar a propriedades e o alcance da razão humana nos subjulgamos aos desígnios que não podemos compreender.