Em relações com o outro tópico -- sobre a comunidade estar se tornando politicamente correta --, estive pensando em criar (pela 3ª vez) um grupo para estudos liberais.
Nos primórdios do TO, o Olavo sempre comentava sobre a necessidade de se estudar as obras dos grandes autores. Quem não sabe do que estou falando, pode visitar http://www.thegreatideas.org/greatbooks.html.
Quem sabe possamos, assim, aumentar o nível da comunidade... que acham?
Em breve, vou disponibilizar uma versão em PDF da coleção The Great Books Program.
O que acha de criar um Google Group? Hoje, no Brasil, quem quer estudar tem que lançar mão desse recurso.
A ordem do Mortimer Adler escapa ao ritmo normal da alma humana. O estudo deve começar com fortes estímulos à fantasia e às emoções mais nobres (lêem-se então poesias e peças de teatro), para depois passar às comparações e raciocínios (e aí vale à pena ler orações de grandes retóricos), chegando nas abstrações superiores da Matemática e no fim, aos grandes temas da Filosofia.
Pedro,
muito interessante essa sua lista. Mas parece-me que ela tem maior propósito para quem já fez ordem sugerida por Adler. Correto?
Acredito que, se conseguirmos fazer o grupo, seria melhor adotarmos a introdução geral de Adler, porque permitiria colocar todos os envolvidos num mesmo nível inicial.
O Adler afirma tirar seus métodos de estudo das universidades medievais, no "How to Read a Book". Só que esses métodos são, por sua vez, adaptações do programa de ensino dos pitagóricos, que sofeu algumas alterações depois que Aristóteles fundou aquele monte de ciências. Para nossa sorte, o próprio Estagirita se interessava por Pedagogia e nos legou instruções nesse sentido. Os filósofos da Antiguidade estavam esppecialmente preocupados em graduar as disciplinas de modo a não sobrecarregar o estudante nem exigir da cabeça dele mais do que ela pode compreender.
Os graus de conhecimento estabelecidos por Platão (imaginação, crença firme, entendimento por via demonstrativa, entendimento por intuição) eram acompanhados pelo gênero de assunto estudado. Todo o processo culminava na formação de noemas na mente do estudante. Se você fosse um brâmane ou um sufi, seria fácil explicar o que é um noema, mas depois do triunfo dos nominalistas, a coisa ficou preta no Ocidente. Noema é um conceito tão perfeito e claro que NÃO requer imagens. É também chamado, graças a Santo Agostinho, de verbo interior.
Tipo: quando você concebe o universal "triângulo", imediatamente surge
uma figura de triângulo na sua consciência. Isso é humano, demasiado humano. O objetivo da educação platônica e medieval era capacitá-lo a pensar SEM essas figuras. Basicamente, a leitura correta de livros de Filosofia mais avançados (e principlamente de Teologia!) EXIGE que o leitor tenha alcançado esse nível de entendimento.
Agora, o que faz o Adler? Ele coloca, entre os livros a ser lidos nos primeiros meses, aquele cagalhão do David Hume chamado "Essays on Human Undesrtanding", cujo principal objetivo é convencê-lo de que você raciocina exatamente como um cachorro e que é IMPOSSÍVEL atingir as intuições noéticas. É por isso que compus aquela lista. Ela está toda arrumada de tal forma que esses gigolôs da Filosofia (Locke, Descartes, Hobbes...) fiquem DEPOIS de Aristóteles, Platão, Sto. Agostinho e Sto. Tomás.
Também acrescentei as Orações de Cícero. TODOS os universitários medievais tinham que ler Cícero, o cara era quase um símbolo da Retórica. Chegaram a colocar estátuas dele dentro de Catedrais! Como é que o Adler esquece isso?
A propósito, faltam discursos retóricos entre os Great Books. Não compreendo o motivo.
Tô dentro. Vou tentar manter a assiduidade, se a UFRJ deixar. Vocês não imaginam os poderes dessa univeridade para me encher de tarefas. Ela é quase uma entidade mística, e já foi descrita por Jakob Boehme como "o Sem-Fundão".
Vamos pela ordem ordem Adler então. O que acham de acrescentar os trabalhos de José Bonifácio aos documentos da Independência americana?
Daniel,
a maior dificuldade foi encontrar pessoas com as quais eu pudesse compartilhar os estudos. A princípio, muitos se comprometem, mas, no final, não sobra ninguém. Ou melhor: nem cheguei a iniciar o grupo por falta de pessoas verdadeiramente interessadas.
Pedro,
excelente sugestão sobre José Bonifácio. Mantemos, pois, ambos, certo?
estou cursando direito, e sempre encontrei enorme dificuldade em encotrar as obras classicas, e principalmente dificuldade em encontrar orientação pra começar o estudo liberal!! , começo o ano com pé DIREITO! hahaha.
tenho que ler mais, mas topo participar com vcs com toda certeza!
O que acham de estudar Latim, paralelamente às leituras? A primeira coisa que um adolescente medieval aprendia era o idioma dos livros-texto! Muitos dos grandes trabalhos da filosofia e das letras ainda não foram traduzidos. Posso colocar, online, o livro "Noções Fundamentais da Língua Latina", do Napoleão Mendes de Almeida, se quiserem.
É pra começar quando?
E é para um compromisso de quantas horas por semana?
Estou adicionando o Pedro e Junior ok?
Foi o ripchip / cardini quem recomendou o grupo
Tenho uma amiga do twitter que poderia dar excelente contribuição, vou chamar
Pedro,
gostei da ideia. A língua latina nos ajudará muito a compreender nossa própria língua. E, como disse o prof. Olavo, a salvação do Brasil está na restauração da língua, da religião e da alta cultura.
Acabei de criar o grupo. Ele está fechado e restrito.
Quem se interessar, favor adicionar-me e me mandar o endereço de e-mail.
Aparentemente seu perfil está trancado para scraps. Os meus, ao menos, estão sendo bloqueados.
João,
Não li esse livro, mas o Olavo provavelmente está se baseando em noções platônicas da hierarquia do conhecimento. Em resumo, são quatro os graus:
1) "Adivinhação", que é um ato da fantasia (eikasia), pertencente à alma concupsicível, sediada no fígado. A psicologia platônica deve ser enetendida metaforicamente, e não do jeito imbecil que Aristóteles interpretou. É o que nós chamamos hoje de "sacação", do tipo que os grandes poetas têm às vezes.
2) "Opinião presumível" ou crença firme (pistis), que é um ato da estimativa, pertencente à alma irascível, sediada no coração. Essa faculdade da alma vem sendo sistematicamente ignorada ou menosprezada há séculos, mas Platão a conhecia, pois fala de uma faculdade não-intelectual de nossa alma que, no entanto, "escuta a razão". É a estimativa, basicamente, o princípio da alma que julga fatos singulares e valores de utilidade e perigo. Exemplo: é por um ato da cogitativa que você julga que ESTE remédio individual curou ESTE homem individual. Também é por ela que uma ovelha julga que um lobo vai atacá-la. Esse exemplo é bem batido 🙂
3) "Opinião provável". Este é um grau inventado por Aristóteles e totalmente "anti-tradicional". Pertence à parte raciocinativa do intelecto (aliás, essa parte da alma TAMBÉM foi inventada por Aristóteles). Platão o classificaria como um conhecimento dianoético imperfeito. Por que Aristóteles fala nisso? Não sei, mas ele ficou que nem um peru tonto tentando achar um lugar para esse elefante branco.
4) "Certeza demonstrada" (apodeixis), que pertence, GENUINAMENTE, ao inetelecto dianóetico ou discursivo. É um modo de conhecimento perfeito, que verificamos nas provas dos teoremas de Geometria. É plenamente científico, e Aristóteles o liga à razão científica (epistemikos logos).
5) Ou seja, o VERDADEIRO quarto grau, é o da intuição pura (noesis). Não há um discurso associado, justamente porque esse grau transcende o discurso. Aristóteles não o ignorava, mas o chama de "certeza dos primeiros princípios".
Acredito que podemos nos comprometer a discutir os textos propostos em um período de uma ou duas semanas. Ou seja, cada texto deverá ser lido no período citado. Nesse tempo, faremos a leitura da obra e discutiremos suas proposições em nossas vidas.
O mais importante será a leitura individual de cada obra.
Não creio que todos façam isso sempre, pois é comum termos muitas ocupações, sendo capaz de acabarmos não lendo uma ou outra obra. Por esta razão, estive pensando em designar, a cada leitura, de duas a cinco pessoas que se comprometam a lê-las e a comentá-las. Que me dizem?
Pedro,
é (mais) um erro do orkut. Os demais conseguiram me enviar recados.
A menos que queira outro e-mail, coloco o mesmo e-mail de seu GTalk.
"O mais importante será a leitura individual de cada obra.
Não creio que todos façam isso sempre, pois é comum termos muitas ocupações, sendo capaz de acabarmos não lendo uma ou outra obra. Por esta razão, estive pensando em designar, a cada leitura, de duas a cinco pessoas que se comprometam a lê-las e a comentá-las. Que me dizem?"
Esse esquema para discustir os livros será muito bom, por mim está aprovado.
EU criei um tópio para nos conheçermos enquanto as atividades lá não começam.