O texto deveria se chamar "Por que sou anarquista"!
"O direito à vida e, consequentemente, à propriedade privada é antes de tudo um direito natural e para isso não precisa do Estado."
Essa frase me pareceu ingênua, pra falar a verdade. Nada prática ou realista. Ainda que isso seja verdade, precisa de alguém para garantir esse direito natural. Infelizmente, ainda temos que obter certas garantias do estado, como o direito à vida.
O mercado não pode nos garantir, sozinho, justiça (nesse sentido) e propriedade privada, sem que tenhamos o estado de direito, que pressupõe, logicamente, o Estado. Devemos diminuir a extensão dos tentáculos do Estado. E muito. Mas acabar com ele e dizer "o direito à vida é natural, não preciso de você", pode não te garantir muitos dias de vida...
Tudo que o Estado faz pode ser feito pela iniciativa privada com maior eficiência e sem a inevitável coerção que o Estado implica. Me parece que assim se resume o credo libertário. Os tribunais de arbitragem privados costumam ser mais ágeis, baratos e justos que a Justiça Pública. O mesmo pode ser dito sobre a segurança privada em comparação com a polícia pública. Mas acho que a abolição do Estado é ontologicamente impossível. Imagine que num determinado território um povo resolvesse adotar a sociedade anarco-liberal. Todos os serviços, inclusive a proteção da vida e da propriedade são oferecidos por empresas privadas num sistema livre-concorrencial. Mesmo assim um Estado será necessário para garantir a existência do sistema tal como ele é e evitar que a comunidade crie serviços estatais ou que um Estado engula a sociedade libertária. Acho que os librtários pecam por abstracionismo: desconsideram muitos fatores. Assim a crítica que fazem do Estado norte-americano querendo diminuí-lo e enfraquecê-lo ao máximo, desconsidera os planos nada amistosos que outras nações tem contra os EUA. Enfraquecer o poder público e militar nos EUA significaria tornar o país presa fácil de seus inimigos, os quais não tem o mínimo compromisso com a liberdade que os libertários tanto prezam. Falta realismo aos libertários creio eu.
Pessoalmente, acho que a maior piada do texto é aquela segundo a qual a propriedade é um direito natural. Lembra-me muito os textos de Rousseau, que afirma a "bondade intrínseca" do homem, bondade esta que pôde ser plenamente constatada durante as revoluções que derivaram deste pensamento. A ausência do Estado é simplesmente a conivência com a lei do mais forte, pois sem o monopólio da violência ela se generaliza e o final dessa história é a recriação do Estado pelo grupo militarmente dominante. Diga-se de passagem que é esse o efeito de qualquer utopia: ao sobrevalorizar um aspecto eventualmente natural da humanidade, o que equivale a fetichizá-lo, perverte este aspecto, e o resultado é catastrófico. O hedonismo dos dias atuais que o diga.
A doutrina libertária funcionaria muito bem num mundo praticamente perfeito, com pessoas praticamente perfeitas - onde todos, diga-se de passagem, a seguissem, por consenso. Ou seja: é uma bonita utopia. É, inclusive, a minha utopia pessoal preferida!
Mas neste mundo aqui e agora eu concordo que deva existir um Estado mínimo para atuar na defesa de grupos oprimidos, e intervindo com força nessa defesa. E sem se meter em mais nada.
Já é ingênuo o bastante desejar, na atual conjuntura, a completa ausência do Estado na vida privada dos indivíduos: eu fui e sou uma defensora da revista nos aeroportos, da escuta telefônica e da fuçação internética nos USA por causa da luta contra o terrorismo islâmico... Achei e acho justificável - sorry!
Então é isso - mesmo detestando o "estatismo", como eu detesto, abolir o Estado, no momento, não é possível. Mantê-lo o menor possível é o que eu quero: a encrenca está na palavra "possível".
O que não invalida que, no caso do Brasil, o que eu gostaria mesmo seria da abolição completa, do caos total e da posterior reorganização, porque chegamos à situação catastrófica em que não dá pra dizer o que é pior: se o caos representado por essa merda aí ou o outro...
na minha opinião os libertários revivem com sua utopia os debates esquerdistas do sec XIX. é aquela velha briga dos burocratas comunistas contra os sonhadores anarquistas. é isso, Priscila, soltemos a bomba para acabar com a opressão e depois deixemos a sociedade se organizar por si mesma com base na bondade intrínseca do homem.... rs...
Em suma, o que eu quis dizer é que, no caso aqui da terrinha, o poder já foi tomado pelo mal!
Se jogássemos uma bomba pra depois deixar, etc, o risco que estaríamos correndo seria o de trocar seis por meia dúzia, e ficar na mesma!
Do que tenho visto na univerfidade brasileira, errar na crase é o menor dos erros. Não há ninguém que saiba a utilização correta do advérbio "onde", ou pior, "aonde", confundindo advérbio de lugar com "advérbio para qualquer lugar"; e o gerundismo é língua oficial. São libertários no uso da linguagem, acham que essa coisa de regras gramaticais é mera opressão.
!!!!!
Na verdade a gente até joga a bomba que pode, não é?!
Pelo menos, estamos sempre naativa: eu "bombardeio" colunistas de jornal, jornalistas, etc, o tempo todo!
Não sei se adianta, mas é o que devo fazer, então eu faço.
Sério mesmo, Flavio? Então é preciso criticar o artigo do Lucas Mendes que deu origem a este tópico, porque lá a impressão que causa é exatamente esta. Aliás, qual é REALMENTE o mínimo de estado desejável?
Acho que os últimos textos do Olavo foram bastante esclarecedores a respeito disso, vide o tópico dos "patinhos feios"
Abraços.
Ademir, lembrei de Rousseau na hora quando li o artigo. Para Rousseau, todo leão tem direito ao seu antílope na hora do almoço, sem ter que fazer nada.
Flávio, o que se comentou aqui foi o contexto do artigo citado. E nesse contexto, fica claro que o sujeito deseja o fim do Estado. Se declarando "libertário". O que disseram está certo. Ou os que se dizem "liberais de verdade" criticam o artigo, ou vão mostrar a cara definitivamente. Porque Estado mínimo é uma coisa, e não é o que foi dito no artigo.
O Lucas pensa no Estado como um ente que SEMPRE irá aumentar de tamanho. Sem nenhum controle. Irremediavelmente, não importa o que os liberais preguem de "mínimo" ele nunca vai continuar mínimo, pois - pensam os libertários/anarquistas - o Estado possui um motocontínuo em direção ao totalitarismo.
Conclui que após o estado ter aumentado de tamanho, não há como fazê-lo voltar às dimensões anteriores.
Portanto, é melhor cortar o mal pela raiz...
Tal é o cerne do pensamento libertário, que chamo de conceito de "estado-fermento"...
Algo como dizer que a minissaia nunca irá continuar "mini" por causa do efeito irremediável da gravitação universal. Irá se transformar inexoravelmente num "longo"...
Há uma tendência no conservadorismo de achar que o Estado pode garantir a existência de uma sociedade justa e livre. Não pode. Quem poderia garantir isso, em tese, seria os valores morais do cristianismo e do judaísmo. O estado conservador perfeito seria uma igreja. No entanto, com a separação entre igreja e Estado promovida na Europa, os conservadores ficaram órfãos de uma entidade legítima que garanta a sua participação política na sociedade e por cacoete ainda demandam mais poderes ao Estado como se esse ainda dividisse com a Igreja as obrigações de outrora.
Há ai uma grande ingenuidade. O conservador luta para garantir que o Estado exista, mas exista garantindo um modelo de vida conservador que a priori só pode ser garantido pela Igreja e por seu código moral. Os liberais entendem que o Estado é o grande vilão da história, mas não querem a volta da Igreja (querem Estado "laico"). Talvez o melhor modelo fosse mesmo um onde a Igreja tivesse uma maior participação no comando das ações decisivas e para o resto das atribuições da sociedade a tal "Justiça Social" seria garantida automaticamente pelo mercado e pelas leis do mercado. Não é perfeito, mas é mais próximo que posso imaginar da perfeição.
Assim teríamos liberais e esquerdistas lutando para diminuir o poder do Estado e o Estado controlando a esfera das ações na Justiça e no Executivo.
O problema todo é que o cristianismo não foi feito para isso. "A Cezar o que é de Cezar". Então a separação entre Igreja e Estado levará inevitavelmente a perseguição e destruição dos cristãos pelo Estado laico uma vez que a Igreja nem a sociedade conservadora tem o monopólio da violência. Ou a islamização de tudo, pois no Islã nem liberais nem esquerdistas poderão existir já que o Islã é o Estado.
"O problema é que o Estado tende sempre a aumentar de tamanho."
A diferença é perceber uma TENDÊNCIA e dizer que fatalmente em qualquer caso, acontecerá, não importando quem esteja no poder.
Esta é a questão, pois o que ele afirma é que não importa a vigilância nem as ações.
Mas acho diferente. Já houve reduções no tamanho do estado após ele ter inchado a níveis inimagináveis.
Vejam o caso da Inglaterra antes e pós Maggie Thatcher. Estados Unidos antes e depois de Reagan..
O fato é que a queda de braço entre uma tendência e a vontade humana existe e deve ser travada, pois muitas vezes o lado mais fraco (humano) venceu.
Mas a vitória será de batalhas, não da guerra...
Toht, faz algum tempo que eu queria te perguntar:
No tópico do artigo do Olavo sobre as diferenças entre liberais e conservadores, você se definiu como liberal.
Eu sei que não é da minha conta, mas você percebe que as suas idéias - do modo como você as expõe aqui - são conservadoras?
Com o que se conclui que há um momento no futuro em que o estado não será mais necessário... Qualquer semelhança com as discussões entre Marx e Bakunim não me parece mera coincidência. Como bem disse o Olavo, o pensamento revolucionário (ele se referia ao marxismo, mas acho que posso generalizar para abranger os iluministas liberais) parte de uma adivinhação do futuro para se chegar a uma justificação do presente...
"O futuro é um círculo. Uma forma perfeita na qual devemos pensar em atingir. E o presente é um aglomerado anguloso e caótico. Devemos querer transformar o presente em um círculo, que significa a nossa perfeição. Mesmo que isso pareça (e até, quem sabe, seja) impossível."
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Pô, Flavio, melhora essa,vá! Tenho certeza de que vc é capaz de produzir uma analogia melhor.
Então eu reafirmo: é uma adivinhação do futuro que serve como premissa para os atos do presente. Ou seja, é um movimento revolucionário utopista como qualquer outro, e exatamente com os mesmos defeitos.
Toht, faz algum tempo que eu queria te perguntar:
No tópico do artigo do Olavo sobre as diferenças entre liberais e conservadores, você se definiu como liberal.
Eu sei que não é da minha conta, mas você percebe que as suas idéias - do modo como você as expõe aqui - são conservadoras?
Algumas idéias sim, tem um matiz conservador. Entendo que nem conservadorismo nem liberalismo atingiram ainda uma condição que responda a todas as necessidades do mundo ocidental.
Os liberais torcem o nariz para o cristianismo, mas é só até o islamismo começar a encostar na bunda e começar a arrancar cabeças. Na Europa, logo, logo veremos o quanto dura o tal "Estado leigo". Londres já é quase metade islâmica. Quando o Islã dominar a Europa (ainda mais com a entrada da Turquia na comunidade européia, algo inevitável) e o Estado islâmico começar a botar as suas manguinhas de fora contra o ocidente veremos onde a esquerda vai arrumar poder de fogo para combater esse novo inimigo. O Islã não é o cristianismo. Não está aberto ao diálogo. Já imaginaram nações islâmicas com poder de fogo nuclear e grande poder econômico?
Então eu prefiro muito mais uma sociedade preenchida por uma religião cristã do que uma preenchida pelo Islã.
A rápida cristianização da China não será capaz de deter a onda islâmica se o Ocidente não conseguir frear o avanço da guerra cultural. O vácuo deixado pelo cristianismo será inevitavelmente preenchido por outras religiões, com maior chance para o islamismo pois hoje é uma religião preparada para tomar o espaço do cristianismo. Vocês já viram quantos filhos um árabe pode ter? Enquanto isso em quase todos os Estados onde o cristianismo é predominante, a idade média da população cai rapidamente.
Estamos vendo o colapso da civilização ocidental. Se esquerda, direita liberal e direita conservadora não entrar em consenso seremos inevitavelmente dragados para o islamismo.
Bom, com respeito aos "revolucionários" - se é que merecem algum respeito - fico com a opinião de Olavo. Obrigado por confirmar a tese. Espero que com o ganho de consciência que acompanha o amadurecimento e a leitura, bem como com um aprofundamento da história dos movimentos revolucionários você possa rever seus conceitos.
A sua pergunta é falaciosa porque parte de premissas falsas e atribuições. Segundo suas premissas, só há manutenção do status ou revolução, o que é falso. E atribui a quem não é revolucionário o pensamento de que as coisas devem ficar como estão. Desculpe-me, mas apenas mostram o primarismo de seus pressupostos, que acabam sendo frágeis para construir maiores conhecimentos.
By the way, cite-me uma revolução que tenha revitalizado um país. Fora a independência americana - conduzida por conservadores - não me ocorre nenhum exemplo.
1) O Lucas é amigo meu. Eu converso com ele sempre. Ele mesmo se vê como um divulgador mais ou menos superficial do anarco-capitalismo. As grandes referências teóricas dele em política são Hans-Hermann Hoppe e Murray N. Rothbard.
E qualquer pessoa que conheça um pouquinho só do pensamento anarco-capitalista entende perfeitamente que ele é um. Ele diz: "Sinto-me incapaz de seguir o ideal conservador ou liberal, ou qualquer outro ideal que requeira o Estado como protetor, organizador e fornecedor da justiça ou de qualquer outro bem ou serviço que se queira." É preciso dizer mais alguma coisa?
2) Esse negócio de que a corrente anarco-capitalista não é expressiva é uma bobagem sem tamanho. A maior revista de pesquisas do pensamento libertário, o Journal of Libertarian Studies, fundado por Murray Rothbard, é majoritariamente anarco-capitalista. Só para citar alguns autores importantes do anarco-capitalismo: Rothbard, Hoppe, Block, Gordon, Murphy, Hülsmann, (David) Friedman, Huerta de Soto, Kinsella, Barnett, Benson, de Jasay.
3) Não só academicamente, os grandes teóricos libertários da segunda metade do século XX foram os anarco-capitalistas, mas o próprio movimento libertário é centrado na figura de Rothbard. Ele é a figura central da história toda. Inclusive o Libertarian Party americano é criação dele - embora ele depois tenha se desapontado com os rumos do partido.
4) A corrente anarquista tampouco é uma novidade moderna. A fundamentação teórica primeira do anarco-capitalismo se dá na metade do século XIX com Gustave de Molinari. Houve ainda diversos anarquistas libertários como Tucker, Spooner, em certa medida Spencer e Sumner, além de Nock, Chodorov etc. É uma longa tradição do pensamento político.
Olha, os anarquistas e teoricos do anarquismo que conheço pregam a coletivização da propriedade, sem incorrer na estatização. Anarco-capitalismo (não conheço sua definição) me parece uma reafirmação do capitalismo em bases liberais nos mesmos moldes do neo-liberalismo. Aliás, a critica que as duas correntes (anarquismo e neo-liberalismo) fazem ao papel do estado na sociedade é muito parecida.
Sejamos francos, todo mundo que adota uma postura politica a adota em nome da liberdade. Desde o comunista mais ortodoxo até o conservador mais caduco acreditam estar trabalhando para construir a liberdade. O que podemos discutir é a idéia de liberdade que se pressupõe ao adotar certa postura, e a prática dessa libertação em relação com essa atividade. E isso dá muito ´pano pra manga.
"Sejamos francos, todo mundo que adota uma postura politica a adota em nome da liberdade. Desde o comunista mais ortodoxo até o conservador mais caduco acreditam estar trabalhando para construir a liberdade."
Tá legal. Então, Flavio, qual é o conceito de revolução? Vamos fazer a eutanásia desta realidade moribunda para aparar as arestas do presente caótico e atingir logo o círculo do futuro. kkkkkkkk
Então tá... o dicionário resolveu... a realidade está mesmo moribunda...
Esperava de você maior rigor terminológico. Apegou-se a uma acepção retórica da palavra cujo sentido preciso é o primeiro do dicionário que você evocou. Na verdade, o recurso ao termo moribundo foi retórico, o que de fato compromete a racionalidade da análise.
Da mesma forma, é claro que se pode usar o conceito de revolução em outras acepções que não a da luta armada, coisa que até a esquerda já aprendeu. Isso não derroga o conceito expresso por Olavo de Carvalho que se refere a uma estratégia revolucionária mundial, da qual os liberais, ou libertários, ou anarco-capitalistas, ou outros semelhantes, ou são partícipes, ou são instrumentos úteis para expor a jugular da sociedade ocidental aos seus vampiros (viu, também sei usar recursos retóricos... hehe)
Eu postei isso em outro lugar, mas acho que também cabe aqui"
Quanto mais leio mais vejo reafirmada a diferença entre quem prega a liberdade econômica como princípio fundante e quem a tem como corolário de uma postura moral. Os primeiros tendem à amoralidade (não significa que SEJAM Imorais, necessariamente, mas as consequencias que acarretam podem sê-lo), e os últimos podem redundar no moralismo que limita a liberdade. Mas limitar a liberdade não é de modo algum negá-la, e as consequencias catastróficas são infinitamente menores.
Chamar os primeiros de liberais e os segundos de conservadores é apenas incluir um novo rótulo. Nào dá para ninguém se dizer liberal sem esclarecer de que liberalismo está falando. Olavo, pelo menos, disse que tipo de liberal ele não é.
Alguém falou "necessariamente"? Nada é "necessariamente" igual, vamos parar de raciocinar por oposições imaginárias. Essa discussão de que "liberal é conservador" e "conservador é liberal" remonta ao Império.
Aliás, eu TAMBÉM concordo que conservador não defente, necessariamente, o estado mínimo. Já é um problema para os próprios liberais definir qual é o mínimo de estado desejável...
O Breno vem há tempos trazendo à discussão as várias nuanças do termo "conservador". Também se pode dizer que liberal não defende, necessariamente, valores morais, não é verdade? Contestar o direito ao aborto, a eutanásia, etc, são posturas conservadoras, predominantemente.
"Conde-No entanto, se ele defende o Estado de Direito Democrático, as liberdades civis e políticas, ele está sendo um liberal, queira goste ou não."
Se você está se referindo ao "liberalismo clássico", ok, de acordo. Olavo incluiu este entre os conservadores, e concordo com ele. Agora, com o libertarianismo, que pretende ao fim a abolição do Estado, não há qualquer identidade, já que não faz sentido falar em Estado de Direito Democrático e liberdades civis e políticas onde não há estado.
E desculpe, Adermir, mas eu sou uma clássica conservadora e defendo o Estado mínimo.
Minúsculo.
Aguardando o dia em que ele não seja mais necessário e desapareça, o que é a idéia.
Ah, Priscila, desaparecer ele não vai. Cada ser humano que nasce é um recomeço de tudo, um ser ao mesmo tempo maravilhoso e imperfeito, santo e pecador. Achar que é possível atingir um estado nirvânico de maturidade social em que o estado seja desnecessário é sonho utopista que ignora que é impossível haver maturidade social, só os indivíduos é que amadurecem. E o fazem na sociedade em que encontram, precisam lidar com seus defeitos e aprender com ela. Estado mínimo, sim, porque o Estado inibe os amadurecimentos individuais, mas sociedade sem Estado, não, porque o mínimo ético social tem que ser garantido por ele.
Flavinho, a IDÉIA é que ele seja mínimo e não interfira em praticamente nada - a não ser pra defender grupos da opressão.
No momento, quem está sob ataque é a religião, a moral religiosa, o direito das pessoas de crer e praticar.
Há, sim, uma perseguição - relativamente velada, furtiva, mas nem por isso menos acirrada e eficaz.
De modo que aí o Estado, mesmo que fosse mínimo, deveria mesmo intervir. Pode reler qualquer post meu lá de trás em que comente o Estado mínimo, e verá que eu sempre defendo que ele exista com essa única função, a de defender grupos da opressão de outros grupos.
E nem tente me convencer que oprimidos são os homossexuais: oprimido, no momento, é qualquer um que não se curve à imoralidade e à venalidade da maioria. Homossexuais mandam e desmandam, e ai de quem não bater palminhas pra eles e pra seus defensores.
Daqui a pouco nem um pio de crítica, mesmo prudente, se não quisermos ir parar na cadeia.
Flavio, como assim, "jogado pro canto"????? Cada um que seja o que é - e permaneça, mesmo, no seu canto privado!
Que história é essa - então o camarada tem que ter palco? Tem que ser centro de atenções e rapapés e tratamento diferenciado?!
Eu não estou reivindicando pra ninguém nem rapapé e nem palco e nem aplausos entusiásticos, ué!
Por que agora homossexual tem que ter esses paparicos todos e essas diferenças todas?
Já existem leis pra proteger agredidos injustiçados de qualquer natureza! Que história é essa de uma lei especial pra quem agride gay? Agredido é agredido, tem direito a reclamar como humano, como cidadão - e tá de excelente tamanho pra todo mundo, sem distinção!!!!!
Esse discurso parece aquele negócio de "lesa majestade", ou seja: a agressão a qualquer um é crime, mas a agressão a alguns é MAIS crime...
Para e pensa!
Eu acho um horror o homossexualismo, mas nunca seria a favor de que ele fosse criminalizado! Também acho um horror a prostituição, e igualmente jamais seria a favor de que ela fosse criminalizada!
Agora, "leizinha especialzinha" de lèse majesté, ME POUPEM!!!!!