O artigo intitula-se "A Ideologia Que Debilita o Pensamento" e trata da tentativa de marxistas de transpor sua ideoligia para as Letras e das possíveis conseguências de tal fato.
Disponibilizei no meu blogue.
Acessem: http://andersonlopesescreve.blogspot.com/2010_11_01_archive.html
Em dezembro último, respondendo a objeções feitas por comunistas da linguagem, fiz nova publicação sobre o tema, incluindo três longas citações de Olavo de Carvalho. Também merece ser lido, pois os marxistas tentam penetrar, com suas distorções ideológicas, em todas as áreas.
Acessem: http://andersonlopesescreve.blogspot.com/
Certa vez li algo como "não vou poder estar deixando de dar aulas nesta data" do conhecido Sírio Possenti, um colega linguístico de Marcos Bagno -- o qual você citou no texto. Nesse trecho, ele defendia o uso de regras para a escrita de gerundismos.
Obrigado.
No caso de gerundismo, o próprio Olavo de Carvalho chama a atenção para o problema, já que este tipo de construção é inglesa e não portuguesa (o argumento dele está no "Quem Como Quem").
Possenti e outros comunistas da linguagem são inconsequentes, pois não atinam com os desdobramentos do que defendem. Ou atinam, hipótese em que agiriam de má-fé.
O artigo é muito longo, Anderson. Eu li o começo e algumas partes aleatórias e não entendi aonde você quis chegar. Tem como você dar uma resumida ae pra gente? Se eu gostar eu encaro o texto completo.
Inicialmente, sugiro que leias o artigo de novembro para só então encarar a postagem de dezembro.
Resumo aqui o primeiro artigo. Ele contesta a teoria do preconceito linguístico, que eu chamo de "comunismo linguístico". Essa teoria tentar transpor ideias marxistas para o campo da linguística. Por exemplo, a norma padrão seria a língua dos "opressores" e a linguagem com erros gramaticais -- o "nóis vai" do povo -- seria a língua dos "oprimidos". Assim, a luta de classes dar-se-ia entre esses dois falantes, o culto e o dos erros gramaticais. Bagno diz textualmente em seu livro que a Constituição é preconceituosa, porque está escrita na norma padrão, a qual o povo não entende e por isso fica excluído. Outra premissa da teoria é que qualquer variante de linguagem possui o mesmo valor e poder de expressão, e só o que distingue a linguagem culta é "o preconceito das elites dominantes".
A partir dessas premissas, muitos auto-intitulados sociolinguistas passaram a advogar a abolição do ensino de gramática (e dos clássicos) nas escolas. Dizem: "Se queremos fazer a “revolução” socialista dar certo, então o primeiro passo é destruir a gramática. Nela já se acha toda a hierarquia social burguesa, em que uns mandam (sujeito) e outros obedecem (objeto) pelo emprego de todo tipo de coação (verbo)."
Nesse primeiro artigo, tento mostrar que o combate à discriminação não é matéria científica e sim moral; que a norma culta possui poder de expressão e de formação de conceitos e pensamentos superior às variantes informais, de mesma forma que o registro escrito representa um avanço em relação à linguagem apenas oral; denuncio a demagogia e a necessidade de melhorar a educação no país (inclusive linguística).
Na segunda postagem, reforço os argumentos da primeira e transcrevo textos integrais de Olavo de Carvalho e Marco Antunes, e parciais de Evanildo Bechara e outros.
São um pouco extensos mas valem a pena. Lendo o primeiro, não deixes de ler o segundo, pelos esclarecimentos e pelos textos transcritos.
Anderson, parabéns!!!!
Muito bem escrito e bem argumentado. Aliás, o seu estilo tem algumas afinidades com o de O. de C.
Li o primeiro texto ontem e o segundo hoje. Haja fôlego! Eu já conhecia aquele artigo do Marco Antunes e algumas das tolices ideológicas dos Possentis/Bagnos. Aquele conto dos "Nois Mudemo" é ridículo demais; impossível acreditar que alguém possa aplaudir ou levar aquilo a sério...
Em todos os campos precisamos reagir contra esses demagogos do socialismo, esses "amigos do povo" que só querem o poder e para tanto não hesitam em fazer qualquer tipo de mistificação.
Ah, tenho minha teoria sobre essa questão: desde os anos 1980 começaram a desvalorizar a norma culta para tentar valorizar Lula. Veja bem, como o candidato da esquerda não dominava a norma culta era necessário desvalorizá-la e valorizar o que ele tinha, ou seja, a linguagem errada. Era necessário dizer que o errado era certo, e assim combatiam um ponto fraco de Lula.
Obrigado, Adalberto. Eu também já pensara nisso. Desprestigiar a norma culta foi uma das muitas estratégias empregadas pelos subintelectuais do PT para embair a sociedade brasileira.
Sim, Kevin. É a inversão de quem não quer assumir a responsabilidade. Afinal, é bem mais cômodo transferi-la aos outros, à sociedade, às "elites", ao "sistema"...
Maravilhoso! Esse seu artigo ser-me-á incrivelmente útil visto que ingressarei à partir deste ano no curso de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina. Como conclui à partir de algumas conversas com 'veteranos' e professores do curso, lá - bem como na enorme parcela das universidades brasileiras - cultiva-se solenemente esse ridículo e imbecilizante culto ao "comunismo linguístico" que combate o suposto "preconceito linguístico". E tendo esses conceitos como alicerces constrói-se toda a palvapatisse presunçosa da sociolinguística.
Eu mesmo meditava sobre o fato de os linguístas tentarem desesperadamente vergastar os valores designados (ainda) à norma culta da linguagem.
Trocara inclusive uma série de e-mails com um maravilhoso professor de gramática que tive recentemente no terceiro ano do ensino médio, que era tido como "reacionário fundamentalista da linguística" (note como conservam-se os termos utilizados nos discursos comunistas) por defender sobretudo a manutenção da norma culta - ditada pela gramática - como forma máxima de linguagem.
Esses ditos "sociolinguistas" portanto buscam não uma melhoria no ensino da gramática normativa de modo que ela integre toda a população em nome de uma forma lógica e única de se comunicar, mas sim a aceitação de qualquer ilogicidade comunicativa como forma de expressão de igual (ou até mais alto) valor que a a comunicação que se embasa na gramática 'perscritiva'.
Concluimos que é justamente importante ressalvar a princípio que a gramática tem como norma elaborativa a lógica, e sua utilização como norma máxima facilita não somente a comunicação como o próprio raciocínio do indivíduo, vista haja que os processos cognitivos estão diretamente relacionados à linguagem que esta pessoa possui à sua disposição. E para isso podemos nos dispor de diversos exemplos de sociedades com línguas rudimentares e pouco progresso no ramo da filosofia e das ciências... Enfim, já falei demais, é que pegou justamente na minha veia de interesse!
Guiseppe, prepara-te para um combate fatigante. Como escreveu M. Antunes, estes professores adeptos da "sociolinguística" são impermeáveis a uma argumentação racional. A ideologia consumiu-lhes o cérebro, não há remédio.
Aqueles textos todos que transcrevi no segundo artigo hão de dar-te alguma fundamentação teórica, quando for necessário argumentar em sala de aula ou nos trabalhos que exigirão de ti. Além deles, sugiro também as seguintes leituras:
"Bourdieu e Preconceito Lingüístico", de Arthur Virmond de Lacerda Neto, editora Vila do Príncipe,
"A origem da linguagem", de Eugen Rosenstock-Huessy.
Minha maior dificuldade aqui diz respeito à montagem de um grupo de estudos. As pessoas que possuíam afinidade de pensamento comigo, desiludidas com a bobajada linguística e a perseguição que sofremos, preferiram deixar o curso de Letras pelo de Jornalismo ou História, de modo que desde o segundo semestre enfrento sozinho as hostes do comunismo linguístico. Monta, pois, desde o princípio, um bom grupo de estudos e serás mais feliz que eu.
Esse relativismo lingüístico me irrita, agora falar ´´nóis vai`` é certo!
tive uma briga em uma comunidade por isto, o que define se uma forma é correta ou não é a história e e seu uso ser consagrado, e não uma orma baixada pela abl.
E claro há quem diga: se falássemos corretamente ainda falaríamos latim, eu falo português não latin, se for falar português com um falante de latim ele não entenderá! Não pretendo falar Latin ao falar português, ademais mais do que um latim corrupto o portugês tem elementos próprios dos polvos que lá habitava.
O gerindismo tem seu uso, ''vou estar fazendo'' é diferente de ''farei'' dá uma idéia de que se demorará mais ao fazer; outro exemplo seria durante as férias estarei fazendo..., dá uma idéia ded que se estará fazendo durante todas as férias, ao contrárei de durante as férias farei...
E sobre o Sírio Possenti ele tem menos conheci,ento lingüístico que um aluno de quinta série, para ele não há certo e errado...
Sobre o gerundismo, o tal "vou estar fazendo", de fato, esse tipo de construção não é errado, mas simplesmente não faz parte do idioma português. Repara que nos últimos sete séculos milhares de escritores de língua portuguesa (inclusive alguns detestáveis modernistas brasileiros) publicaram milhões de livros, sem jamais empregarem a forma "vou estar fazendo", já um indício da sua desnecessidade. Com efeito, o vernáculo possui formas perfeitamente eficazes, no caso, "farei", "vou fazer", "hei de fazer", de modo que a importação dessa sintaxe não tem cabimento.
O gerundismo de frases do tipo "vou estar fazendo" surgiu no Brasil e ganhou espaço de uns 20 a 30 anos para cá, a partir da má tradução de manuais norte-americanos de telemarketing. Qualquer iniciante na função de tradutor sabe que a regra número um é não fazer tradução literal, e sim interpretar numa língua aquilo que foi escrito em outra. Talvez por economia, um tradutor improvisado fez a tradução literal das palavras, sem adaptá-las ao português, trazendo a sintaxe inglesa para o Brasil. Para a identidade e a compreensão de uma língua, a sintaxe é mais importante que palavras soltas. Várias palavras isoladas, mesmo sendo todas conhecidas, não nos dizem quase nada. Já uma frase construída segundo a sintaxe do idioma, mesmo incluindo palavras desconhecidas, pode ser compreendida pelo contexto. Uma frase do tipo "E aí, meu 'brother', vamos conhecer aquelas 'cats'?" é perfeitamente portuguesa, embora contenha palavras inglesas. Já "vamos estar conhecendo aquelas gatas" não é, apesar das palavras lusitanas, pois construída segundo uma sintaxe estrangeira.
Olavo de Carvalho explica bem este caso no artigo "Quem Como Quem", que transcrevi na segunda postagem. Dá uma lida lá. Um abraço.
São semelhantes, haja vista que não são formas homologadas pela tradição culta da língua portuguesa, com a diferença que o "a nível de" pelo menos não é estrangeiro, foi inventado por modistas daqui mesmo. Num contexto culto, deve ser substituído por expressões como "quanto a", "em relação a", "no que diz respeito a", "no que concerne a", "no pertinente a" etc.
Quero pedir à moderação da comunidade que me permita ver o último comentário que está sob revisão. Recebi no meu perfil, junto com a comunicação da existência do comentário, suas duas primeiras linhas e, até ali, não havia nada demais.