Pessoal, meses atrás eu postei um tópico com esse tema, mas não o encontrei mais.
É o seguinte. Na minha classe de criminologia eu sou o único que defende ações como prisões, policiamento, legítima defesa, live arbítrio e responsabilidade e tal. Nas próximas semanas iremos trabalhar com "Vigiar e Punir", de Foucault, um livro chato que só.
Já imagino o que veremos: Uma condenação quase unânime das prisões.
Pois bem. Eu não li Vigiar e Punir todo (ainda), e sei que ninguém na minha sala o terá lido até a aula. O que eu preciso, e peço ajuda aos membros da comunidade, é de material crítico à obra de foucault.
Meus colegas são muito sensíveis ao apelo à autoridade. Se eu só contestar o que for dito - mesmo demonstrando cabalmente a contradição de determinado argumento - de nada vale para eles: Vão pensar que eu só não entendi.
Dizer, por exemplo, que nas prisões brasileiras não existe, via de regra, controle nenhum, por conta da superlotação e do permissivismo, é um absurdo: "Como não exercem controle? Foucault disse que exercem, panoptismo"
Alguém poderia me indicar material, preferencialmente de internet (em inglês e espanhol tá valendo)?????
Partindo dos princípios. Em quais princípios morais Fucault baseia-se em sua argumentação?
Foucault é um niilista convicto e radical. Ele é amoral.
Em "vigiar e punir" ele apresenta a idéia ( que aqui vou sintetizar grosseiramente) que a substituição do suplício físico pela prisão não significa nenhum avanço humanitário: Que se trata tão somente dos malvados poderosos, chocados com a influência dos espetáculos de suplícios sobre as massas (que por vezes atraíam a simpatia para o supliciado e sua causa), trocaram a tortura pelo controle físico dos criminosos, loucos e mendigos pela prisão;
Que este sistema é o mesmo princípio das escolas e quartéis (ainda na visão dele), ou seja, docilizar, domesticar e adestrar o homem, mecanizá-lo para em seguida explorá-lo. Seriam as mini-instâncias do poder estatal sobre os indíviduos.
E, por fim, qu a vida na sociedade seria uma adaptação do Panoptismo desenvolvido por Jeremiah Bentham, somente resguardas as prporções.
A alternativa que ele propõe? Nenhuma.
Deu pra compreender? O sujeito é tão confuso que eu não tenho a certeza de ter acertado quanto às suas propostas. O que eu acho incrível é como tanto universitário que não sabe fazer um "O" com um copo cita esse cabra.
Principais influências em Foucault:
Althusser
Nietzche
Deleuze
Se esse é o resumo... Vai entrar pra minha lista: não li e não gostei.
Principalmente pq como disse o amigo aí em cima a concorrência é desleal. Entre mulher, filho. trabalho, pilha de livros e xbox (nessa ordem). Fica difícil ler alguma coisa só pra poder criticar.
Puxa vida, Marco Aurélio. Se eu levar estas informações pros fãs de foucault lá da universidade eles vão me olhar ou pensando que eu sou louco, ou que sou teórico da conspiração, ou que eu sou mentiroso mesmo.Mas valeu pelo texto. Já ajuda bastante.
Isso tem a ver com a tal definição de verdade vinda do desconstrucionismo. Ou seja: todos tem desejo de poder. A coisa já começa torta desde o início. Se não existe verdade, pq devo confiar no que diz Foucalt? Porque o desejo de poder dele é mais bem intencionado do que o resto?
Como ele mesmo (Michel Foucalt) tem desejo de poder, logo, óbvio, todos tem desejo de poder. O governo, a sociedade, qualquer um é tão perverso quanto o mais perverso assassino.
Assim sendo o governo teria apenas desejo de ter poder sobre os criminosos, amestrando-os e condicionando-os ao seu padrão de comportamento (o padrão da sociedade).
Nada a dizer sobre o real desejo de poder dessa classe intelectual de dar aos criminosos a condição de vítimas, invertendo a ordem moral das coisas. Seguindo a lógica de Foucalt os bandidos nem poderiam ser presos. Deveriam ser mandados para a escola para ser "re-educados" pela classe revolucionária.
Foucalt detém-se em criticar os métodos empregados no tratamento aos presos mas nada diz com relação a leveza das penas adotadas pelo Estado no caso de homicídios e outros crimes hediondos. Nesse caso os presos estão sempre em débito com as vítimas pois nenhuma pena será capaz de restituir a vida por eles ceifada. 50.000 homicídios são cometidos todos os anos no Brasil. Quantos desses 50.000 pagaram a altura pelos crimes que praticaram?
“Prisons do not diminish the crime rate: they can be extended, multiplied or transformed, the quantity of crime and criminals remains stable or, worse, increases...” (Foucault, 1975: 265) “Detention causes recidivism; those leaving prison have more chance than before of going back to it; convicts are, in a very high proportion, former inmates; 38 per cent of those who left the maisons cetrals were convicted again...” (Foucault, 1975: 265) “The prison cannot fail to produce delinquents. It does so by the very type of exercise that it imposes on its inmates: whether they are isolated in cells or whether they are given useless work, for which they will find no employment, it is, in any case, not ‘ to think of man in society; it is to create an unnatural, useless and dangerous existence’... The prison also produces delinquents by imposing violent constraints on its inmates; it is supposed to apply law, and to teach respect for it; but all its functioning operates in the form of an abuse of power. The arbitrary power of the administration...” (Foucault, 1975: 266) The prison makes possible, even encourages, the organization of a milieu of delinquents, loyal to one another, hierarchized, ready to aid and abet any future criminal act...(Foucault, 1975: 267) “The conditions to which the free inmates are subjected necessarily condemn them to recidivism: they are under the surveillance of the police; they are assigned to a particular residence, or forbidden others...” (Foucault, 1975: 267) Lastly, the prison indirectly produces delinquents by throwing the inmate’s family into destitution...” (Foucault, 1975: 268)
Pois é. Não confere com a experiência americana. Lá, mais prisões e mais rigor na lei significaram reduções nas taxas de criminalidade.
Pelo contrário: afrouxamento nas leis e detenções mais frouxas implicam diretamente em aumento da criminalidade. Basta ver o exemplo do Brasil.
Foucault theorized the reason the prison system has lasted so long is it benefits the ruling social class. He believed the ruling class used criminality as a way of preventing confrontations that could lead to revolution.
Olha aí a verdadeira razão da crítica de Foucault. Como eu disse antes, o verdadeiro objetivo da crítica de Foucault não é melhorar nada e sim piorar. Ele vê os bandidos como revolucionários potenciais, assim sendo nada mais justo do que dar "poder" a essa classe. E no Brasil esse sujeito ainda é "ensinado" em sala de aula nas Universidades públicas com o nosso dinheiro.
Murilo
A crítica de Foucault ao sistema penitenciário restringe-se ao fato de considerar o sistema carcerário das sociedades "burguesas" uma arma "anti-revolucionária".
Se o sistema carcerário é uma arma anti-revolucionária você acha que está errado?
E vejamos: em sociedades onde a revolução foi implantada como são as prisões? Foucault escreveu uma linha sequer sobre as prisões em Cuba, na China, na União Soviética e nos países do leste europeu ou no Cambodja? Se Foucault não fez essa análise (prisões em sociedades burguesas x prisões em sociedades onde a revolução já passou) então sinto muito. Não existe a mínima sustentação lógica na argumentação de Foucault, fora a completa falta de moral que para mim já o desqualificaria de imediato.
Só para esclarecer uma coisa: recebi um email de um mebro daqui da comunidade me questionando se o que eu pretendo é usar apelo à autoridade na sala de aula.
A resposta é não. Não estou pedindo dicas de erística. Como vou terminar de ler "Vigiar e Punir" nas próximas duas semanas, mais ou menos, eu estou buscando pontos de vista críticos sobre foucault para complementar os rabiscos que estou fazendo. O que eu já li de Foucault já foi suficiente para formar minha opinião sobre. Estou em busca de material para complementá-la e/ou embasá-la melhor. Como achei pouca coisa na internet, resolvi apelar aos membros da comunidade por mais ajuda na minha busca. Só.
Se a maneira como eu abri o tópico deu margem a esta interpretação dupla, peço desculpas. Até porque mesmo que eu fosse hipoteticamente usar apelo da autoridade, só valeria se eles conhecessem a autoridade. Como só conhecem Foucault e Wacquant, eu seria estúpido se tentasse ir nessa linha.
Valeu
Sei que era gay e era completamente a favor do suicídio. Tentou se suicidar algumas vezes. Frequentou saunas gay nos EUA onde teria contraido AIDS (talvez essa tenha sido uma forma de se suicidar).
Li esse panfleto faz muitos anos, para a faculdade. Apesar de Foucault não ser um evolucionista (no sentido sociocultural), eu vi essa porcaria, quer dizer, livro, com um certo dedo disso. Ele apresenta aquela execução, dos cavalos puxando os membros da vítima, como uma forma de chocar o leitor. Depois apresenta as prisões como certa "evolução" para as execuções penais, e passa a idéia de que seria "natural" a eliminação das mesmas, como um sinal de "progresso".
Mesmo que esse não seja o cerne do livro, há dezenas de juristas que usam esse livro como exemplo para o que acham ser uma evolução do sistema penal: o fim das cadeias. Uma lorota absurda, que sempre tem como base o ataque aos países capitalistas. Como se ser um preso em Cuba fosse muito agradável...
De qualquer forma, suas apresentações e explanações sempre me pareceram sem base e tendenciosas ao extremo.
Curiosidade: um amigo meu, que sobreviveu ao curso de história (aturando todo tipo de marxista possível), disse que um dia seu professor comentou uma palestra de Foucault por lá, se não me engano. Como Foucault tinha ido lá para polemizar apenas, apenas mantendo seu estilo de não acrescentar nada, apenas discordar de tudo e de todos, deixando os professores presentes irados, ele soltou essa pérola: "Foucault é assim porque tem amarguras terríveis. É um direitista(???) e um gay enrustido.". Na universidade, não gostou do cara, ele é direitista!
Já ouviu falar em penas alternativas, a exemplo de serviçços comunitários?
Já. É o que o José Dirceu anda prestando agora para poder voltar impune nos ombros da massa inocentadora.
É o que Franklin Martis vai prestar agora à sociedade para pagar o sequestro do embaixador americano Charles Burcke Elbrick, mostrado com orgulho em seu web site pessoal:
Serviços comunitários é o que todos os terroristas pagaram pelos crimes que cometeram nos anos 60.
Serviços comunitários é uma forma eficiente de trocar o crime pela impunidade.