Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Liberais e Conservadores na prática

Iniciado por vincius em 19/03/2007 · 6 mensagens

vincius#1
No seu mais recente artigo, Olavo propõe a diferença entre liberais e conservadores. Se bem entendi,grosso modo, os liberais poriam valores meramente instrumentais como a liberdade e a propriedade acima dos valores fundamentais, os princípios (no caso os princípios os princípios fundamentais da civilização judaico-cristã). Mas qual seria a diferença na prática entre liberais e conservadores. Em questões morais, de costumes, religião, por exemplo. Como se comportaria um conservador no Estado em relação a isto? Ele adotaria o intervencionismo ou o não intervencionismo? Há conservadores que acreditam que os valores instrumentais da liberdade e da não-intervenção devem se aplicar a questões morais também, e não só a questões econômicas, e são favoráveis inclusive a liberação do consumo de drogas. Para eles, o indivíduo teria o direito de fazer o que quiser do próprio corpo, exceto talvez se matar. Isto por que o ato moral perfeito é um ato livre (Pedro Sette Camara escreveu mais ou menos isto recentemente) de modo que não se pode coagir ninguém a ser virtuoso. Recomendo mais uma vez um artigo de Alvaro Veloso de Carvalho sobre a questão: http://www.oindividuo.com/alvaro/alvaro101.htm. Neste artigo, o autor, claramente um conservador no sentido de Olavo de Carvalho, defende que a liberação da coerção estatal de condutas muitas vezes contrárias aos valores judaico-cristãos, não significa abandonar ou condenar estes valores. O que acham disto?
vincius#2
Trecho do artigo citado acima: "Ademais, a própria idéia de vida virtuosa pressupõe o livre arbítrio; não há mérito algum (quase disse, não há virtude alguma) no homem que pratica a virtude por uma imposição estatal, não por uma decisão própria, porque ele está abdicando do que há de essencial na condição humana, que é a capacidade de escolher e de agir como um ser moral. "
leandro_13#3
Acho que, no âmbito atual (e sem desprezar eventuais diferenças entre os "liberais" econômicos e os "conservadores" em questões morais, como o aborto), não há espaço para uma divisão entre liberias e conservadores em um continente dominado pelo esquerdismo aberto.
priscila#4
Não é tão simples, minha gente - e pode significar uma arapuca das complicadas.
A união de todos contra o comunismo pode significar a união de todos contra outras coisas que não o comunismo, e tão ruins quanto ele.

A "embolação" das esquerdas com o liberalismo econômico é, no Brasil, uma manobra explícita - literalmente TODO MUNDO que eu conheço pessoalmente não acredita que Luifináfio tenha planos de estatizar a economia. Ao contrário: creem que os planos do governo são de fortalecer uma economia liberal!

Por causa disso, eles vão apoiar essa esdrúxula mistura e fazer parte dela, não encrencando com nenhum ponto que constitua (mais uma) destruição moral - porque lhes interessa defender, acima de tudo, o liberalismo econômico, e o resto vem depois.

Estão, na minha modesta opinião, errados duas vezes: no seu julgamento das intenções do governo e na sua ordenação de prioridades.

Quem não pular fora desse saco de gatos repleto de mal-entendidos, enganos e manipulações, estará lutando ao lado do inimigo, mesmo que não saiba disso!

Olavo de Carvalho, mais uma vez, acertou na mosca.
priscila#5
Flavinho, eu estou falando da maioria - e, creia, não são ignorantes no sentido de pouco instruídos. Ao contrário!
A idéia que a instrução faz alguma diferença é errada, pra começo de conversa - é o paradigma moral que faz a diferença.
Já escrevi antes que entre um bando de analfabetos imorais e um bando de pós-graduados imorais a diferença é nenhuma.

O que conservadores e liberais têm em comum, que é a defesa do liberalismo econômico - é MENOR do que a diferença causada pela quebra do paradigma moral!
Reconheço sua aflição em ver que estamos todos perdendo uma briga importante - mas pra ganhar essa briga importante eu não posso me arriscar a perder outra MAIS importante!

A hierarquização que faço é bastante pragmática - e eu acho mesmo que o pragmatismo faz parte da natureza feminina: reconhecer ameaças e arrumar as coisas dentro de uma realidade, por ordem de importância, é com a gente mesmo! O "first things first" é um motto bem feminino, pode pesquisar...

Então, a defesa da civilização e da moral que a sustenta, sem conversa fiada, vem antes de tudo, porque senão a coisa vai crumble de vez - liberalismo econômico inclusive.

Se você olhar bem o ponto, vai ver que a questão é sempre a mesma: Verdade ou Liberdade?
E a resposta também é sempre a mesma: Verdade, sem hesitar.
adermir#6
Concordo em gênero, número e grau, Priscila.
Sobre Verdade X Liberdade: acho que uma não existe sem a outra, pois quem não é livre não pode conceber a verdade, e quem não tem compromisso com a Verdade nunca vai ser realmente livre.

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