Dawkins só foge das questões principais e fica chamando os outros de preguiçosos, com a idéia sem sentido de que "religiosos não buscam respostas profundas, apenas os cientistas".
Eu já me vi na mesma argumentação com a Priscila e me sentia desgostoso de perceber que para ela eu não podia dizer não sei e optar racionalmente pelo demonstrável.
O que eu vejo eu realizo, eu meço, eu calculo. Uso raciocínios baseados no que apreendi através das mais basilares e profundas construções intelectuais que pude conceber me servindo dos padrões e conceitos que aprendi experimentando a vida e o mundo, lendo(Olavo e suas indicações em grande parte), observando.
_Então aparece alguém e diz, mas existe o sobrenatural, o intangível, o transcendente. _ e eu digo _ Provas?
Seguem uma continuidade de provas, e não são poucas, que provam tudo, menos o transcendente, obviamente. É comum inclusive que se confunda o "ainda" intangível, inobservável, insuperável, como marcas do transcendente. Eu digo, não apostem nisso, estão fadados a falhar.
Eu acredito em justiça, em honra, em dignidade, em glória, mas também vejo como somos os únicos capazes e encarregados de projetar e proteger esses conceitos e de fazer um mundo nessas bases.
Os "outros" destroem as pessoas, minando-as. Fazem com que dispensem o belo, o perene, o significante, arrendando as suas vontades em cultos e crenças daninhas, subjulgam-nas com débito, carência, ilegitimidade e programações ritualísticas.
É por isso que também acredito que entidades materializadas sobre a esperança e providência sejam vícios muito bem plantados na humanidade. Os melhores catalisadores da fraqueza. Ao exemplo: se o mundo não estivesse esperando pela volta do messias, bestas como a NOM teriam se desenvolvido tanto?
Eu olho pro mundo e vejo milhares morrendo em desastres, bilhões mal nutridos, bilhões marginalizados e as pessoas interpretam esses termos como linhas tortas da vontade de Deus, eu lhes digo: teria como acreditar em algo menos comodo?
A partir desse mesmo pensamento, repenso as próprias bases da discussão comunismo e capitalismo.
Será que isso existe, serão constructos? Peças brancas e pretas para que joguemos no tabuleiro de Xadrez de alguém?
Veja, o comunismo é um estado artificial assumindo controle "total" de determinado território e tudo que nele se compreende para o bem de todos. Então quando morre alguém de fome a culpa é clara como o sol e sólida como o aço. Culpa do governo.
Isso parece lógico, consideramos então o comunismo um regime assassino, e sentimo-nos preenchidos de capitalismo, mas a única diferença é que o capitalismo não assume controle total, então não pode ser apontado como culpado.
O capitalismo é o dono da rinha, sempre foi e sempre será. Ele segue regras naturais, então não tem como ser derrubado, mas desprovido dos sentidos que nós seres humanos devemos proteger e projetar, ele se torna uma máquina de dissociação social e genocídio.
A questão é que tudo isso, que é bem óbvio, nunca passa como pano central da discussão política. O próprio professor jamais comentou sobre como a ganância, o egoismo puro(não o selfish austríaco) pode ser uma ferramenta do mal.
O mal, como falta de sentido ou o esvaziamento do sentido através de joguetes dos arrendadores de vontade humana, pode ser e deve ser combatido.
Esse é o fim último da caridade, ela preenche-nos de amor, já que garantimos sentido a um terceiro, não por isso a caridade tão forte no cristianismo e no islamismo. É a caridade que nos garante bem estar, união.
Aumentar as horas de trabalho e as taxas sob a alegação de caridade compulsória só servem ao intento máximo de dissociar a caridade de seu real significado, de nos tomar a possibilidade de nos sensibilizar com a situação do próximo, de exercitar nosso espírito. De amar.
É assim que o mal age, através da mentira e da dissimulação, e é por isso que eu não acredito em mais nada que eu não posso compreender.
Mas então, antes que esse tipo de pensamento semeie, cresça e preencha, aparecem deuses e demônios, ídolos e rechaçados, políticos e cidadãos, béns e prejuízos, tudo bem montadinhos desde antes de você nascer, ficando ao critério do seu talento natural e intenções competitivas escolher entre ser o pião ou o reizinho, o bispo ou o cavalo.
"Aconteceu uma grande mudança nos últimos dois discursos desse debate. Vocês viram o que foi. Nós argumentamos essa noite, antes de tudo, que se Deus não existe, então o Universo não tem propósito. Nossos colegas ateus admitiram isso. Mas agora o que eles dizem é: "Mas, veja, nós podemos construir um sentido para nossas vidas" nas palavras de Dawkins, ou nas palavras de Michael Shermer: "Nós podemos usar de maneiras de nos sentirmos melhor, como se tivessemos um propósito." Vejam, isso é dizer que nós podemos fingir que o Universo existe com propósito e isso é só uma simulação. Essa é uma ilusão subjetiva de propósito. Mas não há, nessa visão, nenhum propósito objetivo para o Universo. E é claro que nós nunca negamos que você pode desenvolver propósitos subjetivos para sua vida. O ponto é que no ateísmo eles são todos ilusórios. E é por isso que concordo com Richard Dawkins quando ele diz: "No fundo, essa é uma questão emocional mais do que uma questão racional". Eu queria ter a coragem de poder dizer isso. Eu estou convencido de que pessoas que adotam o ateísmo, pelo menos das que vimos nessa noite, adotam propósitos mais emocionais do que racionais. Os argumentos racionais dessa noite todos são favoráveis ao teísmo. Mas você não pode viver como se sua vida não tivesse um propósito ou significado. Então você adota ilusões subjetivas de propósito para fazer sua vida tolerável. E é por isso que acho que o ateísmo não só é irracional, mas não vivenciável. Você não pode viver consistentemente e com propósito no contexto de uma "cosmovisão" ateísta."
Voltando ao que escrevi na primeira linha, eu não nego. Eu não sei. Assim como não sei se existiu Jesus, e tantas outras figuras. Não sei. Não pauto minha vida pelo que eu não sei. Não calculo sobre o transcendente.
Alias, recomendo que vocês também não, porque isso só funciona pra intelectuais que nunca tiveram contato com o escasso, com o desconhecido, com o risco e a necessidade, isso só funciona para arrendadores que vivem do suor dos outros. A não ser a função de placebo anti-depressivo ou coisas assim.