O "nacional-bolchevismo" era só uma ideologia, mas Alexander Duguin acabou por superá-lo e absorvê-lo numa formidável síntese estratégica, o "eurasismo", que hoje orienta a política internacional de Vladimir Putin e cuja primeira vitória substantiva foi a constituição do Pacto de Solidariedade de Shangai (v.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/060130dc.htm), destinado a ampliar-se até abranger, se possível, todas as forças anti-americanas do universo (especialmente a Irmandade Muçulmana), não apenas em torno de uma vaga proposta ideológica, mas de planos de ação político-militares bem definidos. Tanto Limonov quanto Duguin são filhos de oficiais da KGB, e o segundo é o maître à penser do homem que mais encarna a KGB no poder.
Seduzidos pela promessa de destruir o "mundo moderno", muitos tradicionalistas de periferia - católicos, ortodoxos ou muçulmanos -, acabarão se tornando os melhores idiotas úteis que a KGB já teve à disposição. A nenhuma dessas inteligências ocorreu notar que o liberalismo de Karl Popper é uma coisa e a nação americana é outra muito diversa; que a destruição ou marginalização desta última não trará a extinção da execrável "modernidade" e o advento do Reino de Deus na Terra, mas sim o triunfo dos globalistas ocidentais, para os quais a neutralização do poder americano é a urgência das urgências, e cujas relações com o esquema russo-chinês são bem mais amigáveis do que toda a retórica "eurasiana" dá a entender (o próprio apoio do governo Obama à rebelião egípcia é prova disso). A crise no Egito não é só uma vitória do radicalismo islâmico, mas, por trás dele, do projeto eurasiano.