http://aespectadora.blogspot.com/2008/07/cultura.html
"A gente não deve ter uma visão de cultura como se fosse coisa de tia-avó refinada. Achar que cultura é gostar de móveis vitorianos, usar roupas sofisticadas, conhecer literatura anglo-saxônica, conhecer nos mínimos detalhes Casablanca, tudo pode ser bem legal, mas não passa disso: tia-avó refinada. Para ser franca, Deus me livre e guarde. Sendo apenas isso, seria uma espécie de frivolidade. Você pode até encarar a frivolidade com dedicação, como acontece com os esportes. Mas qualquer esforço que você fizer para justificar a cultura (entendida nesse critério) não vai passar de exercício de esnobismo! Tipo caça à raposa. Uma brincadeira lúdica praticada por aristocratas. Estaria tão na periferia da vida como o futebol.
Se aparecesse um Cálicles puto da vida, dizendo que a última razão da vida está no muque, uma concepção elegante de cultura seria tão útil quanto usar uma pistola d'agua como arma de intimidação. Não se engane. Os Cálicles da vida sempre surgem quando a cultura perde vitalidade. E eles parecem ter razão. A cultura só pode ser justificada na medida em que deixa de ser puro jogo e cai na área da utilidade pública. Pois é, a cultura só faz sentido quando é uma espécie de serviço. Ela tem que ter uma finalidade. Mas que tipo de serviço? É quando a gente precisa resolver as aporias da vida. Se a cultura não servir como ferramenta de salvação de cada um, ela não serve para nada. Aí o triunfo dos Cálicles da vida se concretizará. O sentido de salvação de cada um é a dimensão dramática e a justificação da cultura."
"A gente não deve ter uma visão de cultura como se fosse coisa de tia-avó refinada. Achar que cultura é gostar de móveis vitorianos, usar roupas sofisticadas, conhecer literatura anglo-saxônica, conhecer nos mínimos detalhes Casablanca, tudo pode ser bem legal, mas não passa disso: tia-avó refinada. Para ser franca, Deus me livre e guarde. Sendo apenas isso, seria uma espécie de frivolidade. Você pode até encarar a frivolidade com dedicação, como acontece com os esportes. Mas qualquer esforço que você fizer para justificar a cultura (entendida nesse critério) não vai passar de exercício de esnobismo! Tipo caça à raposa. Uma brincadeira lúdica praticada por aristocratas. Estaria tão na periferia da vida como o futebol.
Se aparecesse um Cálicles puto da vida, dizendo que a última razão da vida está no muque, uma concepção elegante de cultura seria tão útil quanto usar uma pistola d'agua como arma de intimidação. Não se engane. Os Cálicles da vida sempre surgem quando a cultura perde vitalidade. E eles parecem ter razão. A cultura só pode ser justificada na medida em que deixa de ser puro jogo e cai na área da utilidade pública. Pois é, a cultura só faz sentido quando é uma espécie de serviço. Ela tem que ter uma finalidade. Mas que tipo de serviço? É quando a gente precisa resolver as aporias da vida. Se a cultura não servir como ferramenta de salvação de cada um, ela não serve para nada. Aí o triunfo dos Cálicles da vida se concretizará. O sentido de salvação de cada um é a dimensão dramática e a justificação da cultura."