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Graças a Charles Darwin, cujo 202o aniversário de seu nascimento comemoramos hoje, não somente biólogos, mas também muitos cientistas sociais de nossos tempos, podem contar com um paradigma evolucionista em suas áreas de estudos, aprofundando suas investigações do que subjaz aos fenômenos socioculturais para muito além do que alcançam perspectivas outras, como a culturalista, a marxista, a estruturalista etc. Assim, naturalista empedernido que sou, gostaria de esclarecer que tenho para com antropólogos culturalistas, como Roberto DaMatta, precisamente isso: uma divergência paradigmática. Mas, a despeito disso, de modo algum me sinto impedido de apreciar inúmeros pontos levantados em suas obras, sobretudo quando estes se revelam objetivamente precisos enquanto descrição de fenômenos socioculturais sem dúvida condizentes com a realidade conspícua.
Na verdade, naquilo que um autor como DaMatta descreve, eu apenas ajusto minhas lentes para alcançarem um pouco além, a níveis subjacentes mais profundos, como já dito. E assim procedendo, percebo que grande parte dos contornos que adquirem os fenômenos socioculturais parece constituir reflexos de traços inerentes à natureza humana, que uma cultura A permite aflorar, enquanto uma cultura B os inibe. Ou seja, já não vejo tais fenômenos como produtos tão somente da influência de dada cultura sobre as pessoas — estas que, na visão culturalista, seriam passivelmente modeláveis por aquela, como massinhas de moldar.
(...)
por Camilo Gomes Jr.
http://avozdaespecie.wordpress.com/2011/02/12/a-luta…e-a-pratica/
Graças a Charles Darwin, cujo 202o aniversário de seu nascimento comemoramos hoje, não somente biólogos, mas também muitos cientistas sociais de nossos tempos, podem contar com um paradigma evolucionista em suas áreas de estudos, aprofundando suas investigações do que subjaz aos fenômenos socioculturais para muito além do que alcançam perspectivas outras, como a culturalista, a marxista, a estruturalista etc. Assim, naturalista empedernido que sou, gostaria de esclarecer que tenho para com antropólogos culturalistas, como Roberto DaMatta, precisamente isso: uma divergência paradigmática. Mas, a despeito disso, de modo algum me sinto impedido de apreciar inúmeros pontos levantados em suas obras, sobretudo quando estes se revelam objetivamente precisos enquanto descrição de fenômenos socioculturais sem dúvida condizentes com a realidade conspícua.
Na verdade, naquilo que um autor como DaMatta descreve, eu apenas ajusto minhas lentes para alcançarem um pouco além, a níveis subjacentes mais profundos, como já dito. E assim procedendo, percebo que grande parte dos contornos que adquirem os fenômenos socioculturais parece constituir reflexos de traços inerentes à natureza humana, que uma cultura A permite aflorar, enquanto uma cultura B os inibe. Ou seja, já não vejo tais fenômenos como produtos tão somente da influência de dada cultura sobre as pessoas — estas que, na visão culturalista, seriam passivelmente modeláveis por aquela, como massinhas de moldar.
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por Camilo Gomes Jr.
http://avozdaespecie.wordpress.com/2011/02/12/a-luta…e-a-pratica/
