"Como o Cristianismo, destacando-se de outras religiões monoteístas e dos fundamentos filosóficos da cultura grega, gerou a liberdade, os direitos do homem, a procura sistemática da razão, a paixão pelo progresso e a confiança no futuro. Rebatendo teses marxistas e weberianas, o Autor remete para a Idade Média a génese do Capitalismo, primeiro desenvolvido na organização e função económica dos conventos, depois nos bancos e mercadores das repúblicas italianas, que a levarão para as cidades da Flandres e de Inglaterra e depois para o Novo Mundo, sistema que levará ao milagre económico e ao predomínio do Ocidente."
Depois de 2 meses esperando o livro chegar, decidi digitalizá-lo, dado a importância da obra.
A tese central do livro é derrubar a idéia de Max Weber de que a ética protestante criou o Capitalismo, demonstrando como tanto o Capitalismo quanto a ética que Weber apontou já existiam, séculos antes da Reforma, na figura dos humiliatii italianos. Stark demonstra como o Capitalismo surgiu em mosteiros no século IX, sendo aperfeiçoado nas grandes cidades italianas (Veneza, Gênova, Milão, Florença), cujo nos séculos XIII e XIV criaram um grande "império econômico", que ia da China até a Inglaterra. Descreve como uma "subcolonização" de banqueiros e comerciantes italianos dessas cidades desenvolveu as indústrias em Flandres e Inglaterra, séculos antes de se tornarem protestantes. Explica como tiranias como a espanhola e a francesa sufocaram o capitalismo nesses países e em todas as regiões que dominaram (norte da Itália, atual Bélgica, América Latina e inclusive nós, no Brasil), enquanto Inglaterra e Holanda, mais livres para o comércio, prosperavam, transferindo a mesma mentalidade para suas colônias, em especial a América do Norte. Por fim, faz um balanço da religião na América do Norte e Sul no passado e hoje, analisando-a num conceito de "economias religiosas".
Detalhe: A edição portuguesa tem um problema RIDÍCULO! Não há o final de um capítulo, termina a página 147 e simplesmente se pula para o próximo capítulo na página 148! Já entrei em contato com a editora, e estou pesquisando se encontro esse trecho faltante.
Olha, o problema maior não é nem a questão de apenas scanear (3 horas divididas em 2 dias fiz tudo, scaneando 2 páginas por vez com o livro aberto, e depois criando o pdf com o programa i2pdf), mas de passar para OCR, ou seja, transformar o texto da imagem scaneada em texto editável. E a parte próxima ao centro do livro não cortar, borrar, sem ter de destruir o livro, ainda mais essa edição, cujo as folhas parecem de jornal e a capa é muito mole.
Eu não escrevi no início, mas o livro não se limita à questão de Weber, mas é muito mais amplo, demonstrando os diversos avanços na "Idade das Trevas", a papel da Igreja no fim da escravidão, as raízes cristãs e medievais do que ele considera pré-requisitos para o Capitalismo, como a noção de progresso, a busca da razão (através de uma teologia racional), uma teoria racional de juros, governos limitados, liberdade, etc, sempre comparando com outras culturas (como a islâmica, chinesa), e sempre que possível detonando com o marxismo. De modo a não ser uma questão de Católicos X Protestantes, mas de cristãos X o resto.
Usei o Some PDF Image Extractor pra extrair as imagens, reduzi o tamanho delas no Paint Shop Pro (através de compressão do jpeg, e não de redimensionamento da imagem), gerei um novo arquivo usando o "Jpeg to PDF". O I2Pdf também é bom, mas nesse caso ele estava borrando excessivamente as letras, e acabei usando o anterior.
Boa iniciativa! Agradeço ao autor do tópico que deve ter tido um trabalhão para fotocopiar tudo. No mais, alguém já leu as outras obras do Stark? Há pelo menos duas em portugues e uma dezena delas em outras linguas na Livraria Cultura. Se alguém tiver lido e puder comentar seria de grande valia.
O crescimento assustador do movimento esquerdista no mundo desde a queda da URSS deveria alertar os liberais e conservadores para que largassem de triunfalismo bocó e começassem a examinar seriamente a fragilidade das suas próprias certezas. A mais vulnerável delas é a de que a superioridade econômica intrínseca do capitalismo acabará fatalmente por prevalecer no fim das contas, trazendo ao mundo, na esteira da liberdade de mercado, o sonho dourado da democracia mundial.
Primeiro: não é previsível que a racionalidade econômica consiga domar tão facilmente as tremendas forças irracionais desencadeadas há séculos pelo advento das ideologias revolucionárias trazidas aliás no bojo do próprio sucesso capitalista. Até hoje ela não fez isso senão em áreas minúsculas da superfície terrestre, e mesmo assim de maneira vacilante e precária. A capacidade humana para a otimização racional da economia em bases capitalistas não é dom inato nem causa sui : é o produto de milênios de civilização e o resultado de um equilíbrio espiritual muito raro, difícil de obter e fácil de perder. Um pouco de conhecimento das raízes culturais daquilo que defendem não faria mal algum aos teóricos da “salvação pela economia de mercado”. Sugiro começar por “The Victory of Reason: How Christianity Led to Freedom, Capitalism, and Western Success”, de Rodney Stark (New York, Random House, 2005) e “The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains The West”, de Robert Royal (New York, Encounter Books, 2006 – o título é um pendant de “The God That Failed”, a hoje clássica antologia de desiludidos do comunismo, entre os quais Arthur Koestler e Ignazio Silone).
Lendo uma entrevista com o autor sobre o surgimento e difusão do Cristianismo no site da Quadrante (Artigos/História) seu livro "O Crescimento do Cristianismo" parece ser bem interessante, barato (uns R$20) e relativamente grande (mais de 300 páginas, o que eu levo muito em consideração). Com certeza está na fila!
Tenho estudado profundamente as teses de Max Weber, e tenho muito interesse naqueles que questionam as suas hipóteses. Aliás, minha pesquisa de doutorado é um diálogo direto com seu conceito de "desencantamento do mundo" e também com aqueles que defendem que na atualidade há um "reencantamento do mundo". Sou profundamente crítico dos últimos, e os considero profundamente equivocados. Porém também quero por em cheque a visão tradicional proposta por Weber, a qual é uma constatação de que o mundo moderno opera uma separação radical entre ciência, religião e magia na medida em que bane qualquer pensamento de caráter metafísico para o horizonte do irracional.
Alan,
Minha dissertação é sobre o desencantamento do mundo também. Se quiser trocar algumas informações... Nos últimos meses andei meio "desencantado" dela. Rsrsrs.