"Quando o liberal desiste da utopia da máquina neutra e começa a pensar em valores e princípios, ele pode continuar a chamar-se liberal, se quiser. Mas já é, em substância, um conservador."
“Não matarás” já contém no significado mesmo da palavra “matar” a distinção entre homicídio doloso, homicídio culposo, guerra e legítima defesa. Estas definições são obtidas por mera análise lógica do conceito principal."
Discordo, não matarás, é "não matarás" e acabou, a partir do momento que se reinterpreta o mandamento, você está modificando o mesmo pelas suas conveniências pessoais e momentâneas, você o lê de acordos com interesses próprios, daí a subjetividade dessas normas.
Pergunta básica, querer que o Estado, ou a cultura, como diz Olavo, (porém não vejo como não ser do Estado esse papel, do contrário como a "cultura" conseguiria meios para "impor" um modelo a ser seguido, para dizer o que é "bom" ou "mau"), não é tolher o direito a liberdade individual. Por que eu aceitaria valores que não são meus?? Até que ponto eu iria sofrer consequencias caso quebrasse com esses valores? Não seria o conservadorismo uma forma contrária ao liberalismo que ele mesmo criou, já que é preciso de uma "entidade" para controlar a liberdade individual??
Flavio, todos os conservadores anglo-saxoes odeiam o big government.
a questao e' que o Liberalismo e' uma mera teoria politico-economica. e alguns liberais tem o cacoete de explicar tudo por meio de analogias com a propriedade.
entao vao falar de aborto, discutem se o feto e' dono de seu corpo etc.
mas o conceito de propriedade privada NAO se aplica literalmente ao proprio corpo.
existem Conservadores e conservadores
Eu sou um conservador, acho certas comportamentos errados segundo a visão da religião que fui criado, mas diferente dos "conservadores" não quero imputar nessas pessoas que praticam "comportamento errado" (segundo os meu valores) os meus valores, talves seja essa a diferença entre os conservadores.
Não gosto de estado e só ele é capaz de interferir na vida das pessoas de forma a se legitimizar, como o combato, combato tambem aqueles que querem por meio do estado interferir na vida dos outros.
O anarco-cristianismo que influenciou Gandhi e teve Tolstoi como um teórico, tem farto material de pessoas que eram conservadoras nos costumes mas não intrusivas!
!!!!!
Se eu não precisar abdicar de nenhum dos meus valores conservadores, eu deixo você me chamar do que quiser!
Mas, falando sério: entenda que o Olavo fez, no artigo (ou melhor: vem fazendo, em diversos artigos), uma importantíssima distinção na hierarquia dos valores - que serviu, no mínimo, pra fazer uma separação indispensável. É por achar que valores conservadores não podem, não devem, ficar atrás de nenhum outro - uma vez que são a pedra fundamental de qualquer outra coisa - que eu concordo com a posição, que está sendo mal-entendida por muitos.
O que distingue um liberal com valores morais conservadores de um conservador com valores econômicos (ou políticos) liberais é a posição que esses ditos valores ocupam na hierarquia moral do sujeito, na minha opinião!
Pode ser que se ache alguém - você e eu, por exemplo - cujas opiniões coincidam absolutamente tanto no que diz respeito a valores morais quanto no que diz respeito à visão política e econômica - mas que tenham uma divergência no que é prioritário, ou mais importante, entre as duas coisas.
Enfim, eu creio que essa é uma diferença significativa, que justifica plenamente uma escolha e um consequente "nome" diferente para cada um...
O que distingue um liberal com valores morais conservadores de um conservador com valores econômicos (ou políticos) liberais é a posição que esses ditos valores ocupam na hierarquia moral do sujeito, na minha opinião!
Concordo, e é o que o Olavo vem dizendo o tempo todo. Agora, se o caso é quem defende o Estado Mínimo é liberal, e quem defende a primazia de valores morais é conservador, então podem me chamar de liberal conservador. hehe
Também acho que muitas das oposições postas ao que o Olavo disse passam por projeções internas, e não pelo texto em si. Lêem a defesa de valores morais e imaginam que esta defesa deve ser feita pelo Estado, o que não é absolutamente verdadeiro - embora, por mínimo que seja, o que o Estado há de assegurar é um mínimo ético de funcionamento da sociedade, o que só pode ser assegurado por uma cultura que o sustente.