Primeiro assunto: Amigos, eu considero o Pedro um dos melhores e mais inteligentes debatedores do orkut, e sempre gostei de discutir com ele, embora (e porque, é lógico - senão, não debateríamos) discordemos em diversos pontos. Não sei até que ponto é importante para qualquer outra pessoa que eu deixe aqui meu testemunho disso, mas com certeza pra mim é não só importante como indispensável, e eu faço questão de deixar: Pedro é inteligente, é culto, e é um contendor honesto!!!!!
Segundo assunto: Na minha opinião o rabino errou: e, errando, tornou-se vulnerável, e vulnerabilizou muitos - uma pena, lamentável, uma infelicidade, o que quiserem - mas na base de tudo isso está um erro.
Sinto muitíssimo dizer que não aceito a hipótese da alteração de comportamento causada por remédios: no meu melhor julgamento, não seria esse o efeito - o discernimento teria sido afetado por inteiro, não parcialmente e muito menos seletivamente. "O que" aconteceu se soma ao "como" aconteceu - e meu polegar está virado para baixo, com o maior pesar.
Mas está.
Em inúmeras ocasiões eu disse que não sacrifico a verdade a nada - nem à paz, nem à compreensão, nem a rigorosa e absolutamente NADA - e simplesmente não posso fazer o que acho errado fazer, nem dizer o que acho errado dizer.
Ambos os assuntos acima abordados são, como não poderia deixar de ser, a exata expressão deste pensamento.
Pedro, eu também entendo que chamar o Papa de imbecil é ofensivo, caramba! E também acho injusto, sinceramente.
Torço imensamente por um bom papado, até porque isso é crucial para o mundo, para católicos e para não-católicos, para a civilização como um todo - e deposito muitas esperanças no Papa Ratzinger!
Bem, então não vamos mesmo discutir isso agora, em outra ocasião a gente fala - está tudo resolvido, continuamos todos o grupo mais inteligente, a comunidade que melhor comenta, a que prima pelo pensamento claro, pelo respeito mútuo, por fraternas pinimbas eventuais e desaforos salpicados pr dar um toque de graça, e pela melhor moderação de todo o orkut!
Certo? Então, que bom.
Eu não estou nem um pouco preocupado com o que o rabino Sobel fez ou deixou de fazer. De criminosos, cuida a polícia e o aparato judicial esta ai para inocentar quem não teve dolo nem culpa, mesmo que preso em flagrate. E, principalmente, dos judeus, cuidam os judeus.
Meu ponto é o seguinte, senhores: a Verdade é única, e a Verdade é absoluta.
Mas ninguém a conhece por inteiro – não percebemos de modo completo sua luminosa face! Com muito empenho, pelo esforço de nossa razão e de nossa consciência, pelo exercício constante e incansável de nossos melhores atributos, nós procuramos sempre fazer com que essa percepção aumente, seja precisa, alcance longe. É por isso que vivemos! Pra conhecer, amar e servir – e a ordem, como já tive oportunidade de dizer antes e muitas vezes, é obrigatoriamente esta mesmo – conhecer para amar, e amar para servir.
Em um de seus mais admiráveis artigos, Olavo de Carvalho comenta a pergunta do pretor romano – o famoso Quid est Veritas? – e menciona que a verdade está no Quid.
Eu também acho isso! E este é o fulcro do paradigma, o cerne da questão, o espírito da coisa: na frase quid est veritas, a resposta já está contida no “quid”, que implica no reconhecimento de que tal Verdade É!
Eu brigo com quem não enxerga o QUID e, não o reconhecendo em seu sentido fiel de representação da Verdade, nega portanto a Verdade.
Com quem o reconhece, a conversa é um debate entre irmãos, e sempre possível, e sempre boa, e sempre proveitosa!
Por que tudo isso? Bom, porque eu acho que o Pedro se encaixa perfeitamente no paradigma descrito, e eu não gostaria de vê-lo sair daqui por causa de um erro de julgamento, só por isso, exatamente por isso, e completamente por isso!!!!!
Oh, sem dúvida, Regina!
Eu considero um bom debate este, e entraria pra defender o ponto que a ética do Cristianismo é exatamente a mais elevada! O diálogo não deve ser interrompido, e eu mesma sou uma grande admiradora de João Crisóstomo, santo querido da hagiologia católica, e conhecido por seu brilhante discurso no "Diálogo com um Sarraceno"! E de Gregório de Naziance, e de Gregório de Nysse, e de Basílio de Cesaréia! Todos três santos da Capadócia e portanto próximos do pensamento grego, todos três Cristãos exemplares!
Estão, honrosamente, entre os que melhor conversaram, os que melhor defenderam o paradigma Cristão, e os que melhor representam a alma católica.
Eu não "fecho", portanto - até em nome deles e em homenagem a eles - a discussão!
E protesto, se ela for fechada - por acreditar, sinceramente, que tal coisa não faz parte do modelo original.
Bom, David, eu supus que a Regina estivesse simplesmente defendendo a ética católica - como não entendi direito se ela admite ou não a discussão de outros modelos, eu resolvi postar pra defender o diálogo, como tradição e como vantagem pra todos!
Sei lá, será que eu entendi mal?
Sim, Regina, eu já disse essa mesma coisa antes - que existe uma consciência, existe uma consciência, existe uma consciência!
Já disse centenas de vezes - o Pedro, por exemplo, sabe disso perfeitamente! Já debatemos um pouquinho o tema, dentro de um contexto diferente.
E existe uma razão, também!
O debate e a argumentação fortalecem a razão - já que a consciência é absoluta, funciona em termos diferentes, e não pode ser "melhorada", a rigor: pode apenas ser mais usada ou menos usada ou até não-usada (preciso elaborar isso de forma mais clara, mas por enquanto deixa assim, que também não está mau).
Enfim, sou a favor do debate, e do uso da razão, associada, sempre, ao uso da consciência. Até por crer que a verdade revelada pura, sem mistura, é privilégio de poucos, e a razão ajuda muitíssimo a se perceber as coisas, é um atributo não-absoluto, mas presente de Deus, e como tal deve ser valorizada, exercitada e usada. Ao máximo.
E, David, pegando o gancho, embora seja assunto lá do outro tópico - mas, como eu estou estudando o tema, parece que em toda a parte aparece a oportunidade de me referir a ele:
"Mu'tazilah relies on a synthesis between reason and revelation."
(Parte do texto que estou escrevendo - e que quando estiver pronto vou mandar pra você, ou, se não ficar muito longo, postar por aqui mesmo, ou arrumar um blog, sei lá - e que se chama "O Islam da Bisavó"... )