Colonial Heights, Virginia, EUA, de 23 a 28 de maio de 2011
Aula 1 – Revisão histórica. -- A metafísica de Platão. – A metafísica de Aristóteles. – A metafísica escolástica.
Aula 2 – Revisão histórica. – A metafísica moderna: Descartes, Spinoza e Leibniz. – A crise da metafísica moderna: Hume e Kant. – Fichte, Schelling e Hegel. -- O abandono da metafísica no século XIX. -- A metafísica Oriental e seu impacto no Ocidente no século XX. – A fenomenologia e Martin Heidegger. – A metafísica de Xavier Zubiri. -- A metafísica de Louis Lavelle.
Aula 3 – Juízos de existência e de necessidade. – Necessidade e possibilidade. – A metafísica como estrutura da possibilidade. – O fundamento metafísico de todo conhecimento científico. – Metafísica, teologia e vida religiosa.
Aula 4 – Ser e Não-Ser. -- O infinito. -- O mundo dos princípios. – A onipotência. -- O Logos divino. --
Aula 5 – A estrutura do cosmos. – Linguagem divina. -- Símbolos naturais e culturais.
Aula 6 – Eternidade e temporalidade. – A imortalidade da alma. – História e escatologia.
A metafísica é a mais elevada das ciências filosóficas, por lidar com problemas que transcendem e abrangem todas as dimensões do conhecimento; mas ao mesmo tempo é a mais simples, porque se cristaliza em princípios que todos os seres humanos de inteligência superior ou mediana podem compreender, uma vez superada a barreira da linguagem técnica.
Embora o termo que a nomeia tenha surgido de uma confusão acidental entre a ordem editorial e o conteúdo dos livros de Aristóteles, ele é perfeitamente adequado para designar a matéria desta ciência, constituída pelas dimensões da realidade que vão além da esfera da “física”, no sentido aristotélico do termo, isto é, a esfera dos seres submetidos ao fluxo temporal (o sentido moderno da palavra “física” é muito mais limitado).
Desde a Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant (1781, completada por importante prefácio em 1787), tornou-se crença comum dos intelectuais no Ocidente que as proposições metafísicas, ultrapassando o âmbito espaço-temporal da experiência humana, não podem ser testadas e portanto só valem como juízos formais, referentes ao conhecimento que a mente tem de si mesma e não a qualquer objeto real. Mas é falso que o eterno e o infinito sejam inacessíveis à experiência humana e constituam noções puramente formais. Sua experiência apenas difere da experiência corpórea, na qual os objetos se tornam “conteúdos” da mente, submetidos portanto às leis do pensamento. O eterno e o infinito são acessíveis mediante um tipo de experiência em que a mente não absorve o objeto mas é por ele absorvida e transformada. Milhões de seres humanos tiveram experiências desse gênero, e é ridículo exigir que, para ser aceitas como conhecimento válido, elas sejam “controladas” por quem não as teve – ou, pior ainda, por quem se recuse a cumprir as condições requeridas para tê-las.
Simplesmente não existem experiências universalmente comparticipáveis sem o atendimento de determinadas condições prévias, às vezes bem trabalhosas e complexas. A “experiência científica” não é mais acessível aos seres humanos em geral do que o são as experiências espirituais. A credibilidade universal de que ela desfruta hoje em dia resulta apenas de que a multidão foi adestrada para confiar em experimentos terceirizados, sem poder testá-los diretamente; e se confiança idêntica é negada às experiências espirituais, isso se deve a causas sociológicas que nada têm a ver com a validade respectiva dos dois tipos de experiências.
Os princípios de metafísica que serão apresentados neste curso não são novos, são apenas enunciados de maneira a remover obstáculos cognitivos que não existiam no tempo de Platão e Aristóteles.
Vinícius&Raquel
Um DVD com as aulas seria até mais lucrativo para o professor Olavo, além de possibilitar a adesão ao material para todos os seus alunos aqui no Brasil.
Bem.... Espero que o preço não seja equivalente aos DVDs da É Realizações.
O rapaz está certo. O curso em dvd seria excelente. E eu duvido que o Olavo deixaria esse material com a É realizações... se não me lembro, num TO ele meteu porrada na É r. e nos seus "alunos" que tinham várias gravações e "sentaram" em cima delas.
Professor! Grave em DVD e venda no seu site por PayPal ou PagSeguro! Deixe alguém aqui no Brasil responsável pelo envio dos dvds a quem comprar!
Rafael, o Julio Lemos está certo; um tomista rejeitaria essa concepção.
Mas isso é um problema para os tomistas, não para o Olavo, hehe.
Para Tomás, não há conhecimento humano em estado natural (isto é, nesta vida) que não tenha como ponto de partida as espécies sensíveis.
É a famosa máxima aristotélica "Nihil est in intellectu quod prius non fuerit in sensu" ("nada há no intelecto que não estivesse antes nos sentidos"). (eu contesto que essa máxima traduza a gnoseologia aristotélica in totum, mas isso é papo pra outra hora)
Leibniz séculos depois acrescentaria uma partícula final a esse axioma, com gênio: ", nisi ipse intellectus", isto é, nada existe na mente que não estivesse antes nos sentidos, exceto o intelecto mesmo.
Olavo é bem agostiniano nesse sentido. O infinito não é propriamente um "objeto de conhecimento", como diz Julio, mas o próprio fundamento do conhecimento.
Você chegou a ler aquele meus posts no tópico sobre a imortalidade da alma?
Eu assumo isso como uma das coisas mais importantes que o Olavo já disse.
Sem ser exatamente ignorante, nem ser exatamente culta, mas sim o terrível meio termo que é expresso pela palavra "lida" - ou seja, uma pessoa que leu desordenadamente, indiscriminadamente e absurdamente, e correu um sério risco por causa disso - eu sei exatamente a que o Olavo se refere.
Uma dúvida: considerando essa diferença básica entre o agostianismo e o tomismo, é razoável supor que, dentro do contexto estritamente espiritual, a afirmação do Olavo faz sentido, mas não no contexto estritamente intelectual?
Sim, podemos dizer que sim. N'um conhecimento estritamente dianoético (racional ou raciocinativo, conectando conceitos), não faz sentido se falar de um conhecimento superabundante e imediato.
Mas a pergunta que urge é: existe um conhecimento estritamente dianoético?
Quer dizer, o problema está em classificar essa experiência como "objeto de conhecimento" ou "objeto de experiência"?
Não exatamente. Se entendermos o conhecimento como Olavo e os místicos entendem, o "objeto de conhecimento" é mais eminente do que quaisquer objetos conceituais, os quais na verdade se fundam nesse último objeto de conhecimento, que por sua vez não é propriamente um "objeto", mas "O conhecimento" (gnosis (montfortianos, não precisam arrepiar os cabelos da bunda)). Esse conhecimento supereminente é a fusão do conhecimento epistêmico (quid) com a experiência (quod), porque os transcende. E não só os transcende, como os funda.
O conhecimento SÓ PODE ser obtido deste modo: o conhecimento do tipo "raciocinativo" puro jamais existiu: QUALQUER conhecimento é SEMPRE revelado. Ou inteiramente ou parcialmente.
TODO o conhecimento humano que mereça o nome de conhecimento por se distinguir de um "ato reflexo" é REVELADO.
Estava me preparando para fazer os cursos que geralmente ocorrem por volta de Setembro - Outubro. Já vinha armando a logística e aspectos burocráticos.
Pena esse ser agora em maio.... minha vontade é pedir demissão e ir para lá. Quem sabe eu não acabaria ficando por lá mesmo....
Acredito que revelado pela própria realidade e presença do ser, juntamente com uma consciência e confissão consigo mesmo acerca de sua ignorância. Fundamental aqui domar sua razão reflexiva.
Então você vai querer me bater, hehe. Eu que posso ir, mas estou há 3 meses sem conseguir pegar um avião devido a um voo estilo montanha russa que peguei recentemente (da TAM, é lógico).
Mas a pergunta que urge é: existe um conhecimento estritamente dianoético?
Não é o que o racionalismo quer nos fazer acreditar?
Sim. Mas não só o racionalismo. Praticamente nenhum soi-disant filósofo de hoje em dia reconhece essa raiz divina no conhecimento.
Você acredita que existe uma tensão complementar entre o conhecimento raciocinativo e o conhecimento de ordem espiritual?
Não sei se eu chamaria de “tensão complementar”. Aproveitando o vocábulo, eu diria que o conhecimento raciocinativo e o conhecimento espiritual compartilham uma “não-tensão”. Há uma natureza que é comum a todos os tipos de conhecimento. Uma natureza que é como uma luz que espalha verdade por todos os estratos da consciência, alguns deles mais opacos, outros mais diáfanos, mas a iluminação em si é inescapável e ininterrupta. Não há uma escuridão absoluta na alma. Alguns vêem essa Luz efetivamente presente, na realização mística, outros são capazes de vê-la indiretamente, pelo espelho do discurso filosófico, e outros tantos jamais tomam nota da sua existência, como bárbaros que vivendo ao meio-dia nunca em tempo algum se dessem conta da presença do Sol sobre suas cabeças. Por outro lado, há também aqueles que, de tanto fixar-se no Sol com os seus limitados olhos, acabam se cegando.
E essa perspectiva mística do conhecimento não existe no tomismo?
Explicitamente, parece que não. Mas há autores que apontam passagens de sua obra em que se subentenderia um conhecimento iluminado em vida; Mário Ferreira dos Santos é um deles.
De qualquer forma, entre o corpus tomista e o corpus franciscano e neoplatônico abundam famosas distinções e querelas que inevitavelmente põe em relevo o sabor mais racionalista e aristotélico do Aquinate. Inclusive muitos historiadores de filosofia, mesmo alguns católicos e filo-tomistas como o padre Copleston, admitem que Tomás pode ser considerado um pensador efetivamente “moderno” dentro da escolástica.
Pirataria é sempre um risco, mas tem que ser muito fdp (ou pobre) para piratear DVD e livro do professor para estudar algo que não vai ser cobrado em nenhuma faculdade pelo fato de que as universidades esquerdistas brasileiras jamais vão querer colocar o nome do Olavo em pauta. Esse material nunca vai ser cobrado por um professor de faculdade para fazer parte do programa de alguma matéria a ser lecionada.
Um cara pobre fazendo pirataria desse material ainda dá para entender, um que tenha condições financeiras é um fdp que quer virar um fdp inteligente.