Muito bem explicado, com emprego prático na questão do aquecimento global.
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http://amota.wordpress.com/2007/05/08/lgica-e-falcia…tologia_002/
O problema parece ser a interpretação da correlação entre A e B como resultado por causalidade direta do tipo A causando B ou B causando A. Como o autor disse, pode existir uma variável oculta que é causa comum C para A e B, o que gera a correlação mencionada. Mas veja que neste caso a correlação entre A e B foi resultado de uma relação causal entre 3 variáveis. Então, parece que dizer "correlação não implica em caualidade" seria menos exato que dizer "correlação entre duas variáveis não implica em fluxo causal direto entre elas". Ou ainda, como considerado em algoritmos de seleção estruturas causais com base em correlações: se há correlação entre A e B, ou A causa B, ou B causa A, ou há pelo menos uma variável oculta C que tem influência causal sobre A e B (Reichenbach's Common Cause Principle).
Algo que me preocupa nesta posição de que correlação não implica em causa é que muitas vezes isto é usado para defender a idéia de que não temos a capacidade de apreender uma relação causal na realidade. Já vi uma apresentação bacana que exemplifica isso mais ou menos: Quando Galileo propôs que o importante não era obter a explicação dos fenômenos (ou a causa), mas simplesmente descrevê-los, dizendo ainda que esta descrição deveria ter base na linguagem mais exata que existe, que é a matemática, iniciou-se uma cascata de idéias que levou à negação da existência de relações causais. Isso ocorre porque só era considerado válido o que podia ser descrito por matemática, mas a relação entre variáveis na matemática classica é representada pelo sinal '=' que expressa uma relação simétrica (se A=B, então B=A). Porém, a relação causal é assimétrica. Essa importância exagerada dada à linguagem levou Bertrand Russel a falar que causa não existe porque nos artigos científicos sobre física, não havia fórmulas que expressavam causa. Karl Pearson, estatístico, provavelmente maravilhado com a simetria da sua fórmula para cálculo de correlação estatística (correlação de Pearson entre A e B tem o mesmo valor que a correlação entre B e A) também dizia que causalidade não existia. O estudo sobre causalidade é mais difícil do que um simples estudo de associação, e é até hoje algo bem controverso na estatística. Mas muitas vezes vejo a posição de impossibilidade de se estudar causas com base em correlações misturada com um comportamento de que causas não podem ser estudadas ou apreendidas at all.
É claro que se se eu tenho duas colunas de variáveis correlacionadas, eu não posso definir a estrutura causal que determina a associação. Mas também me parece claro que todo nosso aprendizado de relações de causa e efeito entre variáveis na realidade depende muito da correlação entre elas (necessário, mas não suficiente). Se duas variáveis são estatisticamente independentes, é difícil achar que uma causa a a outra.
Bruno, me parece o autor quis frisar que o conceito de correlação estatística é apenas uma relação matemática que por si só nao pode estabelecer um nexo causal definido, mas que apresenta entre seus valores ao menos três variações de causalidade. O âmbito matemático não é suficiente pra estabelecer o âmbito causal, exigindo interpretação.
Em se falando de nexo causal, me parece que já não podemos usar o termo correlação - seria um erro técnico, e nem faria sentido -, o que Al Gore cometeu foi uma inversão de causa e efeito.
Bruno, eu acho que a categoria de causalidade só pode ser entendida com a categoria do tempo. Se eu pensar no oposto, a experiência de um universo não-temporal, sem um antes e um depois, eu pensaria em um universo cuja causalidade dos eventos não poderia ser estabelecida. Os fenômenos seriam pontos soltos, e o nexo causal impossível de ser captado pelo entendimento humano.
Bruno, eu acho que a categoria de causalidade só pode ser entendida com a categoria do tempo.
Se estiveres falando estritamente de causa eficiente (como é o que ocorre hj em dia nas ciências), pode ser.
Porque a noção mais geral de causalidade independe da ordem temporal.