RIO - Gravações inéditas de conversas dos presidentes dos EUA John Kennedy (1961-1963) e Lyndon Johnson (1963-1969) com o embaixador no Brasil Lincoln Gordon sobre o presidente João Goulart e o golpe de 64 - que fez 47 anos na semana passada - destacam-se na série "O Dia que Durou 21 Anos", que a TV Brasil começou a exibir nesta segunda-feira, 4, e que vai até quarta, às 22h.
Obtidos nas bibliotecas americanas dedicadas aos dois mandatários da Casa Branca nos anos 60, os registros, feitos desde 1961, mostram indícios de que a participação dos Estados Unidos na movimentação militar foi maior do que se supunha. Até a possível ação de aviões militares americanos para apoiar conspiradores brasileiros na luta que os EUA esperavam demorada e sangrenta - e que não aconteceu - foi preparada.
"Apoio aéreo pode ser fornecido imediatamente se houver campo de pouso em Recife ou outro lugar no Nordeste do Brasil capaz de receber aviões de grande porte", diz, em uma gravação, o secretário de Estado Dean Rusk. A movimentação seria parte da Operação Brother Sam, o deslocamento, em apoio ao golpe, de uma frota naval americana para a costa brasileira.
O diretor da série, Camilo Tavares, da produtora Pequi Filmes, explica que o trabalho é uma versão "pequena e resumida" do documentário que deverá estar nos cinemas em dois meses. A pesquisa foi feita por uma equipe capitaneada por seu pai, o jornalista Flávio Tavares, e incluiu, além das gravações da John Kennedy Library e da Lyndon Johnson Library, liberadas após 40 anos, documentos da Central Intelligence Agency (CIA) e da Casa Branca.
