"É evidente que o atentado do dia 11 de setembro foi planejado (2) e executado por quem está interessado em suas conseqüências. É preciso ser míope para não enxergar que os resultados não favorecem de modo algum ao Islã (3) ou a qualquer país muçulmano, mas sim aos desígnios do Estado sionista de Israel e à hegemonia mundial dos EUA." (...) "As multinacionais (a chamada“América Corporativa”), cujo poder político cresce incessantemente, pressionam – mais que isto - determinam rumos e objetivos políticos nacionais e internacionais. Elas não querem “mais”, querem tudo. O alto comando do governo americano é constituído por representantes diretos (funcionários “licenciados”) de multinacionais" (...)
""O 11/9 foi todo planejado. Foi uma operação ordenada pelo governo. Bush assinou pessoalmente a ordem. Ele autorizou pessoalmente os ataques. Ele é culpado de traição e assassinato em massa”. - Stanley Hilton, ex-chefe de gabinete de Bob Dole (Senador e líder republicano) e advogado do processo público do 11/9, entrevistado por Alex Jones, que comanda o Alex Jones Radio Show, em 10 de Setembro de 2004
http://www.reneguenon.net/LivroDemocraciaVII.html
nota de rodape' numero 15:
(...) "(claro que Bush é, intelectualmente, muito inferior à Hitler, sendo mero agente do sionismo; a comparação se mantém pelo tragicômico) . Há também certa analogia entre as perseguições sofridas pelos judeus durante a Segunda Guerra e a que o sionismo empreende contra os palestinos e demais povos islâmicos, odiosa e cinicamente expulsos de seus próprios territórios; perseguidos, presos, torturados e assassinados em escala que merece integralmente o nome de genocídio. Inacreditavelmente, os sionistas ficam indignados quando os palestinos se armam e lutam como podem em defesa não apenas dos territórios que sempre lhes pertenceram, mas principalmente do bem mais precioso, que é a religião" (...)
http://www.reneguenon.net/LivroAcreditaDemocraciaIntrod.html
"Em nenhuma outra parte do mundo a idéia “democrática” (e protestante) foi tão longe como nos Estados Unidos, que hoje comanda a “globalização”, na base da força bruta. Mas, afinal, o que é este projeto de hegemonia mundial? É a imposição a todos os países, sem exceção, do ponto de vista predominantemente materialista e anti-religioso próprio da “democracia americana”, sob pena de invasão e ocupação militar aos que se recusarem a submeter-se.
O leitor, conhecendo causas e objetivos da ideologia democrática, poderá compreender melhor as razões e o significado do “11 de setembro” , uma conspiração tipicamente norte-americana , destinada a servir de catapulta à guerra frontal às religiões em geral e ao Islã em particular."
"O assassinato de Kennedy e o 11/9, por exemplo, foram decididos por esta suprema instância governamental americano-sionista. Estes dois eventos, apesar de "espetaculares", não são os mais importantes : há mais de um século o Governo Oculto vem traçando e implementando as grandes linhas de um projeto muito mais amplo e devastador que meros objetivos geopolíticos de curto ou médio alcance. Domínio da informação, destruição da moral e das religiões, imposição do materialismo - e da democracia - como "filosofia", tudo isto está claramente expresso nos famosos "Protocolos".
Henry Ford (ele mesmo, o industrial inventor da linha de montagem), que publicou "Os Protocolos dos Sábios de Sião" nos Estados Unidos, tem uma das melhores definições sobre este manifesto tão controverso: "A única afirmação que me importa fazer sobre os Protocolos é que servem para o que está a acontecer. Têm 16 anos, e encaixaram na situação mundial até agora. Continuam a encaixar."
Ford fez estas declarações em 17-2-1921, ao jornal Dearborn Independent, que citou os Protocolos como prova de uma alegada conspiração sionista até, pelo menos, 1927"
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Guenon concordaria com isso?.. nao conheco sua obra mas esse Instituto que leva seu nome me pareceu a servico de uma agenda politica anti-americana e anti-semita bem equivocada e extremista
Não falo de Guenon himself, mas do Instituto.
Conspiracy theory não é trabalho sério.
Usar o sentimento tradicional/conservador aliado ao ressentimento para colocar o Oriente (liderado pela Rússia, China e Islam) numa guerra contra o Ocidente (liderado pelos EUA), sendo que tal guerra é tudo que os comunistas querem, é algo de uma perfídia infinita.
e por mais que a crítica tradicionalista aos EUA e Israel proceda, a oposição conservadora a esses países geopoliticamente é uma estupidez criminosa.
repito o que disse em outro post:
(se opor à ideologia racista e revolucionária chamada "sionismo" (de Herzl) é obrigação de qualquer um que tenha vergonha na cara.
Mas daí a torcer contra o Estado judeu atualmente existente conseqüentemente favorecendo o Hamas e o Irã, é uma estupidez geopolítica que não pode ser justificada por "tradicionalismo" nenhuma. Uma democracia laica liberal na qual existe império da lei e na qual cristãos têm seus direitos respeitados (como os EUA e Israel) é infinitamente preferível a qualquer Estado totalitário e pró-terrorista como o Irã ou uma Gaza "Palestina" governado pelos bandidos do Hamas (seção local da nazista Irmandade Muçulmana, pra quem sabe do que estou falando)
as opções devem julgadas e comparadas com as existentes e não com o Estado Tradicional utópico das fantasias de vocês.
entre democracia liberal americana e ditadura do Hamas ou dos aiatolás, eu fico com a primeira opção que é infinitamente melhor.
os Tradicionalistas odeiam o Ocidente e para destruir e neutralizar o Ocidente eles usam nazistas, comunistas e muçulmanos não-tradicionais (como wahabitas etc).
agora estão usando o Islam, islamizando a Europa com o apoio de comunistas e neo-nazistas.
eles (os Tradicionalistas) esperam que o Islam se sobreponha aos socialistas na Europa (adoção da sh´aria e subsequente expulsão de comunistas do continente).
E esperam então agir de dentro do Islam eliminando os elementos não-tradicionais infiltrados (como wahabismo etc) para então criar a sociedade Tradicional utópica dos sonhos deles (no caso islâmica, mas poderia ser ortodoxa, hindu etc. Tanto faz para eles, desde que seja Tradicional).
Não me refiro a "São" Guenon mas a muitos dos guenonianos e tradicionalistas. É óbvio que muitos deles hoje odeiam e desprezam o Ocidente. Desprezam-no por acharem-no corrupto. Mas é injusto.
Dizer que a cultura de Shakespeare, Dante, de Espanha, Portugal e Itália é um "lixo" é um absurdo. Ademais, o Tradicionalismo guenoniano deriva em grande parte da influência do Perenialismo, que é uma doutrina que surgiu na Itália Renascentista. Uma doutrina tipicamente ocidental.
Sim, o Ocidente está decadente, principalmente a Europa. Mas mesmo na Europa ainda há Portugal, Espanha, Itália e Irlanda. Mas é verdade que o velho continente está predominantemente secularizado e multi-cultural mesmo.
Há no entanto uma distância grande entre a Europa e os católicos da América Latina (em muitas casos há uma população bastante católica governada por regimes anti-clericais).
Ora, os guenonianos torcem o nariz pros EUA só porque é uma nação predominantemente protestante, mesmo havendo milhões de católicos e católicos tradicionais nesse país. Mas os guenonianos não vêem mais nada de bom no país (EUA). Isso sim é que é uma injustiça.
E a análise política e geopolítica que muitos neo-guenonianos fazem hoje do papel dos EUA e Israel é de uma estupidez enorme.
Eu evito falar sobre guenonianos porque conheço muito pouco da obra de Guenon e porque os Tradicionalistas (ou pelo menos seus mestres), são uns sábios, que estudam a fundo várias religiões (vide o próprio Eliade, por exemplo).
O que eu tenho observação é, por assim dizer, a atuação de grupos que se dizem Tradicionalistas. E é algo freqüentemente preocupante (uma das minhas atividades era monitorar grupos neo-nazistas. Infelizmente foi assim que fiquei conhecendo um pouco do pensamento de Guenon e Evola).
Ora, temos os neo-nazistas e fascistas seguidores de Evola. Temos o russo Durgin já citado.
Veja aqui outro Tradicionalista neo-nazi, o Bill White (infelizmente seu site http://overthrow.com/ parece ter saído do ar):
"Finally, Islam presents a traditional completeness, since the shariah and the sunna, that is, the exoteric law and tradition, have their complement not in vague mysticism, but in full-fledged initiatory organizations (turuq) that are categorized by an esoteric teaching (tawil) and by the metaphysical doctrine of the Supreme Identity (tawhid). In these organizations, and in general in the shia, the recurrent notions of the masum, of the double perogative of the isma (doctrinal infallibility), and of the impossibility of being stained by any sin (which is the perogative of the leaders, the visible and invisible Imams and the mujtahid), lead back to the line of an unbroken race shaped by a tradition at a higher level than both Judaism and the religious beliefs that conquered the West.?
-- Julius Evola, Revolt Against The Modern World Most interesting in the context of recent events is the strong links that have developed between the various organizations in the Third Positionist movement and the anti-Zionist and national liberation struggles of the Arab people and the Islamic world"
FONTE: site neo-nazista ( http://web.archive.org/web/20030505191241/http://www…ticleID=1102
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(Então o Tradicionalismo – principalmente evoliano – é o link que explica o apoio de neo-nazistas da Third Position ao Islam
Outra figura Tradicionalista (além de Evola) que influencia neo-nazistas é, é claro, Savitri Devi.
os católicos Tradicionalistas (perenialistas) são quase todos sedevacantistas e odeiam a Igreja (por causa do Concílio Vaticano II) e o Ocidente moderno do mesmo jeito.
Todos esses tradicionalistas citados simpatizam com o Islam, com a ortodoxia e com a Rússia (e até com o Putin).
E mesmo em círculos guenonianos que não têm nada a ver com neo-nazismo nem fascismo (como o Instituto René Guenon brasileiro), há posições políticas radicais de anti-americanismo e anti-ocidentalismo.
Sim, a cultural ocidental está decadente. Mas a Rússia e quase toda a Eslávia ortodoxa também estão.
Ora, a Rússia ortodoxa de hoje tem uma taxa de abortos provocados que nenhum país católico romano tem; é um paraíso de jogatina, cassinos, máfia e bebedeira; a corrupção política é absurda e as mulheres são objeto e produto de exportação.
Ora e nem por isso eu vou dizer que a cultura russa, a cultura de Dostoievsky e de Bizâncio é um "lixo" ou um "cadáver putrefato"!
Pois eu sei distinguir uma situação atual de crise da História dessa cultura, que aprecio.
Gostaria que ortodoxos e Tradicionalistas fossem capaz de fazer mesmo com o Ocidente, que também está em crise (como aliás a China, o Japão, o Oriente Médio.. já reparou nisso? Me diga uma grande cultura tradicional que não esteja corrompida atualmente, seja pelo liberalismo ou pelo comunismo).
mas Tradicionalistas que se convertem ao Islam como o Caio Rossi citam dados como o índice de abortos nos EUA e insinuam que os EUA (ou o Ocidente em geral) precisam se converter ao Islam, que seria a solução.
ora, por que raios justamente o Islam é a "solução" tradicional, justo o Islam tão contaminado de wahabismos, salafismos e o diabo???
Outros Tradicionalistas cristãos (geralmente ortodoxos) torcem para que o Ocidente se islamize, mas apenas porque odeiam o Ocidente (como se a Rússia não corresse o mesmo risco de se islamizar; aliás isso já está acontecendo na Rússia).
Ora, a Europa e os EUA não precisam se converter a uma religião estrangeira (o Islam). Bastaria o Ocidente recuperar e reavivar sua cultura cristã tracional.
Prof. Luiz Pontual é, de fato, um estudioso sério e um profundo conhecedor da obra de René Guénon, mas não deve ser considerado como a última palavra na matéria. Suas opiniões, não obstante sempre frutos de um laborioso trabalho de interpretação e comentários, nem sempre traduzem a realidade perfeitamente. É bem verdade que elas estão em perfeita conformidade com o espírito tradicional. Apenas creio que, em certos pontos, como estes que vocês acabaram de mencionar, ele acaba por assumir uma postura demasiado rígida e com isso perder de vista algumas "nuances" da realidade concreta.
Já tive a oportunidade de discutir com o grande professor e lembro-me bem que a discussão acabou degenarando numa polêmica inútil sobre pontos de detalhe que não prejudicavam em nada a exposição mas que, para uma mentalidade rigorosa como o é a do professor, pareciam especialmente ofensivos à tradição e à dignidade de sua própria pessoa.
Eu seria o primeiro a reconhecer a impertinência de algumas observações minhas mas, tendo em vista a visível sobranceria do homem, não insisti mais no assunto e dei a discussão por encerrado - a rigor, nada se passou que lembrasse uma discussão, mas antes uma aula de alguém cujos conhecimentos tradicionais eu estou pronto a atestar de bom grado.
De qualquer maneira, não se sabe qual a opinião de Guénon a respeito desses assuntos. Em vida, ele escreveu apenas um livro sobre política, mas este livro paira tão acima dos conflitos ordinários que é muito difícil querer interpretar a realidade política imediata com este livro. O livro em questão chama-se "Autoridade Espiritual e Poder Temporal" - é um deslumbre de coerência na exposição das doutrinas tradicionais, mas infelizmente, como disse, situa-se num plano demasiado elevado, o plano da aplicação dos princípios metafísicos supremos à compreensão da história e da realidade política.
Ora, nenhum tradicionalista negará que somente no domínio dos princípios se encontrará a resposta final à certas questões gerais de interpretação histórica para as quais a ciência histórica moderna não encontra explicação e nem poderia encontrá-la, dado a limitação de seu ponto de vista.
Entretanto, é precisamente a generalidade dos princípios que nos impõe o estudo em detalhe dos fenômenos, onde a multiplicidade irredutível não é um defeito, mas um elemento constitutivo da própria realidade daquele domínio mais particular. Daí a incerteza permanente que acomete o estudioso sério quando não é movido por preconceitos metódicos, sejam eles os preconceitos dos tradicionalistas, ou os preconceitos dos liberais, ou dos comunistas.
Ademais, a geopolítica é uma área onde a flexibilidade não pode ser preterida em nome de uma fidelidade estrita a certas idéias, ainda que estas idéias estejam corretas. Na lida cotidiana do poder, faz-se mister algumas concessões, alguns ajustes, cuja "heterodoxia", por assim dizer, encontra-se justificada pelas próprias circunstâncias.
Eis aí a raiz da minha defesa do liberalismo anglo-saxão na atualidade. Sem ser menos tradicionalista por isso, eu creio sinceramente que nenhum proveito resultará em invectivas contra este liberalismo, ainda que estas invectivas estejam plenamente justificadas desde um ponto de vista tradicional.
Naturalmente, esta postura afigura-se um escândalo aos tradicionalistas de estrita observância. Mas, eu nada poderia fazer contra isso: habituado a raciocinar sobre as possibilidades reais que a política oferece, me soa um utopismo injustificado querer defender uma monarquia à maneira dantesca, o que, precisamente, parece ser a posição do prof. Luiz Pontual.
Li alguns livros de Guenon e outros tradicionalistas, a conclusão que cheguei é que, embora sejam interessantes para se valorizar e recuperar a sabedoria tradicional das grandes religiões, são perigosos politicamente. Guenon diz explicitamente que não acredita na democracia. Os tradicionalistas tornam-se portanto teocráticos e idealizam regimes teocráticos do tipo do Irã como se fossem uma maravilha, repudiando países que separam a Igreja do Estado como a Turquia.
Vejo como uma ilusão da parte dos tradicionalistas não enxergar que as sociedades tradicionais contém muitas imperfeições e autoritarismos, a Idade Média européia não foi uma maravilha porque a Igreja dominava, os países àrabes teocráticos não são uma maravilha, nem a Índia era uma maravilha quando a religião tinha o poder absoluto, é só pensar no sistema de castas.
Outra coisa, os tradicionalistas acabam se assemelhando um pouco com os comunistas por sonharem com uma sociedade perfeita, os primeiros acham que o comunismo é perfeito, os outros acham que quando a religião domina a sociedade é tudo perfeito. Os comunistas acreditam que a elite do partido só age para o bem do povo, não erra, e os tradicionalistas confiam que a elite religiosa de uma religião tradicional pode ter o poder absoluto que não vai oprimir o povo, mas isso é uma ilusão, pois sem um controle democrático mesmo uma elite religiosa pode cometer abusos e oprimir o povo, porque os líderes religiosos são seres humanos imperfeitos também. Como exemplo eu aponto os aiatolás do Irã.
E como outros já falaram aqui, quem vive no Ocidente e acha que as coisas vão ser melhores se os muçulmanos dominarem está muitíssimo iludido, apesar de religiosos os muçulmanos em geral são autoritários e não são uma opção de civilização melhor que a nossa de jeito nenhum. E também falham os tradicionalistas por não reconhecerem os valores positivos do protestantismo americano, é uma visão muito estreita a deles.
"Cuba e China são duas merdas, logo, o modelo americano, que é o oposto dos dois, é bom."
É bom relativamente e não absolutamente. No mínimo é um mal menor. E deveria ser apoiado politicamente pelo menos por razões de bom senso geopolítico. Ou do contrário os Tradicionalistas deveriam pelo menos se silenciar sobre o assunto, ou seja, não fazer coro junto com os anti-americanos. Isso só beneficia a ação socialista e fundamentalista islâmica dos aiatolás etc.
a questão do "mal menor" é defendida até pela Doutrina da Igreja Católica.
e os argumentos daquele texto do Inst. Rene Guenon (de que os EUA invadiram o Iraque porque querem o petróleo) são fracos e incorretos. Repetem slogans anti-americanos da esquerda burra.
e aliás os EUA invadiram o Iraque e derrubaram um governo secular (nacionalista e socialista): o Baath de Saddam Hussein.
foram convocadas eleições e o povo (maioritariamente xiita) elegeu um governo de tendência islâmica que pensa em adotar a sh´aria como lei maior. Por que os Tradicionalistas estão reclamando então??
os EUA não levaram o Estado laico para o Iraque e sim destruiram o Estado laico lá para substituí-lo por um Estado islâmico.
Sim, Caio, infelizmente o que chamam de Tradição, ao menos em sua plenitude, parece ter-se tornado algo anacrônico e inviável (após o advento de um mundo de Estados-nações e após o advento da Revolução Industrial).
há um certo utopismo em abominar tudo que não seja idêntico à Sociedade Tradicional utópica idealizada por eles.
"Eis aí a raiz da minha defesa do liberalismo anglo-saxão na atualidade. Sem ser menos tradicionalista por isso, eu creio sinceramente que nenhum proveito resultará em invectivas contra este liberalismo"
Rafael, esse trecho acima não foi escrito por mim mas pelo Ricardo.
"Esse imediatismo de vocês não é algo que, felizmente, faz parte do pensamento dos tradicionalistas.
Enfim, não há a mínima necessidade para um tradicionalista apoiar os EUA ou os ideais modernos apenas por cagaço dos comunistas ou dos wahabitas."
Não é uma questão de mero imediatismo mas sim uma questão de realismo político. E realismo é uma virtude conservadora.
Raramente encontramos no mundo o bem ideal, de modo que fazemos escolha visando sempre o mal menor.
Você não precia amar os EUA. Mas é sensato reconhecer que a Rússia e China, Irã etc almejam o fim dos EUA. e que a neutralização dos EUA acarretariam uma nova ordem mundial, na qual Rússia e/ou China seriam potências hegemônicas (não é um mero "cagaço", mas uma situação de possível terceira guerra mundial).
O que aconteceria então? A China dominaria a Ásia e a Rússia dominaria a Europa, num possível renascimento da URSS. E então você iria sentir saudade da hegemonia americana..
os EUA são no momento talvez a nação mais religiosa e conservadora do Ocidente. E historicamente o principal obstáculo à expansão do comunismo e de outras ideologias totalitárias como o próprio nazi-fascismo e o neo-"islamismo" fundamentalista. Ora, qualquer uma dessas ideologias totalitárias é infinitamente pior, mais satânica e genocida do que a democracia liberal laica (não concorda? é uma questão de senso das proporções).
e no tópico linkado por você, veja o que o Luiz escreveu mais abaixo:
"Gradações a observar.Temos que reconhecer, no mundo em que vivemos, gradações do mal, se assim pudermos nos expressar; não pode haver dúvidas quanto optar (não havendo outra alternativa) entre esquerda e direita."
Link: [url]/CommMsgs.aspx?cmm=36150368&tid=2552197087075997223[/url]
Admira-me que você me recomende a leitura da Crise do Mundo Moderno de René Guénon, pois eu não só li e reli várias vezes esta obra notável como ministrei inclusive uma breve exposição sobre este livro aqui em Salvador, há precisamente dois anos atrás, para um público leigo na matéria. Nesta exposição, julgo não ter me afastado em um único instante da interpretação fiel da obra, mas isto é evidentemente discutível. Afinal, você não estava lá para certificar-se de minha ortodoxia, o que é um fato deveras lamentável. Doravante, mando uma passagem para você caso eu venha a falar de novo sobre um tal tema. Mas até lá...
Bem, voltemos ao foco. Luiz Pontual é, como já disse, um professor admirável e nisto ambos concordamos. Seus escritos atestam a visão superior de um profundo conhecedor do corpus guenoniano, de um mestre no sentido mais elevado da palavra.
No entanto, malgrado a inconteste admiração que lhe tenho, não sou um copista das suas idéias, por muito acordes que estejam à ortodoxia tradicional. Acredito ser mesmo mais louvável enxergar as contribuições de René Guénon de uma forma cuidadosa e ponderada. Não há como subscrever cada opinião de Guénon, sobretudo certas opiniões políticas quando elas recaem, não mais sobre os domínios dos princípios onde a certeza absoluta é natural, mas no domínio das realidades políticas imediatas onde a incerteza não é menos natural. Não há como admitir, por exemplo, que um ano antes da entrada de Mao Tse-Tung na China Guénon continuasse a subscrever passagens como essas que encontram-se em Oriente e Ocidente: “Quando os bolchevistas se gabam de conquistar partidários entre os orientais, estão apenas se iludindo.”
Passagens como esta demonstram o óbvio: é muito perigoso, e na prática conduz a inevitáveis erros, perder de vista a singularidade das situações reais. Guénon perdeu de vista esta singularidade e acabou caindo numa hipótese infundada precisamente porque apostava demais na força das tradições de, por si mesmas, conterem o avanço da ideologia comunista.
Por isso, quando um tradicionalista como eu defende o liberalismo não o faço da mesma maneira, nem sob a mesma ótica, de um Rodrigo Constantino, por exemplo, e nem mesmo sob a mesma ótica de um F.Hayek ou de um Mises. Jamais escrevi e jamais escreverei uma só linha que traia uma apologia franca ao liberalismo como tal sob todos os aspectos. Sequer sou um liberal. Sou, de fato, monarquista.
Entretanto, sei bem das condições reais, históricas e concretas da política atual. Primeiro, porque eu efetivamente estudo estes assuntos, coisa que os tradicionalistas em geral não fazem, ou quando o fazem, deixam-se levar por toda sorte de preconceitos políticos pueris e impressões de momento. Segundo, porque eu não sou tonto a ponto de desprezar as extraordinárias contribuições da ciência histórica moderna, quando ela efetivamente serve para iluminar a realidade e não para lançar sombras sobre ela. Li e leio os grandes historiadores ocidentais: um Michelet, um Gibbons, um Burckhardt, um Marc Bloch, um Henri Pirenne, entre outros. E não posso fechar meus olhos ante a contribuição da historiografia à compreensão de certos fenômenos antigos e modernos, sobretudo à compreensão da política concreta e, com o perdão da palavra, realista.
Repetir argumentações esquerdistas no intuito de criticar a democracia americana não é posicionar-se em estrita conformidade aos princípios da tradição. É abdicar da próppria tradição, pois uma coisa é fato: se o liberalismo contrapõe-se a visão tradicional integral da sociedade, ainda é possível dialogar com ele. Já com o comunismo o diáloog é absolutamente inviável.
Tão logo os comunistas derrubem o liberalismo o que você acha que eles vão fazer com as tradições? Cobri-las de afagos? Erigir uma estátua para René Guénon em cada praça pública?
É uma insensatez acreditar que as tradições possam por si mesmas oferecerem resistência suficiente ao avanço de um inimigo tão poderoso quanto o globalismo metacapitalista. A força das tradições será justamente empregada contra o liberalismo no momento mesmo em que, por trás do combate feroz entre ambos, o globalismo manieta a disputa conduzindo-a de acordo com os seus planos mais abrangentes. O exemplo da China tornou esta fraqueza patente; aonde estavam os sábios taoístas quando Mao Tse-Tung invadiu a China e fez a Revolução Cultural? Eu lhe digo onde eles estavam: eles estavam mortos, assassinados pela juventude bárbara que já não mais compreendia os valores de sua própria tradição; eles estavam soterrados sobre montes de terra, enterrados vivo.
O espírito só se manifesta num homem caso ele esteja vivo. Esta obviedade adverte para a opinião consagrada em certos meios tradicionalistas, segundo a qual a pura força espiritual das tradições pode conter o avanço dos seus inimigos. A verdade desmente esta opinião reconfortante: entre a besta armada e o sábio inerme, o primeiro sempre ganha.
O liberalismo jamais foi tão longe. Veja o seu próprio exemplo. Você é um cristão ortodoxo, tradicionalista, e a sua profissão de fé não lhe oferece nenhum perigo real. Você está aí, bem na frente do seu computador, sentado tranquilamente, podendo screver o que lhe aprover sem sentir-se censurado nas suas idéias. Ora, esta liberdade por você desfrutada, é fruto de certa suavização geral dos costumem típica do liberalismo burguês. Desprezar o sistema que lhe dá liberdade no momento mesmo em que se disfruta dela é, talvez, a demonstração mais cabal da ingratidão humana.
Eu não quero com isso dizer que você deva passar a louvar o liberalismo como se ele fosse a coisa mais linda do mundo. Eu mesmo não faço isso, nem me ocorreria fazê-lo.
Mas reconhecer algum benefício, algum mérito no capitalismo é uma obrigação intelectual. Mais do que isso: é uma obrigação moral a todo aquele que usufrui dos benefícios proporcionados por este sistema. Caso você queira realmente furtar-se a esta obrigação, recomendo-lhe que copie os atos de René Guénon: viaje para o Cairo e passe a viver por lá o resto da sua vida. Guénon, sim, este foi realmente coerente consigo mesmo. Desprezava o Ocidente moderno com todas as suas forças e tão logo teve a oportunidade de abandoná-lo, o fez de bom grado. E não consta jamais uma queixa sua a respeito.
Bem, você pode fazer o mesmo se quiser.
Mas enquanto estiver dentro de um país capitalista, dento de um sistema liberal, onde respeitam-se certos direitos fundamentais consagrados na constituição, onde vige o Estado de Direito e a impessoalidade das leis, você trate de se comportar e deixar de histrionismos e afetações.
Pode criticar o liberalismo, mas quando se dedicar a descontruir suas bases - bastante frágeis, admito - nunca se esqueça de ser justo para com ele, de ser moderado e sábio nas críticas, de almejar, enfim, aquela "fronesis" de que Aristóteles nos falava. Pois a sabedoria prática jamais perde de vista a fraqueza humana, a incerteza da história, e sobretudo, jamais faz exigências cujo cumprimento não pode ser realizado por aquele mesmo que as fez.
Ou se você pretende ser um crítico total da modernidade, largue imediatamente este computador, todas as benesses tecnológicas, a liberdade que o liberalismo lhe ofertou e vá embora daqui, saia o quanto antes da civilização ocidental.
Estas são as únicas opções verdadeiramente dignas que se lhe oferecem. Escolha uma das suas. Ou então se cale e não me importune mais com suas pretensas críticas "ortodoxas" e "tradicionalistas".