Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

O que voces acham de Charles Chaplin?

Iniciado por ngelo em 16/04/2011 · 34 mensagens

ngelo#1
Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=3OmQDzIi3v0

em O Grande Ditador ele critica o "sistema" e diz que gostaria de um mundo "sem fronteiras" e etc.
lusaugusto#2
Comunista, acho mesmo um lixo.
Para mim é chato, bobo, hipócrita e anti-cristão. Mas é tudo que apreciam os adoradores da Teologia da Libertação.
doutor#3
faz o papel de um judeu que no discurso cita São Lucas.

é comunista
massasofrida#4
foi sócia dele na united artists.
ayrton#5
Artísticamente, um gênio.
priscila#6
Comunista.
priscila#7
Minha mãe querida - que foi a pessoa mais completamente natural que eu conheci - dizia, quando eu era pequena: "minha filha, todo mundo adora esse homem e eu detesto. Acho tudo o que ele faz horrivelmente chato. Não consigo ver NADA dessa maravilha que todo mundo vê." 😄!
Minha mãe era a absoluta ANTÍTESE do "politicamente correto".

Beijo, dona Norma, onde quer que você esteja! All my love. 🙂.
yuribezmenov#8
Amigo de comunista.
besmenov#9
Gosto dos filmes dele. Era amigo de comunistas, mas um grande artista. Luzes da Ribalta é um filmaço. O fato de ser simpatizante de comunista não mata sua obra.
ayrton#10
Exatamente, Graciliano Ramos, por exemplo, também era comunista e nem por isso eu vou desmerecer sua obra.
priscila#11
Particularmente eu também acho Chaplin chato, meu caro. Chatérrimo.

Uma opinião sobre arte é sempre subjetiva, é claro: não existem cânones fixos para isso. Ou se GOSTA ou NÃO SE GOSTA, e pronto.

Mas eu gostava dos Marx Brothers, por exemplo.
diegoerick#12
Toda obra artística tem seu valor educativo, seu sentido axiológico, e SE a de Chaplin se desvia essencialmente desse propósito, torna-se naturalmente desprezível.

___

Desculpa por retificar o comentário anterior e te atrapalhar, Priscila.
massasofrida#13
malandro que se faz de bobo e depois dá ponta pé no trazeiro dos outros.

é um nojento que realmente odeia os bobos, os simplorios.

imitado por renato aragaão do didi que é tambem um que se finge de bobo

igualmente nojento que ficava com toda a grana dos filmes e fez os outros 3 trapalhoes romperem com elel
orkut_7#14
Particularmente eu também acho Chaplin chato... [2]

O Gordo e o Magro e os Irmão Marx, para ficar na época, eram infinitamente melhores.
orkut_7#15
As roupas e o jeito de andar do Chaplin não deixa o personagem engraçado, deixa apenas ridículo. Já o Jeca Tatu, caminha daquele jeito estranho porque é um caipira incurável. E a crítica social do Chaplin é piegas demais.
leonardo_2#16
Buster Keaton era tão bom quanto Chaplin , ou até melhor.
orkut_7#17
Sem falar da ponta de cinismo, como apontou o Massa.
massasofrida#18
na época podia, hj é chamado de pedofilia.

nao só ele, claro.

e tinha um orgão sexual avantajado e permanentemente hereto.

nao sei se até a velhice foi asim.

tinha sifilis .. tem toda uma historia sobre isto.
massasofrida#19
essse humor malandro do ingles, que tambem o colega stan laurel, dele, de vaudeville que ficaram em los angeles , depois da companhia deles se apresnetar em hollyodd.

stan laurel antes da dupla tambem era assim. no gordo e magro tambem tem sena que ele dá cotovelada na barriga.

humor ingles, rir dos outros.

humor americano, rir de si mesmmo. existe até hoje nas comedias de tv
massasofrida#20
beberrão
orkut_7#21
O atrapalhado Stan "Magro" Laurel era o "cérebro" da dupla, não como personagem, mas nas relações profissionais entre ele, Oliver hardy e os produtores. Ouvi dizer que as relações entre eles não era muito boa, Stan era meio tirânico e zombava intelectualmente do parceiro gordo.
jeferson_3#22
Um gênio, reconheçamos, e alguém seduzido pela utopia que move os movimentos revolucionários, mas que, ao contrário da maioria dos socialistas de plantão, viveu na pele a pobreza. Conheceu e manteve contato com comunistas, é verdade, e patrocinou o movimento comunista de certa forma, tendo sido por isso caçado pela "caça às bruxas" promovida por Mcarty. Mas sinceramente? Um ingênuo, como tantos, à medida em que, criança que cresceu mas ainda queria brincar - como tantos artistas - talvez não tivesse dimensão do terror do comunismo russo. Ele viveu de forma mais patente o nazismo porque seu irmão era judeu.

Também é um equívoco reduzir a obra de Chaplin a "Tempos Modernos", o clichê chapliniano, clichê porque assim promove a inteligentzia marxiana. Chaplin não é só tempos modernos, mas também "O garoto", "Ombro armas", "Luzes da Cidade", e outras obras que merecem tanto ou mais destaque.

O problema da maioria dos artistas - e digo isso porque também sou um - é que o senso estético acaba ofuscando o estético em algumas questões, e a ética maligna, forjada em belo presente de grego, os seduz pelo mistério da apreciação artística: a utopia ilumina a imagem, e nesse instante o senso crítico pode acabar mergulhado no prazer estético que seduz e anestesia. É assim com "O grande ditador", e com grande parte da produção artística do novecentos. É assim que a estética não é ingênua, mas o mais sábio pode acabar seduzido pela utopia e deixar-se guiar por ela sem perceber os problemas éticos inerentes a sua prática artística.

Mas não podemos nos esquecer de Keaton, e é claro que se o vagabundo ofusca a luz do palhaço de face neutra, isso se deve muito pela promoção da "comunidade" marxista. Devemos reconhecer que, nesse aspecto, somos vencidos porque a esquerda é bem mais organizada e ouve com maior atenção os seus intelectuais e artistas do que a direita.

Mas lá no fundo, ouso dizer, o gênio foi seduzido pela utopia sem perceber. Já li a biografia de Chaplin, ele confessa ter lido Platão e John Locke, mas cita Marx só pela tangente: num restaurante onde se hospedou, um garçon citava Marx sempre que o servia. 

Ah, sobre "Tempos modernos", ele disse que, soubesse dos horrores da guerra, dos campos de concentração, nunca teria produzido o filme. Disse também que queria interpretar Napoleão, e que se o fizesse, Napoleão seria como que uma criança mimada que quer dominar o mundo, meio como o Hinkel de "Tempos Modernos". É isso pessoal, eu, um ator e músico, digo por experiência própria: a inteligência, tomada pela utopia, se transforma numa arma à favor de um monstro que se apresenta em pele cordeiro, e a inteligência alimenta a criatividade, que produz a obra, que seduz e encanta, e assim o processo continua alimentando-se a si mesmo.
antonio#23
Um dos comentários mais lúcidos que já vi nesta comunidade...Parabéns Jeferson.
tiagooliveira#24
[url]/Main#Profile?uid=11287322241414235994[/url]:
Ótimo comentário, Jeferson, sobretudo nesta parte:

"Devemos reconhecer que, nesse aspecto, somos vencidos porque a esquerda é bem mais organizada e ouve com maior atenção os seus intelectuais e artistas do que a direita."


Olavo já falou isso várias vezes nos T.O.
priscila#25
A massa de manobra esquerdista é lesa e obviamente obedece aos seus dirigentes. O conservadorismo nunca pretendeu ter "massas de manobra". Nem deveria pretender, é claro.

O fim não justifica os meios.
priscila#26
Quanto a Chaplin, cai no mesmo caso de qualquer esquerdista famoso: OU era um dirigente comuna, OU era massa de manobra deles. 

Como eu detesto ambas as "categorias", pra mim dá no mesmo: foi um imbecil e um hipócrita completo.
jeferson_3#27
A ideia de "massa de manobra", é um conceito projetado no pensamento religioso pelo marxista, como sustentáculo da superestrutura do sistema. Na verdade o cristianismo não pode mesmo ser "imposto" direta ou indiretamente, por meio da violência ou da coação, fritação ideológica e outras estratégias já testadas e aprovadas pela inteligentzia marxista. Paradoxalmente, o espírito de solidariedade cristã é aproveitado como desculpa para os mais sórdidos intentos numa lógica ilógica do absurdo, do "lobo em pele de cordeiro", e nesse contexto, o cristianismo passa de vítima para acusado, e quanto mais vítima, mais culpado. As sementes desse processo são inerentes ao próprio cristianismo. Em suma, como pregam os evangelhos, os cristãos de fato são ovelhas no meio de lobos. Eu mesmo não sou cristão e só a pouco tempo dei-me conta da importância do cristianismo para a humanidade. Quando às vezes defendo o catolicismo, eu consigo perceber esse processo avesso àquilo que o contrarie.

A armadura intelectual desses que ai estão promovendo o anticristianismo é o conceito de "ideologia". Pegando carona no espírito materialista marxiano segundo o qual as ideias nascem à partir do sistema econômico, numa inversão de Hegel, as ideias ganham rótulo e identidade: porque representam a imagem daqueles que se opõe à revolução, desde já estão descartados, porque não contribuem ao processo de desenvolvimento histórico.

É assim que, curiosamente, o apocalipse é um dos livros mais instigantes já escritos. Como bem notam os padres da Igreja, ele trata de um período histórico preciso: a perseguição do cristianismo primitivo pelo poder romano. Mas tem dimensão atemporal: o cristianismo como religião que nasce com o destino de ser perseguida, e o Apocalipse se atualiza agora e sempre. Mas o horror do mundo "sem religião" - leia-se, "sem o cristianismo católico" - é aquele de Stálin, Pou-Pot e Mao-Tsé-Tung. 

Mas não devemos subestimar a inteligência do inimigo, já sublinhava sabiamente Sun Tzu, nem jogar fora tudo o que venha de fora. Muito pelo contrário, como o próprio Sun Tzu aconselha com inteligência, é preciso conhecer o inimigo para aprendê-lo e, por fim, subjulgá-lo. A isso dedicaram todo o século XX a Escola de Frankfurt, uma espécie de Escolástica às avessas, que toma Marx por Senhor e seus escritos como a nova Bíblia do mundo melhor. Contra isso, só mesmo uma contra-revolução, como Olavo propõe e a qual se dedica.

Mas nesse processo católicos ou não, devemos interagir e colaborar, até porque ninguém vive numa ilha isolada da civilização, e se pré-rotularmos os ateus evitando seu contato, o diálogo se interrompe, a contra-revolução para, e deixando-nos contaminar pelo ódio ao contrário que vai mesmo contra o que prega o cristianismo, abrimos espaço para que a Babel religiosa de nossos dias cresça cada vez mais numa selva de lutas uns contra os outros: ateus contra cristãos, e vice-versa. E isso é exatamente o que esperam os inimigos do cristianismo: a destruição do cristianismo desde dentro.


E Chaplin? Talvez seja equivocado reduzi-lo a um "hipócrita completo" ou "imbecil". Volto a lembrar: o mal é uma força que age na história, e Lúcifer nunca me parecer um caráter tolo, antes, aquele que, revoltado contra Deus, se voltou contra ele para destoná-lo, o espírito gnóstico antropoteísta mesmo, e muito inteligente, iluminado, senhor da luz (iluminismo, sabedoria). Pensem no Fausto de Göethe, é um caso exemplar que representa bem o espírito do XIX que nos afeta até hoje.
conhaque#28
a arte é algo supervalorizado.
priscila#29
A arte é um diálogo entre a criatura humana e seu Criador, amigo. É isso que um artista que mereça o nome tenta fazer, mesmo que não saiba.

A arte é a RESPOSTA CORRETA ao "sereis como deuses"satânico - porque ela NEGA  a submissão à tentação e coloca em seu lugar devido a resposta dos filhos de Deus - SEM o desafio pretendido com tanto afinco por Lúcifer, e repetido em seu nome a toda a humanidade, todos os dias, por todos os tempos, e em  todos os lugares.

A arte não é, de modo algum, "supervalorizada". A encrenca é que hoje qualquer porcaria passa por "arte" sem ser.
fani#30
Comunista, acho mesmo um lixo.
Para mim é chato, bobo, hipócrita e anti-cristão. Mas é tudo que apreciam os adoradores da Teologia da Libertação.(2)
jeferson_3#31
"A encrenca é que hoje qualquer porcaria passa por "arte" sem ser" (2).
conhaque#32
O cara canta, dança sapateia e pede palma, todos aplaudem e acham o maximo. Uma infantlidade supervalorizada.
jeferson_3#33
Como se cantar, sapatear e pantomimar, termo não empregado por ti, mas subentendido, fosse uma infantilidade, e como se essa, a infantilidade, fosse uma coisa qualquer. O lúdico infantil resiste no homem adulto, não há como negar. Não digo com isso que a infantilização do adulto que em nossos dias produz uma "adultescência" desvairada e tola seja louvável, mas que a arte do palhaço, do clown, do mímico, e do ator em geral, é a de resgatar a criança que jaz oprimida pelo processo educacional. O termo "oprimido" que uso na frase anterior não tem caráter marxista, trata-se de uma repressão mesmo corporal, à medida em que o corpo humano sofre as consequências da vida e tende a esmorecer com o tempo.

O que fascina é justamente o desafio desses limites corporais: o trapezista que desafia a morte, o bailarino que se sustenta nas pontas dos pés, o saltimbanco que consegue desenvolver truques corporais inatingíveis ao homem destreinado, etc. É assim que, no Japão, quando o público agradece ao ator, diz-lhe algo que, traduzido, pode ser compreendido como "você está cansado". O ator, e o artista em geral, dá seu suor para construir um espetáculo que encante justamente pela superação. Existe ai a mesma relação do espectador frente a um campeonato esportivo, em que os atletas superam suas deficiências e lutam por superarem a si mesmos. 

Chaplin cantava, dançava, sapateava, e pantomimava, ou seja, dominava a linguagem corporal com maior maestria que a maioria dos atores do cinema falado contemporâneo, ao que pese encerrar-se numa categoria muito específica de atores, aqueles dedicados à pantomima. Quando o cinema mudo surgiu com força em 1927, Chaplin se manteve fiel à tradição das gags corporais que tem raiz na commedia dell´arte e nas artes circenses. Ele prestou homenagem ao circo no filme homônimo, onde não levanta a bandeira marxista em nenhum momento, até onde posso perceber. Também em Luzes da Cidade, traz à tela a história de um vagabundo, o Carlitos, que se apaixona por uma mulher cega e tenta de algum modo conquistá-la. Em "O garoto", conta a história do mesmo Carlitos - personagem tipo, o que remonta à tradição da commedia dell´arte - que encontra um bebê abandonado e decide adotá-lo, enfrentando para isso as forças contrárias que querem tirar o menino de sua guarda.

Mas é justamente o personagem-tipo chapliniano, o Carlitos, que visto sob uma ótica estritamente marxista, pode transformar-se no protótipo do criminoso herói, do homem fora da lei que desafio o status quo com a malandragem daquele que conhece a lei da selva e sempre se dá bem, o que também podemos perceber mesmo nos desenhos animados mais infantis. É que Carlitos é assim, infantil, mas não pejorativamente infantil. Afinal de contas, uma criança é educada e nesse processo conhece os preceitos morais retos que a permitem conviver de maneira saudável numa sociedade. Mas a gente tem essa relação de fascínio pelo personagem que desafia o status quo justamente porque os impulsos anti civilizacionais existem no homem civilizado, nós não somos "bons por natureza", como acreditava Rousseau, e no fim das contas todo mundo peca, e somente raríssimos santos estão livres do purgatório, segundo o que prega a ICAR. Mas a arte pode servir de um instrumento para provocar uma catarse desses sentimentos anti civilizacionais, projetados na figura representada. Chaplin então percebe isso por intuição e exprime na obra artística. O que cabe perguntar é: ele louva a malandragem criminosa como oprimida pelo "sistema"? Tudo depende da interpretação que vocês tem de Carlitos.

Reduzir Charles Chaplin a um "lixo comunista"? Dizer de sua performance artística que não passa de uma sapateada infantil? Com todo o respeito, não compartilho dessa opinião. Acredito que aqueles que constroem essa imagem não conhece mais a fundo a história de Chaplin e a história do teatro. Citei a commedia dell´arte, e algumas obras de Chaplin que não tem um caráter político mais acentuado. Talvez seja o caso de estudar a pessoa de Chaplin com mais cuidado, e mesmo ler sua auto-biografia, "A história de minha vida", pra aclarar as coisas.

Existe algum texto do Olavo onde ele comenta sobre a obra de Charles Chaplin? Se houver, gostaria muito de conhecer.
jeferson_3#34
Mas se Carlitos não passa de um "subversivo malandrão comunista", então não só Tempos Modernos, como TODA A OBRA de Chaplin deve ser desprezada como lixo comunista imundo... 

Mas é assim mesmo? Gente, Chaplin pode ter sido marxista talvez - mesmo sem ter lido Marx, como é não só possível, mas muito comum - porque seduzido pelo espírito de seu tempo, de nosso tempo, que é gnóstico, anti-cristão, como notei na primeira resposta a esse tópico. Mas será que, por isso e só por isso, ele deixa de ser artista e se transforma num lixo execrável? Essa pergunta, que me faço, remeto a vocês também. E além disso é preciso saber se, de fato, já existiu algum teatro verdadeiramente cristão, livre de qualquer sintoma gnóstico contraído por influência do espírito anti-teísta de nosso tempo. 

Sabem como nasceu o teatro?

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