Membros da comunidade, não esperem ler aqui um tratado sobre Cuba e seus problemas, na verdade a simplicidade do que se segue é que dará a dimensão da coisa.
Sou estudante de pós-graduação aqui na USP (Departamento de Bioquímica), mas não é de mim que quero falar, mas de uma cubana que veio morar aqui numa dessas moradias que nós montamos e onde encontramos gente de tudo quanto é lugar do mundo.
Ela se chama Nadja, tem 29 anos, é bióloga e estudante de doutorado. Fiquei muito impressionado desde que ela chegou aqui com as suas reações em relação ao nosso país e, em especial, às questões de consumo.
Primeiro, ela considera todos os moradores da república [um monte de pobretão lutanto pra sobreviver, incluindo-se ai eu mesmo] abonados financeiramente, ela simplesmente não consegue entender que nós não somos ricos, segundo ela "como não é rico, veja suas roupas, vocês tem dinheiro em 'espécie' nos bolsos, andam com celulares, tênis de marcas conhecidas no mundo, como não são ricos!..., até ai eu segui sem entender o porquê dela considerar isso riqueza material, até porque, onde já se viu usar o tênis nike de 120 reais ser indicação de boa condição financeira?
De qualquer modo, o que impressiona mesmo não é o seu esforço em defender a idéia de que somos ricos, mas a sua reação diante de uma prateleria repleta de opções no mais simples e popular dos atacadistas de São Paulo - Atacado Roldão. Ela comprou no primeiro dia em que fomos lá, de uma vez só, 3 marcas diferentes de creme dental, e disse: "em Cuba só ai una marca".
Pra finalizar, ela se descobriu apaixonada por biscoitos recheados, coitada, teve diarréia no primeiro dia aqui de tanto comer essa iguaria, segundo ela: "Dios, en Cuba só se puede comer una por mes", senhores, foi ai que tive a dimensão da desgraça que aquele lugar, por mais que tenhamos problemas aqui, não ter direito a um "negresco" todo santo dia é coisa que não passa pela minha cabeça consumista!
P.S: Ela me autorizou a escrever esse post.
Sou estudante de pós-graduação aqui na USP (Departamento de Bioquímica), mas não é de mim que quero falar, mas de uma cubana que veio morar aqui numa dessas moradias que nós montamos e onde encontramos gente de tudo quanto é lugar do mundo.
Ela se chama Nadja, tem 29 anos, é bióloga e estudante de doutorado. Fiquei muito impressionado desde que ela chegou aqui com as suas reações em relação ao nosso país e, em especial, às questões de consumo.
Primeiro, ela considera todos os moradores da república [um monte de pobretão lutanto pra sobreviver, incluindo-se ai eu mesmo] abonados financeiramente, ela simplesmente não consegue entender que nós não somos ricos, segundo ela "como não é rico, veja suas roupas, vocês tem dinheiro em 'espécie' nos bolsos, andam com celulares, tênis de marcas conhecidas no mundo, como não são ricos!..., até ai eu segui sem entender o porquê dela considerar isso riqueza material, até porque, onde já se viu usar o tênis nike de 120 reais ser indicação de boa condição financeira?
De qualquer modo, o que impressiona mesmo não é o seu esforço em defender a idéia de que somos ricos, mas a sua reação diante de uma prateleria repleta de opções no mais simples e popular dos atacadistas de São Paulo - Atacado Roldão. Ela comprou no primeiro dia em que fomos lá, de uma vez só, 3 marcas diferentes de creme dental, e disse: "em Cuba só ai una marca".
Pra finalizar, ela se descobriu apaixonada por biscoitos recheados, coitada, teve diarréia no primeiro dia aqui de tanto comer essa iguaria, segundo ela: "Dios, en Cuba só se puede comer una por mes", senhores, foi ai que tive a dimensão da desgraça que aquele lugar, por mais que tenhamos problemas aqui, não ter direito a um "negresco" todo santo dia é coisa que não passa pela minha cabeça consumista!
P.S: Ela me autorizou a escrever esse post.