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O Caráter Totalitário da Luta Antimanicomial

Iniciado por paul_2 em 21/04/2011 · 21 mensagens

paul_2#1
O movimento de luta antimanicomial é um movimento social cuja finalidade maior é dar fim aos manicômios de nosso país, substituindo toda assistência em saúde mental por uma rede de serviços alternativos incluídos na comunidade, como os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).

A justificativa alegada é a de que o hospício é uma instituição totalitária que funciona como mecanismo de controle social destinada a excluir da sociedade todos os membros cuja conduta não se adapta à lógica da produtividade, tal como sugerira Michel Foucault (charlatão) em seu livro Doença Mental e Psicologia. Dois objetivos caracterizam a proposta do movimento:

1 - O resgate da cidadania do louco por meio da política de inclusão social, o qual conta com a convocação da família e da sociedade geral.

2 – A substituição do olhar reducionista centrado no doente (perspectiva biologicista) por uma abordagem biopsicossocial da qual considera o ser humano em todos os seus aspectos, seja o biológico, o psicológico e o social (aqui incluídos o fator econômico e cultural).

Uma breve descrição do movimento de luta antimanicomial é suficiente para deixar claro a qualquer pessoa que possua o mínimo de bom senso que se trata de um movimento revolucionário cuja característica principal é substituir um simples dispositivo de cuidado (o manicômio) por um verdadeiro mecanismo de controle social, uma rede de serviços que se propõe cuidar de todos os aspectos da vida do louco (proposta totalitária).

O controle antes circunscrito nos muros do hospício toma o alcance de toda população, e o campo de intervenção anteriormente restrito à pessoa do louco (em seu aspecto puramente biológico) ganha a dimensão familiar e social (em seu aspecto totalitário).
paul_2#2
O movimento de luta antimanicomial deve, portanto ser repudiado assim como qualquer outro movimento social. A presunção de seus integrantes é característica de uma mentalidade psicótica digna de internação psiquiátrica. Talvez por isto desejem tanto abolir os manicômios tal como desejariam os potenciais criminosos abolir os presídios ou mesmo os imorais desejariam abolir o senso de moralidade.
geraldo_2#3
Este é um assunto importante que vem passando batido. As pessaos não sabem o que está acontecendo com esses doentes mentais espalhados pelo mundo. Nunca vi estatística disso. Também não adianta, se o MiniSau divulgasse, seriam falsas, como tudo o que esse governo publica. Não sei de outras cidades, mas em Salvador muitos estão vivendo na rua. No centro, o movimento da carros e pessoas é tão intenso que passam despercebidos por quem não presta atenção... mas estão lá! Vivem como bichos, em condições mais degradantes que no manicômio. Outra grande parte pode estar simpesmente morta (atropelada, afogada, etc) ou acorrenteda nos quintais.
riscardo#4
Resultado da tal " Psiquiatria Democrática" do Basaglia:

"Esse pessoal não diz explicitamente, mas eu sei que para eles não existe doença mental. Por que falam em psiquiatria democrática? Existe urologia democrática? A psiquiatria democrática pressupõe que as pessoas internam seus parentes para cercear a liberdade deles. Segundo essa linha, o cara não é doido. Ele é um dissidente. Isso vem da época das drogas, da época dos Beatles, da época em que as pessoas diziam “tu tá pinel”. O que era isso? A classe média cheirava cocaína e ia parar no Pinel. Não eram doidos. Mas, levada a uma overdose, a pessoa pode entrar num estado de delírio. Esse pessoal acha que a máfia de branco cerceia a liberdade das pessoas. Pessoas que são dissidentes da sociedade burguesa. A psiquiatria democrática considera que a sociedade é que é doente e reprime aqueles que discordam dela.

(...)

A raiz ideológica da psiquiatria democrática é a ideia de que não existe doença. A sociedade é que é culpada porque é burguesa. Quando eu estava exilado em Buenos Aires, nos anos 70, fui conversar com os médicos no hospital onde meu filho Paulo (hoje com 50 anos) havia sido internado depois de um surto. Uma médica veio conversar comigo e disse que o problema não era do meu filho. Era da família e da sociedade. Disse para ela: então me interna."(Ferreira Gullar, poeta e pai de dois filhos esquizofrênicos)
[http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI75…DE+CASA.html]
paul_2#5
"Parem com a loucura", este artigo também é interessante, aborda o mesmo tema.
http://www.abpbrasil.org.br/medicos/noticias/exibNoticia/?not=314
priscila#6
Um tema IMPORTANTÍSSIMO, e que tem sido relegado, sem que lhe deem a devida ATENÇÃO!

ÓTIMO ver este assunto trazido para debate aqui!
paty#7
esse assunto é mesmo muito importante.
Como sou da área da saúde (médica) tenho um outro ponto de vista em relação ao que o autor do tópico postou. Não vejo este caráter totalitário necessariamente para com o " doente" na idéia destas pessoas que defendem a " luta antimanicomial". Vejo que no fundo a motivação, que vem inspirada em Michel Foucault (um bosta), é a tal da " microfísica do poder". Resumindo, o que eles dizem é qque o hospital (ou o manicômio) e os médicos (não apenas os psiquiatras mas todos os outros) querem exercer o seu poder sobre as pessoas, rotulá-las, subjugá-las. E que por isso os pacientes deveriam ser " acolhidos" na sociedade e serem tratados por equipes multiprofissionais que os pudessem inserir na sociedade.
Muito lindo né? Acontece que não é tão simples assim. O que ocorreu desde que o movimento antimanicomial iniciou suas mudanças foi que não se abriram novos leitos psiquiátricos em hospitais gerais enquanto que os leitos em hospitais psiquiátricos eram fechados. Mas sempre haverá pacientes que precisarão de internação. O que fazer com eles? Quem é pobre e não tem recurso tá ralado, pois o atendimento no CAPS não dá conta da demanda, e agora mais ainda tem a questão do crack, que está cada vez pior, e as famílias não têm a quem recorrer.
Convivi de perto com pessoas defensoras da " luta antimanicomial", e posso dizer que a maioria eram profissionais de outras áreas da saúde (psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais...) que odiavam médicos (recalcados que se identificaram com Foucault), esquerdistas, maconheiros, que nada faziam para ajudar a resolver esta questão da saúde mental, apenas ficavam lá "filosofando", enquanto nós médicos ficávamos " ralando", vendo a realidade como ela é, atendendo um número enorme de pacientes e suas famílias em sofrimento tentando resolver a situação mesmo com os recursos escassos do SUS.
se alguém tiver perguntas sobre o assunto e eu puder ajudar... é um tópico que dá muito pano pra manga.
luiz_3#8
sou seminarista em Barbacena/MG e visito periodicamente pessoas que sofrem de distúrbios mentais e vivem nas chamadas "residências terapêuticas", método de recuperação de doentes mentais considerado modelo aqui e no exterior.

Consiste no seguinte: Os doentes mentais que estão em condições psíquicas e comportamentais de viverem em uma residência normal com outras pessoas doentes (em condições semelhantes) e sob o acompanhamento de cuidadores profissionais, são transferidas dos hospitais psiquiátricos e passam a ter uma vida quase normal nessas "residências terapêuticas", onde elas alcançam progressos visíveis através de uma vivência cotidiana em família e fazendo coisas que para nós são habituais como ir ao supermercado, cozinhar, assistir TV ou dar uma volta na praça.

Os que não estão em condições de terem esse tipo de reinserção social, como os que são muito agressivos ou os que tem impulsos suicidas, permanecem nos hospitais psiquiátricos até alcançarem algum progresso que possibilite a eles serem transferidos para as "residências terapêuticas".

Os hospitais psiquiátricos (manicômios), contudo, não creio que devam ser extintos porque há casos em que não há como controlar um doente mental senão nesses lugares.

O que deve sim ser extinto é o modelo de manicômio que trata o doente mental como um animal, na base da porrada e do eletrochoque!

Há um tempo assisti a um documentário que mostrou como era um manicômio de Barbacena algumas décadas atrás: um lugar de fazer inveja a Hitler, Stálin, Pol Pot, Mao e cia. O manicômio parecia muito mais um campo de concentração!

Os pacientes levavam choques elétricos horríveis que às vezes resultavam em óbitos ou lesões sérias, eram tratados como animais, muitos andavam nus, arrastando pelo chão. Quando morriam, os outros doentes eram obrigados a fervê-los em caldeirões para desossá-los, a fim de vender os ossos a faculdades de medicina. Também há suspeitas de que lhes era servida carne humana moída (dos doentes que haviam morrido)...
luiz_3#9
Sou absolutamente contra este tipo de crueldades com os doentes mentais, o que não significa que os hospitais psiquiátricos são totalmente dispensáveis!... Há casos em que só uma camisa-de-força e uma comprimidinho "sossega leão" resolvem...
paul_2#10
O raciocínio dessa gente é simples:

1 - identificam um problema real;
2 - propõe uma solução absurda;
nderson#11
Sou psicólogo e recentemente convivi com a doutrinação antimanicomial na universidade e no CAPS. Não preciso repisar que este Movimento predomina nos cursos de psicologia, baseado nas teorias revolucionárias de Foucault, Deleuze, Guattari e disparates congêneres, e seu intuito é subverter a ordem da sociedade. É óbvio que trata-se de uma alternativa tresloucada ao modelo manicomial que, de fato, fornecia algumas instituições com métodos e condições deveras desumanos.

Como testemunha deste processo o que observo é que, além da falta de estrutura adequada, há uma grande dificuldade dos profissionais(tanto médicos quanto psicólogos) em diagnosticar os níveis de transtornos mentais em cada caso, para aí sim, se traçar a estratégia terapêutica adequada. Há casos graves que demandam internação psiquiátrica, casos intermediários que demandam atenção freqüente mas sem excluir de todo o indivíduo da sociedade, e casos mais leves em que o atendimento ambulatorial é suficiente. Mas hoje na saúde mental pública o que há é um grande balaio de gato, em que muitas vezes estes casos se misturam, e estas instituições acabam prestando muitos desserviços à sociedade

Outro aspecto importante da questão é o corporativismo(a guerrinha entre as áreas da saúde) que citou a Paty. Enquanto de um lado muitos psicólogos inspirados por merdas esquerdistas ficam em estado de masturbação filosófica inócua(quando não nociva), de outro, muitos médicos atuam de forma superficial entupindo os indivíduos com medicações(em alguns casos desnecessárias), sem atentarem para a importância do processo reflexivo-comportamental do indivíduo, e adotam postura totalitária como na questão do Ato Médico.
Não há anjinhos nesta história. A saúde mental é a área mais marginal da saúde pública. Médicos buscam fugir dela e a maioria dos psicólogos, doutrinados pelas merdas esquerdistas, não estão preparados para lidar com ela.

Da maneira como está, o caos só há de aumentar.
ayrton#12
Uma das piores idéias esquerdistas de todos os tempos foi o fim dos hospitais para tratamento e acompanhamento de doentes mentais. Vejam o exemplo claro de que o prof. OdeC e o poeta Ferreira Gullar estão corretos, quando se referem à essa idéia de jerico proposta pelos imbecís seguidores do marxismo cultural:

Fim dos hospitais psiqui�tricos?
paty#13
Anderson, concordo 100% com o que vc falou. A análise que faz dos médicos é correta. Como trabalho com saúde pública, posso perceber de perto como está a atenção em saúde mental. Muitos médicos acabam mesmo " entupindo" o paciente de medicação, fazendo um diganóstico errado, muitas vezes por desconhecimento mesmo, isso associado à alta demanda populacional para atender e encontrar uma solução paliativa para o problema. Aqui em Floripa por exemplo, o atendimento de saúde mental funciona na forma de matriciamento: o médico clínico (eu) da unidade básica de saúde realiza o acompanhamento das famílias e e marca os casos graves para atendimento em conjunto com psiquiatra e psicólogo 1-2 turnos POR MÊS apenas (ou seja, 4-5 pacientes de uma população de 20.000). O objetivo disto é treinar o médico clínico para atendimento de saúde mental (mas por trás idsto também está a economia de recursos $$ - menor necessidade de contratar psiquiatras e psicólogos, a meu ver). Mas o que acaba acontecendo é que muitos clínicos não gostam e não sabem atender saúde mental, mas não podem mais encaminhar os pacientes; a agenda com o psiquiatra obviamente fica lotada e vc tem pessoas em surto que precisam ser avaliadas e isto pode demorar meses. O CAPS tb manda de volta para o clínico casos graves alegando não ter capacidade. Vagas em hospital são mais escassas ainda. E a demanda de saúde mental aumentando cada vez mais...
Só p/ esclarecer o que o colega acima colocou: antigamente os manicômios eram responsáveis sim por atrocidades contra os pacientes. Mas o " eletrochoque" (eletroconvulsoterapia) é sim ainda realizado, em ambiente hospitalar, com sedação, o paciente não sente nada. É uma ótima opção terapêutica em casos selecionados de depressão grave, esquizofrenias, entre outros. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre por exemplo é uma referência para este tratamento. Se alguém quiser alguma literatura sobre o assunto posso conseguir.
continua...
paty#14
* acompanhamento do indivíduo e sua família pela equipe de saúde da família da sua localidade;
* educação continuada em saúde mental;
* maior acesso ao acompanhamento de psicólogos (1 por unidade);
* retaguarda da atenção secundária (psiquiatria) bem estabelecida para casos moderados, com atendimento ambulatorial especializado, e não apenas com matriciamento.
* manter CAPS e hospital-dia p/ casos moderados-graves;
* se houver hospital psiquiátrico no município, em vez de fechá-lo, reestruturá-lo, onde poderiam funcionar inclusive os ambulatorios especializados, e ala p/ tratamento de dependentes quimicos.
* se não houver hospital no municipio,abrir leitos de internação psiquiátrica com equipe ESPECIALIZADA neste atendimento (atualmente o que acontece é que a equipe - médicos, enfermeiros, técnicos - de hospitais gerais não estão preparados para atender estes casos.
marcos_12#15
Claro. Acabem com os manicômios. Aí o sujeito que é totalmente incapaz de viver em comunidade devido à doença mental (ou os surtos que tiver) cometerá suas loucuras sem a capacidade de ser detido.

Quando um louco acredita que pode voar, ele REALMENTE acredita que pode voar. E vai pular de um edifício para isso!

Não conheço os métodos de lidar com essa gente ou o tratamento. Mas sei que há casos em que a pessoa precisa ser contida e resguardada, mesmo porque ela não sabe o que está fazendo, consigo e com os outros. Manicômios existem para isso.
varistoneto#16
Sabia que um parente seu se ligar pra uma empresa com ambulancia te pega em casa e te interna?
varistoneto#17
Manicomios são como asilos. Os donos só querem saber de $$$$.
A pessoa para ser internada deveria ter uma ordem da justiça. Seja ela doente mental , alcoolatra ou drogada.

O modelo atual é absurdo. Já viram aquele filme: Bicho de 7 Cabeças? Então não mudou nada.
riscardo#18
Bicho de Sete Cabeças é sabidamente uma rasteira propaganda antimanicomial. É um One Flew Over the Cuckoo's Nest vulgar, um Colpo di Luna trash.

Para quem acha que o melhor remédio para loucura é canetada extinguindo hospitais psiquiátricos, uma boa dica seria assistir Shutter Island e Spider.
acacio#19
^terrível professor que mata aula passando vídeo
marcos_12#20
Se isso pode acontecer não é devido ao sistema manicomial, mas à irresponsabilidade dos agentes.
varistoneto#21
O filme bicho de 7 cabeças é a história real de Astregesilo Carrano ocorrido na decada de 70 e acontece em pleno Sec XXI com aqueles mesmo detalhes. Se priva alguem de sua liberdade sem ordem judicial e a drogam num deposito de gentes...

Marcos, já senti isso na pele e já fui parar em delegacia pq reagi e por sorte minha sou fisicamente grande, pq se tivesse 1.50m iria parar sei lá onde mantido em carcere privado. Foi exatamente como no filme. Razão: Chantagem familiar envolvendo herança.

E isso acontece DIARIAMENTE. Lembram do Rafael "Pilha ex-polegar" q tentou fazer um "resgaste"? O sistema é pior que qualquer ditadura. Vc tem seus direitos violados na alta. Um abuso, um absurdo.

Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=3QcSEdo7OOM&feature=fvwrel
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Aquilo lá tem lá credenciais pra ser dono de clinica? Vejam esse caso.
Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=AuXBOzWP57E

Vários "hospitais, manicomios e clinicas" são verdadeiros depositos de gente que enchem o cu dos seus donos de grana.

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