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Para quem sabe ler novi-língua ...
Segundo Quintella, o objetivo da discussão não é formular qualquer tipo de juízo de valor, mas sim dirimir quaisquer dúvidas sobre o caso e promover um amplo debate sobre a confiabilidade do sistema eletrônico de votação. "A idéia é discutir amplamente a questão e verificar as possibilidades de aperfeiçoar o sistema eletrônico de votação no Brasil, consolidando ainda mais o processo informatizado e a democracia brasileira", afirmou o deputado.
Ou seja: essa comissão já é uma farsa antes mesmo de começar. Se vai se estudar a confiabilidade das urnas sem emitir qualquer juízo de valor mas já antevendo a possibilidade de consolidação das mesmas (sem sequer saber se são ou não violáveis) então a função única e exclusiva dessa tal "comissão" é montar um teatrinho onde se finge que estuda o problema e emite-se um "laudo" de confiabilidade sem valor algum.
Aparentemente, o que se quer é aperfeiçoar os erros, de forma que não apareçam, sejam "indetectáveis". Está mais do que provado que as urnas eletrônicas são perfeitamente fraudáveis. O fato tem sido objeto de estudo e denúncia no Brasil, através do Fórum do Voto Seguro durante incansáveis 11 anos e de especialistas em Segurança na Informática de universidades renomadas como USP e ITA. A fraudabilidade das urnas-e da Diebold, as usadas no Brasil, já foi demonstrada nos EUA e levou à mudança de legislação em 27 estados americanos, proibindo a sua utilização nas eleições. Movimentos contra sua utilização estão acontecendo na Europa, principalmente Holanda.
PT tem conhecimento profundo sobre as urnas-e. Começou a estudá-las no governo FHC, responsável pela implantação do sistema eletrônico eleitoral, porque temia que houvesse fraude e FHC pudesse ser reeleito. Se a reeleição foi ou não devido a fraudes, jamais saberemos: as urnas-e não são auditáveis.
Nos meses que antecederam as eleições 2006, o assunto veio à tona. Como sempre vem em época de eleição. Os argumentos e respostas oferecidos são sempre os mesmos: as urnas eletrônicas são 100% seguras. Como se houvesse algum sistema totalmente seguro.
O ponto crucial de tudo isso é que o TSE tem superpoderes: legisla, executa e julga tudo ele mesmo, nele mesmo, por ele mesmo. E, pelos antecedentes, não acredito que vão trabalhar no sentido de aperfeiçoar as urnas-e. O que pode acontecer é alguém chegar com algo ainda pior, apresentando alguma inovação tecnológica como a biometria individual (assinatura digital), tão falsificável e duplicável como qualquer outro arquivo de dados. A vantagem, para eles é claro, é o quanto vão ganhar nas licitações dos novos equipamentos de "nova geração" e, claro, a certeza de que podem se perpetuar no poder.
O ponto crucial de tudo isso é que o TSE tem superpoderes: legisla, executa e julga tudo ele mesmo, nele mesmo, por ele mesmo. E, pelos antecedentes, não acredito que vão trabalhar no sentido de aperfeiçoar as urnas-e. O que pode acontecer é alguém chegar com algo ainda pior, apresentando alguma inovação tecnológica como a biometria individual (assinatura digital), tão falsificável e duplicável como qualquer outro arquivo de dados. A vantagem, para eles é claro, é o quanto vão ganhar nas licitações dos novos equipamentos de "nova geração" e, claro, a certeza de que podem se perpetuar no poder.
Pois se não temos como ter uma eleição segura então a chamada "democracia" direta é um embuste, uma palhaçada, um circo para enganar quem acha que seu voto pode mudar alguma coisa. A coisa é muito mais grave do que imaginamos.
Do jeito que os brasileiros se gabam, parece até que os EUA não teriam, se quisessem, a capacidade de fazer urnas eletrônicas até melhores que as nossas. Lembro daquela história do submarino atômico, que estamos há uns 30 anos tentando desenvolver, e se injetar não sei quantos bilhões, fica pronto em mais uns 30.
As urnas eletrônicas são um sucesso de tapeação no mundo. Nunca houve um processo que enganasse a tantos de forma tão abrangente sem levantar a menor suspeita. Parabéns a quem bolou.
Lembro que quando Junichiro Koizumi foi reeleito para primeiro-ministro do Japão comentei a um amigo meu que, enquanto os brasileiros apostam na perfeição da máquina, os japoneses apostam na perfeição do espírito.
País raso dá nisso.