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Manifesto Teórico-musical

Iniciado por alessandro_2 em 20/05/2011 · 2 mensagens

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MANIFESTO TEÓRICO-MUSICAL DO MAESTRO E COMPOSITOR EMANUELE CINTURA TORRENTE

1) A Música não é apenas fonte de prazer ou recreação tal como tem sido, e ainda continua sendo, considerada, mas sobretudo instrumento privilegiado para uma séria compreensão do Mundo.

2) A Música não é apenas Arte..., mas Pensamento, e não somente Pensamento abstrato, mas concreto. Uma intensa ligação ao que é real e pragmático.

3) A Música não é uma forma de comunicação entre os homens, a música não comunica: ela manifesta; ela não emprega filtros subjetivos para expressar o objeto tal como o sistema verbal, Ela torna palpável, de forma completa e indiscutível, o mais alto nível de pensamento humano.

4) A Música não pode e não deve ser submetida a especulações de ordem econômica, política e social que alterem seu Potencial Gnoseológico e a reduzam a uma mercadoria da moda, a um item de consumo.

5) A Música e os musicistas devem obter, da parte da sociedade, aquele reconhecimento que, por séculos, salvo poucas exceções, foi-lhes negado, relegando-A a mero tema de entretenimento. O Musicista, no sentido mais elevado que se possa entender, não é um artista circense, mas um Pensador sério, e como tal deve ser tratado, equiparando sua função a de outras atividades profissionais geralmente consideradas de elevado status na comunidade.

6) O pensamento Musical não pode e não deve ser considerado inferior ao pensamento verbal ou científico; portanto, durante a fase de desenvolvimento do indivíduo, a educação ao pensamento musical não deve ser separada, através da supervalorização de escolas-guetos e conservatórios, das outras realidades educacionais humanísticas e científicas.
alessandro_2#2
7) Não se deve entender por Música Contemporânea uma elite solipsista dedicada a experimentações de vanguarda, levantando-se contra supostas releituras do passado; igualmente, considerar a atonalidade como uma superação da tonalidade é simplesmente um equívoco sem mais nenhuma utilidade para qualquer musicista. A própria dicotomia Música Atonal/ Tonal é uma invenção nefasta e totalmente arbitrária, uma fórmula mal nascida e fadada ao suicídio.

8) Não obstante a estratificação do fenômeno musical que se tem realizado recentemente, não há necessidade de se decompor a estética musical em gêneros eruditos e não-eruditos - música clássica, contemporânea, música popular, jazz, rock e outros subgêneros representam definições histórico-sociológicas e não estéticas. Os únicos dois gêneros que devem autenticamente interessar à tríade musical (compositor, executor e ouvinte) são aqueles relativos à produção da boa música que eleva a condição humana, e à evitação da música de baixa qualidade, a qual foi degradada pela condição do homem.

9) O pensamento verbal ou científico-matemático pode apenas dar suporte ao pensamento musical, mas jamais substituí-lo. Toda tentativa de investigação crítica, filosófica, psicológica, sociológica, musicológica de extração verbal ou toda tentativa de formulação científico-matemática que deseje investigar a essência da música é e sempre será efêmera e enganosa.

10) Todos os musicistas, antigos e contemporâneos, viveram e vivem sob o signo do pensamento histórico de J. S. Bach.

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