O nada nunca existiu nem nunca existirá,pois nada é, é não-ser. Deus fez tudo desse nada?No nada?"Onde" se localiza essa criação?Estamos dentro de Deus sem sê-lo?
Não é aceitável ver Deus como um demiurgo, então como fica isso?
Nao tenho acesso a internet rapida, onde estou só tem lan house lenta e nao consegui ver os videos,preciso de textos,mesmo assim só vou ver este tópico denovo depois de dias..agradeço quem cooperar com o tópico.
"O nada nunca existiu nem nunca existirá,pois nada é, é não-ser. Deus fez tudo desse nada?No nada?"Onde" se localiza essa criação?Estamos dentro de Deus sem sê-lo?"
"EU nao duvido de Deus, só quero saber essa questãozinha do nada, pois me parece um problema sério."
antes que eu diga qualquer outra coisa, comunico que não pretendo responder com essa postagem a tão complexa questão "o nada e a criação", homens do calibre de Santo Agostinho não conseguiram elucidá-la plenamente, não serei eu quem conseguirá.
Dito isso, quero somente fazer a você um alerta: essa não uma "questãozinha", o tema e o problema são amplos, requerem esforço sério em compreendê-los.
Sendo assim, como ponto de partida, pelo menos dentro da tradição filosófica cristã, você poderá começar a abordar esse problema a partir do estudo das obras de Santo Agostinho. O bispo de Hipona é um dos primeiros a tratar essa questão quando se esforça para responder "o que é o bem?".
Para Agostinho, só o que é imutável, realmente é, o ser é imutável. Mas, se o ser é imutável e existe, poderia não existir o ser, ou seja, poderia haver o NADA? Se o nada não é ausência do ser, uma vez que o ser é, portanto poderia existir em si mesmo o NADA? Seria então o mal o nada, Agostinho vai dizer que não: Deus não pode praticar o mal; porque Deus é bom. Assim, para algo ser bom é necessário antes de tudo ser.
Essa questão vai dirigir boa parte dos esforços do Bispo de Hipona. A obra onde esse tema é principalmente dissecado é "De Natura Boni" (A natureza do Bem).
A dica é simples, leia Agostinho caso queira compreender verdadeiramente esse problema, veja, não digo caso queira resolvê-lo, me satisfaço em compreendê-lo tão somente!
"Pois um dos pontos fundamentais da fé cristã, sem dúvida um daqueles que os sábios profanos menos penetraram e que ainda não foram bem levados agora aos pagãos, é a criação de todas as coisas a partir do nada pela onipotência de Deus. Pode-se bem dizer, porém, que nada no mundo representa melhor isto, ou por assim dizer o demonstra, do que a origem dos números, como é aqui representada por uma expressão mediante a qual todos os números se originam pura e simplesmente do 1 e do 0 ou do nada. Será sem dúvida difícil encontrar na natureza e na filosofia uma imagem melhor deste mistério."
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Gottfried Leibniz
Olha que coincidência, há algum tempo escrevi sobre o assunto:
A problemática da crença no divino surge logo na concepção de criação. “Criação” é uma idéia humana que tenta expressar a geração de determinado objeto que a priori não pertence à realidade. Acontece que no mundo das possibilidades, todas as formas das quais podemos um dia “criar”, já pertencem em essência à realidade. Para que criação, no sentido mais humanamente aceito, fosse de fato uma boa definição, seria necessário que a partir dela pudéssemos gerar uma dada realidade que adicionasse algo ao próprio universo. Transformação é o único fenômeno que possuímos experiência direta. Não podemos notar nos cosmos, ou qualquer lugar que seja, uma evidência da criação. Estamos tão acostumados a nos questionar como as coisas podem surgir do nada, que esquecemos de nos questionar sobre o que seria propriamente o nada. É fato que se não houvessem doenças, jamais convencionaríamos a idéia de saúde. De uma forma bastante similar, só nos questionamos acerca do nada devido a nossa idéia de destruição e construção, vazio e matéria, vida e morte.
Experiências cotidianas moldam nossa realidade devido a nossa capacidade de relacionar. Apenas com a aquisição de conhecimentos mais profundos poderemos atualizar o nosso modelo de realidade de forma que se aproxime do mundo fisicamente real.
Mas eu abomino o movimento New Age e todas as suas ramificações.
O que eu quis dizer é que a energia (necessária para a existência da matéria) não veio de OUTRA energia nem de OUTRA matéria (uma contradição) mas de algo espiritual EM ÚLTIMA ANÁLISE.
Mas ai você está definindo energia sem definir espírito. Se todos aqui concordassem que espírito é um conceito elementar, tudo bem, caso contrário, nada feito.
A solução pagã do problema é que o mundo se origina de uma potencialidade sem ser em ato, e que essa potencialidade vem de uma polarização do próprio Deus em dois pólos, um indeterminado e outro determinante. É uma das coisas mais complicadas do universo, e o Mário Ferreira dos Santos defende uma tese parecida na "Filosofia Concreta". É esta "mãe" que os pitagóricos chamam de Díada. Não sei se algum cristão tentou refutar os filósofos pagãos, mas gostaria muito de ler essa refutação.
Se vc não pode contra eles, junte-se a eles: baptizemos Pitágoras, tal como fez MFS:
. "O UM, como fonte suprema emanadora dos arithmoi arkhai, gerou o UM. O UM é ato, eficácia pura, simplicidade absoluta, portanto, ato puro. Sua atividade (verbum no latim) é de sua própria essência, mas representa um papel, porque na atividade é sempre ele mesmo (ipsum esse dos escolásticos), embora represente um outro papel (personna = hypostasis), o da atividade, mas é a mesma substância do UM supremo, ao qual está unido, fusionado pelo amor, que une o UM ao UM, o que forma a primeira tríada pitagória, que bem estudada, em pouco difere da trindade cristã exposta por Tomás de Aquino.
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O Um, mais o UM gerado por ele e o amor, que os une, formam a tríada pitagórica, simbolizada pelo triãngulo sagrado de lados iguais.
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Na emanação (procissão ad extra, pois a anterior entre o UM e o UM e o amor, a procissão é ad intra), surge o Dois, a Dyada. O ser toma os modos extremos de ser que, sendo inversos, são identificados no ser. Surgindo o dois, que se heterogeníza, todas as combinações numéricas (arithmetikai) são possíveis."
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Mário Ferreira dos Santos
NADA
- Quantidade "zero" de um objeto suscetível de aumentar e de diminuir. Para designar esse estado de coisas, dizemos que o respectivo objeto "não é". Porém, há uma diferença marcada entre "não ser" uma coisa e ser "nada" dela. Assim o frio "não é" calor, contudo não é por isso "nada" de calor, porque o frio só representa um grau reduzido de movimento molecular que, pela mera intensificação desse mesmo movimento, passa a ser calor. Esse movimento reduzido (frio), pois "não é" calor, não é porém um "nada" de calor. Igualmente, como diz Pascal, uma casa "não é" uma cidade; contudo não é um "nada" de cidade, porque é uma das mil casas que constituem a cidade. Além dessa acepção puramente quantitativa, o problema do nada é basilar e dos mais intrincados da filosofia. Há, em primeiro lugar, o problema do nada no sentido cosmológico da existência de um vácuo, de espaço vazio, cuja possibilidade já fora rejeitada pela maioria das escolas gregas, o que foi reforçado pelas teorias modernas. Do problema cosmológico do nada resulta um problema metafísico, no momento em que as coisas do mundo visível são reconhecidas como transitórias e não eternas, de maneira que antes de existirem eram nada. Ora, é uma atitude típica do pensamento grego conceber as coisas não existentes não como nada, mas como "encontrando-se no nada". Isso implica ainda que inconscientemente uma valoração positiva do nada, que aparece como um segundo mundo, menos substancial, o mundo da não-existência, mas que de qualquer maneira não deixa de ser algo. Assim Platão ao lado do seu mundo real das idéias, admite um outro mundo do não-ser (mé on), como matriz da qual as coisas reais são criadas. Em Aristóteles, o conceito do nada se prende ao conceito da potencialidade. Visto que tudo passa do estado potencial para o de uma forma de quase subsistência, e as coisas potenciais são e não são ao mesmo tempo. Simultaneamente o fato de que certas coisas potenciais não cheguem à atualização, conduz à idéia de privação e imperfeição.
O problema do nada como imperfeição, como falta de uma coisa que devia ter lugar, ocupou particularmente os neoplatônicos que converteram o problema metafísico em um problema ético. O não-ser, como privação aderente ao ser do mundo físico, reduz as manifestações desse mundo a um grau inferior do ser, e é ao mesmo tempo a causa do mal. No mesmo sentido a escolástica que equipara "ser" e "bem" (ens et bonum convertuntur) define o mal como um defeito, privação, falta do bem (defectus bonis). Nesse sentido ético o nada aparece como oposição absoluta e negação peremptória do ser e não aceita, como nas várias acepções metafísicas e cosmológicas, uma interpretação de qualquer maneira positiva, como a encontramos em pensadores medievais que até chegam a declarar que, desde que Deus criou o mundo do nada, o nada pertence à essência de Deus. O ponto de vista aristotélico foi retomado e desenvolvido por Hegel, que considera o dever como a última e absoluta realidade, um fator negativo é tão necessário como o positivo. A proclamação hegeliana da identidade do ser e do não-ser tenta resolver o problema de maneira muito peculiar. Outros pensadores, muito longe de tal identificação dos extremos mais opostos que se podem imaginar, trataram de esclarecer a idéia do "nada absoluto" em sua mais rigorosa acepção. Enquanto alguns afirmam a possibilidade de tal idéia, outros a rejeitam por razões semelhantes àquelas que Bergson formula na observação seguinte: "A idéia do nada absoluto, compreendida no sentido de uma abolição de tudo, é uma idéia que destrói a si mesma, uma pseudo-idéia, uma simples palavra. Se suprimir alguma coisa consiste em substitui-la por uma outra, se pensar a ausência de uma coisa só é possível pela representação mais ou menos explícita da presença de qualquer outra coisa, a idéia de uma abolição de tudo é tão absurda como a de um círculo quadrado.
. Há mais, e não menos, na idéia de um objeto concebido como ‘existente’ , porque a idéia do objeto ‘não existente’ é necessariamente a idéia do objeto existente, aumentada pela representação de uma exclusão desse objeto da realidade atual tomada em bloco".
Crítica: Não propôs Platão que houvesse alguma coisa fora do ser, porque nada há fora dele. O nada não é um ponto de partida para o ser, como não o é também no pensamento cristão, pois é uma ingenuidade pensar-se que a creatio ex nihilo indicasse uma gestação do ser ele nada, pois o Criador é eterno e é Ser e antecede ontologicamente e por dignidade à criatura. Entre ser e não-ser há apenas uma relação de razão. Ao comentar a criação ex nihilo, Tomás de Aquino diz: "Deus facit ex nihilo... non quod nihilum cedat in substantiam rei, sed quia ab ipso tota substantia rei producitur nullo alio suppositos"(Summa Theol., I, q. 41, a 3, c). Não há assim um supósito anterior, de onde o criador tirasse os entes criados (criaturas). Ao criá-los, deu-lhes o ser. É nossa imaginação que concebe, sem contudo poder entendê-lo, esse abismo de nada anterior à criação.
Quando Platão postula que há previamente o ek mageion amorphon, que é informado, determinável pelo ato, que o determina, não o afirma anterior cronologicamente à criação, pois o conceito de determinante implica simultaneamente a determinação, já que o ato de determinar é de vetor inverso ao sofrer determinação pois, para determinar é preciso que algo seja determinado.
O ser não pode proceder senão do ser, o que subtende a participação. No pensamento cristão, como o demonstrou Tomás de Aquino, a participação está implícita na criação, esta não pode ser compreendia sem aquela, e ao contrário. Compreende-se então que não era infenso a Platão o pensamento criacionista, não naturalmente com as características e a precisão que teria no pensamento filosófico cristão. A metáfora do demiurgo (do artesão) completa a estrutura ontológica da criação-participação, conceitos inseparáveis e vivos em todo o pensamento filosófico mais elevado. Se cabe a Tomás de Aquino o papel de reunir num só bloco esses dois conceitos, não se pode negar que foi inspirado no pensamento platônico, que conseguiu através do empirismo aristotélico, fundar as bases de uma concepção cristã, que é mais profundamente platônica do que inspirada no Estagirita.
A especulação em torno do nada leva-nos a classificá-lo de quatro modos:
1) Nada absoluto (que chamamos nihilum) que é a ausência total e absoluta do ser, a negação absoluta, que é absurda.
2) Nada absoluto parcial, a ausência absoluta de ser (vacuum), um oceano de nada, cercando uma ilha de ser. Pensamento também absurdo não de per si, mas segundo demonstração.
3) Nada de ser criacional antes do ser criacional, que é apenas o possível de ser feito, que cabe ao possível de fazer. A potência de vir-a-ser ante o poder de determinar. É o mé on de Platão, o Meon, como o chamamos, que é objeto da Meontologia, cujas bases estão expostas em nossa Filosofia Concreta.
4) Nada relativo o não-ser isto ou aquilo, o nada da nossa experiência.
Dicionário de Filosofia e Ciência. A partir da p. 999.
Concluindo, há que se diferenciar o nada relativo do nada absoluto; o quantitativo do qualitativo; o material do espiritual.
O nada absoluto, qualitativo e metafísico não existe, pois a Criação é a atualização das potências contidas na mente divina. Deus pensa ao criar, ou seja, antes da coisa concreta existir em ato, já existe em potência na mente divina. Do contrário cairíamos no absurdo de negar a presciência divina.
Eu infelizmente discordo de todas as coisas ditas aqui - o NADA é exatamente o "tudo" transcendido. O "nada" é o nome que se dá para aquilo que CONTÉM o "tudo" e o ultrapassa, transcende: portanto, dentro de uma lógica maior, aquela que lida com infinitos diversos entre si, o "nada" é um infinito MAIOR do que o "tudo", uma vez que o contém.
Por esta razão é que do infinito ao qual chamamos "nada" foram criados todos os outros infinitos aos quais chamamos "tudo". Mas o sujeito que tentou explicar essas coisas acabou perecendo e foi chamado de louco. Essas coisas se entendem, mas não são explicáveis.
Deus fez tudo desse nada?No nada?"Onde" se localiza essa criação?Estamos dentro de Deus sem sê-lo?
Metaforicamente, sim, poderia-se dizer que nos localizamos "dentro" do Infinito, isto é, Deus.
É que a "localidade" (topicidade) é já parte da Criação, entende? Como o tempo.
Assim, somos criados, existimos e nos movemos metafisicamente "intra".
Mas na verdade a questão é mais complicada do que isso.
Os escolásticos diziam que a Criação se dá ad intra e também ad extra, do contrário não haveria a máxima das diferenças, que é a entre o Criador e a criatura.
O infinito não é "percorrível" (pertransibile, no termo escolástico).
Assim, o Ser (no sentido mais aristotélico possível) é que é o meio em que se dá a Criação, e não propriamente "o Deus", verdadeiramente absoluto e infinito.
"Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível".
Epístola aos Hebreus 11.3
Ou seja:
"Pela fé reconhecemos que o mundo(o Kosmos,no original grego.A matéria)) foi formado pela palavra de Deus(o fator espiritual) e que as coisas visíveis(materia) se originaram do invisível(espiritual)".
Agora,COMO ocorreu isso,o lado "técnico",não entrarei em especulações.
"As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem..."
DEUTERONÔMIO 29.29