Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

"É a cultura, estúpido!"

Iniciado por adermir em 14/04/2007 · 52 mensagens · página 1 de 2

adermir#1
Resolvi abrir esse tópico parafraseando a famosa frase de Clinton no debate com Bush (pai), referindo-se a economia. Meu objetivo é propor uma questão aos colegas: a hegemonia esquerdista passa pelo aparelhamento das instituições e dos meios de comunicação, de modo a excluir de qualquer possibilidade de debate as posições ditas conservadoras e impondo como o máximo de direitismo admissível a social democracia tucana.
Como podemos reverter esse quadro atual e derrotar esse esquema? Quais as saídas?
eco_orkut#2
Os liberais e conservadores devem se antecipar no processo de formação dos jovens. Quem forma os jovens, formará o futuro juiz, jornalista, sindicalista, vereador, deputado, presidente..

O sucesso esta em se antecipar, dando ao jovem uma bagagem que o blinde contra a propaganda esquerdista,

não lhe dando outra lavagem cerebral, mas lhe dando capacidade de discernimento diante de um demagogo que promete lutar pelos pobres..
inocncio#3
Sim, sim. Tudo muito bom. Porém vocês esquecem um pequeno detalhe: a guerra cultura é uma estapa "pacífica" para um guerra armada. Isso se chama "guerra revolucionária".
Em miúdos quer dizer o seguinte:

1- A esquerda quer a revolução, custe o que custar;
2- Eles já tentaram duas vezes pela via armada: 35 (Intentona) e 64 (contra-revolução);
3- Nas duas o Exército os venceu de forma humilhante. Em 64 foi muito pior para eles;
4- Nada disso foi esquecido. Podem ter certeza;
5- Com as derrotas a esquerda aprendeu que o Exército é o grande obstáculo para a revolução. Assim sendo esqueceram "temporariamente" a luta armada e partiram para uma nova estratégia: a luta cultural;
6- Quando descobriram a social democracia e Gramsci, começaram a apelar para o objetivo "democrático", enganando a direita e fazendo as pessoas acharem que eles lutavam pela democracia;
7- Injetando anti-valores continuamente na sociedade e envenenando a opinião pública contra o Exército, a esquerda gradativamente foi minando as forças que dão sustentação ao país e ao Exército dentro da sociedade. O país foi sendo gradativamente corroído por dentro;
8- Quando não restar mais a menor chance de resistência ao Exército virá a etapa revolucionária com a luta armada;
9- Embora o processo em si seja pacífico, não quer dizer que após a revolução ele será pacífico;
10- Ninguém quer morrer durante essa transição (da democracia burguesa para a democracia socialista. Mas se for necessário, eles vão matar, não tenham dúvidas);
11- Ninguém na direita tem um plano estratégico, uma unidade de ação, dinheiro e principalmente coragem para enfrentar isso. Mais: a igreja está do lado deles. Tem mais essa, para piorar tudo;

E ai, como vamos fazer? Eu não vejo solução para isso não. Eu estou como o Olavo: acho que a vaca já foi para o brejo.
priscila#4
Eu cheguei à conclusão que não é exatamente a esquerda que vai dominar, ou sobrepujar.
É a burrice, a indigência mental, a estupidez.
E já dominou. Tem mais jeito, não.
orkut_5#5
É a burrice, a indigência mental, a estupidez.
E já dominou. Tem mais jeito, não.

Perfeito, concordo integralmente. Já era, só o aeroporto agora (e até esse já tá dificil)
orkut_5#6
É a burrice, embora seja inegável que é a esquerda que catalisa esse processo
priscila#7
É, Flávio, até o aeroporto tá difícil, é verdade...

Bom, a coisa foi veloz, e é mundial - não mais que de repente, estamos cercados pela estupidalha, comunista ou não, e dá no mesmo, porque é um bando de macacos completamente sem noção de moral, sem vislumbre de decência, e sem um mínimo de bom-gosto.

Eu estava assistindo a um programa de televisão que me deixou tão feroz que tive que parar de ver - um tal de "Saia Justa", que tinham me indicado (!!!!! - a mim, que não fiz nada pra merecer ver um bando de mulheres dizendo uma idiotice atrás da outra, coisa que me irrita mortalmente), e vou aproveitar o mau-humor pra dizer que é isso: muita, mas muita imbecilidade! E um imbecil puxando o saco do outro, a cambada inteira com caras e bocas, uma vergonha e um insulto à nossa inteligência!

O assunto era aborto e eutanásia - e eu lá, com a minha canequinha de café... Vou te contar! Dose!
adermir#8
Puxa, Priscila, que pessimismo... A burrice realmente impera, mas não me parece que isso seja exclusivo dos nossos tempos. Rui Barbosa já reclamava disso há cem anos, e não sei se antes não era muito melhor.
Concordo com o Toth que a dominação cultural é só uma etapa do processo revolucionário e não há nada que garanta que não partirão para a violência mesmo que seu domínio seja total.
Mas não é possível tirar a vaca do brejo de jeito nenhum? Ou devemos inverter Gramsci, como se sugeriu aqui?
Uma coisa eu sei: não resolve fundar um partido político, porque ele entrará inevitavelmente na geléia geral.
Mas concordo com quem disse que influenciar a juventude é o caminho.
priscila#9
Ó, Adermir, isso não é mais possível!
A juventude "impermeabilizou-se", é refratária, não QUER mais saber! Olhe para o início do modelo, amigo: a quebra foi do início.

No "querer" - não no "poder".

Você quer restituir o "poder" a quem não tem mais (ou nunca teve) o "querer".
O que quer dizer que, mesmo que tivéssemos um governo com vontade de empenhar recursos para ensinar (decentemente, e esforçadamente) - não existe mais quase ninguém que queira aprender!

Pessimismo? É isso aí.
Absoluto? É isso aí, também.
priscila#10
E não, não é exatamente - ou não é unicamente a "esquerda":
É o Mal.

O comunismo é uma das faces do Mal - não é O MAL por inteiro.

Quem é, então, o Mal, a hidra de milhares de faces da mitologia?
Aprendam a reconhecê-lo, onde ele estiver: e, quando enxergarem qualquer uma de suas cabeças, saibam que existem muitas outras, além da que estão vendo.

Eu penso que isto é básico...
breno_2#11
Concordo plenamente. Qualquer ação política sem respaldo cultural está condenada a fracassar ou a ser um mero paliativo.
getlio#12
O Brasil é de direita, o Brasil apesar de todo o ataque satanista-esquerdista ainda é de direita, o que temos de ter é uma mídia de divulgação de idéias, e fiquem claros meus caros que se a idéia for a de que o povo brasileiro é buro, misturado demais, e que o brasil não tem jeito, acabou, desistam.
Então a primeira coisa à fazer é limpar a nossa grupo!!!
Depois planejar um Brasil diferente(só alguns princípios).
E por fim arranjar uma mídia, nem presisa ser tv, a direita americana tem sua maior força nas rádios.
E quando isso tiver em prática vão chover aliados, até mesmo políticos.
priscila#13
Bom, respaldo cultural é muito bom e eu recomendo, mas tem a particularidade de vir depois de respaldo moral - senão não adianta tentar dá-lo a ninguém.

Se não fosse assim, a caterva que tem condições pra estudar, dinheiro pra pagar o dito estudo até em centros de excelência, recursos pra comprar bons livros e aprender sozinho, disponibilidade de tempo pra se dedicar ao estudo com afinco, etc - e NÃO FAZ NADA DISSO PORQUE NÃO QUER - não existiria, né não?
E nâo só existe como é mesmo a maioria.
Raros são os que se empenham, que têm interesse e método - e isso vem muito mais de uma procura interna do que de uma oferta externa.

Espantoso ver que vocês pensam que uma melhor oferta de cultura, por si só, adiantaria alguma coisa.
O desejo de aprender depende de uma condição intelectual que inclui a valorização íntima do ato de aprender, apreender, conhecer, se conscientizar - e essa valorização é, acima de qualquer outro, um processo MORAL. Básico. Indiscutível. Óbvio.
priscila#14
É exatamente AÍ, nesse ponto, que a esquerda age: torna-se o ensino uma arma de manipulação não exatamente fornecendo uma porcaria de ensino - mas convencendo as pessoas de que aprender é uma pedanteria inútil e antipática, que não serve pra nada e além de tudo é chata.
Podemos verificar a existência de TODA UMA GERAÇÃO de brasileiros de classe média e alta, hoje, que NÃO SABE ESCREVER!!!!! E não sabe MESMO: vocês estão pensando que aqueles "axo", "naum", e "kkkkk" existem porque não houve quem os ensinasse a escrever decentemente?

Não estou falando de pobre, estou falando de jovens que usam computadores desde pequenos, e têm acesso a livros (que não leem), e têm acesso à cultura (que desprezam, porque o modelo é esse)!

Se subitamente, por uma circunstância miraculosa, o ensino público brasileiro adquirisse da noite pro dia um padrão que nós considerássemos razoável - estou falando de nós no sentido de nós aqui, desta comunidade - os jovens desta geração escreveriam diferente? Se interessariam em aprender? Quereriam conhecer o mundo em que vivem, ou a história de quem são?

Ledo engano: se não se trocasse o modelo (i)moral que leva a isso, a única coisa que aconteceria seria transformar um imbecil analfabeto para o qual se usa a desculpa de não ter aprendido porque não pode - num imbecil analfabeto que não tem desculpa nenhuma.
E a horda dos imbecis analfabetos continuaria aumentando.
priscila#15
Quero deixar claro que sou a favor que se melhore - meu Deus! É claro! - o infame padrão de ensino brasileiro!
Minha intenção é apenas chamar a atenção para o fato que tal providência, sozinha, não resolveria absolutamente NADA: e pensar diferente, na minha opinião, é - no mínimo - uma ingenuidade!
´
As coisas devem ser, por dever de coerência, de lógica, de inteligência, ser hierarquizadas para que funcionem. Atropelar as coisas, confundindo causas e conseqüências, não nos tira do "atoleiro" em que o país está afundado até a raiz dos cabelos.

É a imbecilização que provoca a ignorância - e não o contrário! DEPOIS é que passa a existir o mecanismo de feed-back, com uma coisa alimentando a outra, incessantemente.

Pra cortar o círculo vicioso, o correto é agir na sua causa inicial - caso contrário ela continuará a atuar, e o problema persistirá ad infinitum.
fbio_6#16
De facto, a situação é péssima. Mas, como já foi dito, o problema não é exatamente económico ou político, e sim cultural. Sendo uma guerra cultural, a resposta deve vir no campo cultural. E isso JÁ VEM ocorrendo, seja aqui no orkut, seja nos vários sites e blogs liberais-conservadores brasileiros, sejam nos (poucos) livros sobre o tema que se podem encontrar nas nossas livrarias.

A situação é preta mas não é irrecuperável, pelo menos ainda. Se nos mobilizarmos EXATAMENTE nesse campo cultural, podemos reverter o quadro. Afinal, não foram uns poucos esquerdistas e começaram a dita revolução que, com o passar do tempo agigantou-se até o volume que hoje possui? Por que não podemos fazer o mesmo? O Olavo já deu vários conselhos de como um autêntico movimento liberal-conservador deve atuar no Brasil, então, pq não segui-los? Acaso pensam que esse derrotismo ajudará em alguma coisa?
priscila#17
Não, meu amigo, derrotismo não ajuda ninguém a vencer.
Mas não é derrotismo dizer que a briga tem que se dar através de uma recuperação moral - é competência, apenas.

Foi através da quebra de um paradigma moral que a esquerda venceu o Brasil, esse país que elegeu uma caterva por DUAS vezes, e a apoia incondicionalmente, mesmo conhecendo sua imoralidade - para a qual NÃO LIGA!
Será através da recuperação do paradigma perdido que se poderá anular os efeitos da quebra - seguindo, inclusive, seu próprio (e correto) raciocínio, de "atacar onde se foi atacado".

Se os alicerces foram destruídos e a casa caiu, de que vale querer consertar o telhado?
priscila#18
Eu não sei se muita gente lê o que se escreve aqui, ou particularmente lê o que eu escrevo.

Mas, de qualquer forma - se alguém lê, poderá facilmente verificar que tudo o que digo agora não é senão a conseqüência óbvia e prática de um ponto de vista absoluto e portanto inabalável, já explicado muitas vezes: a defesa da consciência, e não unicamente a defesa da razão - pois sem a consciência a razão não é capaz de inteligir, e nenhuma providência existe, fora da consciência, que nos livre da derrocada rumo à desumanização completa.
fbio_6#19
Se os alicerces foram destruídos e a casa caiu, de que vale querer consertar o telhado?

Precisamente por isso é que os liberais-conservadores têm de entender de uma vez por todas que nada conseguirão se se limitarem a discutir pormenores econômicos ou administrativos. Eles ( e incluo aí nós cá da comunidade) tem de encarar a guerra cultural. Só através dela é que o liberal-conservadorismo terá alguma chance.
fbio_6#20
it's the end of the world as we know it to be!

But we ca do something to end this catastrophe.
adermir#21
Então, deveríamos dizer: 'é a moral, estúpido?' ao invés de 'é a cultura, estúpido'?

Bem, eu CONCORDO. O que me parece é que a moral também é um componente da cultura por que se quer guerrear. Quando falo em cultura não estou me referindo a educação (outro componente), mas à transmissão de valores e costumes. Aliás, acho que é nesse sentido que Olavo aborda o tema, smj.
priscila#22
Adermir, querido amigo: minha palavra de honra que eu só não abri um tópico com esse título porque tive receio de que você ficasse sentido comigo!!!!!

Mas foi EXATAMENTE o que pensei: "É a MORAL, estúpido!"
priscila#23
Sim, claro, eu tenho certeza de que concordamos!
A moral é a base de qualquer cultura, ou então a cultura não é cultura porcaria nenhuma.
É isso mesmo que eu quis dizer - porque vejo que existe um esforço (muito bem-intencionado, talvez) de muitos que não percebem isso, e julgam que um valor meramente de "saber sobreposto" vale alguma coisa, e se esforça pra defender esse modelo, julgando que seria uma solução.
Que não é.
priscila#24
Tem razão, Murilo: o Bom e o Belo são a face perceptível da Verdade.
Muito bem dito!
priscila#25
Antonio, você tem razão! O Bem vale muito mais que o Mal - seu raio de ação é maior, sua força é maior.

Metaforicamente, o Bem é o leão, e o Mal é a hiena - como eu disse num outro tópico.
A hiena precisa se multiplicar profusamente pra vencer o leão.
E ESTÁ conseguindo fazer isso.

O Mal detesta, inveja e teme o Bem - e o Bem não teme o Mal, por isso muitas vezes o subestima.

Não esmoreça! Fique calmo, e fique atento! Seu filhinho estará seguro, enquanto você pensar assim.

Palavra de uma antiga leoa, acostumada a vencer - como não!!!!!
adermir#26
Aliás, é em casa que temos o primeiro campo de batalha dessa guerra: incutir nos NOSSOS FILHOS os valores da decência, da honestidade, da moralidade e da virtude, entre outros. Se lhes dermos essa base, eles podem até cair no canto das sereias (como eu e vc caímos, né Priscila? - eu vi seu depoimento no outro tópico), mas vão por si mesmos reencontrar o caminho.
priscila#27
Mais valor tem a vitória, amigo, quando vem de uma luta difícil, não?
Sossego é premio da escolha certa - e tropeçar faz parte do andar.

(Eu hoje estou meio "aforismática", meu filho está me avisando que mais chata, impossível!
Me mandou parar imediatamente, antes que eu comece a perorar sobre o valor eventual da chatice... !)

Bom, enfim - é isso aí.
Grande abraço!
wellington_4#28
Solução: CONTRA-REVOLUÇÃO cultural.

Se a esquerdalha correr pra luta armada. Toma chumbo das FFAA.

Na minha igreja (protestante) eu fiz uma mini-palestra no retiro deste ano baseada na palestra "Marxismo cultural" do Padre Paulo Ricardo ( http://www.padrepauloricardo.org/filosofia/ ). Uma cópia dos slides que apresentei estão aqui  http://up-file.com/download/a109b5777295/Revolu--o-Cultural.zip.html

O tema do retiro era “Santidade”. Falei do Marxismo Cultural (Revolução Cultural) mostrando ele como uma “ANTI-Santidade” (ele é isso mesmo). Utilizei como base o livro “Seitas e Heresias: um sinal dos tempos” (ele fala do comunismo marxista) e o texto de Colossenses 2: 6-8 e espanquei marx, engels, o marxismo clássico, o marxismo cultural, o comunismo, as novelas da globo, professores “revolucionários”, etc. Segui a mesma linha do Padre e enriqueci um pouco (mostrando exemplos).

Como a maioria do pessoal era jovem eu falei para eles tomarem cuidado com seus professores, principalmente nas universidades (aqui tem muita gente que depois que entra na universidade abandona a igreja). Falei tanta coisa, citei até um trecho do Jardim das Aflições (“A incapacidade de um povo... etc...”).

O único problema foi o palestrante (nunca tinha feito isso, além de não saber me expressar bem, eu fiquei muito nervoso ). Mas a galera gostou muito (inclusive os graduados, mestrandos e universitários). Agora eles estão “ligados”, quando ouvem o nome “marx” saem correndo. Todo domingo tem um "mini-debate" depois culto (minha namorada não tá gostando nem um pouco )

Vou fazer o vestibular para licenciatura em história ou geografia. Contra-revolução Cultural os militares não podem fazer.
wellington_4#29
Marx depois da pelestra.. --> imagem
http://www.hicksville.co.nz/Socialism%201.GIF
wellington_4#30
hehe. foi mal. eu nem sabia. procurei rapidão na net um servidor de arquivos e nem reparei nisso. me desculpem.
andr_3#31
"Na época em que eu era de esquerda..."

Caramba!!!!!

Você conseguia ser mais esquerdista do que já é hoje???????????
diego_10#32
Em suma: ocupar espaco, sem temer o debate.
Outro detalhe interessante (que discutia com um amigo ha um tempo atras): falta-nos uma "grife".
Nao entendo como existe gente que desfila camisetas/tatuagens de bandidos como "Che" e Mao, na maior cara de pau!
Por que nao fazemos o mesmo com icones conservadores?
priscila#33
Bom, analisar a diferença entre moral e cultura equivale a analisar a diferença entre razão e consciência - sim, eu sei, isso é uma categorização, uma ordenação, uma tentativa de sistematizar.
Que, como qualquer tentativa do gênero, tem falhas e é meio grosseira: mas é obrigatória, senão a gente não se entende.

A razão e a consciência precisam interagir para que o fenômeno da inteligência se realize, ocorra, aconteça.

Esta é a minha tese: sob o ponto de vista religioso, ela significa a interação do conhecimento e da fé; sob o ponto de vista da física quântica, ela significa a interação de um processo algorítmico e de um processo não-algorítmico; sob o ponto de vista filosófico ela significa a interação da razão e da consciência; sob o ponto de vista político ela significa a interação da cultura e da moral.

Pode ser vista como a interação do relativo (representado pela razão) e do absoluto (representado pela consciência) - e este é o modo pelo qual eu, pessoalmente, tendo a encarar a coisa.
Cada um de nós, por circunstâncias, é dono de um "potencial racional", que eventualmente se expressará numa aquisição de cultura. Quem é dono de mais razão, mais curiosidade terá, e mais vontade de aprender. Privado dessa aquisição, o Fulano se sente incompleto, desconfortável - privado, mesmo. Vai "sentir a falta".
A razão é formidável - mas a capacidade racional não é a mesma para todos. Ela é, portanto, relativa: em termos matemáticos, isto pode ser expresso através do "comprimento do algoritmo", que não é sempre o mesmo - a rigor, não é NUNCA o mesmo - pra cada um de nós.
A consciência é ABSOLUTA: existe ou não. Diferente da razão, ela não pode ser medida, não TEM mesmo medida.

Eu tenho como verdade que TODOS os humanos a possuem - este, é claro, é um ponto-de-vista definitivamente religioso - embora não pertença exclusivamente a uma única religião.
O Judaísmo e o Cristianismo tocaram no assunto de forma explícita, enfatizando a idéia de aliança entre Deus e os homens.
priscila#34
A consciência - no sentido em que eu uso a palavra, e que muitas vezes é mal compreendido, mas eu não consigo encontrar outra melhor! - é a ponte para o Transcendente.

A interação da razão e da consciência, a indefinível e resplandecentemente verdadeira inteligência humana, é o resultado final pretendido por Deus: é a síntese, é o ser criado respondendo ao Criador, é o completamento do desígnio, é o Pai se alegrando no filho e o filho se alegrando no Pai.

Bom, estou talvez me desviando do propósito do post - que seria dizer que, na minha opinião, moral e cultura TÊM que interagir, e no momento não estou vendo moral nenhuma, e portanto não adianta vir com cultura nenhuma porque ela não vai ter com o quê interagir, e ficamos todos como antes, no detestável e pífio atoleiro!
adermir#35
Adermir
Já leu o último artigo do Olavo ( http://www.olavodecarvalho.org/semana/070416dc.html )?
Acho que tem tudo a ver com o seu tópico.

Tem MESMO. De vez em quando o Olavo aparece respondendo alguma questão que estou formulando antes mesmo que eu a verbalize...
Mas ele já falou do assunto em outros artigos.
adermir#36
"Respondendo a pergunta inicial de Adermir suponho que precisaríamos:
- Unir conservadores e liberais em um grupo coeso com objetivos de comum acordo que possam ser metrificados.
- Formar frentes de trabalho de ação social,jornalística, sindical, estudantil, religiosa, cultural, econômica e política.
- Agir ontem."

Pergunto: quem são os conservadores? E que liberais? Se os objetivos de "comum acordo" se limitarem a uma agenda economicista, então não será guerra cultural, e ficaremos presos à agenda dos esquerdistas. Esse negócio de "povo unido" me desagrada muito. Nos pontos comuns de defesa da liberdade de mercado, etc, não é preciso fazer agenda nenhuma. E quando vamos tratar da questão moral, fica impossível. Qual será a agenda comum no trato de questões como aborto, eutanásia, casamento gay? Os liberais que defenderem posições mais conservadoras a esse respeito serão realmente liberais? Porque esses não se confundem com os chamados "libertários" (que pra mim não passam de "liberotários" porque não percebem o quanto sua agenda é exatamente o que querem os totalitários.
adermir#37
"Embora eu não ache que exista um domínio cultural esquerdista, existe claramente um domínio cultural anti-liberal (o que não é exatamente a mesma coisa). Está faltando um "Gramsci liberal" para teorizar sobre o assunto. No caso dos conservadores, eu acho que a coisa vai por outro lado, já que, conforme bem definiu a Priscilla, a moral ganha mais importância do que a cultura."

Heim????? O que é um domínio cultural anti-liberal e no que se diferencia do domínio cultural esquerdista? Quem disse que Gramsci "teorizou" alguma coisa? Sua obra é um plano estratégico de ação comunista, não uma teoria! E os conservadores? Fazem parte desse suposto "domínio cultural anti-liberal? E quando você fala de liberal, do que está falando? Liberal clássico? Liberal revolucionário? Anarcoliberal? Liberotário?
adermir#38
E como se separa a moral da cultura?
adermir#39
"Sim, claro, eu tenho certeza de que concordamos!
A moral é a base de qualquer cultura, ou então a cultura não é cultura porcaria nenhuma.
É isso mesmo que eu quis dizer - porque vejo que existe um esforço (muito bem-intencionado, talvez) de muitos que não percebem isso, e julgam que um valor meramente de "saber sobreposto" vale alguma coisa, e se esforça pra defender esse modelo, julgando que seria uma solução.
Que não é."

De novo, concordo plenamente. Tenho certeza de que esse "pessimismo" que você mostra não é pessimismo coisa nenhuma, é vontade de tirar da boca dos sabidos de plantão as respostas voluntaristas e ingênuas e fazê-los pensar. Só de ver a paciência com que você discute com o Marco Moscão ou com outros por aqui dá pra ver que você é, na verdade, um poço de esperança.
priscila#40
! Sou, claro que sou, amigo!
adermir#41
"é a Verdade, o Bom e o Belo. Qualquer um que tenha meditado um pouco sobre o significado destes atributos divinos e os tenha encontrado em grandes obras de arte e feitos humanos não pode deixar de enxergar o horror que é o mundo moderno. Horror moral, intelectual e estético."

Concordo plenamente. Nossa "cultura" atual é a da relativização do belo e do bom, e portanto da negação da Verdade. Cultura é meio, verdade é fim. Concorda?
adermir#42
"Nao entendo como existe gente que desfila camisetas/tatuagens de bandidos como "Che" e Mao, na maior cara de pau!
Por que nao fazemos o mesmo com icones conservadores?"

Sugestões?
adermir#43
Neste momento estou com meu filhinho de 11 meses no colo e é nele que penso quando proponho o ingresso na "Guerra cultural". Porque não o quero sujeito a essa degenerescência que tragou o menino João Helio aí no Rio. Sentimental? Pode parecer. Mas em mim é um sentimento profundo, algo que parte de uma experiência de vida, e não do exame de teorias expostas em prateleiras de estantes.
A experiência de um filho nos dá uma certa dimensão de transcendência que vejo que muitos dos meninos que falam por aqui não têm.
lusafonso#44
Li muitas posições desta discussão. Meu posicionamento é:
"Unir liberais e conservadores pelos seus pontos comuns"(como disse o Flávio) - só vai se dar na defesa do livre mercado. Se passar para moral os liberais ficam com a esquerda "libertária". De "É a moral" vai passar para "é amoral!" rapidinho. Esta agenda comum já existe no Brasil, com parcos resultados. Liberais não querem ficar com os conservadores por que acham que eles "diminuem" os horizontes do liberalismo...
O Ademir tocou num aspecto fundamental: a herança dos valores.
Eu já pensei que o que me motivou desde sempre a ser conservador é o sentimento de dar apoio aos meus pais. É difícil explicar mas seria uma espécie de "honra", não aquela usada como justificativa para atos insanos de ciúme e paixão, mas aquela intuição da virtude que sempre me levou a questionar os meus medos e agir de acordo, principalmente quando achas que não está a altura dela. Este é o ponto de virada.
Não acredito em salvação para o Brasil e os brasileiros que não passe pela percepção de nossa profunda fragmentação moral. Um povo não pode ter consciência da própria miséria política e moral se não tiver a exata noção disso para consigo mesmo.
Então tudo que vá neste sentido seria o caminho. Depois de recuparada a "alma", aí podemos pensar em partido político, economia e tudo mais...
diego_10#45
Churchill, Hayek, Nabuco...
diego_10#46
Eh,eh,eh...
Ou com a explicacao nas costas...
adermir#47
Ótimo. Mas só de andar com a camiseta já desperta a curiosidade... HEHE
adermir#48
Vamos lá, Flavio: quais são os pontos DE CULTURA E MORAL em comum? Ou vamos ficar juntos só na defesa do livre mercado?
inocncio#49
"É a moral" vai passar para "é amoral!" rapidinho. Esta agenda comum já existe no Brasil, com parcos resultados. Liberais não querem ficar com os conservadores por que acham que eles "diminuem" os horizontes do liberalismo...

Isso é a maior verdade. Vide Collor elogiando Lula pela "solidez da economia". Liberais só sabem falar de dinheiro, essa é a verdade. Se os indicadores econômicos estão bem (dentro do conceito deles de bom) então está tudo bem.
Tanto que Collor sequer se esforça para tecer uma crítica a Lula no aspecto moral. O aspecto moral é irrelevante. Só foi usado uma vez por Collor para ganhar uma eleição (quando acusou Lula de abortista).
inocncio#50
Ele é patrimonialista!

Existe o partido patrimonialista? Onde está a sede do movimento patrimonialista? O patrimonialismo existe mesmo? Eu querer ter um patrimônio é patrimonialismo?

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