Criticando Bush, Hillary Clinton pede reforma do governoNicholas Confessore
Em Manchester, New Hampshire
Dizendo que os últimos seis anos "abalaram a fé de muitos americanos em nosso governo", a senadora Hillary Rodham Clinton propôs nesta sexta-feira (13/4) uma série de iniciativas para tornar o governo federal mais competente, eficaz e econômico.
Em um discurso abrangente que criticou o governo Bush pela forma como lidou com o furacão Katrina, pela controvérsia em torno da substituição de promotores federais e pelos contratos fraudulentos do governo no Iraque, Hillary caracterizou a atual Casa Branca como sendo "um retrospecto desconcertante de clientelismo e corrupção, incompetência e fraude".
Em seu primeiro grande discurso político de campanha, ela propôs restringir severamente contratos sem licitação e disponibilizar online os detalhes de todos os contratos do governo, juntamente com os orçamentos das agências governamentais. Hillary também pediu pela ampliação da lei que protege os denunciadores para incluir funcionários do governo e disse que proibirá membros de seu Gabinete e outros altos funcionários do governo de fazerem lobby em prol de seu governo após deixarem seus cargos.
Mais notavelmente, Hillary propôs eliminar até 500 mil prestadores de serviço privados da folha de pagamento federal, uma medida que ela disse que economizará entre US$ 10 bilhões e US$ 18 bilhões por ano.
Ela atacou a rápida privatização de serviços públicos no governo Bush, dizendo que alguns contratados custam mais do que os funcionários públicos federais semelhantes e são menos competentes e menos fiscalizados.
"Pense apenas no que aconteceu ao Walter Reed", disse ela se referindo aos recentes relatos de mau atendimento e serviços naquele centro médico do Exército, em Maryland. "Quando o Exército foi forçado a terceirizar a manutenção para empresas privadas, o número de pessoas que realizavam a manutenção caiu drasticamente, a empresa começou a fazer economia, a qualidade do serviço caiu e nossos soldados pagaram o preço."
Um porta-voz da Casa Branca disse que é política do governo não comentar ataques políticos de campanha eleitoral.
O discurso ocorreu perante uma audiência em grande parte solidária: uma platéia lotada de cerca de 250 estudantes e corpo docente do Instituto de Política de New Hampshire do Saint Anselm College. Ela está em New Hampshire para dois dias de campanha no Estado onde ocorrerá a primeira eleição primária do país e planeja dois encontros ao estilo fórum para cortejar os democratas locais.
Ao mesmo tempo em que prometia reduzir o desperdício do governo, Hillary também propôs a criação de duas entidades governamentais e a recriação de uma agência extinta, o Escritório de Avaliação de Tecnologia. Tal escritório foi criado nos anos 70 para aconselhar o Congresso sobre novas tecnologias e avaliar o governo, mas foi abolida pelo Congresso republicano em 1995.
Hillary disse que os últimos seis anos demonstraram a importância de tal agência. "O governo tentou transformar Washington em uma zona livre de evidências, seja em pesquisa de célula-tronco embrionária, o anticoncepcional Plano B, poluição, aquecimento global, segurança de nossos alimentos ou qualidade de nosso ar", disse.
Lembrando os esforços do governo de seu marido de enxugar o governo federal, Hillary disse que criará uma agência para monitorar os subsídios públicos a empresas e ajudar a identificar desperdício e fraude. "Não se trata de governo grande ou governo pequeno", disse Hillary. "Se trata de governo inteligente."
Apesar de não ter quebrado qualquer cinzeiro do governo com um martelo -como o vice-presidente Al Gore fez em 1993 na televisão para ilustrar as regulamentações federais labirínticas- Hillary deu uma martelada retórica no governo Bush.
"Nos últimos seis anos, nós tivemos um governo que não acredita em menos governo", ela disse. Acusando o Partido Republicano de "desrespeito" pelo governo, ela afirmou que o governo usou as agências e contratos federais "como fonte de favores a interesses privados".
Tradução: George El Khouri Andolfato
The New York Times
Olha,
um Democrata dizer: "Nos últimos seis anos, nós tivemos um governo que não acredita em menos governo" para um republicano..
Democratas são imediatistas. E esses discursos "libertários" estão bastante em voga, até por aqui. Eles não aceitam políticas que não pensem apenas na economia. De que adianta economia se os EUA não se preocuparem com os inimigos? Liberalismo para uma pilha de escombros?
Aliás, sobre isso, recomendo a leitura do último artigo do Claudio Téllez, em
http://www.claudiotellez.org/ (A Importância de Fortalecer Israel).
Democratas e republicanos adoram falar em corte de gastos. Mas detestam colocá-los em prática.
Ou precisa-se de mais gastos por questòes sociais, para garantir a "qualidade do serviço" (e será que o aumento da qualidade justifica o aumento do preço? O governo não tem como dar uma resposta a isso além da opinião pessoal de algum governante); ou então é a guerra, a segurança externa, que precisa urgentemente de mais gastos!
Tudo discurso vazio e populista para justificar mais gastos e intervenções.
O único pré-candidato que tem a capacidade de mudar esse jogo ridículo e nocivo é o republicano Ron Paul; mas as chances dele são minúsculas...
Ann Coulter tem seus artigos ou algum livro traduzidos para portugues?
Gostaria de ler.
Bom, eu li o "High Crimes and Misdemeanors", que trata do affair Clinton. Ainda não li o "Slander", que critica os liberais americanos, e nem o "Treason".
Também não sei se foram traduzidos.
Leio a Ann aqui:
http://www.uexpress.com/
- Se você não entende inglês nenhum, pede pra alguém que saiba pra escolher um artigo de seu interesse, e me avisa que eu traduzo pra você. Só não prometo rapidez total, mas dou um jeito de "encaixar" no meu dia.
O artigo do Claudio está primoroso! E com um toque sutil de humor que eu, pessoalmente, adorei: a Europa buscando ser e tentando construir "um paraíso onírico kantiano" é ótimo, muito bem apanhado!
Parabéns de novo, amigo!