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Luc Ferry

Iniciado por edgard em 15/04/2007 · 4 mensagens

edgard#1
Copiado de http://veja.abril.com.br/180407/p_118.shtmlAprender a viver

O francês Luc Ferry pôs a filosofia nas listas de
livros mais vendidos – e sem baratear suas idéias


Filósofo fundamental do pensamento moderno, o alemão Immanuel Kant é complexo nas idéias e árido no estilo. O francês Luc Ferry, no entanto, leu a Crítica da Razão Pura quando tinha 15 anos. "Não entendi rigorosamente nada, mas tive a impressão de que aquele era um pensador importante, de que havia ali uma espécie de tesouro escondido", disse a VEJA o filósofo e ex-ministro da Educação da França, hoje com 56 anos. Ferry é autor de Aprender a Viver (tradução de Véra Lucia dos Reis; Objetiva; 304 páginas; 37,90 reais), um livro de divulgação filosófica que discute, de forma acessível mas séria, autores como Nietzsche, Husserl e Heidegger. A obra vendeu impressionantes 230.000 exemplares na França e respeitáveis 14.000 no Brasil. Já aparece há seis semanas na lista de mais vendidos de VEJA. Feito talvez mais extraordinário do que a precocidade de sua formação filosófica, Ferry transformou a filosofia em best-seller.

O desejo de ampliar a audiência da filosofia vem desde os anos 70, quando Ferry dava conferências públicas sobre o tema. Seu renome intelectual deve-se sobretudo à polêmica lançada por um livro escrito em conjunto com o colega Alain Renaut: O Pensamento de 1968 – Ensaio sobre o Anti-Humanismo Contemporâneo, de 1985, atacava as doutrinas da "crise do sujeito" defendidas pelas vacas sagradas da academia francesa de então – Foucault, Derrida, Lacan, Bourdieu – e propunha uma "refundação" do humanismo. Embora os dois autores tenham sido tachados de "jovens reacionários", Ferry também tem um bom trânsito entre os socialistas franceses.
edgard#2
Por seu apartamento em Paris costumam passar figuras tão diversas quanto o atual candidato presidencial da direita francesa Nicolas Sarkozy, o ex-primeiro-ministro socialista Laurent Fabius e a modelo-e-cantora Carla Bruni. Ferry teve uma breve passagem pela política, como ministro da Educação do governo conservador de Jacques Chirac, entre 2002 e 2004. Enfrentou intermináveis greves de professores e causou polêmica ao impor a proibição de símbolos religiosos nas escolas francesas, incluindo o lenço que o islamismo tradicional prescreve para as mulheres. "Só os fundamentalistas se opuseram a essa medida", diz Ferry. "Milhares de jovens muçulmanas se sentiram liberadas do jugo intolerável que os avós, os pais, os irmãos e os imãs impunham a elas."

É claro que Ferry não é nem o único nem o primeiro "popularizador" da filosofia. O norueguês Jostein Gaarder foi best-seller mundial ao recontar a história da filosofia com uma simpática moldura ficcional em O Mundo de Sofia. O suíço radicado na Inglaterra Alain de Botton tem se firmado como um "filósofo popular" – embora não tenha ainda freqüentado as listas de mais vendidos –, recorrendo a Sêneca ou Schopenhauer para consolar o leitor que sofre uma desilusão amorosa ou inveja o sucesso do vizinho. Nenhum dos dois, porém, vem de uma carreira acadêmica, como Ferry, que estudou nas tradicionais universidades de Sorbonne, na França, e Heidelberg, na Alemanha. Nos livros de Botton, em particular, a filosofia é reduzida a uma coletânea de citações cosméticas. Aprender a Viver, pelo contrário, explica sistematicamente o pensamento dos autores abordados. Ferry acredita que o sucesso de seu livro se explica pela premência que ele confere às idéias filosóficas: "A obra demonstra que a filosofia não é um mero exercício de reflexão crítica. É uma busca de saúde, da vida boa, uma tentativa de salvar nossa própria pele".
edgard#3
Salvação é a palavra-chave do livro. A filosofia, na visão de Ferry, é uma alternativa laica à religião: busca respostas para a angústia fundamental que todo ser humano tem ao tomar consciência de sua irremediável finitude. Aprender a Viver investiga as respostas que diferentes escolas filosóficas deram a esse problema (leia o quadro abaixo), encerrando-se com a alternativa do próprio Ferry, sua proposta – talvez excessivamente otimista – de um novo humanismo secular, que supere os becos sem saída construídos pela dúvida radical de pensadores como o alemão Friedrich Nietzsche. São idéias que o autor já apresentou, de forma mais "técnica", em livros anteriores, como O Homem Deus e especialmente O que É uma Vida Bem-Sucedida?, publicados no Brasil pela Difel. Aprender a Viver, porém, é voltado especificamente para o leigo, e em particular para o leitor jovem. O título, com certo jeitão de auto-ajuda, tem um apelo inegável, que talvez responda por parte do sucesso da obra – e talvez prometa mais do que este ou qualquer livro pode dar. A busca da vida boa, virtuosa, é de fato uma ambição ancestral dos filósofos. Qualquer resposta, porém, será sempre provisória e insuficiente. O entusiasmo de Ferry por seu humanismo secular não basta para matar a charada dessa esfinge antiga.
priscila#4
Considero a notícia boa, em princípio.

Quatorze mil exemplares no Brasil (!!!) são razoáveis. Pelo menos alguém se interessa pelo assunto. A filosofia como alternativa laica é melhor do que (quase) qualquer alternativa laica.

Aprendi a count blessings, sejam mine ou de outros. E a ter alguma, embora pouca, esperança.
Mas sou fundalmentalmente uma pessimista, então vamos ver os comentários.

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