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O futuro do pequeno empresário no Brasil

Iniciado por walter_3 em 14/06/2011 · 10 mensagens

walter_3#1
Olá pessoal, sei que muito aqui são empreendedores como eu, mas o que quero relatar é o que acontece com meus empreendimentos neste momento, resume-se a uma frase do George Orwell que diz assim:

"Se queres um retrato do futuro, imagine uma bota prenssando a cara de um homem."

E assim que vem acontecendo, principalmente no meu estado o Maranhão, onde uma rede de supermercados possuídos pelos donos do governo do estado já quebraram 50% do pequeno varejo da capital.

Venho passando por uma série de aperreios enquanto vejo colegas que estudaram comigo na mamata de consursos públicos ou prestando serviços e participando de prefeituras "vendendo-se" para o estado, até meus pais apesar de ver eu crescir milimétricamente em meu empreendimento vivem querendo para eu jogar a toalha e passar para um consurso público e ter estabilidade para mamar o resto de meus dias terrenos.

Faço administração, sempre acreditei neste curso, na iniciativa individual, mas cada vez vejo mais pessoas aqui na cidade com esse diploma, e nem adianta culpar a competãncia por que o campo está limitado aqui na minha cidade

peço opiniões de vocês que passam ou já passaram por uma situação tênue como esta, o que está passando neste momento nos seus empreendimentos, no estado de vocês.

Abraços
ayrton#2
"Nivaldo Cordeiro | 26 Julho 2010

Artigos - Economia

A forma nova que o movimento comunista internacional assumiu, na segunda metade do século XX, é fazer o conluio entre os revolucionários e os mega capitalistas. Abandonou-se de uma vez a idéia de planejamento central. Os revolucionários tomam conta do poder de Estado e, a partir dele, movem os recursos financeiros, as leis a as polícias a favor dos assim chamados metacapitalistas (acho que o termo foi cunhado por Olavo de Carvalho, mas não tenho certeza). É uma grande ilusão achar que há divergência de interesses entre esses maganos enriquecidos e os revolucionários. O tal "mercado" é sócio e cúmplice dos revolucionários governantes.

No Brasil, o exemplo mais conspícuo é a aliança entre os banqueiros e o PT, desde a famosa Carta ao Povo Brasileiro. O Brasil é o paraíso dos banqueiros, paga as maiores taxas de juros do mundo e nenhum economista será capaz de explicar essa anomalia se não olhar o pano de fundo político, essa privatização do Estado. Nunca podemos esquecer que foi dos cofres da Visanet, controlada pelos maiores banqueiros pátrios, que saiu o dinheiro para o Marcos Valério pagar o mensalão. Nenhum deles foi chamado a depor, ficando a impressão que o dinheiro saiu do Banco do Brasil.

Esse conluio está destruindo a pequena empresa independente, no Brasil. Quando se regulamenta, se encarece a produção, coloca-se normas de difícil cumprimento para as empresas, na prática aquelas que não têm estrutura e escala de grande empresa têm lavrada a sua sentença de morte. Eu vi isso acontecer no mercado do varejo, cada vez mais concentrado porque as normas dos diferentes níveis de governo impedem que pequenas empresas sejam economicamente viáveis. Vi isso acontecer no mercado livreiro. Vi isso acontecer na indústria de brinquedos, tudo isso como executivo atuante.
ayrton#3
(...)

Veja, meu caro leitor, que o governo capta recursos a 10,75% ao ano e os transfere aos amigos do rei a taxas variadas, inferiores a essa, que nunca passam de 8% ao ano. É uma doação que é feita com os impostos pagos pelos pobres para os ricos. O governo do PT e de Lula da Silva está destruindo as pequenas e médias empresas, vale dizer, o meio de vida de milhares de brasileiros. Empregos são também impiedosamente destruídos.

E esse é só um exemplo. O processo tem vindo ao longo dos anos. O fenômeno não é apenas brasileiro, é mundial. Os governos querem que as empresas sejam perfeitas. Para alcançar o objetivo que é inalcançável (a perfectibilidade), inventam regras que encarecem o processo produtivo. Não querem beneficiar o consumidor, o meio ambiente o os trabalhadores, como é usual nos seus discursos. Querem mesmo é impedir a concorrência das pequenas empresas, incapazes de cumprirem as regras. Quem tem um pequeno negócio sabe perfeitamente bem do que eu estou falando. As leis conspiram e os pequenos negócios estão condenados à falência.

Do ponto de vista da economia política isso é um desastre. A classe média independente do governo está desaparecendo. A idéia mesma de se ter independência econômica está desaparecendo, restando tão somente às pessoas virarem assalariadas das empresas gigantes ou do governo. Um mundo completamente regulado e no qual a alma é escravizada. Basta olhar o conteúdo que se pede nos concursos públicos de acesso a cargos públicos. Eu vi em provas de português, de interpretação de texto, serem propostos trechos da obra de Rousseau, o maldito, que pode ter sido um bom revolucionário, mas nunca foi um mestre da língua portuguesa. Quem não rezar na cartilha de Gramsci jamais será aprovado em concurso público para cargos das carreiras de Estado.
ayrton#4
Do mesmo modo, nas grandes corporações o processo é equivalente. A ciência da Administração está tomada pelo politicamente correto. Cotas para tudo, servilismo diante do Estado, o contador e o advogado são mais importantes na organização do que os engenheiros de produção. O ideal de igualdade é o mantra de todos os manuais de Administração. Admirável mundo novo, presente em qualquer grande empresa, nacional ou internacional.

É horrível o processo em curso. É a burocratização de tudo. É dantesco o emburrecimento geral. Será preciso uma contra-revolução política para corrigir esse desastre e ela começa e acaba na redução do tamanho do Estado. Reduzir o Estado será também reduzir o poder das grandes corporações e o ressurgir do poder empreendedor da gente miúda. É reduzir a judicialização de tudo, a desgraça do nosso tempo. O que temos hoje é o fascismo econômico elevado à perfeição.

Liberdade é praticamente sinônimo de liberdade econômica, a grande lição de Adam Smith."

Na íntegra:

http://www.midiasemmascara.org/artigos/economia/1127…empresa.html
andr_10#5
Concordo com o Nivaldo Cordeiro.

O principal problema que o Estado cria é o excesso de burocratização, de regulamentação de tudo, e não a carga tributária, como os nossos liberais de m**** insistem em denunciar.

É isso que quebra o pequeno empresário, que fica impossibilitado de cumprir normas impossíveis de serem cumpridas. Elas servem para o Estado impor a velha máxima que rege o Brasil: "Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei". A lei está aí para ferrar quem não é amigo do Estado e só.
ayrton#6
"E não APENAS a nossa carga tributária", você quis dizer, não?

A nossa carga tributária é uma das maiores do mundo e, com certeza, a PIOR em custo-benefício. O Reino Unido, por exemplo, tem uma carga comparável á nossa, no entanto serviços como saneamento, educação, segurança e saúde públicas são, ao contrário do que ocorre aqui, excelentes.
ayrton#7
E ainda tem mais um agravante: esse modelo social-democrata que se baseia em uma alta carga tributária, defendido pelo PT, FHC etc (é muita sigla, né não?) está falindo várias economias, trata-se, pois, de um modelo fadado ao fracasso e os motivos já foram expostos aqui em poutro tópico (sobre social-democracia).
ayrton#8
Conheço pessoalmente vários pequenos empresários que tentaram montar seu café, resturante, loja de serviços etc, e se foderam.

No meu caso particular, quando ainda era estudante, montei equipe de som e um negócio chamado "Produtos da Fazenda" (laticínios, doces, cosméticos shampoos etc, eram mais de 30 produtos), que entregava em domicílio (c/ motoboy) e vendíamos a preços menores dos que os do supermercado, tudo na informalidade. Nunca mais pedi dinheiro para meus pais e, além de estudar, vivia fazendo esportes. Fui convencido a ir para um negócio formal, pulei fora e...

...Fiquei sócio do meu tio numa agência de automóveis no Leblon. O negócio até que ia bem, tirando-se alguns carros roubados que tentaram nos vender, alguns clientes chatos/malucos (mas disso nenhum comeciante ou empresário escapa) e um gerente desonesto que foi desmascarado (meu tio foi tão legal que não o despediu). Cheguei a ter 3 carros, uma boa grana aplicada e nunca mais pedi dinheiro para meus pais. Mas...O Plano Collor veio e quebrou todo mundo.

Depois, vendi um ap e botei parte da grana num Café, num shopping da Barra da Tijuca: deu a maior merda, pulei fora antes de inaugurar e até hoje os caras me devem uns 50 mil.
ayrton#9
Meu falecido pai sempre dizia que montar um negócio no Brasil era um suissídio econômico. E olha que ele era filho do presidente da Federação de Hotéis e Restaurantes do Rio. Meu pai estva certo.

Não vou nem entrar em detalhes da vida do meu honestíssimo amigão, mas, além de ter sido roubado por funcinários e sócios, o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) fez o "favor" de demolir um de seus restaurantes na Gávea: o sócio dele (seu ex-funcionário e um humilde cearense) teve um AVC assistindo à demolição e morreu, deixando mulher e filhos desamparados. Meu amigo processou civil e criminalmente o Rodrigo Betlem, secretário do Paes, e desistiu. Foi trabalhar com a esposa dele; depois de mais de 30 anos na noite (casas de show etc) e em resturantes, perdeu tudo e está endividado.

Conheço uma centena de casos iguais a este, como, por ex, o meu primo que perdeu tudo: casa, Mercedez etc . Entrou em crise e virou evangélico.

Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=4GNkTJagj5M
andr_10#10
Ayrton

Eu não conheço o funcionamento das sociais-democracias européias.

Mas uma coisa dá para saber: Elas não ficam a dever nos vários rankings de competitividade que vivem sendo divulgados por aí.

Então estes países, que possuem uma carga tributária igual ou até maior que a brasileira, nos mostram que o problema número um não é a carga tributária, o valor do imposto em si, mas outra coisa.

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