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Roberto Jefferson

Iniciado por d_orkut em 16/04/2007 · 4 mensagens

d_orkut#1
Se alguém ainda duvida que o cara é bom de retórica, leia a resposta dele a Receita Federal.

ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO, brasileiro, advogado, em
face do termo de intimação nº 01, datado de 20 de março de 2.007,
vem expor e requerer o seguinte:

O Requerente junta à presente cópia dos comprovantes de
rendimentos auferidos, como docs de nrs. 1 a 4. Esclarece ainda
que, os mencionados rendimentos são derivados da atividade
parlamentar e profissional (exercício de sua profissão ou na função
do magistério superior) do Requerente, e aqueles originários de
aplicações financeiras realizadas no decorrer do referido
exercício.

Quanto ao outro item, melhor faço transcrevendo o capítulo 15 do
livro em que presto testemunho dos fatos que vivi ao Povo
Brasileiro, intitulado "Nervos de Aço", que sem dúvida, esclarece a
questão:

Foi quando afirmei, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da
Câmara dos Deputados, que o PT doou R$ 4 milhões ao PTB na campanha
eleitoral de 2004.

Avançando no que já tinha dito em minha segunda entrevista à
Folha de São Paulo, revelei que esses R$ 4 milhões foram levados à
sede do PTB por Marcos Valério, um "carequinha falante", em meados
de julho de 2.004, em duas malas com rodinhas. Foram duas visitas,
disse: na primeira, levou R$ 2,2 milhões, e na segunda, quatro ou
cinco dias depois, mais R$ 1,8 milhão, em notas de R$ 50 e R$ 100,
com cintas do Banco do Brasil e do Banco Rural.

Expliquei que esta quantia não foi declarada nem à Receita
Federal nem à Justiça Eleitoral porque, sem o recibo assinado pelo
PT, eu não poderia contabilizá-la.

Acordos, eles sabem, não constituem crime. Tampouco o repasse,
se houvesse os recibos. Mas não há rastro do dinheiro. Houve o
dinheiro?

É a minha palavra contra a dos petistas, a minha história contra
a deles.
d_orkut#2
De todas as denúncias que fiz, esta segue sem prova. Desnudei o
maior esquema de corrupção já montado na história republicana no
Brasil, mesmo com todas as tentativas do PT de encobri-lo. Em
relação aos R$ 4 milhões, só o PT poderá comprovar a minha verdade.
Mas o PT nega o dinheiro.

Se não houve o dinheiro, eu disse então uma mentira?

Ao negar a entrega das parcelas que integralizaram os R$ 4
milhões, o PT me fez sentir como um personagem de um bom e
eletrizante thriller: confesso um crime, mas para legitimá-lo falta
o cadáver. A justiça procura a arma, e não a encontra como também
não acha o morto. Houve crime?

Machado de Assis escreveu que a dissimulação é um dever, quando
a sinceridade é um perigo. No meu caso, se o episódio fosse uma
mentira e eu tivesse usado essa informação para poder dar a
veracidade a todas as outras denúncias, nunca uma dissimulação
teria sido tão imperiosa, tão justificada.

Só podia contar com a verdade dos fatos, das cenas que vivi, do
que vi. Isso tudo seria a base do meu testemunho. Mas se me
limitasse, no Conselho de Ética, a repetir as denúncias relativas
ao mensalão que já tinha feito à Folha de S. Paulo, acabaria
prevalecendo o argumento da falta de provas, do dito pelo não dito.
Minha palavra perderia força.

Eu precisava ir além. Só me restava uma alternativa desesperada:
a auto-incriminação, a defesa por meio da confissão de um crime. Ao
afirmar que recebera os R$ 4 milhões de Marcos Valério em malas,
sem recibo, estava confessando um crime eleitoral, o que se
tornaria o pretexto necessário para a minha cassação - se é que
precisariam de algum pretexto - mas também daria materialidade às
minhas denúncias.
d_orkut#3
Com essa confissão, cometi o suicídio político. Era como se eu
estivesse na beira do abismo, sendo empurrado para o salto fatal,
inevitável. Saltei, mas levei junto comigo, pela mão, os meus
algozes. Dei uma de talibã, enchi a roupa de bombas e entrei no
avião do Lula, disposto a explodir tudo.

Disse que recebi os R$ 4 milhões de Marcos Valério, mas resisti
a revelar o paradeiro dos recursos. Ora sugeria que o dinheiro
tinha sido distribuído, mas que não podia incriminar meus colegas
de partido; ora sugeria que o dinheiro continuava guardado. Num e
noutro caso, o crime eleitoral estava cometido: receber recursos de
caixa 2, por fora. Foi por esse crime que fui cassado, mas ninguém
provou que eu o cometi. Muito se falou em instintos primitivos, mas
não existe instinto mais primitivo que o da sobrevivência. É este
instinto que leva o animal acuado a saltar na direção do seu
predador. Existe uma expressão francesa que define bem essa
situação: la fuite em avant, a "fuga para frente". Para resistir à
campanha avassaladora contra mim, o suicídio político era minha
única saída. Por isso lancei aquela bomba e dei um abraço de
afogado nos dirigentes petistas: disse que recebi R$ 4 milhões de
caixa 2 do PT pelas mãos do Marcos Valério. Este foi o clímax das
mais de oito horas de depoimento.

Retórica? Verdade? Não sou herói, não sou vilão.

Delúbio, Marcos Valério e Genoíno negam ter dado R$ 4 milhões ao
PTB. Emerson almieri jamais entrou no Banco Rural ou no BMG,
diferentemente de outros tesoureiros de partido, para sacar qualquer
dinheiro.

Não usei retórica antes. Verdade? Assumi verdades que me
atingiram. Tudo que disse antes relacionado a outras áreas se
provou. Restava explicar que destino eu tinha dado aos $ 4 milhões.
Qualquer resposta objetiva podia ser comprometedora. Esse era o meu
dilema. envolveria meus companheiros.

O PT nega ter dado R$ 4 milhões ao PTB.
d_orkut#4
Quando veio à tona que Valério fazia saques milionários antes de
suas viagens a Brasília, em vôos fretados pelo Banco Rural, ele se
viu perdido. Se, até aquele momento, vinha sendo resguardado, se
estava relativamente coberto, a partir dali a imprensa inteira
passou a investigá-lo, e seus podres foram aparecendo. Por isso,
por mais que ele tentasse desmentir minha versão dos R$ 4 milhões,
como aliás tentou, a seqüência dos acontecimentos lhe retirou
qualquer credibilidade.

Meu objetivo foi alcançado: revelar as práticas criminosas do
governo que se dizia o dono da ética.

Mas o meu crime, aquele que justificou minha cassação, não foi
comprovado. E nem poderia. Porque esse crime o PT diz que não
existiu. A cúpula do partido afirma que nunca me repassou nenhum
centavo.

Assim, segundo o PT, não recebi os R$ 4 milhões de Marcos
Valério. Não foi feito nenhum repasse para o PTB. Enquanto eu digo
que esperei até o último momento o comprovante que me permitiria
legalizar o repasse - e que me foi prometido - o PT desconversa e
nega. Nega tudo.

Cada vez que me questionam sobre o recebimento dos R$ 4 milhões,
- diante da negativa tão peremptória do PT - me vejo tentado a
devolver a pergunta ao interlocutor: "E você, o que acha? Recebi ou
não?". É um episódio interessante no meio de todo o cipoal de
denúncias: politicamente recebi, tecnicamente não. Não há dinheiro,
logo não há cadáver, logo não há crime. (as partes constam de fls.
335 a 346).

Não há dúvida que auferi com o episódio, um extraordinário
acréscimo patrimonial político, porém este não é tributável pelo
imposto sobre a renda.

Termos em que,

P. Juntada.

Rio de Janeiro, 10 de abril de 2.007

ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO

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