Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Sarkozy e Gramsci

Iniciado por de_orkut em 17/04/2007 · 12 mensagens

de_orkut#1
gramsci é método.

"C’est la raison pour laquelle j’ai tenu à faire une synthèse de mes convictions dans mon dernier livre, Ensemble. Au fond, j’ai fait mienne l’analyse de Gramsci : le pouvoir se gagne par les idées. C’est la première fois qu’un homme de droite assume cette bataille-là."

não há nenhuma condenação no que escrevo.

http://www.lefigaro.fr/election-presidentielle-2007/…valeurs.html
de_orkut#2
Sarkozy tem idéias que são harmônicas com as nossas. Quem hoje poderia representá-las no Brasil?
de_orkut#3
pô! vcs não sabem francês? a entrevista com o Sarkozy tá massa!
edgard#4
Faz o favor de traduzir, diego....
inocncio#5
Zero francês. Sorry.
fbio_6#6
Sei um pouco de francês.

Cara, é mais ou menos isso que a direita brasileira precisa: de um Gramsci direitista, mais especificamente de um estrategista cultural direitista, já que o Gramscismo leva à destruição cultural, e creio que ninguém aqui quer isso.

Mas legal também ele se assumir como direitista. Não o conheço bem, mas agora ficarei de olho nele!
priscila#7
Em entrevista ao “Figaro”, o candidato da UMP reivindica seu combate “pelo domínio do debate de idéias”.

Le Figaro – Esta campanha se distingue das outras pelo número muito elevado de indecisos. Isto é, para o senhor, uma inquietação?
Sarkozy – Por que seria assim? Em todas as campanhas, os indecisos sempre votaram como aqueles que haviam feito suas escolhas. Observem os novos inscritos, também entre eles eu estou “na cabeça”! Longe de mim dizer que a batalha está ganha. Ao contrário, eu acredito que nada está definido ainda. Mas constato, simplesmente, que minha campanha encontra um profundo eco no país.

LF – Quais foram, para o senhor, os momentos mais fortes?
S – O comício de 14 de janeiro, na porte de Versailles (um local em Paris, NT) . Depois o momento em que eu lancei o debate sobre a identidade. Enfim, os incidentes da Gare du Nord (estação parisiense de trens, NT), a partir dos quais a esquerda procurou desculpas para os vagabundos.

LF – E quais são os momentos que o senhor lamenta?
S – O fato de que alguns membros de minha equipe, enquanto eu estava na Reunião, tenham parecido contestar os cálculos do meu projeto. Depois, esse parêntese de três semanas onde eu passei a impressão de não dizer mais nada. Me aconselhavam a consolidar; de repente, todas as asperezas estavam anuladas; eu me tornava um candidato clássico. Não é isso que os franceses esperam.

LF – Todo o mundo disputa a palma do “anti-sistema”...
S – Quando eu penso no que ouvi quando falei de ruptura!
Hoje, isto é extirpado, mas minha primazia deveria contar a meu favor. Desde 2002, eu me coloquei à margem de um sistema que não me queria como presidente da UMP, que recusava minhas idéias como Ministro do Interior e que contestava minhas propostas.
priscila#8
LF – A quatro dias do primeiro turno, tem-se o sentimento de que nenhum tema estruturou a campanha...
S – Eu não estou de acordo. O verdadeiro tema desta eleição presidencial são os valores. No passado, é verdade que aconteceu de um tema único se impor sobre todos os outros. Em 1997, foram as 35 horas e o emprego dos jovens. Em 2002, a segurança. Este ano, atrás da aparência de um certo zapping, tudo – trabalho, educação, imigração, segurança – se ordena à volta da crise de identidade que a França atravessa. Daí minha campanha sobre o sentido e os valores, que desorienta alguns comentaristas, mas cuja novidade os franceses compreenderam muito bem: eu não travo um combate político, mas um combate ideológico.
Esta é a razão pela qual eu fiz questão de fazer uma síntese de minhas convicções em meu último livro, “Ensemble”. No fundo, eu adotei a análise de Gramsci: o poder se ganha através das idéias. É a primeira vez que um homem de direita assume esta batalha.
priscila#9
LF – Quando o senhor fez esta escolha?
S – Em 2002, quinze dias depois de minha chegada ao Ministério do Interior, uma certa imprensa começou a me atacar sobre o tema: “Sarkozy faz guerra aos pobres.” Eu disse a mim mesmo: ou eu me submeto e não poderei fazer mais nada, ou entro na batalha ideológica, demonstrando que a segurança , antes de qualquer outra coisa, está a serviço dos (é fundamental para os) pobres. Desde 2002, então, eu me empenhei num combate pelo domínio do debate de idéias. Todas as noites eu falo da escola, denunciando a herança de 1968. Denuncio o relativismo intelectual, cultural, moral... E a violência da esquerda contra mim vem do fato de que ela compreendeu do que se tratava.

LF – A França está tendendo para a direita?
S – Eu contesto esta idéia da direitização do eleitorado, que é uma idéia do microcosmo, produzida pelo pensamento único. Muitos operários, muitas pessoas de esquerda, querem que lhes falem da nação. Eu falo de identidade nacional porque penso que as pessoas precisam de referências. Se isto é ser de direita, eu sou de esquerda quando defendo o poder de compra e os salários? A nação, o poder de compra, o trabalho – são valores que vão muito além da clivagem entre direita e esquerda.
priscila#10
A França que votou “não” no referendo europeu continua lá.
Tudo o que eu quis fazer, foi dizer a ela que compreendia seu sofrimento, sua exasperação, compreendia a crise de identidade que ela atravessa.

LF – O que o senhor responde àqueles que o acusam de correr atrás de Jean-Marie Lê Pen?
S – Eu tenho o sentimento de que é antes Le Pen que corre atrás de mim, a julgar por suas últimas declarações. Eu não falo com Le Pen, que me contesta o direito de ser candidato porque sou filho de imigrantes.
Le Pen não é proprietário de seus votos – não mais que eu, aliás.
Eu me dirijo aos seus eleitores, como (me dirijo) a todos os eleitores.

LF – O senhor situa o debate no terreno dos valores. Como o senhor se distingue (se diferencia) de Segolène Royal?
S – É muito simples. Eu sou pela promoção (pela melhora), ela é pelo nivelamento. As 35 horas devem constituir, para mim, um chão (uma base) – e ela as vê como um teto. Eu sou contra as regularizações globais em matéria de imigração, ela anuncia a regularização dos pais e dos avós de todos os filhos de imigrados que tenham sido escolarizados na França.

Isto é demais! Eu sou a favor de abrir escolhas, ela quer congelar tudo através de estatutos. Estas são diferenças verdadeiras.

LF – E de François Bayrou?
Ele se diz mais à esquerda do que Segolène Royal. É uma evolução fulgurante! Felizmente isto não o atacou quando era adolescente. Teria terminado aonde? Eis aí um homem que pretende romper com o sistema e que prepara com Michel Rocard combinações de aparelhos nas costas dos franceses! Imaginem o que aconteceria se ele chagasse ao poder. Primeiro o imobilismo, em seguida a instabilidade. Vimos isso (acontecer) na Itália. Estamos começando a ver na Alemanha.
priscila#11
LF – Por que nas suas palavras há esta recente referência a João Paulo II?
S – Porque este é o homem que pela força de suas convicções fez cair o muro de Berlim. É o homem que disse que não se deveria ter medo. É o homem que soube encarnar a abertura e a firmeza (a coragem).
Que exemplo (seria) mais belo?

LF – Sobre as “raízes cristãs” da Europa, qual a sua posição?
S – Como se pode contestar que a Europa tenha raízes cristãs?
Por trás da moral laica e republicana da França, há dois mil anos de cristandade. Dizer isso não é militar por uma Igreja, mas ver a história da França como ela é, e esse longo manto de igrejas que cobre nosso país. A questão de saber se Deus deve estar na Constituição européia não se coloca, uma vez que não existe Constituição. Então, não vamos brigar ali.
Mas não podemos ignorar as raízes cristãs da Europa, nem as da França.
de_orkut#12
desculpem-me pessoal!

não teria tempo de traduzir o texto. obrigado, priscila!

mas vcs leram a entrevista? tá muito boa, cara! O sarkozy não se deixou policiar! E os incidentes da Estação Nord, foram muito bem encaradas por ele.

Precisamos mesmo é de um cara que dÊ a cara a bater.

‹ Voltar para a lista de tópicos