Nesse último domingo, saiu na Zero Hora uma reportagem muito caricata sobre "miséria no campo". Tirei a conclusão de que, ou o autor foi absurdamente retórico, ou nunca deve ter pisado num campo na vida dele. Você definitivamente não pode utilizar as mesmas qualificações de "miséria" para uma vida urbana e para uma vida rural, isso é primário, meu filho.
"O asfalto fica para trás e surgem quilômetros enlameados por estradas de chão batido."
Nossa, que horror, hein? Estradas de chão batido?! Como essas desgraçadas pessoas conseguem viver sem asfalto, que coisa! E por quilômetros!!
"Em lugar dos campos cultivados a perder de vista, aparecem pequenas plantações de milho, de feijão ou de mandioca..."
Olha, esse sujeito só deve ter visto o campo em livrinhos da Disney. "Campos cultivados a perder de vista"?! Já visitou alguma vez a campanha?
"E aí, nos confins agrícolas do Rio Grande do Sul, que a miséria encontra o adubo perfeito para vicejar".
(Suspiro)
"Longe dos centros consumidores e do acesso aos mercados, os que resistem nesses grotões praticam uma agricultura de subsistência. São pessoas que mal sabem o que é dinheiro".
Mas que bom para eles!!
"Para chegar à sede do município, é preciso enfrentar sete quilômetros de chão batido."
Bom, para chegar na chácara dos meus pais, eu "enfrento" dez. E para chegar no vilarejo seguinte mais próximo, treze. Que falta faz uma linha do T5, que coisa horrorosa.
"O asfalto fica para trás e surgem quilômetros enlameados por estradas de chão batido."
Nossa, que horror, hein? Estradas de chão batido?! Como essas desgraçadas pessoas conseguem viver sem asfalto, que coisa! E por quilômetros!!
"Em lugar dos campos cultivados a perder de vista, aparecem pequenas plantações de milho, de feijão ou de mandioca..."
Olha, esse sujeito só deve ter visto o campo em livrinhos da Disney. "Campos cultivados a perder de vista"?! Já visitou alguma vez a campanha?
"E aí, nos confins agrícolas do Rio Grande do Sul, que a miséria encontra o adubo perfeito para vicejar".
(Suspiro)
"Longe dos centros consumidores e do acesso aos mercados, os que resistem nesses grotões praticam uma agricultura de subsistência. São pessoas que mal sabem o que é dinheiro".
Mas que bom para eles!!
"Para chegar à sede do município, é preciso enfrentar sete quilômetros de chão batido."
Bom, para chegar na chácara dos meus pais, eu "enfrento" dez. E para chegar no vilarejo seguinte mais próximo, treze. Que falta faz uma linha do T5, que coisa horrorosa.