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O mau selvagem

Iniciado por eco_orkut em 19/04/2007 · 6 mensagens

eco_orkut#1
Caio , ele esta tratando do homem primitivo.
priscila#2
Sem a consciência, o homem é exatamente isso: um animal como qualquer outro, apenas dotado de mais razão.

Um macaco é mais racional do que uma galinha - exemplo de racionalidade mínima. Um rato é mais racional do que um peixe. Nenhum é "melhor" ou "pior" que o outro: critérios de "bem" e "mal" não dependem da quantidade de razão da qual que o ser é dotado.

Altamente racional ou com uma capacidade racional mínima, também o homem não pode ser visto nem como bom e nem como mau se a análise levar em conta apenas o atributo razão.

O homem só é bom ou mau, ou seja, só adquire ou perde valor moral porque é dono de um atributo que somente ele, em toda a vasta criação, possui: a consciência, que ele escolhe, ou não, usar. Só através desse uso ele pode ser julgado - não pela quantidade de razão que possui.

Então não há muito como comentar o artigo - o que se pode dizer é isso: a análise da razão não é adequada para atribuir um valor moral a qualquer espécie animal. Todas serão indiferentes.

Quem escreveu o texto estava usando a própria consciência quando escreveu - e, naturalmente, fazendo um julgamento. Mas é um julgamento primário, porque ele está tentando explicar pela razão o que a razão não explica.
Rousseau fez a mesma coisa.
uriel#3
.

Rousseau tem que ser respondido da forma como fez Voltaire:

CARTA A ROUSSEAU
Recebi, senhor, vosso novo livro contra o gênero humano, e vos agradeço por isso. Vós agradareis aos homens, sobre quem fala vossas verdades, e não os emendará. Ninguém poderia pintar um quadro com cores mais fortes dos horrores da sociedade humana, para os quais nossa ignorância e debilidade tem tanta esperança de consolo. Ninguém jamais empregou tanta vivacidade em nos tornar novamente animais: pode-se querer andar com quatro patas, quando lemos vossa obra. Entretanto, como já faz mais de sessenta anos que perdi este costume, percebo, infelizmente, que é impossível recomeçar, e deixo essa maneira natural àqueles que são mais dignos que vós e eu. Já não posso mais embarcar para encontrar os selvagens do Canadá, em primeiro lugar, porque as doenças de que sofro me prendem ao redor do maior médico da Europa, e não encontraria a mesma assistência junto aos Missouris. Em segundo, porque a guerra está sendo travada lá naquele país, e o exemplo de nossas nações tornou os selvagens quase tão perigosos quanto nós. Devo me limitar a ser um selvagem pacífico, na solidão que escolhi, perto de vossa pátria, onde vós devíeis estar.
(...) M. Chappuis disse-me que vossa saúde anda muito mal, deveis restabelecê-la na terra natal, aproveitando junto à sua liberdade, beber comigo o leite de nossas vacas, e passear em seus campos.

Muito filosoficamente e com a mais alta estima, etc
VOLTAIRE
http://www.consciencia.org/wiki/index.php/Voltaire_L…0_08_1755:pt
uriel#4
.

(...)
"Nos comentários, Rousseau cita exemplo de humanos que andam de quatro. Mas ele fala das adequações anatômicas que o homem precisou ter para ser bípede. Depois ele comenta com informações, sua teoria da fertilidade natural da Terra.

Rousseau defende o regime vegetariano para o homem, observando que seus dentes e intestinos são semelhantes aos dos animais frugívoros. A presa é motivo de combate. Adotando o regime vegetariano, o estado de natureza ficaria mais fácil de alcançar e a paz reinaria.

Rousseau coloca mais exemplos de selvagens, para demonstrar que os corpos e sentidos destes são mais adequados e desenvolvidos que o do homem civilizado. Ele tem uma preocupação ecológica. Foi a violência da atitude do homem contra a natureza que o tornou infeliz, mas isso não aconteceu sem esforço. Naturalmente, o homem é bom , mas ficou mal. O luxo tem papel importante na decadência do Estado e desigualdade social.

Rousseau alerta para não se tirar a conclusão de que é necessário um retorno ao estado de natureza. A simplicidade original está perdida. Deve só não ficar muito afastado da natureza.

Na nota seguinte, ele fala de algumas semelhanças entre o homem e o orogotango. Fala também de um povo selvagem da África, que é muito forte. Sugere que se façam mais viagens ao redor do mundo, e se escreva uma história natural original. Levi Strauss viu nessa nota as origens e os fundamentos etnologia. Na próxima nota, Rousseau cita Locke, e questiona se a manutenção da família é ou não necessária. No estado de natureza do homem, ela não é estritamente necessária.

O amor próprio não existe no estado de natureza. É um sentimento que leva a pessoa a se achar melhor que a outra. O amor de si mesmo, por sua vez, está ligado ao instinto de auto preservação e leva a humanidade à virtude. É importante entender a diferença entre esses dois sentimentos.
Os selvagens não são tão infelizes quanto parecem. Eles preferem sua vida a uma civilizada, conforme Rousseau demonstra com exemplos
uriel#5
(...)

Rousseau, que desde que ficou amigo de um camponês indignou-se com a exploração, foi analisado por Voltaire, que escreveu em pé de página: "Eis um miserável quer fazer dos ricos pobres e dos pobres ricos". Em uma carta irônica, escreveu que o livro lhe dava vontade andar de quatro patas, mas que já tinha abandonado esse hábito há sessenta anos. Além disso estava ao lado do maio médico da Europa (Rousseau condenava a medicina). E sabendo que Rousseau não havia retornado a Genebra, sua pátria, para não cruzar com ele, convida-o para viver perto dele e beber o leite de suas vacas. Rousseau respondeu chamando-o de mestre, e dizendo que não havia perigo de se voltar a andar de quatro patas. E que ele, Voltaire sem dúvida ficava melhor de pé.

http://www.consciencia.org/rousseau.shtml
uriel#6
.

Ou Nietzsche:

"Rousseau is a symptom of self-contempt and heated vanity--both signs that the domineering will is lacking: he moralizes and, as a man of rancor, seeks the cause of his wretchedness in the ruling classes.
99 (Spring-Fall 1887)

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