Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Porque o Olavo esta certo e eu errado

Iniciado por gustavo_15 em 23/08/2011 · 9 mensagens

gustavo_15#1
ou uma rápida intervenção sobre a ofensa fruto da Ira e o palavrão como método.

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Existe uma diferença profunda, um abismo, entre a Ira e o que eu vou chamar aqui de a “Arte da Rudeza”. É a diferença que faz de um estrategista militar, e de outro um valentão de rua.

Eventos recentes na comunidade, que me trouxeram dissabores, podem demonstrar por si só o porque a Ira é considerada pecado capital. Ora, se é pecado é porque esta na contra mão da virtude, ou das virtudes, e são elas a Paciência e a Fortaleza. É evidente que a Paciência e a Fortaleza são degraus de uma escada a serem subidos, enquanto a Ira é a ladeira engraxada. E ninguém sobe por uma ladeira engraxada. Pelo que se viu, desaba-se.

O tópico em que eu acabei expulso deixa isso bem claro: a minha irascibilidade me tornou um idiota. Não que eu não o seja sem ela, mas, ela me coloca uma quantidade enorme de pelos e um rabo. E debater com um animal, convenhamos, é muito mais fácil.

De qualquer forma, tivesse eu Paciência e Fortaleza, não teria ofendido ninguém e não teria sido expulso. E independente do moderador ter ou não razão, quem pecou primeiro fui eu, por não lutar contra a minha própria natureza.

Rapidamente colocada a questão dos palavrões e da Ira, eu queria passar para a questão dos palavrões e o que eu vou chamar de “A Arte da Rudeza”.

(continua)
gustavo_15#2
Foi falado também no tópico sobre se “copiar” o Olavo e sair por ai ofendendo todo mundo. Isso não é verdade.

Para se entender a questão dos palavrões no Olavo, no meu ponto de vista, é necessário voltar um bocado no tempo - mais necessariamente ao primeiro Imbecil Coletivo - e podemos começar pela epigrafe de e. e. cummings “Everybody happy? WE-WE-WE (...)” que permeia toda a coletânea, mas remete, objetivamente, a um dos textos mais interessantes dela: “Ética do intelectual brasileiro ou: como tornar-se uma pessoa maravilhosa”. No texto, o Olavo dispara: “Desejando ardentemente ser admitido em rodas de intelectuais, pus-me a estudar os temas e a linguagem das publicações culturais e das entrevistas que as pessoas reconhecidamente letradas davam na TV”, para em seguida denunciar, “o tédio, o saco” que é essa linguagem regada da hipocrisia e da mediocridade do “circulo vicioso” do elogio. Não há motivo que evite a ilação de que tal circulo só poderia ser interrompido, portanto, com insultos e palavrões. Pode-se andar um pouco no tempo, recorrer à polêmica com o Emir Sader, em que pediram para que o Olavo não criticasse o dito professor Sader, por esse ser uma pessoa “educada”. Bom, se a educação é o escudo da mentira... Ainda, exemplos há outros, aos montes.

(continua)
gustavo_15#3
Eu não quero esgotar o assunto, e nem teria como, mas, é cada vez mais evidente que o uso dos palavrões nos textos do Olavo é pensado como método, e não se confunde, de maneira alguma, com o palavrão fruto da Ira. O que seria, certamente, errado.

Mas, porque eu chamo isso de “A Arte da Rudeza”? Porque é o título de um artigo magistral do João Pereira Coutinho sobre o uso da rudeza, do insulto (ainda que exemplifique com insultos à inglesa, não aplicáveis por aqui), como arma contra a mediocridade e a hipocrisia. Leiam, vale MUITO à pena: http://pt.scribd.com/doc/45174874/Joao-Pereira-Couti…te-da-rudeza .
junior_5#4
Interessante. Parabéns pela pesquisa.
cristiano_11#5
parabéns pelo texto,esclarecedor!!
hllio#6
Gustavo,

muito bom o seu texto.

O único acréscimo que posso fazer é lembrá-lo ainda do que disse o Prof. Olavo num dos últimos TO: que o palavrão, no caso do programa de rádio, é uma técnica, o objetivo é principalmente afastar os hipersensíveis, selecionar entre a multidão aquele aluno que vê, por trás da linguagem rude, a filosofia e o ensinamento profundo. Assim, esse aluno transpõe essa barreira e busca o ensinamento integral, ensinamento esse que só poderá receber caso torne-se seu aluno.

Abraço
hllio#7
Gustavo,

esqueci de agradecer por postar o link: que belo texto!!!

A ARTE DA RUDEZA

"A rudeza é humanidade em estado puro."

João Pereira Coutinho

http://www.jpcoutinho.com/Imprime.aspx?Tipo=Imprime&CodConteudo=86
priscila#8
Amigo, eu me permito aqui defender - como já defendi anteriormente - a sacralidade da ira. Nem toda ira é fruto da "irascibilidade" - e sim da JUSTA revolta. Eu pessoalmente não uso palavrões exatamente como "método", nem com frieza - mas sim porque me sinto justamente enfurecida com alguma coisa ou alguém, portanto legitimamente. É óbvio que quem se enfurece indevidamente é um tolo, mas isto não quer dizer que "quem se enfurece é sempre um tolo".

O que FALTA, no momento, é precisamente um pouco MAIS de ira justa. De justa revolta.
Jesus meteu a chibata nos vendilhões do Templo, e nos deu ali um exemplo...
gustavo_15#9
Acabei de chegar em casa agora... Justo no dia que eu fui citado no "true outspeak" eu não assisti.🙁

Vou ouvir.

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