Em um dos tópicos desta comunidade, um dos membros escreveu algo como "nenhum dos livros apócrifos [os deuterocanônicos] é mencionado no Novo Testamento".
Ora, é claro que isso é mentira. Todo - ou quase todo - católico conhece a citação de 2 Macabeus em Atos. No entanto, eu resolvi procurar outras. No meio do trabalho eu lembrei que existia uma lista, em um programa chamado "conhecendo a Bíblia Católica 1.0", do site www . bibliacatolica . com . br.
Aqui vai a lista. Um abraço a todos, católicos ou não.
Mc 1,15 = Tb 14,5; Mc 4,5 = Eclo 40,15; Mc 4,11 = Sb 2,22; Mc 5,34 = Jdt 8,35; Mc 6,49 = Sb 17,15; Mc 8,37 = Eclo 26,14; Mc 9,31 = Eclo 2,18; Mc 9,48 = Jdt 16,17; Mc 10,18 = Eclo 4,1; Mc 14,34 = Eclo 37,2; Mc 15,29 = Sb 2,17.
A citação clássica de 2 Macabeus não está nos Atos, mas na epístola de São Paulo aos Hebreus:
Hb11, 35: "Mulheres reencontraram pela ressurreição os seus mortos. Outros foram submetidos a torturas, recusando a libertação para obterem uma ressurreção melhor".
A história se encontra em 2Macabeus, 7 (todo).
Desculpem a falha.
O Novo Testamento NÃO CITA REFERÊNCIAS DE LIVROS APÓCRIFOS, pois Deus não necessita complementar sua obra divina com base nas obras de suas criaturas. Eu, particularmente, não confiaria num deus que agisse dessa maneira.
Quando o Novo Testamento faz referência a passagens do Velho Testamento, ele transcreve essas passagens, e ali não há nenhuma transcrição de passagens de livros que não foram inspirados pelo próprio Deus, através da pessoa do seu Espírito Santo.
Vejamos a que passagens as duas primeiras referências que você enumerou estão relacionadas.
EXEMPLO 1) Atos, que conforme sua correção é Hebreus 11,35 -
Fala sobre os exemplos de fé ocorridos na história do povo hebreu. Esses exemplos de fé incluem ressuscitação de filhos de mulheres que recorreram aos profetas do Senhor, homens fiéis e tementes a Deus, que VIVIAM próximos a elas. É importante lembrar que os profetas do Senhor limitavam-se a fazer a vontade de Deus, e seguiam criteriosamente o que Deus ordenava, pois sabiam que, do contrário, seriam amaldiçoados. Portanto, não procuravam mudar aquilo que Deus já havia determinado.
Esses exemplos de fé encontram-se em 1Reis 17:17-24 e 2Reis 4:25-37.
EXEMPLO 2) Mateus 4,4 "jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
Essa passagem tem por base Deuteronômio 8:3 "Ele te humilhou e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem."
E assim são todas as referências que você citou, todas têm como base os livros escritos sob inspiração do Espírito Santo de Deus, e não vou enumerá-las todas por falta de tempo.
Bom, eu vou passar ao largo da discussão, porque, sendo nada mais que uma ledora voraz, li os textos que pude, do primeiro e do segundo cânones, fosse quem fosse que os considerasse apócrifos ou legítimos - e, quando os li pela primeira vez, eu nem sabia que existia essa diferença.
Mas devo dizer que, desde esse longínquo começo, sempre tive uma especial simpatia pelo Segundo Livro dos Macabeus. A linguagem é simpática, e o texto se inicia como uma carta, informal e amiga:
"Aos irmãos judeus, espalhados pelo Egito,
Os judeus seus irmãos, que estão em Jerusalém, e que vivem na terra da Judéia, lhes desejam saúde e boa paz! Deus vos encha de bens, e se lembre da Aliança com Abraão, Isaac e Jacó, seus servos fiéis.[...] Pelo que nos diz respeito, estamos aqui agora a rezar por vós!"
Esta primeira carta dos judeus de Jerusalém sempre me pareceu cativante.
O livro é especialmente claro e simples, talvez por ter sido escrito em grego originalmente, e não ter por isso perdido nas traduções a pureza e a simplicidade de sua linguagem.
Tem um prefácio, que para mim, que era uma criança, fazia grande diferença, dizendo qual era o propósito daquele escrito:
"Nós nos propomos, pois, a escrever a respeito de Judas Macabeu, e seus irmãos, e sobre a purificação do Grande Templo, e a dedicação do altar; e também sobre Antíoco, e seu filho Eupator, e sobre as manifestações que tiveram do céu aqueles que lutaram com tanto valor em favor dos judeus, que, mesmo sendo poucos, se tornaram senhores do país, pondo em fuga um grande número de bárbaros, e recobraram o mais famoso Templo do mundo, e restituíram o valor às leis que tinham sido abolidas; pelo que o Senhor se lhes mostrou propício, com grandes provas de Sua bondade. E o que Jasão de Cirene compreendeu em cinco livros, nós pretendemos resumir em um só."
O Segundo dos Macabeus era (continua sendo, para mim, até hoje) um livro mágico, a narração de uma aventura mágica!
E, no quinto capítulo, vinha o que me parecia o ponto mais fantástico de todos os episódios da aventura:
"Por este tempo, Antíoco se preparava para fazer uma segunda expedição contra o Egito. Aconteceu porém que, em toda a cidade de Jerusalém, pelo espaço de quarenta dias, se viam homens a cavalo, que corriam pelo ar, vestidos de telas de ouro e armados de lanças, como tropas de cavalaria. E cavalos ordenados em esquadrões, correndo uns contra os outros, e escudos, e grande multidão de gente armada de capacetes, com espadas nuas, e tiros de dardos, e resplendor de armas de ouro, e todo o tipo de couraças. Por conta do que todos rogavam a Deus que tais prodígios se tornassem a seu favor!"
Eu pensava que, por uma espantosa contingência na curvatura do tempo (que eu também ainda não conhecia, mas intuía), os judeus de Jerusalém estivessem podendo ver, como se assistissem a um filme, os Cruzados que lá chegariam mais de mil anos depois, pois era essa e exata descrição que faziam daquilo que viam - pelo espaço de quarenta dias!
Como eu também lia, na mesma época, os calhamaços da casa sobre a Primeira Cruzada, sabia dos relatos dos Cruzados de seus encontros com anjos: e igualmente me parecia que os homens de túnica descritos por eles eram os mesmos judeus de mais de mil anos atrás, que lhes pareciam também fantásticos, e sobrenaturais, e que viam pelo mesmo exato motivo...
Enfim - um bonito "worm-hole" no tempo, comprovado dos dois lados!
Não, eu não tenho um lado Baigent, e nem mesmo gosto de ficção científica. Mas penso sobre isso muitas vezes, mesmo hoje, quando custo a dormir...