Acautelai-vos, que este artigo já começa na voadora – aí vai uma citação de Jair Bolsonaro (PP-RJ):
“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.
Eis agora algumas citações da minha mamãe:
“Junta esses brinquedos A-GO-RA ou vou te fazer engolir essas porcarias um por um!”
“A comida tá esfriando! Ou você desliga esse chuveiro e vem almoçar, ou vou te dar uma cintada tão dura que você vai ficar com a bunda quente pra esquentar a comida!”
“Agora senta aí, fecha a boca e come!”
“Se quando eu voltar encontrar uma louça em cima da pia você vai ver o que faço com essa espada-de-são-jorge.”
“Presente de aniversário? Você que decida logo o que quer, ou vou é te dar uma surra de aniversário.”
Não são todos que entendem essas sutilezas – sobretudo aqueles criados a leite de pêra pela avó. Os que reconhecem esse tipo de frase sabem que a única vantagem de ter pais violentos é que eles não têm aquela insuportável mania de entrar no quarto da gente sem bater – eles batem antes de entrar, depois que entram e saem batendo.
Parece um pouco cruel? Só se você reprovou 3 vezes a primeira série, para ter um tamanho de quinta quando chegou na terceira. Minha primeira lição de existencialismo foi que eu apanhava em casa por ser o último fitoplâncton da cadeia – já na escola, estando adiantado, apanhava apenas pelo “bem comum” almejado pela social-democracia. As porradas eram rouanetadas pelo Ministério da Cultura, da Educação, do Esporte, do Desenvolvimento e desconfio até que o de Minas e Energia. Queria ver se uma diretora que fiscalizasse a pancadaria nos corredores seria eleita democraticamente pelos alunos. Como diria Sartre, se apanhamos na escola, é porque somos apanháveis.
“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.
Eis agora algumas citações da minha mamãe:
“Junta esses brinquedos A-GO-RA ou vou te fazer engolir essas porcarias um por um!”
“A comida tá esfriando! Ou você desliga esse chuveiro e vem almoçar, ou vou te dar uma cintada tão dura que você vai ficar com a bunda quente pra esquentar a comida!”
“Agora senta aí, fecha a boca e come!”
“Se quando eu voltar encontrar uma louça em cima da pia você vai ver o que faço com essa espada-de-são-jorge.”
“Presente de aniversário? Você que decida logo o que quer, ou vou é te dar uma surra de aniversário.”
Não são todos que entendem essas sutilezas – sobretudo aqueles criados a leite de pêra pela avó. Os que reconhecem esse tipo de frase sabem que a única vantagem de ter pais violentos é que eles não têm aquela insuportável mania de entrar no quarto da gente sem bater – eles batem antes de entrar, depois que entram e saem batendo.
Parece um pouco cruel? Só se você reprovou 3 vezes a primeira série, para ter um tamanho de quinta quando chegou na terceira. Minha primeira lição de existencialismo foi que eu apanhava em casa por ser o último fitoplâncton da cadeia – já na escola, estando adiantado, apanhava apenas pelo “bem comum” almejado pela social-democracia. As porradas eram rouanetadas pelo Ministério da Cultura, da Educação, do Esporte, do Desenvolvimento e desconfio até que o de Minas e Energia. Queria ver se uma diretora que fiscalizasse a pancadaria nos corredores seria eleita democraticamente pelos alunos. Como diria Sartre, se apanhamos na escola, é porque somos apanháveis.