Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Esquer x direita, prole x burg, divisões obsoletas

Iniciado por antnio_4 em 05/10/2011 · 22 mensagens

antnio_4#1
Há tempos que divisões clássicas como esquerda x direita, burguesia x proletários caducaram. Essas nomeações não dão conta mais de abordar e fornecer respostas a contento face ao que se apresenta no presente. Não cabe mais a divisão esquerda x direita, assim como não cabe mais conceber a sociedade a partir da divisão de classes e sua luta, pois o contexto em que esses conceitos se inseriam e que lhes dava sentido, a saber, o mundo do trabalho e seu paradigma industrial, se desfizeram. A coisa é muito mais complexa do que reducionismos dicotômicos conseguem apreender. Como consequência teorias, como a do valor trabalho, que davam embasamento econômico a análise marxista e sustentavam a existência das classes, de sua luta e também do mais-valia, desmoronaram, pois suas categorias não encontram mais suporte no real para se reproduzirem. Frente a multiplicidade e fragmentação do mundo em todos os sentidos e do sujeito, categorias bem estruturadas como classe, mais-valia, esquerda, direita, não resistiram e se desmancharam como vela sob ação do fogo, uma imagem interessante para se pensar o que se passou com a modernidade. Como Bauman nos diz, ela virou líquido.

O texto é meu.
antnio_4#2
E digo mais, socialismo, comunismo, anarquismo, são coisas que cheiram mofo. Quando Marx e Engels disseram no Manifesto Comunista "Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo" estavam certos. Naquela época o comunismo representava uma ameaça real. Hoje não. Portanto, sinceramente, caça aos comunistas não tem mais sentido.
priscila#3
Eu percebo o seu ponto, caro amigo: mas a sua percepção não é inteiramente correta.

Esta incorreção se deve ao fato de que o comunismo como doutrina política não foi compreendido direito lá atrás: e portanto o que as pessoas supõem, em geral, que SEJA o comunismo - NÃO É o comunismo.

O que sucede hoje é que o comunismo - COMO ELE FOI ORIGINALMENTE IMAGINADO por Marx - não é reconhecido como sendo O COMUNISMO, porque
as pessoas imaginam que ele seja algo que na verdade nunca foi, e por isso não o reconhecem na sua face real...

O que 99% das pessoas imaginam que "seja" o comunismo é a sua versão stalinista, que é uma adulteração da idéia original de Marx. A idéia original de Marx é praticamente IDÊNTICA ao que chamamos de NWO - a Nova Ordem Mundial. Ela consta de uma concentração de poder nas mãos de uma elite dirigente, que determina o que as massas "precisam", o que as massas "querem", o que as massas "devem ter". Ou seja: quem APITA é esta elite, só ela e nada mais do que ela: que decide pela massa enquanto a massa está convencida de que é tudo feito "para o seu bem" e que quem está "decidindo" é ela, a massa.

A coisa que diferencia o marxismo original das idéias stalinistas é que Stalin queria manter uma "identidade soviética" como uma supremacia identificada - enquanto Marx não tinha esta intenção, evidentemente: e queria simplesmente uma Nova Ordem Mundial, sem "supremacias" que não fossem a representada pela própria elite dirigente. Em outras palavras, Marx era TRANSnacionalista, como a NWO. E Stalin era nacionalista, queria manter a identificação do império soviético criado por ele.

Quando o Consórcio e a Banca resolveram financiar a revolução russa, e entregaram o dinheiro para isto a Lenin e a Trotsky, ESTA era a idéia: a idéia ORIGINAL, transnacionalista, de Marx. Stalin adulterou a idéia e enviou Lenin e Trotsky para a cucuia: e foi preciso que Stalin batesse a caçoleta para que os dirigentes pudessem REVERTER a coisa adulterada a esta idéia original.
priscila#4
Que É o comunismo marxista, e que É a NWO!!!!! 😄!

Financiada pela mesma BANCA, que funciona em moldes DINÁSTICOS, e portanto SE MANTÉM!
priscila#5
Então, como você vê, meu caro amigo, o que você está VENDO hoje é EXATAMENTE o COMUNISMO - em sua versão mais pura, mais FIEL àquilo que Marx imaginou!

Só que, como você viu o império soviético ser implodido (o que equivale a ELIMINAR a adulteração stalinista, que como eu disse pretendia manter uma "supremacia nacionalista, soviética" - ao contrário da ideia original que era a de domínio mundial SEM o conceito de "nações"), e você talvez não saiba que aquilo foi uma CORREÇÃO DE ROTA, e não um "fim" - você supõe que "o comunismo acabou e não é mais uma ameaça": quando na verdade ele teve foi seu rumo CORRIGIDO, para finalmente poder ser aquilo que Marx originalmente quis que fosse!

Em suma: NUNCA o comunismo foi uma ameaça MAIOR do que é hoje! 😄!
herbert#6
Nunca o comunismo foi uma ameaça tão séria quanto nos dias atuais! [2]
priscila#7
É interessante notar que a MESMA discussão e as mesmas diferenças em relação a detalhes se mantém até hoje: aquele homenzinho com quem o Olavo debateu recentemente, o tal Dugin, por exemplo, representa Stalin - um "nacionalismo estendido", um "império eurasiano" identificado como uma força específica - em oposição ao objetivo transnacionalista da ala "marxista ortodoxa".

Ele, o referido homenzinho, só se "opõe" à NWO quanto a ISTO: é como se rever Stalin se "opondo" a Lenin e a Trotsky! 😄!Trata-se de uma diferença que, francamente, não faz diferença para NÓS: embora a gente tenha que saber que ela EXISTE, para se entender o que raios está acontecendo e qual é a do homenzinho com quem o Olavo debateu, aliás brilhantemente! E REALMENTE, devido a esta diferença, Stalin e os marxistas ortodoxos se engalfinharam numa luta de morte - e a versão stalinista do comunismo foi a que vigorou por algum tempo, com toda a sua tralha soviética, identificada como soviética, reconhecida como soviética, combatida ou apoiada como soviética, etc. Se fosse a outra facção que tivesse vencido ali naquela hora, a NWO muito provavelmente já estaria estabelecida hoje nos seus moldes marxistas GLOBAIS - em vez de "soviéticos" ou "eurasianistas" ou o que seja. Para as massas, a diferença é mínima, é claro: trata-se da mesma merda, em ambos os casos.

NOVAMENTE a mesma luta se trava: é simplesmente um caso de "quem ganhar será a elite dirigente" - mas o que a elite dirigente, seja ela qual for, pretende fazer com as massas é exatamente a mesma coisa: dominá-las de forma absoluta.
priscila#8
🙂 - Obrigada, Herbert.
antnio_4#9
Não faz mais sentido falar em comunismo como um ente que tem lugar no presente. Seu universo próprio de vida não existe mais. O mundo não é mais vertical. As categorias centrais do comunismo: classes, mais-valia, etc. se foram. A organização dos trabalhadores se esfacelou, a economia do trabalho e industrial foi substituida pela economia baseada no consumo e pós-industrial centrada nos serviços e comércio. O mundo moderno, ou seja, racional e de verdades absolutas, se esgotou.

Marx no seu mundo de verdades, acreditou ter descoberto a grande verdade, que a história tinha um sentido e havia reservado um papel especial e final para o proletariado que teria sua emancipação. Esse discurso de emancipação herdou dos iluministas que pensavam na possibilidade de emancipação pela razão. Mas em Marx a emancipação se daria pela ação das forças históricas que levariam necessariamente o trabalhador a se rebelar contra a classe que por uma necessidade história estava lhe oprimindo. Como se vê concebeu sua teoria calcado num determinismo histórico fundado no chamado racionalismo científico. Marx montou uma grande narrativa da história, mas como nos fala Jean-François Lyotard, as metanarrativas acabaram.

A implosão da modernidade tirou de cena o comunismo como alternativa real e implicou na queda dos regimes do chamado socialismo real. A URSS, por exemplo, com o fim da modernidade não tinha mais razão de existir e seu fim era questão de tempo.

O ambiente permissivo, o movimento gay, do aborto, da legalização das drogas, etc. e suas crescentes conquistas legais, a crise de valores, relacionamentos efêmeros, o divórcio, o relativismo, os vários estilos alternativos, tudo isso não é por causa de uma suposta dominação comunista, mas porque o projeto da modernidade se mostrou incapaz de cumprir suas promessas, se revelando utópico. Com o fracasso das grandes utopias perdeu-se a crença em sistemas totalizantes, caso do comunismo.
antnio_4#10
A modernidade pensou o mundo como racional e possuidor de um sentido próprio. O homem confiou demais na sua capacidade de transformar o mundo usando sua racionalidade. Mas a razão entrou em crise. As certezas e garantias se foram. A identidade é móvel. As mudanças ocorrem numa velocidade muito maior. Ser feliz é um direito e uma obrigação. Para isso vale tudo. O hedonismo é total. O corpo é o templo a ser modelado e entregue a busca sem freio pelo prazer. Deve ser buscar experimentar o máximo possível de sensações. Só há o imediato, eterno presente, passado e futuro não existem. Lutas políticas apenas se forem muito específicas, microlutas, jamais macro. Partidos políticos e sindicatos não tem qualquer credibilidade. A família tradicional se despedaçou. Hoje há todo tipo de família. Comunismo está totalmente fora de questão.
diogo_2#11
Desculpe me intrometer no debate de vcs, mas seria interessante, se possível, fazer um paralelo dessas considerações com os protestos que estão ocorrendo nos Estados Unidos no momento.
antnio_4#12
A luta que vcs estão travando, na verdade, não é contra o comunismo, esse saiu de cena, mas contra a pós-modernidade, uma tentativa de restaurar a modernidade, reerguer estruturas, reunir os cacos de um homem despedaçado e dar lhe novamente uma unidade e sentido global. Isso é utópico. É como se o homem moderno tentasse voltar a era anterior ao renascimento.
andr_10#13
As idéias não são agentes históricos por si; elas precisam de um homem concreto para existirem no mundo.

Sendo assim, quando você quiser falar de comunismo, procure saber quem são os comunistas e você chegará à seguinte conclusão:

O comunismo, como doutrina política nunca existiu pois, a depender das circunstâncias, seu discurso muda, nunca existindo coerência alguma.

Já os comunistas, como movimento ideológico formado por pessoas concretas, de carne e osso, existe e estão muito bem de saúde e de saldo bancário. Eles, como bem dissse nosso querido ex-presidente, só não sabem que tipo de socialismo querem, mas estão por aí aprontando em seu nome.

O prof. Olavo, quando percebeu isto daí foi tentar estudar o que existiria por trás das várias ideologias, destes vários discursos inconexos que eram usados por pessoas que se consideravam pertencentes a uma certa tradição política. É disto que o Olavo fala quando escreve sobre a tal "mentalidade revolucionária".
paulohenrique_2#14
Caro Antônio, a ameaça hoje é maior , por parte dos eco-fanáticos, ou neossocialistas...
Ocorre que os idealizadores, maquiaram o comunismo, para apresentá-lo de maneira que não haja resistência.
antnio_4#15
Desculpe me intrometer no debate de vcs, mas seria interessante, se possível, fazer um paralelo dessas considerações com os protestos que estão ocorrendo nos Estados Unidos no momento.

No dia que vc fez essa pergunta não tinha tomado conhecimento do Ocuppy Wall Street, então não disse nada. Mas dei uma analisada no movimento por cima.

Bom... os teóricos do contemporâneo falam em esvaziamento da grande política e sua conversão em microlutas. É a luta pelos direitos dos deficientes, dos gays, dos idosos, dos índios, dos obesos que precisam de cirurgia digestiva, pela educação, pela universidade pública, pelos direitos dos professores, pela melhoria da saúde pública, pela Mata Atlântica, pela Amazônia, contra o aquecimento global, contra o bullyng, pelas cotas raciais, pelos direitos dos animais, e isso se fragmenta em microlutas, como pelo direito das tartarugas, dos golfinhos, das baleias etc. enfim, a política se fragmentou de tal forma que hoje tem se uma miscelânea de microlutas. O movimento Ocuppy Wall Street, que ocorre num momento atípico de grave crise econômica no primeiro mundo, a maior desde a grande depressão, elevado desemprego, aumento da pobreza, etc. destoa desse padrão de lutas muito particulares por ser uma luta de caráter não muito específico. Mas não é de modo algum um retorno ao velho paradigma. Tem sim um caráter que sai do micro, mas cai num geral vago, sem objetivos claros, sem hierarquia, descentralizado, sem vínculo com sindicatos, é apartidário, sem ideologia, não é direita nem esquerda, não tem nada a ver com comunismo ou socialismo, não é luta de classes como alguns republicanos qualificaram. Seus membros contam com avançadas tecnologias de comunicação e com as redes virtuais para agirem, consequentemente sua articulação e difusão é muito mais fácil que no passado, e ainda podem transmitir em tempo real o que estão fazendo. São movimentos que podemos chamar de rebeldia líquida.
andr_10#16
/ \
.I
"bla, bla, bla, whiskas sache... bla, bla, bla, whiskas sache..."
.
Tem povo deste tal de "occupy wall street" que recebeu dinheiro do Soros.
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Ademais, suas conexões políticas ficam evidentes, pois trantando-se de um protestozinho de merda recebeu toda a atenção da mídia mundial enquanto o Tea Party, infinitamente maior e relevante políticamente foi completamente ignorado.
ayrton#17
Trechos do artigo indicado pelo Tiago-Aleksander:

"(...) Normalidade democrática é a concorrência efetiva, livre, aberta, legal e ordenada de duas ideologias que pretendem representar os melhores interesses da população: de um lado, a “esquerda”, que favorece o controle estatal da economia e a interferencia ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. De outro, a “direita”, que favorece a liberdade de mercado, defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

(...)

Nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os “extremismos” de parte a parte: a extrema esquerda prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial. A extrema direita propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada.

(...)"

http://www.olavodecarvalho.org/semana/111005dc.html
ayrton#18
E tem gente aqui que não conseguiu entender ainda:

"(...) Basta compreender essas noções para perceber, de imediato, que a democracia brasileira é um doente em estado quase terminal. O jogo normal de esquerda e direita, que permite a continuidade do processo democrático e mantém os extremismos sob rédea curta, foi substituído por um sistema de controle monopolístico não só do poder estatal como da cultura e da mentalidade pública; controle tão eficiente que já não é percebido como tal, de modo que, quanto mais patológica é a situação, mais confortavelmente todos se acomodam a ela, acreditando piamente viver na mais pura normalidade democrática.

(...)"

http://www.olavodecarvalho.org/semana/111010dc.html
danilo#19
Alguém pode transcrever aqui a definição de Direita do Olavo de Carvalho ? Não estou achando.

Obrigado !
antnio_4#20
Tem povo deste tal de "occupy wall street" que recebeu dinheiro do Soros.

O Soros não doou dinheiro, mas declarou seu apoio ao Ocuppy Wall Street. Mas mesmo se tivesse doado, e daí? O Soros doa dinheiro para um montão de causas. Ele deve doar dinheiro para as criancinhas da África, que são apenas criancinhas da África, não comunistas.

Ademais, suas conexões políticas ficam evidentes, pois trantando-se de um protestozinho de merda recebeu toda a atenção da mídia mundial enquanto o Tea Party, infinitamente maior e relevante políticamente foi completamente ignorado.

Considerando a lógica da mídia, faz muito mais sentido dar mais atenção ao OWS, pois a mídia vive de vender espetáculo. O OWS tem muito mais potencial como espetáculo, principalmente depois que a polícia encrencou com eles e prendeu vários. O OWS pode ser vendido como o espetáculo dos desvalidos, desempregados, pobres coitados, desabrigados que foram para a rua após os bancos malvados terem tomado suas casas, pessoas revoltadas que preocupam os ricos e vão na porta deles fazer baderna, etc. Já o Tea Party não tem nada disso, não tem muito esse apelo de show.

Mesmo que não tenha sido a intenção dos organizadores do OWS, a mídia que vive de show, pegou o movimento e o resignificou para tranforma-lo num show. Hoje OWS já é pop.

Em resumo: a mídia não dá mais atenção ao Tea Party, não pq ela seja comunista, mas pq seu potencial enquanto show midiático é pequeno.
antnio_4#21
Pq o estatuto do idoso veio somente após a novela da Globo tratar das humilhações que os idosos passam? Pois o show ainda não tinha sido feito.

Na sociedade do espetáculo, o que não é espetáculo não existe. Tudo para ser percebido precisa antes ser transformado em show. A miséria, por exemplo, só choca após a midia fazer dela um espetáculo. Quando acontece uma tragédia, as doações só acontecem pra valer após a cortina ser aberta e o show midiático começar.
eduardo_26#22
Os comunistas adoram que as pessoas pensem que eles não existem mais, pois isso dá mais liberdade e segurança a eles.. outra coisa: tudo o que foi descrito sobre as microlutas descreve na verdade uma estratégia comunista.

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