Entrevista Cabo Anselmo - Roda Viva - 17/10/2011
Importante ressaltar que até hoje, em pleno séc.XXI, a esquerda ainda reluta em aceitar versões que não se amoldam as suas verdades, o comportamento dos "jornalistas" foi mediocre, todos estavam claramente na ofensiva e com clarissimas motivações ideologicas, porém, o Sr.Anselmo demonstrando infinita superioridade moral e intelectual se desviou dos ataques e sai engrandecido do debate.
O "novo" Roda Viva é sem a menor sombra de dúvidas um novo canal de propaganda do governo.
Anselmo”
A Comissão de Anistia do Ministério da
Justiça votou na terça-feira (22/5), por unanimidade, pelo indeferimento do
pedido protocolado junto à Comissão pelo ex-praça da Marinha, José Anselmo dos
Santos, mais conhecido por “Cabo Anselmo”, de anistia e reparação econômica do
Estado no valor de R$ 100 mil.
A sessão, realizada no auditório Tancredo
Neves, do Ministério da Justiça, foi bastante concorrida, com participação de
representantes da sociedade civil, especialistas e, principalmente, vítimas da
repressão exercida pelo Estado no período do regime militar.
Para o
conselheiro relator do processo, o ex-ministro dos Direitos Humanos Nilmário
Miranda, está comprovada a participação de José Anselmo dos Santos em ações que
violaram os direitos humanos. Assim, em sua análise, o ex-marinheiro não pode
ser anistiado. “Essa comissão reconhece a declaração de anistiado político e
pedido de desculpas do Estado a quem foi perseguido. Anselmo atuou e contribuiu
de forma sistemática para a tortura, perseguição de pessoas e perpetração de
outros ilícitos”, alegou o relator.
Miranda argumentou que seria um
contrassenso se o Estado brasileiro pedisse desculpas a quem colaborou e
promoveu a prática de crimes contra a humanidade. “Seria premiar quem deu causa
à barbárie. Não cabe reconhecer anistia e indenizar uma pessoa que participou ou
concorreu em atos como esse”.
O presidente da Comissão de Anistia e
secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, corroborou a posição de Nilmário,
pois, segundo ele, “há impedimento legal nesse tipo de reparação. É
juridicamente impossível o Estado reparar quem assumiu o papel de violador dos
direitos humanos”, afirmou.
Outro argumento sustentado durante a sessão
foi o de que Anselmo seria um agente infiltrado em atuação na resistência à
ditadura. Uma das testemunhas que falou à Comissão durante o julgamento, o
jornalista Mário Magalhães trouxe a público o áudio de uma entrevista concedida
por Cecil Borer, ex-diretor do Dops da Guanabara, morto em 2003.
Na
entrevista concedida ao jornalista em 2001, antes da instalação da Comissão de
Anistia, Borer afirmou que Anselmo, já em 1964, trabalhava para o regime.
“Trabalhava para a Marinha, trabalhava para mim, trabalhava para a americana [em
referência à CIA]”, dizia em áudio veiculado durante o julgamento.
Os
relatos das testemunhas reforçaram a decisão da Comissão, que encerrou os
trabalhos com o placar de 12 a zero pela improcedência do pedido do
ex-militar.
Anistias concedidas – Por unanimidade, a Comissão de Anistia
do Ministério da Justiça declarou, na mesma sessão, a condição de anistiados
políticos a Ana Lúcia Valença de Santa Cruz Oliveira e a Anivaldo Pereira
Padilha, pedindo oficialmente, em nome do Estado brasileiro, desculpas pelas
ações contra eles durante o regime militar.
Para a primeira, a comissão
decidiu também pela reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação
única no valor de R$ 100 mil. Já Anivaldo receberá indenização no valor de R$
2.484,00 a serem pagos em prestações mensais por ruptura de vínculo laboral,
tortura e exílio sofrido durante o regime militar.
Ele receberá ainda R$
229.397,40 em indenização retroativa, referente ao período de 14 de abril de
2005 até a data do julgamento. A pedido dele, seu processo será encaminhado à
Comissão da Verdade e ao Ministério Público, por conter relatos de tortura e
nomes de torturadores. “É importante que o processo de verdade e recuperação da
memória não deixe lacunas”, disse Padilha.
Preso pelo regime militar,
Padilha perdeu o emprego em uma revista. Sofreu sessões de torturas na prisão e,
depois de solto, foi perseguido, teve de viver na clandestinidade e exilar-se no
Uruguai, no Chile, na Argentina, nos Estados Unidos e na Suíça. Só retornou ao
Brasil após a Lei de Anistia.
“Mais doloroso do que as torturas que
sofri, foi deixar o país”, afirmou Anivaldo Padilha, ao participar da sessão de
julgamento na Comissão de Anistia. “Só eu sei a dor que foi sair daqui,
deixando-a (a companheira) grávida de poucos meses, podendo ser morta junto com
meu filho, que eu só pude conhecer em 1979, após a anistia, quando voltei ao
Brasil”, relatou. A criança, a que se refere o anistiado, é o atual ministro da
Saúde, Alexandre Padilha.
ditadura
Brasília, 06/03/2012 (MJ) - Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (8
de março), a Comissão de Anistia (CA) do Ministério da Justiça realizará uma
sessão especial de julgamento apenas com mulheres. Será no dia 9 de março, na
Cinemateca, em São Paulo. Serão apreciados sete processos de ex-presas e
perseguidas políticas, em seguida elas serão homenageadas.
Brutalmente torturadas, entre elas há duas irmãs confundidas entre si, por
terem os nomes parecidos: Maria Niedja e Maria Nadja de Oliveira. A primeira,
aprovada em 1976 em terceiro lugar no concurso para professora na Universidade
de São Paulo, não conseguiu tomar posse porque uma triagem ideológica acreditou
que ela fosse a irmã Maria Nadja, integrante do movimento contrário à ditadura
militar.



