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O reverso da "Inteligência Artificial"

Iniciado por priscila em 23/04/2007 · 6 mensagens

priscila#1
Inteligência artificial é, há muito tempo, um assunto pelo qual eu me interesso. Desde que o primeiro idiota apareceu pra propor a idéia de que tal coisa seria possível, eu não desgrudei do assunto. Minha bisavó já havia me ensinado, há mais de meio século, que a inteligência era um fenômeno que consistia na ação conjunta de uma coisa chamada razão e outra coisa chamada consciência – e que as duas coisas eram diferentes e necessárias – uma relativa, e a outra absoluta (ela não explicou exatamente com essas palavras, mas eu preciso traduzir pra todo mundo poder entender).
Por isso, quando surgiu o assunto da AI, eu percebi que seria absurdo pensar que o computador poderia ter a metade absoluta do processo: só poderia ter, no máximo, a tal metade relativa. Até porque a metade absoluta, sendo absoluta, era incomensurável, indefinível, indivisível e não-localizável, pela própria natureza do absoluto.
Foi quando descobri o trabalho do físico quântico Penrose, que propunha, em seu Emperor’s New Mind uma tese parecida: a de que o processo de inteligência humano não poderia ser conseguido artificialmente, porque parte dele era não-algorítmico, ou seja, transcorria segundo um outro modelo, não analisável e portanto não-reprodutível.
Eu me interessava, desde muito mocinha, pela Física Quântica, que sempre estudei com afinco: e fiquei feliz vendo a ciência, através de um de seus respeitáveis representantes, endossar o modelo, e reconhecer o paradigma que o pensamento religioso, ou metafísico, dos filósofos gregos a Tomás de Aquino, do conselho de Nicéia aos Mu’tazilis da bisavó, já conhecia há tanto tempo! Continuo acompanhando o progresso da divulgação dessa idéia.
priscila#2
Mas o debate que eu gostaria de propor não é exatamente sobre isso, embora, é claro, seja ligado ao assunto.
Tem me parecido, ultimamente, que aquilo que eu percebo como uma mudança evidente nas pessoas e em seu comportamento pode se dever exatamente ao bloqueio do lado não-algorítmico do pensamento humano, ou seja: não é possível que um computador, por maior que seja, reproduza o pensar humano – mas é possível que, através do bloqueio de parte deste pensar, um humano “vire”, em termos intelectuais, apenas um computador.
Ou: não é possível inserir o componente não-algorítmico do pensamento humano no computador, mas é teoricamente possível bloquear este mesmo componente numa pessoa. Neste caso, seria evidentemente possível igualar as duas “entidades” - a mente humana e o computador.
priscila#3
O lado não-algorítmico é sugerido como o “responsável”, entre outras coisas, por ações criativas, intuitivas, artísticas. Sua inibição produziria, portanto, um efeito imediato nessa área – fato fácil de http://comprovar.na/ área da arte, a Veja desta semana , naquelas páginas amarelinhas, traz a entrevista com um crítico de arte, obviamente inteligente, que lamenta a decadência da produção artística, que vem despencando ladeira abaixo e sem remissão desde o século XIX! TUDO o que o homem diz é verdade: isso que passa hoje por “arte” não merece, com raríssimas e honrosas exceções, sequer uma segunda olhadela. Leiam: vale a pena.

E prestem atenção nas pequenas coisas: outro dia eu quis descobrir um telefone que não constava na lista, e liguei para um número que me indicaram, que me forneceria a informação. Liguei, sem ter certeza de que aquele número era mesmo o das “informações”, pois poderia ser o dos “consertos”, ou de outro serviço qualquer. Fui “atendida” por uma voz que me dava as boas-vindas – “bem-vinda ao um-zero-sei lá o quê Telemar”, mas não esclarecia se era ali mesmo o lugar certo pra uma pessoa que queria descobrir um telefone... Tudo bem: era só uma gravação. Eis que fui atendida por uma humana, supostamente real, a quem fiz de cara a pergunta “este é o serviço de auxílio à lista?”. A inefável voz ignorou a pergunta e repetiu a mensagem, só que desta vez começando com um “senhora”: Senhora, bem-vinda, etc. O que deseja? Eu respondi , pacientemente, que desejava saber se aquele era o serviço de auxílio à lista. A voz, ignorando mais uma vez a pergunta, repetiu senhora, bem-vinda, etc – e, pra encurtar, não houve meio da coisa me dizer “sim, é o serviço de auxílio à lista”!
Era como se ela tivesse sido programada pra repetir incessantemente a mesma coisa, e fosse incapaz de alterar o padrão da resposta! E não se tratava de uma gravação, eu estava falando com alguém!
priscila#4
Enfim: o Penrose ainda não conseguiu obter o consenso entre os cientistas de que sua idéia é correta – mas pouco a pouco vai conseguindo mais e mais adeptos para ela. Seja como for, com ou sem o endosso unânime da ciência, eu acho que a desumanização não é uma impressão minha apenas: ela é, de fato, um fenômeno verdadeiro.

E vocês, acham o quê?
Estamos próximos de conseguir, finalmente, a "Burrice Artificial"?????
alexandre_7#5
Na área da arte, a Veja desta semana , naquelas páginas amarelinhas, traz a entrevista com um crítico de arte, obviamente inteligente, que lamenta a decadência da produção artística, que vem despencando ladeira abaixo e sem remissão desde o século XIX! TUDO o que o homem diz é verdade: isso que passa hoje por “arte” não merece, com raríssimas e honrosas exceções, sequer uma segunda olhadela. Leiam: vale a pena.

Eu li, Priscila. O próprio Olavo o cita favoravelmente em seu Imbecil Coletivo. Agora, penso que esta queda da arte do sagrado para o humano, do humano para o natural, e do natural para o abstrato demoníaco começou muito tempo antes: segundo o René Guenon ela começa com a introdução da perspectiva na pintura ocidental, a qual era propositadamente evitada pelas diversas tradições religiosas.

Se possível, leia um texto recente do José Nivaldo Cordeiro sobre a pintura de Van Gogh.
priscila#6
Obrigada pela sugestão, Alex. Vou "caçar" o texto!

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